Serial Killer - Parte 10 (Final)

A construção que fora paralisada se tornou o palco de uma cena eletrizante.
- Detetive, seria muito conveniente se você tivesse morrido naquele acidente, você e essa vagabunda – o homem falou e apanhou um bisturi no bolso da calça, envolto em uma capa protetora.
Natalie agarrou o celular.
- Eu não faria isso se fosse você – disse o homem encostando a lâmina afiada no pescoço de Rita – Jogue esse celular para cá e você jogue sua arma, detetive, ou eu a corto de uma orelha a outra.
- Você não precisa fazer isso, Josh, ninguém mais precisa se machucar. – argumentou Samuel.
Joshua soltou uma gargalhada, forçou o bisturi e uma linha fina de sangue começou a escorrer do pescoço da agente. Samuel pegou a arma e atirou-a para longe e Natalie seguiu o exemplo e atirou o celular.
- Você não entende, não é, detetive? – o tom de voz do fotógrafo era de deboche – Todos nós temos os nossos segredos que vêm à tona ao cair da noite. Você e a agente Weber, a bebedeira do sargento, as drogas de Amir e eu mato pessoas.
- Por quê? O que você ganha com isso? – Natalie perguntou.
- Prestígio, fama... temor. Todos os assassinos que eu homenageei no meu processo, eles haviam sido esquecidos, as pessoas não se lembravam mais de como é viver na linha tênue entre continuar vivas e morrer. Eles foram homens incríveis, capazes de cometer todos aqueles crimes e viver perante a sociedade como apenas mais um rosto, mais um carregador do próprio segredo obscuro. Eles são minha inspiração. As pessoas os temiam, alguns os idolatravam, mas eu só queria ser como eles, meu nome agora vai ser lembrado junto com o deles, para sempre.
- Você é um doente – cuspiu o detetive.
- Não, detetive, assim como eles, eu sou um gênio. Tudo o que eu fiz foi brilhante, sem rastros. Aprendi com Amir tudo o que eu deveria fazer para não ser pego, convivendo com policiais e fazendo parte do time da perícia eu agia sem levantar a mínima suspeita, afinal, quem suspeitaria do homem que fotografava seus próprios crimes?
- Você sabe que você não vai sair dessa, não é? – indagou Samuel.
- Eu já deixei minha marca, detetive, graças a ela – ele apontou a repórter com a cabeça - eu sou O Historiador, as pessoas têm medo de mim e, ironicamente, esperam pelo meu próximo ato, vou confessar que adorei esse tipo de popularidade.

***

Amir estava no laboratório checando a saliva encontrada nas mordidas da vítima com o DNA do corpo carbonizado. Era um cachorro e a saliva pertencia a ele.
Os corpos dos adolescentes estavam no necrotério e ele foi fazer uma checagem mais detalhada, para procurar por alguma pista que levasse ao assassino, mas não encontrou nada que pudesse ajudar.
Estava tarde e ele estava cansado de ficar ali sozinho.
Apanhou sua bolsa, checou se o dinheiro estava na carteira e se dirigiu ao seu ponto de compra. Era hora de acalmar o corpo, hora de saciar o vício.

***

Rita forçava aos poucos as mãos e sentia que estava conseguindo se libertar, mas se movia cuidadosamente, diante da lâmina em seu pescoço. A pele esfolada dos pulsos ardia, mas mesmo assim ela continuava a contorcer os punhos e pressionar para fora das cordas.
- Solte-a, Josh e se entregue, você não tem saída – disse Samuel.
- Ora, Sam, não vou facilitar para vocês. Eu vim até aqui para honrar Ted Bundy, o charmoso assassino que matava mulheres de cabelo preto e as mordia, se eu me entregasse seria um desperdício do meu tempo e do da Rita que ficou aqui esperando para morrer – ele riu-se debilmente.
- É aí que você se engana, seu imbecil – falou Rita que, com as mãos livres, arrancara a fita da boca e golpeou Joshua com um chute na canela e deu-lhe um soco na cabeça e outro no braço direito e o bisturi caiu.
O detetive rapidamente se atirou ao chão e rolou até a arma, enquanto a repórter retirou uma arma minúscula de sua bolsa e atirou-a para a agente Weber. Joshua recuperou os sentidos e se viu na mira de duas armas.
- Você está preso, seu maníaco desgraçado – falou Rita e lhe deu uma coronhada na fonte.

***

A captura do Historiador
Por Natalie Smith

Em uma operação surpreendente do Detetive Samuel Bowley para resgatar a Agente Rita Weber que havia sido seqüestrada pelo terrível assassino, O Historiador, que se revelou sendo o fotógrafo da perícia, Joshua Barry, foi capturado e está preso aguardando julgamento. Com sua confissão gravada pela repórter que vos escreve, que esteve presente no momento de sua prisão, podemos esperar que ele pegue prisão perpétua...

