Férias na mansão - Parte 3

Hora do conto - Para entender, leia a Parte 1 e Parte 2

Jesse olhava descrente do papel para mim, sem saber o se aquilo era real ou não.
Gradualmente, no centro da folha em branco, apareceram letras, ligadas uma a uma, formando uma frase. Era uma pergunta.
- “O que CRZ disse em 22/12/11,12,13?” – eu li em voz alta, enquanto meu primo ainda tentava entender como as palavras haviam aparecido ali.
- Como é que...
- Tinta invisível – eu respondi – É feita com limão e leite, você escreve no papel e depois de seca ela desaparece e o calor faz aparecer novamente – afastei a folha da luminária.
- O velho é pirado, mas é esperto. – ele disse e eu concordei. – Mas o que será que isso quer dizer? – ele apontou para a mensagem que tínhamos descoberto.
- Eu não sei, parece uma data.
- Uma data no futuro. – ele zombou.
- Quem é CRZ? – Jesse deu de ombros.
Sentei na cadeira diante da mesa e comecei a analisar as iniciais e a data peculiar. Jesse percorria o escritório tentando encontrar mais alguma pista e eventualmente ia até a porta para checar se alguém havia percebido nossa presença indevida ali.
- A sombra do vento. Meu pai estava lendo esse livro – eu disse e apontei para o livro sobre a mesa. Jesse se aproximou e apanhou o livro, leu a sinopse e disse:
- Parece interessante, mas não acho que o vovô esteja lendo, não tem nenhum marcador de página. – então ele depositou o livro sobre a mesa e a capa chamou minha atenção.
A sombra do vento – Carlos Ruiz Zafón.
- Jesse, acabei de encontrar CRZ – ele seguiu meu olhar e agarrou o livro outra vez.
- Espera um pouco – ele começou a pensar – Vovó usa números e frases, mas nenhuma deles têm o significa original. Não estamos procurando por uma data... – e sem terminar a frase ele folheou o livro e sorriu ao encontrar o que procurava. – Olha aqui. Página 22, linha 12, 11ª, 12ª e 13ª palavras.
- Castelo de Montjuic. - eu li. – Isso não faz sentindo...
- Ainda não.
- Vamos sair daqui, Jesse, quando descobrirmos do que isso se trata, nós voltamos – eu falei e ele consentiu.
Deixamos tudo como estava. O livro sobre a mesa, a bola de papel no cesto e a luminária apagada. Voltamos para os nossos quartos, cada um com o mesmo pensamento: “O que ele queria dizer com Castelo de Montjuic?”
No meu quarto usei meu celular com acesso a internet para pesquisar sobre o castelo, aparentemente a única informação relevante que eu encontrei foi o século em que ele foi construído.
A governanta nos trouxe um lanche ao fim da tarde enquanto estávamos sentados no jardim. Lily brincava com uma boneca e pouco se interessava em nosso assunto.
- O castelo foi construído no século XVII? – Jesse perguntou para confirmar.
- Isso, primeiramente ele era um forte depois foi convertido em um castelo – eu respondi.
- Agora estamos lidando com um número referente a um período histórico, tenho certeza de que a resposta não está aí – ele disse – Temos que voltar ao escritório.
Eu já tinha isso em mente e foi após o jantar, quando Lily e a criada dormiam que nos esgueiramos mais uma vez ao escritório deserto.
A luz da lua atravessava o vidro da janela e dava um ar mais misterioso ao ambiente.
- Onde mais vemos os números, além de datas? – Jesse perguntou.
- Nas horas – olhei ao redor a apontei para o relógio. – É isso, o relógio. XVII, se somarmos os algarismos, temos 17, mas o relógio vai do 1 ao 12, então 1 + 7 = 8.
Nós nos aproximamos do grande relógio de madeira, eu abri a porta de vidro. O pêndulo ia de um lado para o outro, indiferente à nossa curiosidade. O número 8 parecia estar em alto relevo, cutuquei-o e ele se revelou como um compartimento secreto, uma micro-gaveta.
Jesse me encarou boquiaberto. Havia um pedaço de papel enrolado, no interior do número 8.

EM BREVE - PARTE 4

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Mais sobre o dono dos sorrisos

Autor de sorrisos. Sou aquele que fala sobre o que sente e o que não sente com a mesma veracidade. Há quem diga que sou feito de palavras e quem sou eu para discordar? Ao ler minhas (entre)linhas nosso laço se aperta e assim podemos ser íntimos, de alguma forma. Contatos: rodolpho.padovani@hotmail.com

8 sorrisos compartilhados:

Francisco Araújo Netto disse...

Amigo, paz e parabéns pelo blog. Boa palavra esta...

Att.,
http://wwwteologiavivaeeficaz.blogspot.com/

Profº Netto, F.A.

Amanda Menezes disse...

Adoorei essa história ai, Rodi. :) Fiquei muito curiosa pra saber da continuação. Cada dia você me surpreende mais viu. Parabéns!
Beijoos
Mandy

Marina disse...

Lendo e ansiosa pelo desenrolar da história.

@barbarakang disse...

Quero a parte 4, logo! :((( Estou me apaixonando por este conto.

Gabriela Furtado disse...

Já te disse que você nasceu para o conto? Muito bom!
Beijoooos

Jéssica Trabuco disse...

Tô A-D-O-R-A-N-D-O!

*-----*

Lariissa disse...

adorei a história !!!
Passa lá que tem selinho (:
http://lariiqs.blogspot.com/2011/01/selinhos-atrasados-sorry.html
beeijos :*

Tati disse...

Você sempre me encanta, estou aqui maravilhada, indo logo ler mais.