Férias na mansão - Parte 6 (Final)

Hora do conto - Para entender, leia a Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4 e Parte 5

Voltamos cada um para o seu quarto e apanhamos o primeiro bilhete, o de Lily estava comigo. Jesse veio até meu quarto com o dele.
“A curiosidade vai guiar o caminho.”
- A curiosidade fez a gente começar com tudo isso, quando entramos no escritório do vovô – eu falei.
“O conhecimento leva ao saber oculto.”
- Nossas deduções e conhecimento das coisas nos levaram a desvendar uma pista atrás da outra – Jesse disse.
“Nunca deixe que lhe tirem aquilo que você mais tem.”
- Ainda não entendo esse bilhete da Lily – confessei e meu primo disse que não tinha ideia também.
- Ela é sua irmã, o que ela mais tem?
- Bonecas? – arrisquei e ri de quão patético isso soou.
- Não, cinco letras... quer dizer cinco dígitos – Jesse falou sem entender o próprio raciocínio.
- Espere um pouco, Jesse, é isso, acho que sei o que é, vamos. – antes de voltarmos ao terceiro andar, apanhei um caderno e um lápis.
Diante da porta, desenhei dois quadros e os mostrei a Jesse.


- A regra dos cinco, o que isso tem a ver? – ele me perguntou.
- Tudo levou a gente de volta para o início, para a primeira pista. O bilhete de Lily. O que ela mais tem? – meu primo me olhava sem entender – Ela é uma criança, Jesse, ela sonha. A palavra que procuramos é “sonho”.
Aprendemos a regra dos cinco com os nossos pais, para cada letra de uma palavra usamos um correspondente numérico com a mesma posição na outra tabela.
- Tem fundamento – ele disse e pegou o caderno de minhas mãos – Vamos tentar, digite aí: 45435.
Digitei, mas nada aconteceu.
- Tem certeza que você fez certo? – perguntei e olhei para o papel, convertendo as letras em números. S 4, O 5, N 4, H 3 e O 5.
- O número morto, Daniel, se lembra? – Jesse me perguntou.
Toda palavra transformada em números continha um número morto, ou seja, o 0.
- Qual letra pode ser? – perguntei, mas me dei conta instantaneamente – É o H, o vovô é egocêntrico a ponto de deixar sua inicial como o número morto. Então digitei 45405.
Ouvimos um estalo e a porta se abriu.
Nessa mesma hora Lily apareceu no topo da escada segurando uma boneca.
- Do que vocês estão brincando? – ela perguntou.
- Sejam bem-vindos – uma voz falou de dentro do cômodo secreto.
Jesse e eu olhamos assustados e demos de cara com o vovô, enquanto Lily se aproximava.
- Mas vo... o quê... – balbuciei e pela primeira vez ouvimos o som da risada de vovô.
- Vamos, entrem. Vou explicar tudo, venha você também, Lily – ele convidou.
O cômodo era enorme, cheio de estantes e livros por toda a parte. Era uma biblioteca. Vovô nos guiou até uma mesa e nos sentamos, Lily começou a percorrer os corredores.
- O conhecimento só vem para aqueles que o buscam, para os ávidos e curiosos, para os sonhadores – disse vovô e indicou minha irmã com a cabeça. – Eu fiz esse jogo com vocês para testar sua persistência e sabedoria e estou impressionado com a rapidez com que o completaram. Agora vocês têm o direito de estarem aqui e desfrutar de todo esse mundo. Eu tenho alguns exemplares bem raros de livros históricos que nem mesmo museus possuem, além dos papiros raríssimos da Biblioteca de Alexandria. Este lugar é um templo e agora vocês fazem parte dele.
- Você esteve aqui dentro o tempo todo? – perguntou Jesse, mudando totalmente de assunto.
- Sim, estive esperando por vocês.
- Vovô, o senhor é um maluco – eu disse e nós rimos.
Vovô nos guiou pelo imenso labirinto de estantes e nos mostrou livros e histórias fascinantes, contemplamos os papiros antigos protegidos dentro de uma caixa de vidro selada a vácuo e várias relíquias de viagens que ele fizera.
- Vou deixá-los por um instante, não façam bagunça – ele aconselhou e saiu.
- Nem acredito que conseguimos, Daniel. Olhe este lugar, é incrível – Jesse me disse entusiasmado.
- É realmente impressionante, eu nunca imaginaria que vovô tivesse uma biblioteca tão rica como essa.
Lily se aproximou carregando um livro e pediu:
- Lê uma história para mim – e me entregou um exemplar de O pequeno príncipe - Antoine de Saint-Exupéry.
- É claro, senta ali e vamos ler – eu disse e nos sentamos em um grande tapete circular. Assim que abri o livro um pedaço de papel caiu de dentro dele, Jesse o pegou, leu e me mostrou.
A breve linha estava escrita com uma caligrafia fina, exatamente igual a dos bilhetes que encontramos em nossos quartos e dizia: Os jogos estão apenas começando.

FIM

Bom, é isso, mais um conto chega ao fim. Graças a Deus, né? Haha. Espero que tenham gostado de mais esse e até a próxima. Abraços.

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Mais sobre o dono dos sorrisos

Autor de sorrisos. Sou aquele que fala sobre o que sente e o que não sente com a mesma veracidade. Há quem diga que sou feito de palavras e quem sou eu para discordar? Ao ler minhas (entre)linhas nosso laço se aperta e assim podemos ser íntimos, de alguma forma. Contatos: rodolpho.padovani@hotmail.com

8 sorrisos compartilhados:

Carlos F. Dourado disse...

Ficou muito bom Rodolpho, eu fiquei imaginando essa biblioteca a imensidão que ela deve ser. Com certeza virá mais historias dessas por ai né.

"Os jogos estão apenas começando"

Jéssica Trabuco disse...

Ahhh euu adorei!

*------*

Gostei mto mesmo, parabéns viu :D

My disse...

Ameiii seu cantinho...
Já estou a te seguir...
Adoro contos!
Ah tbm tenho o meu
http://cronicasdeanjos.blogspot.com/
Adoraria te ver por lá...
bjs*

Amanda Menezes disse...

Que história incrivel *--* Eu amei. Parabéns viu, quando eu crescer eu quero escrever contos assim que nem você. :) hdiuahoduias
Beijao Rodi.
Mandy

Júlia disse...

Oi Rodolpho! Primeira vez passando aqui e gostei do que vi, parabéns.
O conto foi bem escrito e tem uam história bem ineteressante, parabéns!

Gostei, to seguindo e vou voltar.

Beijos =*

Rebeca Postigo disse...

Adorei o conto!!!
Cheio de suspense e criatividade...
Amei!!!

Bjs

• cynthia bs disse...

Tem um selinho para você em meu blog.
Beijos!

Tati disse...

Um final incrível, ótimo.
Mas acho mesmo que você pode escrever mais um desses, ficou excelente mesmo. Adorei.

Beijos