O sargento baixou o jornal e olhou para os dois diante de sua cama, ele estava em repouso em um leito do hospital e se recuperava muito bem do acidente.
- Quer dizer que em todo esse tempo abrigamos o maldito em nosso meio? Parabéns, detetive...
- Senhor, a responsável pela prisão dele é a Agente Weber – disse Samuel.
- Muito bem, Rita, com certeza isso vai te garantir uma promoção. Belo trabalho, de vocês dois e daquela repórter também. – disse ele.
- Sargento, nós temos uma coisa para contar – disse o detetive e segurou a mão da agente.
- Se for sobre o caso de vocês, poupem o meu tempo, eu já sabia disso – ele falou seriamente – Não há como esconder esse tipo de coisa de um sargento.
- Quer dizer que nós...
- Está tudo bem, Rita, podem ficar tranquilos... e sabe que eu acho que vocês formam um belo casal. – ele sorriu para os dois e tornou a ficar sério – E sobre o acidente, eu peço desculpas, detetive, eu quase causei a morte de vocês e atrapalhei a captura daquele cretino, eu vou ser devidamente autuado e vou entrar para o AA.

***

Amir Fayad leu o jornal pela manhã e não acreditou no que ele informava. Seu colega de trabalho era o assassino misterioso e cruel, então ele se culpou por não ter percebido nada de estranho em Joshua, depois olhou para a mesa suja com pó branco e decidiu que se internaria para reabilitação. Já era hora de largar as drogas.

***

Semanas depois Joshua foi transferido para uma prisão de segurança máxima, sem direito a fiança e condenado a 80 anos de prisão.
“Você vai ser sempre um imprestável, nunca vai fazer algo de útil nessa sua vida...” a voz de seu pai irrompia em sua mente.
- Fiz algo notável, papai, todos me conhecem agora, queria que você pudesse ter visto – ele disse para si mesmo.
Mas ele jamais veria. Ele fora a primeira vítima do Historiador e estava enterrado no jardim de sua casa.

FIM

Bom, foi uma ironia eu ter postado o maior de todos os meus contos no menor dos meses, mas chegou ao fim. Surpreendente, diz aí, haha. Valeu pela paciência de todos que acompanharam e foi mal por essa última parte enorme, mas não tive como deixar menor... enfim, é isso, espero que tenham gostado, porque eu gostei de ter escrito. Até a próxima.

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Mais sobre o dono dos sorrisos

Autor de sorrisos. Sou aquele que fala sobre o que sente e o que não sente com a mesma veracidade. Há quem diga que sou feito de palavras e quem sou eu para discordar? Ao ler minhas (entre)linhas nosso laço se aperta e assim podemos ser íntimos, de alguma forma. Contatos: rodolpho.padovani@hotmail.com

7 sorrisos compartilhados:

@barbarakang disse...

UAAAAAAAAAAU! Olha a Weber ainda ganhou uma promoção, Joshua é um mtf muito perturbado... Adorei, sério mesmo, eu jurava que o assassino fosse o Amir. MAAAAAAAAS! Tudo ocorreu melhor do o esperado. PARABÉNS Rodolpho, esse conto é MUUUUUUUUUUUITO BOM MESMO!

Carlos F. Dourado disse...

Nossa esse conto foi um dos melhores que vc já escreveu, está de parabéns, não tinha nem passado na minha cabeça que o joshua era o assassino.

Tati disse...

Comoo sempre meu querido Rodolpho, está brilhante.
Com certeza, esse é mais um dos melhores contos que já li por aqui. Você é ótimo.

Tudo ficou muito bem montado, a ligação dos capítulos, as cenas e realmente surpreendente, mas eu adorei.

Beijos - faça mais rs

Rebeca Amaral disse...

Parte 10, como assim? Tá bom de mandar imprimir, hein? Eita que tem um monte de coisa pra ler... EBA!


Um beijo, pr'ocê Rodi!

Ill Circus disse...

Aaah, meus olhos, meus olhos! Não posso ler o final sem antes ler o começo! :(
Jesus, haja força agora pra segurar a curiosidade de ler esse final hahaha preciso de um fim de semana livre URGENTE pra por a leitura em dia :P

Letícia disse...

Certamente valeu a pena esperar!
Muito bom!
=D

• cynthia bs disse...

Brilhante!
Pensei que fosse ficar triste com o fim da história, mas me enganei e larguei um enorme sorriso com a captura do assassino e, principalmente, ao "ver" a Rita e o Samuel juntos, e ainda mais o Sargento aprovando o relacionamento dos dois. Posso imaginar que felicidade!
Rodolpho, cara, esta série foi muito bem escrita. Cada detalhe aproximou ainda mais o leitor do personagem. A trama foi um sucesso, como eu havia percebido desde o início. E, olha, nunca tinha imaginado que fosse o Joshua o tal HISTORIADOR. Caramba, ele é um maluco. Mas, bem, tinha lá seus fictícios motivos... e não sei se não prestei atenção ou se não lembro de ter falado sobre o consumo de drogas pelo Amir aqui no conto, mas isto também me deixou surpresa :O

Foi uma emoção atrás de outras! Muito bom mesmo. Nunca pensaste em publicar teus contos? Este iria arrasar, com certeza (:

Também postei a sétima parte de "Uma história de amor" se quiseres ler.

Beijo grande *