Não feche os olhos



Às vezes, com o passar do tempo, a gente se contradiz ou simplesmente passa a enxergar as mesmas coisas com outros olhos, porque temos de convir que tudo é questão de perspectiva, certo?

Auto parafraseando-me, certa vez disse algo do tipo “o que é de verdade permanece”, não vou dizer que eu não tinha razão na época, mas a vida cava estradas e trilhas que jamais imaginamos e por que aquilo que parecia ser verdadeiro deixou de o ser por ter acabado? Veja, o que é de verdade permanece, mas desvanece também. Não há verdadeiros absolutos que sejam eternos, assim como há valores que não se perdem quando o fim chega.
Vivemos na vida das pessoas somente uma vez, se houve razão ou não para partida depende das circunstâncias, contudo deixamos marcas e certas marcas permanecem tatuadas debaixo da pele, enterradas onde só nós mesmo podemos encontrar.
Por mais clichê que seja, a vida é feita de encontros e desencontros, vivemos nos esbarrando uns com os outros nas esquinas do tempo e é assim que as coisas devem ser. Fantasmas passados ressurgem de terras distantes, sonhos despedaçados lamentam seu não existir e embora já tenham ido, um dia foram reais.
Ainda que existam os gostos amargos, não podemos nos esquecer do que é doce ao paladar. Uma vida não se faz somente do presente, é imprescindível que haja bagagem, que haja peso, derrotas e vitórias, lágrimas e sorrisos. Sua bagagem é quem você é, de alguém que um dia você já foi.

Hoje enxergo muito do que eu via com outra visão, desvesti-me de uma miopia ora ignorante, ora proposital, pude ver que há mais beleza nas coisas quando nos desarmamos da cegueira habitual. E mesmo que não exista perfeição, o imperfeito há de ser belo.

Acrescento ainda mais à minha frase lá do início, “o que é de verdade permanece, não necessariamente apenas no presente, mas também na memória e num cantinho especial de sua bagagem”.

Contradizer-se, às vezes, é evoluir, talvez até seja um passo de amadurecimento. Não feche os olhos para o que a vida quer te mostrar, não tenha medo de se contradizer de vez em quando.

Sei lá, o texto surgiu meio que do nada, meio que do sono e é meio que funcionou. Não reclamarei da ladainha de não ter tempo, quem sabe, sabe. Abraços, seus sorridentes.

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Mais sobre o dono dos sorrisos

Autor de sorrisos. Sou aquele que fala sobre o que sente e o que não sente com a mesma veracidade. Há quem diga que sou feito de palavras e quem sou eu para discordar? Ao ler minhas (entre)linhas nosso laço se aperta e assim podemos ser íntimos, de alguma forma. Contatos: rodolpho.padovani@hotmail.com

3 sorrisos compartilhados:

Babi Farias disse...

Seu texto me levou a outros momentos que eu quero esquecer, ainda que eu mude a página, o capítulo ou o livro, não vão me deixar. Já não são mais as impressões que eu deixei na vida e, sim, o que ela deixou em mim. Então vou carregar. Uma hora o rancor, a raiva, a tristeza se dissipam pra me fazer entender os reais motivos pelos quais os senti. Lindo texto, Rodi! Obrigada pelo momento de reflexão.

Beijo.

Nati disse...

Tudo depende do ângulo que vemos.

Com o passar do tempo amadurecemos e nos tornamos mais seletivos... Beijos

Gabriela Furtado disse...

Ainda bem que o tempos nos permite mudar. Mudar de cabelo, de roupa, de gosto, de lugar e até de opinião! Só a maturidade nos faz entender que isso é bom. Beeeijooos