As sensações de Lucília (+18)



“(...) existe uma estrada depois do arco-íris onde a pureza se esconde e todos os pecados saltam de um pote. Não de ouro, um pote profano carregado de luxúria.”

A moça releu as últimas linhas do capítulo que terminara no dia anterior.
Lucília era uma moça diferente, incomum e, de certa forma, bizarra. Ela descobrira há cerca de dois anos que era capaz de sentir tudo aquilo que os personagens dos livros sentiam. Se eles tinham fome, logo ela também passava a ter; se eles sentiam-se felizes ou irritados, esses mesmos sentimentos lhe eram transportados. Ela já experimentara o cansaço, temor, raiva e até mesmo dor física alheia, porém sua curiosidade por um tipo de sensação causava-lhe frio na barriga e enrubescimento. Ela deseja sentir excitação e prazer.
O livro com a capa erótica sorriu-lhe maliciosamente e seus dedos tatearam os contornos dos corpos desfocados no papel, então ela abriu as páginas e atirou-se nos mesmos momentos de prazer da personagem principal. Ela o lia escondido, mordendo o lábio lutando contra um gemido incontido que teimava em escorrer pela sua boca, mas naquele dia ela havia decidido ler ao ar livre. Encostou-se na parede do lado de fora da casa e começou a ler.

“... ela sentiu seu aperto firme e a pressão de seu membro rijo contra sua pele eriçada. O homem rasgou-lhe as roupas violentamente, faminto para adentrar em seu corpo e possuí-la aos poucos. As veias grossas dos antebraços dele saltavam conforme seus braços se enroscavam em torno do corpo dela, que apenas arfava ardentemente e implorava em silêncio para que ele a penetrasse. E ele o fez.
Gemidos, pulsação explosiva e suor se fundiram durante os minutos carnais entre os lençóis molhados. As mãos dele vasculhavam o corpo dela e pressionava seus seios. A língua dela passeou pelo corpo másculo do parceiro, provando seu gosto salgado. Ele a invadia permissivamente, estocando com força e com delicadeza ao mesmo tempo.
Ela o sentia dentro de si, sentia-o movendo em seu interior. Sentia seu poder entrando e saindo. Seus dedos apertaram com força o colchão enquanto uma sensação iniciava-se como o rompimento de uma represa. O prazer atingiu seu ápice e ela sentiu que ele também o alcançara, pois toda sua imensidão jorrou em seu corpo. O fôlego perdeu-se entre uma inspiração e os corpos jazeram lânguidos sobre a cama. Suor. Prazer.”

Lucília fechou a página do livro e percebeu que o havia amassado enquanto lia. Sua respiração estava ofegante e seu corpo provara a sensação que ela tanto desejava. Ela sentiu-se envergonhada quando notou que o prazer fora expelido de seu corpo e a deixara umedecida.
Com uma olhada rápida para os dois lados da rua ela viu que ninguém a observava, sorriu aliviada e tocou a virilha, meio insegura, como se aquele gesto confirmasse seu gozo final.
O livro em suas mãos pareceu um tesouro desvendado, mas ela queria mais. Seu corpo gritava por mais daquela porção de orgasmo que ela tivera. Ela não mais queria sentir o que a personagem sentia, ela queria se tornar a personagem. Ela queria realizar os desejos impuros de sua essência corrompida.
Ela almejava o prazer carnal, pessoal e o calor do toque. Ela roçou os dedos nos mamilos ainda rígidos da leitura e prendeu a respiração por um instante.

Um homem cruzou seu caminho e lançou-lhe um olhar tímido e interessado, como se pudesse sentir o aroma lascivo que ela exalava. Lucília sorriu, passando a língua nos lábios e então abaixou a cabeça.
Um jogo de sedução iniciou-se.

Um jogo que terminará com duas vitórias desnudadas nos lençóis. 

