Para aqueles que escrevem



Ele encarou a solitária página em branco diante de si e por um instante foi acometido de uma tristeza sem tamanho. Aquilo que é branco precisa ser preenchido, pensou. Uma tela com o toque mágico de um pintor se torna uma bela obra de arte e um papel na mão de um escritor pode se tornar qualquer coisa, a imaginação é o limite e convenhamos que para ela não há limite algum.

Há vários tipos de solidão. A solidão de um escritor é a menor que há e é a mais habitada. Um escritor se mune de sua solidão e contrário à maioria das pessoas ela não o engole, ela o inspira.
Há vários tipos de silêncio também e o silêncio de escritor é o mais barulhento de todos. O silêncio tão desfragmentado sussurra frases e diálogos; o nada ao redor murmura perguntas e levanta questões; o fiapo de luz oriundo de um lugar qualquer argumenta com a escuridão e encanta os olhos daquele que sabe como transportar o universo tátil para o mundo das palavras, além de ser capaz de criar mundos a partir de um grão de areia.
A palavra ganha vida, ganha forma e se desdobra num leque gigantesco nas mãos de um escritor, para ele nada é impossível se ele acreditar. Se o leitor acreditar.
Há quem diga que todo escritor tem um quê de louco, mas quem é que não tem? A loucura de um escritor é a insanidade reprimida daquele que se cala. Ele dá vozes ao vento, dá vida a seres abstratos, expõe seus sentimentos e sua essência através de sua obra. Um escritor é o pai de uma criação que não será só sua depois de concluída.
Se ele escreve é para descarregar e preencher sua mente simultaneamente. É para ouvir com os olhos o que seu coração diz. É para gritar emudecido aquilo que sente. É para doar-se em palavras e expressões. É para sentir o que os outros não compreendem e traduzir o que sentem e não definem.

As palavras são criaturas ariscas e vagam livremente por um mundo paralelo, algumas seguras de si, outras incompreensíveis e de difícil interpretação. Elas não sabem muito bem o que são, não conseguem unir-se de forma independente e, vez ou outra, se deprimem pelo fato de não serem aquilo que queriam ser.
É preciso que um desbravador invada esse mundo e dê ordem ao caos. É necessário que alguém as dê um motivo para existirem e as faça dar as mãos umas as outras para formarem construções magníficas. Alguém que lhes dê uma razão para sorrir e diversas formas de ser aquilo que querem. O escritor conhece a porta para esse mundo e mesmo que ela tente se trancar, não há nada que o prenda do lado de fora, pois ele sabe que escrever é sua forma de viver diversas vidas dentro de uma só.

E escrever é refugiar-se de si mesmo num mundo particular onde os sonhos são a realidade, onde nada é o que parece e tudo pode mudar no parágrafo seguinte. 

E hoje é o Dia do Escritor. Parabéns a todos aqueles que aprenderam que escrever é uma arte inerente ao sentir. E que apesar de haver um dia do escritor, todo dia é dia de escrever. 

Compartilhe

Mais sobre o dono dos sorrisos

Autor de sorrisos. Sou aquele que fala sobre o que sente e o que não sente com a mesma veracidade. Há quem diga que sou feito de palavras e quem sou eu para discordar? Ao ler minhas (entre)linhas nosso laço se aperta e assim podemos ser íntimos, de alguma forma. Contatos: rodolpho.padovani@hotmail.com

4 sorrisos compartilhados:

Niki disse...

Linda homenagem! Amei seu blog =D
Parabéns!!!

Bella Fowl disse...

Lindo! Feliz dia do escritor a você também. Hoje escrevi um micro conto para todos nós, que nos divertimos tanto com essa arte de manipular palavras.

Ficção

O figurado resolveu se casar com o literal. Depois disso ninguém mais soube o que era verdade.

bellafowl.tk

Thuan Carvalho disse...

Feliz dia do escritor!

Excelente o post. Digno de um dia como o que se passou, e de todos os outros.

*muito bom o versinho do comentário acima aqui também.

Viva as palavras!

Tati Tosta disse...

"ele sabe que escrever é sua forma de viver diversas vidas dentro de uma só"
"A solidão de um escritor é a menor que há e é a mais habitada..."


Amei, me senti sendo descritas em alguns pontos, me vi distante em outros, mas eu amei e concordo plenamente...

Beijos