O homem de pedra - Parte 1


Em um vilarejo no coração de uma densa floresta, habitado por camponeses e onde velhos costumes supersticiosos se mantinham vivos, corria uma lenda muito antiga sobre um caçador que fora amaldiçoado por uma bruxa vingativa.

Athos era um caçador destemido e respeitado pelos outros homens, portador de uma musculatura digna e exímio arqueiro. Apesar de todas suas habilidades e características impressionantes como caçador, ele sempre fora um homem calado e egoísta. Morava sozinho em um casebre no centro do vilarejo.
Muitas vezes ele gostava de sair para caçar em grupo, dessa forma podia exibir seu talento natural e se engrandecer sobre ele, tratando os outros com desdém e sentindo-se superior. Ele voltava abastado dessas caçadas, carregando nos ombros os animais abatidos, como medalhas por ser o melhor de todos.
Por mais que ele se vangloriasse por suas conquistas, ele sempre dividia aquilo que trazia com as outras pessoas, a verdade era que ele acreditava que quanto mais trouxesse, mais admirado seria e com isso ganharia mais respeito, mas havia ainda um motivo maior para toda sua exibição e seu nome era Ramona.
A moça morava perto de sua casa, era alegre e simpática, sempre ajudava os outros e cuidava da casa, era filha de um ferreiro, órfã de mãe e a mais velha de três irmãos. Com seu modo extrovertido e sorridente, cabelos claros cacheados que saltitavam conforme ela andava e seu ar doce, a moça encantou o caçador.
Athos a observava de longe, se perdia entre os sorrisos que ela distribuía livremente por onde passava, mesmo quando estava em serviço, buscando água no poço ou cuidando dos animais. Ele sentia algo diferente por ela, só não sabia explicar o que era ao certo aquela sensação formigante que começava na barriga e se espalhava até as pontas dos dedos. Ele nunca havia se sentido assim, por isso não sabia que estava apaixonado.
Vários meses se passaram enquanto o caçador tentava reunir coragem o suficiente para conversar com a moça, toda noite ao se deitar na cama ele pronunciava as palavras que ela deveria ouvir, mas ao raiar do dia, todo seu discurso se esvaía.
Com o passar do tempo as chuvas deixaram de molhar a região, um estiagem impiedosa recaiu sobre o vilarejo que começou a sofrer com a seca das colheitas e nessa época, mais do que em qualquer outro período, a caça se tornou a única fonte de sobrevivência.
Jovens rapazes foram ensinados a manejar arcos, lanças e até espadas e todas as manhãs vários grupos se embrenhavam na floresta em busca de alimentos.
Athos pertencia a um grupo de cinco homens, todos andavam juntos, com os olhos atentos a qualquer movimento no meio das árvores, mas ele decidiu se aventurar sozinho e, enquanto cortava trilhas desconhecidas, avistou um magnífico faisão pousado em um tronco caído coberto de musgo. Sem titubear, manejando habilmente seu arco ele plantou uma flecha certeira no coração da ave.
O que ele não sabia, era que o pássaro pertencia a uma velha reclusa, que vivia na parte mais sombria da floresta. A quem todos se referiam como: a bruxa.

A velha colhia algumas ervas para o preparo de poções quando ouviu o grasnar sufocado de sua preciosa ave. Escondida atrás de um tronco robusto ela viu o caçador se aproximando de sua caça, com um brilho nos olhos. Ela então sibilou palavras venenosas que pingaram no chão, silenciosas e fatais e escorreram até o homem. Um encantamento poderoso. Uma sentença de morte.

EM BREVE – PARTE 2

Esse conto é uma extensão do conto postado no Contos Franqueados no ano passado, porém lá o conto ficou sem final e eu realmente tinha pensando em continuar, assim como a Thiara Ribeiro eu achei que merecia uma continuação e aqui eu vou postar como imaginei o fim dessa história. Espero que gostem.

Compartilhe

Mais sobre o dono dos sorrisos

Autor de sorrisos. Sou aquele que fala sobre o que sente e o que não sente com a mesma veracidade. Há quem diga que sou feito de palavras e quem sou eu para discordar? Ao ler minhas (entre)linhas nosso laço se aperta e assim podemos ser íntimos, de alguma forma. Contatos: rodolpho.padovani@hotmail.com

7 sorrisos compartilhados:

L. Sampaio disse...

Amo as suas narrativas detalhadas, que prendem o leitor e o faz imaginar as cenas. Esperando a continuaçã.
Beijos, bom feriado.

Tassyane Goulart Nunes disse...

Muito bom, Rod. Rica em detalhes que nos faz pensar que somos parte da história.
Beijão em ti!

Rebeca Amaral disse...

Como sempre né, Rodi! Um conto incrível! Adoro ficar com essa curiosidade, sabendo que o desenrolar de cada história que cê conta depende, única e exclusivamente, de você. Me custa acreditar que seus contos não são reais, de tão envolventes que são. Sou sua fã de carteirinha, já te disse.

Um beijo.

• cynthia bs disse...

Opppps. Confesso que eu não li, mas venho aqui acompanhar, prometo, viu? Afinal, aqui tem sempre ótimas palavras!

Vim avisar que tem selinho para você em meu blog.

Beijos e boa semana.

Com amor,
Cynthia ;*

Thaís disse...

Estou impressionada! Você escreve muito bem! Adorei por demais, espero a continuação! Sabe o que seu conto me fez concluir? Que quase sempre, quando alguém se acha demais e faz questão de mostrar isso, é para chamar a atenção de apenas uma pessoa e não de todos, hehe.
Beijos! :*

Tati disse...

Maravilhoso primeiro capítulo, maravilhoso mesmo!

Vou ler os próximos.

• Cynthia Brito • disse...

Aeee, Rody, eu disse que iria conseguir um tempinho.. pois então, estou aqui! A primeira parte deu uma impressão de que será algo bem fictício - espero que tenha de todas as reações um pouco: diversão, maldade, alegria... Haha'
Vou ler a próxima parte!
Ihhh, quase me esquecia de avisar que tem selo pra você em meu blog... beijos!