A primeira vez a gente nunca esquece

Lembro que eu fui até o local de trabalho dela, eu havia juntado algum dinheiro e finalmente realizaria aquilo que sempre tive vontade de fazer. Ela me atendeu com profissionalismo enquanto eu tentava não demonstrar que estava nervoso.
- É a minha primeira vez – eu confessei a ela e senti minha pele enrubescer. Se ela me julgou, eu não sei, mas sua feição permaneceu a mesma e logo em seguida um sorriso se abriu em seu rosto.
- Eu já atendi vários inexperientes, não se preocupe – ela disse, com o riso contido por saber que tinha nas mãos mais um leigo sobre o assunto.
Eu sempre vira isso em filmes, novelas e sabia quase tudo na teoria, mas eu nunca havia praticado, então imagine como eu estava me sentindo naquele momento.
Ela me guiou até o local onde faríamos tudo.
- Em qual posição eu devo ficar? – perguntei e me senti estúpido por isso.
- A que você se sentir mais confortável, não vou exigir muito de você na sua primeira vez. – ela respondeu e me lançou novamente aquele olhar zombeteiro.
Quando me dei conta eu já estava com as mãos afoitas e apanhei o instrumento.
- Calma aí, garotão – ela falou – Primeiro você tem usar as mãos.
Ela me mostrou como eu deveria fazer, suas mãos levaram as minhas até aquela superfície lisa e molhada. Passei os dedos com cuidado, ainda inseguro de como proceder.
- Isso, vai apalpando com suavidade – ela orientou, enquanto eu alisava a “peça”. – Não, assim não, você não pode apertar demais – ela advertiu quando não controlei a força dos meus dedos que entravam e saiam.
- Há quanto tempo você faz isso? – perguntei para quebrar a tensão.
- Bastante tempo – ela respondeu evasiva e continuamos.
- Agora pegue aqui – ela agarrou minhas mãos e guiou os movimentos – Pra cima e pra baixo, isso, desse jeito.
Todo o processo não demorou muito tempo e quando terminamos estávamos sujos e melados.
- Você pode se limpar antes de ir – ela falou metodicamente. Certamente eu era mais um na contagem dela e provavelmente eu seria esquecido logo eu saísse dali.
Limpei-me, paguei pelo serviço e atirei um “até a próxima”.
- Ei, garoto, você não foi tão mal para um marinheiro de primeira viagem – ela disse e me deu uma piscadela.

Quando cheguei em casa meu pai me perguntou como tinha sido e eu respondi que fora melhor do que eu imaginara. Quem diria que aulas de cerâmica pudessem ser tão fascinantes, você vê a sua criação tomando forma na sua frente, enquanto a argila gira na máquina de rodar da olaria.
Quero fazer isso mais vezes, vou criar os vasos mais bonitos que todo mundo já viu, só preciso de um pouco mais de prática.
Mal posso esperar pela minha segunda vez.

Um conto para fazer jus ao nome do blog, mas me diz aí, pensou besteira, né? Haha.

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Mais sobre o dono dos sorrisos

Autor de sorrisos. Sou aquele que fala sobre o que sente e o que não sente com a mesma veracidade. Há quem diga que sou feito de palavras e quem sou eu para discordar? Ao ler minhas (entre)linhas nosso laço se aperta e assim podemos ser íntimos, de alguma forma. Contatos: rodolpho.padovani@hotmail.com

16 sorrisos compartilhados:

Shuzy disse...

Besteira?
Não pensei... Juroooo
hsuahsuhuahsuhuhasuhuahs

Eduardo R. V. disse...

Comecei a ler pelo final... sdfihsdf

Flávia disse...

Hunf!

Bobo! Vc acha que pensei besteira? HMN...

Já tava mó no clima, quando vc vem falar de cerâmica! TSC!
kkkkkkkkkkkkk

Adoreei =D

. pamela moreno santiago disse...

Primeiro capítulo postado (até que enfim) ^^ :

http://cerezaambulante.blogspot.com/2011/04/angel-from-my-nightmare-cap-i.html

Se puder ler :)
Beijos

Mahh Ruiz disse...

kkkkkkkkkk... pensei concerteza!
Beijos

Babizinha disse...

Olha, sacana é você por guiar nossos pensamentos com esse conto, viu. Nós somos uns anjos, tá! -N rs

Adorei, Rodolpho!

Beijos
:*

L. Sampaio disse...

Adorei Rodolpho! HAHA
Realmente me arrancastes sorrisos. Como nossas mentes são maliciosas não haha
beijos.

Giovanna Lundgren disse...

HAHAHA. No começo imaginei que seria uma pegadinha, mas fui lendo e não consegui imaginar o realmente seria ai pensei besteira. kkkkkkk
Mas arrancou sorrisos
beijos.

*Amanda* disse...

Eu imaginooo a Jabutii lendo o fim desse texto! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk...

Morri de rir* rsrsrsrsrsrsrsrs

vell disse...

Aaaaah, adorei! Mas já sabia que não era nenhum tipo de, permita-me a palavra... "Sacanagem."

beijos

Jéssica Trabuco disse...

huahuaha
Adorei rodolpho!
Eu pensei besteira também ;x
Muito bom!

Amapola disse...

Bom dia.

Estou lhe seguindo e voltarei depois, para ler com mais calma.

Um abraço.
Maria Auxiliadora (Amapola)

Francilene Suri disse...

Hahahahahahaha!
Eu não pensei NADA! sério ...!

Muito legal!

Ei saudades de passar por aqui, ando tão sem tempo, mas sempre vale a pena! sempre!

Beijão!

Alexandre Fernandes disse...

Cara, muito bom. Não tem como não pensar besteira. A forma como é contada, realmente remete ao ato insinuado.

De qualquer forma, observei a palavra peça escrita com duas aspas entre ela, passando a sensação de não ser aquilo do que ele realmente falava. Se realmente fosse cerâmica, acho que as aspas não viriam, já que seriam literalmente relacionadas a ela.

Será que ele enganou o pai? rs Ou você a nós, com este fim curioso.

rs

No mais, muito bom a história.

Abração sumido!

Gessy disse...

Pensei em várias coisas ao longo do texto. (:

Beijos.

Inercya disse...

Muito bom! Conheço desses artimanhas, para pegar o leitor. haha
Eu sabia que era alguma 'pegadinha', mas estava ansiosa para finalmente saber o que era aquilo.
Genial! :D
:*