Das datas que pedem flores, ou não



(...) Coisa linda
Vou pronde você está
Não precisa nem chamar...

O moço que há até certo tempo não era afeito de celebrar datas que não fossem seus aniversários descobriu o sabor de outras datas e hoje não quer mais saber de trocar de paladar.

Além de novos sabores adocicados, ele conseguiu ser capaz de desanuviar seus olhos e enxergar diversas novas matizes escondidas em cada pincelada de cor que existe no mundo, assim como destrancou palavras dentro de si que jamais haviam atingido a superfície. Um moço distraidamente sortudo e, portanto, universalmente agradecido.

A moça que sempre preferira comemorar as datas recheadas de chocolate surpreendeu-se ao perceber que há outras datas tão deliciosamente saborosas quanto bombons, trufas e afins.

Ao mesmo tempo pôde apreender melhor as canções alegres daqueles passarinhos cheios de fôlego nas manhãs de domingo, sentiu-se mais ainda abraçada pelo toque do vento que trazia consigo a lembrança de um cheiro que se tornou tão seu enquanto confidenciava segredinhos com a lua silenciosa. Uma moça ocasionalmente distraída e, sendo assim, grata a vida e tudo mais. 

Esses dois podem ser vistos passeando de mãos dadas por calçadas, cochichando secretamente em bancos de praças, sorrindo um sorriso só deles enquanto observam o desenho das nuvens. Você pode até conhecê-los, são exímios dançarinos com dois pares de pés esquerdos, cantores graciosamente desafinados, desastrosamente apaixonados.
Eles podem ser você, seu amigo de infância, seu conhecido apenas de “bom dia”, seu colega de trabalho ou de escola, seu vizinho. Podem ser estranhos na fila do banco, transeuntes das ruas do centro da cidade, desconhecidos na mesa ao lado do bar.
Eles são aquele casal que dá graça de ver, que por entenderem que “o lar é onde o coração está”, encontraram no outro sua casa. São um mais um. São singularmente um plural. São dois caminhos que se esbarraram numa encruzilhada do avesso.

É bonito de ver quando a vida coloca moços e moças assim frente a frente, como peças em um tabuleiro que não podem mais seguir sozinhas, na qual o encaixe dos dedos é tão certeiro que não há porque se soltar. Não há o querer se soltar.
E por ser tão bonito de ver é que o mundo deveria ter mais encontros assim.
Por mais moços e moças apaixonados, por mais versos delicados, por mais abraços e beijos. Por mais amor.

Que mais pessoas encontrem o sabor dessas datas. 

Porque hoje é dia de abraçar bem forte, beijar sem pressa e estar perto daquela pessoa que você permitiu estar contigo e que se permitiu a sua presença. Porque hoje pede celebração, pede romance, pede sorrisos partilhados. Porque hoje a comemoração não é um presente objeto, mas sim o amor concreto. Então deixo aqui meu feliz dia dos namorados.

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Mais sobre o dono dos sorrisos

Autor de sorrisos. Sou aquele que fala sobre o que sente e o que não sente com a mesma veracidade. Há quem diga que sou feito de palavras e quem sou eu para discordar? Ao ler minhas (entre)linhas nosso laço se aperta e assim podemos ser íntimos, de alguma forma. Contatos: rodolpho.padovani@hotmail.com

1 sorrisos compartilhados:

Joyce Silva disse...

Por mais amor!

Por mais pessoas como você, por mais sorrisos, por mais pessoas que nos incentivam a viver, que nos inspiram, que se tornam nosso lar.

Que texto lindo, suave e doce, como acordar ao lado de quem se ama, como mergulhar no sorriso que se estende nos olhos, como fazer do seu abraço um lugar para ficar.

Feliz dia dos namorados!