Take a sip of me



Quando olho no relógio, enxergo mais que meras horas. Meu olhar alcança além dos ponteiros e se lança no desconhecido em busca da trilha da esperança que já desvaneceu em mim. Eu busco a verdade por trás do amor.

O tempo passa, a vida passa e o coração apenas bate dentro do peito, inerente ao amor. E o que é este sentimento inconstante e volátil que todos falam? É possível que todos realmente o sintam percorrer suas veias e ser bombeado pelo corpo? Ele é real ou fruto da imaginação de um gênio que o criou com a maquiavélica intenção de tornar o mundo um lugar insano?
Eu queria que o amor fosse palpável. Eu queria tocá-lo. Queria bebê-lo e sentir seu gosto, ora docemente fatal, ora amargamente suave. Mas amar é conjugar um verbo errante, que se perde nas entrelinhas e se enfeita de poesia para tornar-se atraente e belo. Amar é correr riscos, é caminhar numa corda bamba feita de barbante.
Minhas divagações saltam em minha mente como disparos de armas, elas voam e passam zunindo em minha frente. Às vezes eu desvio delas, outras eu me atiro em sua frente e peço para ser atingido. Quero que minha camisa branca se manche com o rubro líquido quente que vaga dentro de mim. Quero que o amor vaze.
Como expelir um sentimento que pode ser irreal? Não sei se o tenho dentro de mim. Preciso de uma confirmação. Fecho os olhos e a imagem daquela pessoa se materializa em meu pensamento, um truque barato de mágica para enganar meu coração. O coração não pensa, ele não foi feito para tal. Ele foi feito para pulsar e sentir. Pulsar e sentir.
Uma xícara quente de café se acomoda entre meus dedos e aquece as palmas de minhas mãos. Sinto o calor atravessar a porcelana e tocar minha pele. O calor é real.
Talvez se eu me transformasse em bebida você poderia me sentir. Meu ser deslizaria pelos seus lábios e dançaria pela sua língua, assim você provaria meu sabor e me possuiria dentro de ti. Só assim. Meu calor seria o seu. Meu gosto apeteceria seu desejo de amar.
Os livros na minha frente transbordam palavras e muitas palavras são jogos de adivinhações. Elas supõem conhecer o amor. Elas tentam desvendar seu segredo obscuro de ser o que é. Elas imploram insistentemente pela sua definição. E o amor simplesmente se emudece. Ele é um tirano silencioso que jamais se dobra às vontades alheias. O amor é um ditador. Ele rege e você obedece. Não gaste suas forças tentando provar que o contrário disso é minimamente possível, no final você só vai envergonhar-se por ter que admitir que estava errado.
O amor é maior que o tempo, ele é atemporal, alguns podem dizer. Afirmar coisas a seu respeito é bem do feitio do homem que usa as palavras de forma incoerente e se perde em seus diversos sentidos. Não aprisione o amor em palavras. Não o tranque entre aspas. Amor e gramática não se fundem, ele sempre foge à regra.
Minhas teorias roubam o tempo que o tempo rouba de mim. Eu não sou atemporal. Eu existo, coexisto até. Ponderar sobre o amor é o mesmo que desejar viver eternamente. Nenhum mortal vai compreendê-lo inteiramente e essa é a beleza por trás do amor. Mistérios enchem os olhos e a boca. Segredos são instigantes. Verdades são convenientes, mas nem sempre são verdadeiras e esse é um paradoxo complicado de mais para as divagações deste mesmo dia.

Eu realmente queria caber em uma xícara. Você a pegaria delicadamente pela asa e o vapor do meu existir sussurraria “beba-me”.

O nome do texto em português é "Tome um gole de mim". Não é o nome de uma música nem de um filme, eu optei por deixar em inglês só para causar curiosidade mesmo. E sim, o blog está de cara nova, tomei vergonha e mudei o layout. Abraços.

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Mais sobre o dono dos sorrisos

Autor de sorrisos. Sou aquele que fala sobre o que sente e o que não sente com a mesma veracidade. Há quem diga que sou feito de palavras e quem sou eu para discordar? Ao ler minhas (entre)linhas nosso laço se aperta e assim podemos ser íntimos, de alguma forma. Contatos: rodolpho.padovani@hotmail.com

9 sorrisos compartilhados:

Anônimo disse...

Um texto cheio de sentimento. Você explicou da maneira possível aos olhos do ser humano o que é o amor.
Parabéns!

disse...

"Não aprisione o amor em palavras. Não o tranque entre aspas." ♥
Nossa, que lindo... Arrisco dizer que é seu melhor texto, de todos!
Amei, amei, amei!

Metamorfoses disse...

Amor, tema de tantas prosas e poesias...Amar é algo bárbaro, triste daquele q desconhece o agridoce gosto do amor...


Tempão q eu não passava por aqui, realmente mudou bastante, mas as carpas continuam famintas e vc continua um domador de palavras...rs


Ps: O comentário no Blog me deixou encucada, afinal, a q feriu fui eu...rsrsr


Bjão

Milla disse...

Passei para avisar que deixei um meme para você no meu blog, espero que goste :)

Beijos

Ps. Por meu blog ser contra a cópia de textos, eu estou disposta a mandar o texto por e-mail para facilitar. Se quiser me mande seu e-mail por comentário :)

ღα૨gѳђ ખ૯૨ท૯૮ઝܟ disse...

Menino!!!!!!!!! amei de paixao !!!

super beijo

Maíra Cunha disse...

Maravilhoso texto, blog muito bom, acabei de conhecer, mais já apaixonei pelo seu cantinho!

http://fazdecontatxt.blogspot.com

Charlie Bravo' disse...

Gostei, é bonito e tão verdadeiro, é como se me inspirasse de certa forma a extravasar os pensamentos que aqui dentro de mim estão colidindo. Muito bem, obrigado.

Charlie.

Tati disse...

Já disse, sou Fã. Você é muuuuuito BOM RODOLPhoooo

Amei demais esse. Um dos mais perfeitos que já li por aqui. A gente vai sendo tocada de uma forma inexplicável.

Tati disse...

Sou Fã assumida, você sabe.

Amo ser tocada por você. Com certeza esse é um dos textos mais lindos que já li por aqui. Você é muuuito Bom Rodolphoooo.

Lamento é ter perdido tanto tempo sem vir te visitar.


Beijos e obrigada pelo prazer da leitura.