Sim, enveredei minha escrita para um rumo que não costumo seguir, em parte por curiosidade e em parte por ousadia, por isso o "+18", apesar de não ser um texto tão impróprio assim, mas é bom mencionar a classificação indicativa de coisas desse tipo, rs. Não sei como será a recepção de vocês, mas eu gostei de ter escrito. Um grande abraço, sorridentes. 

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Mais sobre o dono dos sorrisos

Autor de sorrisos. Sou aquele que fala sobre o que sente e o que não sente com a mesma veracidade. Há quem diga que sou feito de palavras e quem sou eu para discordar? Ao ler minhas (entre)linhas nosso laço se aperta e assim podemos ser íntimos, de alguma forma. Contatos: rodolpho.padovani@hotmail.com

11 sorrisos compartilhados:

Amanda Carvalho disse...

Participe do concurso em comemoração de um ano de blog - Concurso

Babi Farias disse...

Rod, você sabe que sou afeita a esse gênero e confesso que conseguiu me surpreender com o conto. Conduziu com maestria e não ficou vulgar. Digo isso porque tem todo um toque de poesia, o que o deixou sutil e sexy. Lucília é a típica personagem que transpassa a linha do irreal para o real... Quantas mulheres ainda vivem como uma Lucília.

Lucas Reis disse...

Adoro contos eróticos, mas na internet, que é terra de ninguém, é muito difícil encontrar alguma coisa que me satisfaça.

O seu é diferente desses: foi sexy, delicado, caliente. Pode continuar se arriscando pelos caminhos da ousadia, Rodolpho. Tá no caminho certo.

Abraço.

Charlie Bravo' disse...

U-A-U, "estocar", "penetrar", que indecência sensacional! Sinto-me realizado em tuas palavras, em teus versos "seduzentes", ai ai ai... foi mestre aqui e soube dosar muito bem.

Rod, tu és perigoso homem!

Até. Charlie.

Alexandre Lucio Fernandes disse...

Bem ousado mesmo. E você foi feliz na escrita, porque ela não se torna vulgar, mas apimentada num limite excelente. Texto forte, lascivo e excitante, bem diferente do que costumo ler aqui mesmo.

É bom enveredar por temas pouco explorados. Eu mesmo fiz há um tempo um texto bem excitante assim, e foi muito bom.

Só por curiosidade, eu tenho uma personagem chamada Lucinda, com nome muito parecido com a sua. Escrevi um conto com ela como protagonista, se chama Confissões de Lucinda, e ela conta a sua primeira aventura sexual. Mas perto do teu texto ele é bem mais sutil porque apenas insinua...

Mas nunca o postei. Um dia quem sabe...

Conto muito bom o seu.
Aliás, você é excelente com contos.

Abração!

Gessy disse...

Erotismo com uma pitada de poesia. Ou seria ao contrário?
É diferente do que geralmente leio por aqui, mas foi uma boa surpresa.
Ótimo conto, como sempre!

Gabriela Furtado disse...

É só vir aqui para sofrer o encantamento das suas palavras! Beijos

Carlos F. Dourado disse...

Nossa é sempre a mesma coisa, eu fico um tempo afastado do blog e quando volto sempre me deparo com obra-prima. Esse texto ficou otimo, Rod pode continuar a explorar esse estilo de escrita que está muito bom.

Abraço.

Rebeca Postigo disse...

Wow!!!
Gostei...
Muito encantador...
Realmente você escreveu lindamente...
Adorei!!!
Ouse mais...

Bjs!!!

Milla disse...

Parabéns pelo conto, como sempre ótimo. Admiro sua coragem de postar algo diferente do que você costuma escrever. É bom arriscar de vez em quando e nos surpreender com o resultado.
Beijos

Tati disse...

Aí Sim!

Esperava por um texto seu nessa linha, faz tempo. E gostei demais.

Ficou doce, gostoso de ler, sincero, cheio de cenas bem feitas. Você conseguiu, sem vulgaridade transcrever uma cena que acontece com muitas Lucilas no nosso mundo.

Gostei Rod. Faça mais que eu leio.

Beijos