Sob o sol do verão


♪ (...) They don't know how long it takes
Waiting for a love like this
Every time we say goodbye
I wish we had one more kiss
I'll wait for you, I promise you I will... ♫
Lucky - Jason Mraz e Colbie Cailat

Final de novembro

Ele é o primeiro a me abraçar e beijar quando o dia começa, seus raios sorridentes atravessam as cortinas e me envolvem e acariciam com aquele toque morno que possui a cada manhã. Sempre adorei o sol e os prazeres que ele proporciona.
Olho o calendário e conto os dias para o início do verão, minha estação favorita. Depois de ter passado pela secura do outono, pela frieza do inverno e ter dançado nos jardins coloridos da primavera, anseio pelo momento de saudar a gloriosa estação das chuvas ligeiras e dos mergulhos no lago.
O lago. Da janela vejo a luz bailar em sua superfície em cortinas diáfanas derramadas pelo céu. Sinto o seu cheiro puro e convidativo. Aprendi a nadar ali mesmo, naquele lago, quando tinha cinco anos, dizem que fui o garoto mais novo a mergulhar naquelas águas sem a companhia de adultos, mas não sei dizer se isso é verdade.

21 de dezembro

Acordei logo cedo, saudei o sol, o ar e o dia. Corri para fora para sentir o frescor daquela manhã que se aquecia aos poucos. Desci descalço pela ladeira que leva ao píer e sentei com os pés dentro d’água. O lago espelhado me sorria como se me reconhecesse. O vento sacudia e despenteava as árvores ao fundo, que pareciam encenar uma coreografia sincronizada.
Com o sol do meio-dia a pico, várias pessoas desciam a encosta em direção ao lago que recebia a todos com suas águas mansas. Eu observava os casais de mãos dadas, os pais gritando tentando controlar a euforia das crianças, as solteironas de olho nos rapazes e as garotas deslumbrantes em seus trajes de banho.
De repente minha visão foi coberta por uma canga amarela que o vento atirou em meu rosto e sua dona veio correndo se desculpar e pegá-la de volta. Seu sorriso receoso e escondido no canto da boca me fisgou como os peixes que os quarentões puxavam para os seus barcos.
- Me desculpe, foi o vento, ah... - ela falou meio sem jeito.
- Não tem problema - eu disse - Você não é daqui, é?
Como se fosse uma velha amiga, ela se sentou ao meu lado, afundou os pés nas águas brandas e respondeu que não.
Conversamos por um longo tempo, ela esbanjava simpatia e bom humor e seu jeito me cativava a cada minuto que passava.
No fim da tarde, a convidei para dar um mergulho e ela prontamente jogou a canga no píer e saltou na água.
- Vamos ver quem chega primeiro até a outra margem? - ela me desafiou e começou a nadar.
Tirei a camiseta e pulei em seguida, tentando alcançá-la. A moça sorridente se mostrou uma exímia nadadora, mas paramos antes de chegar ao outro lado.
- Acho que encontrei um motivo para voltar sempre aqui no verão - ela me confidenciou.
- O lago é maravilhoso mesmo - eu respondi ingenuamente.
- Não é o lago, seu bobo - ela retrucou rindo-se e jogou água em mim - É você.
Eu não soube o que responder e antes que pudesse fazer isso ela se aproximou, feito uma sereia encantadora e me deu um beijo molhado.

Passamos o resto das férias juntos, até o dia em que ela teve que ir embora. No último dia, nadamos até perto das árvores e juramos esperar o próximo verão para nos reencontrarmos.

Por isso eu amo o verão, porque ele traz amores inesperados e surpresas magníficas. Agora percebo como as outras estações são sem graça.
Enquanto espero por ela, começo a contar os dias outra vez.

Pauta para o Bloínquês

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Mais sobre o dono dos sorrisos

Autor de sorrisos. Sou aquele que fala sobre o que sente e o que não sente com a mesma veracidade. Há quem diga que sou feito de palavras e quem sou eu para discordar? Ao ler minhas (entre)linhas nosso laço se aperta e assim podemos ser íntimos, de alguma forma. Contatos: rodolpho.padovani@hotmail.com

9 sorrisos compartilhados:

Rebeca Amaral disse...

Por que você isso, hein? Parece que gosta de saber que a gente fica todo arrepiado e com olhos marejados com tanta palavra bonita... Rodolpho, repito, que talento rapaz! Dá até vontade de viver algo assim!

Lindo demais.
Beijos!

Patrícia Azevedo disse...

imaginei o cenário! que dom pra escrever você tem! parabéns..
adorei o texto, nos faz ficar assim: *-*
lindo demais. beijo!

Tati disse...

Magnifico Coruja.

Amei as cenas, jogo de palavras simplesmente perfeito, tempo maravilhoso e as sensações são lindas e bem vindas.

Eu particularmente, amo as estações frias, outono e inverno e verão me dói a pele que queima, mas sempre é bom sentir o amor aquecendo por dentro e por fora, independente de quando ele venha.

Beijos

Bell Souza disse...

Padovani, eu gostaria imensamente de te agradecer. Era para ter feito isso antes, mas fiquei titubeando com as palavras dentro de mim. Obrigada o carinho e a presença constante. Lembro-me bem que era raro ver-te no meu espaço e agora? tão constante, mesmo quando não é em comentários. Admiro o seu trabalho, encontro uma beleza singela nele que é pedra preciosa. Eu só queria agradecer, pois dificilmente alguém mexe com o meu emocional e quando alguém ganha um sorriso meu, mesmo que pela tela do computador acaba ganhando uma parte significativa de mim. Obrigada!

Pegadas do Coração disse...

Sempre temos uma estória pra contar, mesmo a menor que seja, mas a gente nunca esquece...
Abraço!
Boa semana!

Shuzy disse...

Que gostoso imaginar essas cenas! Adorei teu blog garoto!

Cristiano Contreiras disse...

Parabéns pelo espaço tão sensivel, belo e inteligente! a poeticidade invade aqui, ganhou um seguidor!

cumprimentos!

dear sarah disse...

Nossa, que blog lindo. Parabéns!

Charlie B. disse...

Awn, queria que isso acontecesse de fato, mas no mundo real, o amor parece mais amargo do que nos sonhos. Mas acho que tudo depende do quão bom és tu, não é?

Abraços, Charlie B.