A arte de não terminar as cois...


Do tempo que eu roubo do tempo,
doses de culpa o vento ébrio me traz.
De um passatempo que não me contento
sorvendo d’uma inutilidade voraz.

Sabe então aquele momento em que isento
de culpa o nada me apraz?
Em inércia meu corpo aposento,
enquanto prorrogo o assunto mordaz.

Sou de todo um só pensamento,
aquele que diz “deixe disso, rapaz”.
O amanhã está em andamento,
trazendo nas costas o que deixaste pra trás.

Distraio daquilo que atento,
fugindo das regras de que sou capaz.
Nem de tudo a fuga eu sustento,
pois certas coisas demandam morais.

Um final digno pr’este poema detento,
porém num alento o sono rouba meu gás.
Outro dia dou-lhe acabamento
e então certamente ficarei em paz. 

Pauta para Bloínquês 
Aqui estou eu arriscando em um poema outra vez, pois quando vi o tema procrastinação eu tive que escrever, afinal não podemos negar nossas raízes, certo? Espero que gostem, eu meio que gostei de não ter procrastinado dessa vez e ter escrito.

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Mais sobre o dono dos sorrisos

Autor de sorrisos. Sou aquele que fala sobre o que sente e o que não sente com a mesma veracidade. Há quem diga que sou feito de palavras e quem sou eu para discordar? Ao ler minhas (entre)linhas nosso laço se aperta e assim podemos ser íntimos, de alguma forma. Contatos: rodolpho.padovani@hotmail.com

4 sorrisos compartilhados:

Tati disse...

Oi Rod, eu estou bem!
Também sinto falta de poder passar por aqui Preciso te ler, mas falta-me tempo.

Beijos, saudades e obrigada pela visita, venho te ler assim que der.

Thaís. disse...

Oi... Será que você ainda se lembra de mim? Faz tanto tempo que eu não passo aqui que não ficarei brava se sua resposta for negativa.
Primeiramente devo dizer que sua escrita continua boa, ou ainda melhor. É bom amadurecer com o tempo também na parte das palavras, não é? E segundo... Que poema bonito. Sou fascinada por eles, mas pouco consigo escrever assim.
Eu volto sempre que puder.
Um beijo, @pequenatiss.

Alexandre Lucio Fernandes disse...

Que poema encantador meu amigo. O tempo realmente nos desorienta. Nos rouba, nos bagunça. Quantas coisas adiadas por conta dele não é? Até o tempo pra fazer o poema...

Perfeito! És um exímio poeta, não apenas com contos.

Abração!

Mia Sodré disse...

Ficou MUITO bom seu poema. Espero te ver participando mais vezes lá no Bloínquês, viste?
:*