A catástrofe



Houve um tempo em que sonhar era permitido, um tempo em que o mundo não era apenas um lugar sem esperança. Houve um tempo em que eu tinha estrelas nos olhos e naquele tempo eu podia sonhar acordado. Mas isso foi antes do fim. Para que você entenda como eu cheguei até aqui é preciso que saiba como tudo começou.

Nós fomos avisados que este dia chegaria. Toda a população estava consciente de que somente poucos sobrariam, mas não esperávamos que fossem tão poucos. Ao evento demos o nome de “A catástrofe”, embora isso soe como um eufemismo para o que aconteceu. Poderíamos tê-lo chamado de apocalipse ou como alguns costumam dizer “o dia do extermínio”. O fato é que o mundo que existia deixou de existir.
A população da Terra era de aproximadamente 7 ou 8 bilhões de pessoas quando o gigantesco meteoro nos atingiu, não faz diferença a exatidão numérica. Hoje restam pouco mais de 2 mil.
O planeta mergulhou em uma escuridão devastadora no momento do impacto. O meteoro atingiu a América Central e partes das Américas do Norte e Sul. O mar engoliu o resto do continente e abocanhou a Europa, a fúria das ondas dizimou a África e Ásia. Pouquíssimas cidades não foram atingidas diretamente pela catástrofe e sofreram menos. O mundo ficou envolto numa nuvem cinza de poeira e morte. Explosões destruíram várias outras vidas e em algum lugar do mundo, uma bomba atômica explodiu. O planeta todo tremeu.

Há o que parecem ser três anos estamos vasculhando os escombros do mundo a procura de sobreviventes, viajamos pelo mar com barcos que construímos com a madeira dos destroços. Os movimentos de rotação da Terra não são mais os mesmos. É mais noite do que dia. Temos poucas horas de luz solar e o frio é intenso. Não existem mais meios de comunicação como a internet ou celulares. A humanidade viu-se forçada a viver novamente a era das cavernas.
Não há alimento o suficiente para todos. Poucos animais sobreviveram. Entramos em uma era em que a extinção paira sobre nós feito um vulto sombrio e agourento.
Não sabemos quanto tempo ainda teremos pela frente, doenças se espalham rapidamente e sem medicamentos não há como controlá-las. O mundo está condenado. A humanidade foi consumida pela ira de uma força mais forte que ela. Alguns dizem que a natureza se rebelou. Outros afirmam que foi uma punição de Deus. Há quem diga que tudo estava destinado a acontecer e que os sobreviventes são os escolhidos. Escolhidos para quê? Eu me pergunto.

Acredito que chegou a hora do homem engolir seu orgulho e presunção e entender que o fim da sua raça chegou. Não há mais para onde ir. Não há futuro algum nos esperando, assim como minhas palavras se perderão no meio da fuligem que restou de nós.

Um texto diferente, eu sei, mas eu sentia falta de enveredar para caminhos menos explorados. Enfim, que isso fique apenas na ficção, rs. Um grande abraço para quem ainda vem me visitar por aqui.

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Mais sobre o dono dos sorrisos

Autor de sorrisos. Sou aquele que fala sobre o que sente e o que não sente com a mesma veracidade. Há quem diga que sou feito de palavras e quem sou eu para discordar? Ao ler minhas (entre)linhas nosso laço se aperta e assim podemos ser íntimos, de alguma forma. Contatos: rodolpho.padovani@hotmail.com

2 sorrisos compartilhados:

Alexandre Lucio Fernandes disse...

Conto forte. E porque não premonitório? Hum?
Bem, de qualquer forma a história abre um leque para reflexões. Principalmente para o que podemos encontrar pela frente. Resultados de nossas ações ou não, acho que o mundo precisa ficar atento...

No mais, pequenas catástrofes acontecem todo dia. Espero não poder viver pra ver algo do tipo, assim tão grandioso e trágico. rs

Adorei tua visita por lá.
Sei que anda estudando muito.
Mas sempre que arrumar um espacinho no tempo aparece...

Abração meu amigo.

Milla disse...

Adorei o texto. É um caminho diferente, mas você sempre consegue desenvolver outros temas muito bem...
O seu texto é algo que todos deveriam ler e enxergar que temos que lutar por tudo que temos e pelas próximas gerações. Temos que pensar o que queremos deixar e pelo que vale a pena lutar.
Beijos