O eremita e o dragão - Parte 3

Hora do conto - Para entender, leia a Parte 1 e Parte 2

O dragão repetiu quantas vezes Rufus pedira.
- Ora, sábio amigo, a resposta é tão clara - disse ele em tom de zombaria. Rufus franziu a testa, irritado.
- Dois amantes que nunca se viram - repetiu o homem para si.
- Estou sentido meu corpo envelhecer por toda essa demora - disse o dragão impaciente - Receio ter encontrado o eremita errado para fazer minhas perguntas. Eu poderia jurar que você me convenceu quando pareceu levemente desonrado por eu ter duvidado de seu raciocínio. Estarei esperando quando seu ego corroído decidir admitir que não é capaz...
- O sol e a lua. Você está falando do sol e a lua - respondeu Rufus confiante.
O dragão colocou a pata no queixo, fingindo pensar sobre a resposta, revirou os olhos, derrotado e assentiu:
- Perfeito, eremita conhecedor, você acertou.
- Posso fazer uma pergunta? - ele pediu.
- Concederei a ti esse privilégio - disse o dragão, pomposamente, com a pata no peito.
- Onde estão os outros dragões?
O gigante vermelho assumiu uma expressão tristonha e falou como se tivesse preso em um devaneio:
- Acredito que eu seja o último de minha espécie, a ira dos exércitos de homens dizimou a minha raça e os poucos que sobreviveram se esconderam em cavernas, mas então surgiram os caçadores de dragões, homens sozinhos que carregavam armas eficazes e fúria nos olhos. Eu não nego que muitos de nós destruiu aldeias e arrancou a vida de milhares de pessoas, mas essa guerra entre nossas raças é tão antiga que não se sabe ao certo quem a começou. Eu não tenho nenhuma companhia, Rufus ruivo, vivo sozinho há mais tempo do que você vive nesse mundo e essa vida não é agradável.
Rufus sentiu pena do dragão e percebeu que ele não era tão mal quanto havia suposto, tudo o que lhe dera a impressão errada sobre a criatura foram as histórias que ouvira, mas foi então que percebeu que para conhecer verdadeiramente uma história é preciso conhecer todos os lados da mesma e que é impossível conhecer alguém apenas pelo o que os outros dizem.
O dragão se sacudiu, como se afastasse uma nuvem implicante de pensamentos e indagou:
- Pronto para continuar?
Rufus bebericou um pouco de água do cantil que carregava e fez que sim com a cabeça.
- Muito bem - disse o dragão e proclamou o segundo enigma:

Na descida íngreme corro
Na subida vertiginosa descanso
Vidas em meu seio acolho
Enquanto o meu sonho alcanço
Minha voz é ouvida no breu
Diga-me quem sou eu.

O dragão sentou-se consciente de que a resposta demoraria a vir e começou a pensar em provocações para irritar o eremita.

EM BREVE - PARTE 4

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Mais sobre o dono dos sorrisos

Autor de sorrisos. Sou aquele que fala sobre o que sente e o que não sente com a mesma veracidade. Há quem diga que sou feito de palavras e quem sou eu para discordar? Ao ler minhas (entre)linhas nosso laço se aperta e assim podemos ser íntimos, de alguma forma. Contatos: rodolpho.padovani@hotmail.com

5 sorrisos compartilhados:

Thiara Ribeiro disse...

Começo a gostar muito de dragões!
:)

Doce Nostalgia disse...

Ah fico boba como tu consegue escrever tão bem contos! O.o
hahaha

Tá ficando bom ....!!!!!!

Tati disse...

Que Dragão mais doce Coruja... Repito, quero um desses pra mim.

Beijos e espero por mais...

Milla disse...

Não comentei nos outros textos, mas estou adorando seus contos :) Já gostavam de dragões por causa do Eragon mas agora gosto mais.
Beijos

Charlie B. disse...

Dragão pomposo este, hein? Bem, espero que o egocentrismo dele não corrompa o pobre eremita, vamos a parte 4.

Charlie B.