O calor de Clarissa (+18)



A noite quente alisava a pele de Clarissa, o ardor sibilava em seus pensamentos luxuriantes enquanto ela pensava que a única coisa que lhe faltava era um homem que a fizesse se sentir uma mulher. Um homem que a segurasse com força terna e fustigasse seu corpo com o suor do seu.

Clarissa sentiu que necessitava sair da cama morna e morosa e arrastar-se pelos becos sombrios e avenidas convidativas. O que sua mãe diria diante de tal imprudência? O que suas amigas pensariam daquele impulso destemido? Logo ela que sempre se escondera atrás de um sorriso inocente, sempre fugindo das conversas mais tórridas dos colegas de trabalho, sempre desviando-se de seu próprio prazer... mas já bastava.
Agora ela queria lançar-se sobre o mundo, prendê-lo entre suas pernas e berrar que a invadisse. Ela queria perder a máscara pueril pelo caminho mais devasso que pudesse haver e rasgar as privações que se auto impusera.

Botou um vestido curto, nada de esconder suas vergonhas naquela noite. Soltou os longos cabelos cacheados e impregnou-se do melhor perfume. Sorriu maliciosamente para o espelho, passando a língua nos lábios rubros. Lá fora, a lua cheia pareceu encher-se mais de brilho ao bater os olhos na donzela faminta por perigo. O vento cálido lambeu a pele lisa das pernas da moça e ela pôs-se a caçar.

No bar mais badalado da cidade, desfilou por entre os homens, atiçando-os. Fazendo-os crescer em suas calças. Convidando-os. No balcão, bebia uma bebida colorida qualquer, brincando com o canudo com a língua, desviando de alguns olhares, se entregando a outros. O rapaz esbelto e de sorriso fácil por trás da barba por fazer sentou-se a seu lado e perguntou se podia lhe pagar um drink. Ela deu de ombros como se não fizesse muito caso – a arte da sedução começa por demonstrar desinteresse, certa vez ouviu alguém dizer.

O apartamento dele cheirava a desodorante barato. O quarto estava desarrumado e a cama com os lençóis revirados, mas ela não se importou. Assistiu com muita excitação o rapaz despir-se, indicando que compartilhava daquela sensação despudorada, apontando seu membro em sua direção, como um convite para a tentação. Deixou que ele arrancasse seu vestido e a atirasse na cama que soltou um rangido de protesto, que foi totalmente ignorado. Ela montou em seu companheiro, seguiu o ritmo dos movimentos que ele ditava e cravou as unhas na pele dele conforme os segundos se passavam. Sentiu sua presença dentro dela, cavando cada vez mais fundo, desbravando seu interior. Arfou demoradamente, perdendo o fôlego quando atingiu o clímax, apertou-o ainda mais contra seu corpo e sentiu um espasmo rápido.


Em sua casa, na manhã seguinte, Clarissa bebericava em sua xícara de café, inerte em pensamentos. O que o pessoal do serviço pensaria? Como suas amigas reagiriam? E sua mãe, o que sentiria em relação à filha? Bem, ela não precisava se preocupar, ninguém ficaria sabendo, pois estava mais uma vez vestindo a máscara da pureza, escondida atrás do véu da inocência e desvencilhando timidamente das conversas de corredor.

Certo, sorridentes, aventurei-me pelas linhas sinuosas da lascívia mais uma vez, é interessante percorrer esses caminhos em meus escritos, espero que gostem.  

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Mais sobre o dono dos sorrisos

Autor de sorrisos. Sou aquele que fala sobre o que sente e o que não sente com a mesma veracidade. Há quem diga que sou feito de palavras e quem sou eu para discordar? Ao ler minhas (entre)linhas nosso laço se aperta e assim podemos ser íntimos, de alguma forma. Contatos: rodolpho.padovani@hotmail.com

6 sorrisos compartilhados:

Tati disse...

Delícia de texto!

Vem cá menino! Pare agora com isso de me deixar sem fôlego também! Já basta o que a Babi me tem causado tem tempos!

Texto bom, conto bom! Gostoso de ler, de sentir... Dá aquela vontade tentadora de querer viver isso. Não assim... haushaushaus, mas assim mesmo!

E olha se você continuar nesse caminho eu com certeza vou continuar por aqui.

Como sempre eu amei o texto e olha Rod, já te disse isso inúmeras vezes, você tem uma delicadeza que até nos dá a impressão que é uma borboleta escrevendo. E eu amo a sua intensidade, ternura e força.

Quero mais!

Beijos!

Charles Bravowood disse...

Ao ler fiquei cá comigo transcrevendo mentalmente alguns trechos numa linguagem bem mais suja, rs. Gostei moço.

Rebeca Postigo disse...

Belo texto!!!
Leve, poético e muito intrigante...
Como minha mãe mesmo diz...
São dos quietinhos que eu tenho medo...
Hahaha...

Bjo, bjo!!!

Manie disse...

meu-deus-do-céu, que texto perfeito!
senti uma mistura de aspectos psicológicos e materiais, sabe? ela utilizou da carne para satisfazer uma necessidade espiritual: quebrar a corrente com a pureza que ela mesma sabia que não tinha.

eu já li muitos textos co descrições sexuais e confesso que foram poucos os que eu realmente achei bem escritos. parabéns, sério, me prendeu ate o final!

Erika Souza disse...

amei o texto me deixou sem folego
seguindo teu blog retribui?
www.portaldebeleza.com

Graziele Santos disse...

Eu que me distanciei das minhas leituras viciantes por um tempo estou aqui comentando cada postagem sua. Eu amo seu blog, sua escrita. Parabéns! *-*

Graziele Santos
(http://lamiaparticolare.blogspot.com)