Magenta



Se até as cores variam em suas tonalidades de quentes a frias, não me peça para ser estável o tempo todo.

Exigências sociais e padrões definidos por quem nem ao menos sabe o que faz não me interessam, portanto jamais me prenderei a nenhum deles. Não queira que eu fique, quando em minha cabeça eu já decidi que vou partir. Meus pés são ligeiros, sem amarras, eles têm essa vontade insana e aguçada de querer perambular em todos os lugares, assim como meus olhos que estão sempre ávidos por descobrir o que o horizonte esconde.
Sua estadia vai durar o tempo da sua tolerância ao meu estilo individual e desgarrado de ser. Isso provavelmente tem a ver com meu típico e antiquado modo de ver certas coisas ou com meu espírito livre que não pertence a lugar algum. Dizem que lar é onde o coração está, bem, meu coração está comigo aonde quer que eu vá, entendo então que eu sou meu lar e se não for esse o conceito de toda essa parafernália eu prefiro pensar que não há um lar adequado para um desajustado como eu. Nas ruas do mundo é onde eu vivo.
Procure por mim além do arco colorido pós-tempestade, talvez eu esteja vasculhando por um pote de ouro ou frustrado por uma desilusão. Pense em mim como um balão de ar que espera ansiosamente que a mão da criança se abra para que possa flutuar sem rumo e sem razão. Perceba o inusitado, pois de coisas incrivelmente simples é que o quebra-cabeça de minha essência é feito, no entanto o simples pode ser o mais complexo dos eixos. O óbvio é muitas vezes negligenciado, nunca entendi o porquê disso.
Atenda minhas ligações antes do dia raiar, pode ser que eu não tenha nada para dizer e apenas queira ouvir sua voz. Não espere, porém, que eu vá atender todos os requisitos pré-estabelecidos que você tenha em mente, se há um fluxo contínuo, eu sou aquele que caminha na direção oposta para descobrir do que é que todos fogem, não espero saber para onde vão. O ir não é de todo especial, o mistério de não saber alguns caminhos é. Segredos se escondem em fissuras da vida de cada um, nem todos devem ser revelados, mas eles hão de atiçar curiosidade. O caráter enigmático é o mais interessante e charmoso e a arte de não compreender completamente tudo o que o rodeia é o que causa todo fascínio. Não preciso desvendar todas as verdades do mundo para me sentir um conhecedor das coisas, apenas perceber as mentiras que espreitam atrás das sombras.
Minha cor é quente, ela faz jus ao que sou. Ao enigma. Magenta é aquela cor que confunde, que ora pode ser vermelha ou roxa, depende do seu ponto de vista. Depende de quando você a observa. Ela tem um nome que a caracteriza perante as outras, ela tem sua singularidade. Tem quem a ame e quem a deteste. Tem força e destaque. Não são todas as cores que são capazes de entender os vértices da existência da magenta e isso é problema delas.
Você não escolhe a cor que o envolve, mas uma verdade que descobri é que independente de qual ela seja, ela diz muito sobre quem você é.

Porque alguns textos vêm de simples conversas que podem ou não fazer sentido. É assim que a inspiração vê as coisas, como uma fonte inesgotável de material utilizável. 

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Mais sobre o dono dos sorrisos

Autor de sorrisos. Sou aquele que fala sobre o que sente e o que não sente com a mesma veracidade. Há quem diga que sou feito de palavras e quem sou eu para discordar? Ao ler minhas (entre)linhas nosso laço se aperta e assim podemos ser íntimos, de alguma forma. Contatos: rodolpho.padovani@hotmail.com

3 sorrisos compartilhados:

Guilherme Navarro disse...

Que blog interessante!
Me fez sorrir!

Thuan Carvalho disse...

É assim que a inspiração sobrevive; de sobrevidas.

Tati Tosta disse...

Sim, querendo ou não, as coisas acontecem dessa forma - tudo diz muito sobre nós.