Férias na mansão - Parte 1

Hora do conto

A mansão de meu avô Howard era uma típica casa de um velho solitário e ranzinza, era uma casa enorme, com paredes altas e cheias de quadros gigantes pendurados pelos corredores. Eu morria de medo de percorrer aqueles corredores mal iluminados, sempre tive a impressão de que os olhos petrificados das pessoas nos quadros me seguiam. Embora fosse assustador estar naquela casa, eu, minha irmã e meu primo, Jesse, passávamos algumas temporadas por lá, quando nossos pais viajam.
Eu tinha por volta de 14 anos, Lily 7 e Jesse 12, naquele verão, quando fomos para lá. A casa silenciosa e apavorante nos saudou sombriamente, atravessamos as grossas portas da entrada principal e nem sequer imaginávamos que não sairíamos da mesma maneira.
Uma única criada, velha e rabugenta, nos mostrou nossos aposentos. Quartos luxuosos e cheio de ostentação, mas vazios de calor humano. Tudo naquela casa emanava uma sensação de mistério que envolvia até o ar que respirávamos.
Vovô Howard passava o dia todo dentro de seu escritório, trancado em seu mundo solitário e frio. Só o víamos nas refeições, nas quais ele pouco falava. Nunca vi o mero vislumbre de um sorriso passar por aquele rosto vincado de rugas.
Nós três passávamos o dia fora de casa, correndo pelo gramado, visitando o jardim e a estufa decorada de flores exóticas. E ele permanecia no escritório.
- O que será que tem lá dentro? – Jesse me perguntou olhando para a janela com as cortinas cerradas, no segundo andar.
- Não tenho nem idéia – respondi.
Sempre ouvíamos nossos pais cochichar pelos cantos, sobre as manias peculiares do vovô, de como ele criava jogos e enigmas para que eles solucionassem. Na verdade, o velho em si era um enigma.
Todas as noites antes de nos deitarmos, estudávamos um pouco, ordem de nossos pais que nos empurravam literatura, história, matemática e química.
Numa bela manhã, porém nublada e cinzenta, acordei e encontrei um bilhete ao lado na mesa de cabeceira. Estava escrito numa caligrafia fina e tremida “A curiosidade vai guiar o caminho.” Cocei a cabeça tentando entender aquilo, reli umas três vezes, e por fim desisti. Ao cruzar com Jesse no corredor, vi seu olhar abobalhado e ele me disse que havia encontrado um bilhete também, que dizia “O conhecimento leva ao saber oculto” e o bilhete de Lily talvez tenha sido o mais estranho “Nunca deixe que lhe tirem aquilo que você mais tem.”
Aparentemente, nosso querido vovô lunático havia começado com seus jogos de adivinhações. Nossos pais nos haviam advertido sobre isso e nos deram dicas de como resolver alguns, mas por enquanto eram apenas bilhetes.
A governanta de cara fechada nos informou que ficaríamos sozinhos por algum tempo, nosso avô havia viajado e voltaria dentro de poucos dias.
Jesse me olhou com os olhos brilhando de emoção e sussurrou:
- Hora de descobrir – ele só precisou dizer isso para eu entender que ele queria visitar o escritório secreto do vovô.
Assenti, mesmo tendo certeza de que a porta estaria trancada.
Deixamos essa aventura para depois do almoço, momento que sabíamos que a velhota tirava uma soneca.
Lily ficou em seu quarto com suas bonecas. Jesse e eu cruzamos a mansão até chegarmos diante da porta branca. Girei a maçaneta. Um clique me surpreendeu.
A porta estava aberta, afinal.

EM BREVE - PARTE 2

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Mais sobre o dono dos sorrisos

Autor de sorrisos. Sou aquele que fala sobre o que sente e o que não sente com a mesma veracidade. Há quem diga que sou feito de palavras e quem sou eu para discordar? Ao ler minhas (entre)linhas nosso laço se aperta e assim podemos ser íntimos, de alguma forma. Contatos: rodolpho.padovani@hotmail.com

9 sorrisos compartilhados:

Luana disse...

Muito interessante. Agora quero saber o que tem nesse escritório*-*

@barbarakang disse...

Quero a parte dois!!!!!!!!!!!!!!!!! x_x.

Mahh Ruiz disse...

ahh não posta logo que fikei ccuriosa!
beijos.

Jéssica Trabuco disse...

Continua looogo !
rss
Eu adorei o jeito que escreveu essa primeira parte, assim que fizer a outra me avise viu moço?
Um beijo!

Tk.* disse...

Hahaha. Adorei.
Me vi na infância no início do texto. Me intrigava com as imagens dos quadros, principalmente com o olhar das pessoas que ali estavam emolduradas.
Parabéns Rodolfo.

Ah, fiquei distante um tempo e por fim não públiquei seu presente. Mas será o próximo, I promisse!
Obrigada pelo selo, viu!

Beijo.

Rebeca Amaral disse...

A veia onde percorre o suspense voltou a pulsar no moço. E dessa vez veio com tudo, hein Rodolpho? Quero ler o resto! NOW!

Um beijo, honey.

Francilene Suri disse...

Sempre tem um mistério .. hahaha
Adoreei!

Thiara Ribeiro disse...

Ai!!! Que curiosa eu sou! ^^

Tati disse...

Estou aqui... Vou ler os perdidos.

Um Beijo