(Re)escrevendo-me

A vida da gente é feito um livro, cada dia é uma página, cada acontecimento é um capítulo, cada pessoa é um personagem. Não começamos a escrever esse livro, nos pegamos no meio dele e quando menos percebemos é nossa letra que está no papel, são nossas decisões que contam, mas se eu pudesse voltar lá na primeira página, checar o índice e recomeçar a escrever? Como seria?
Eu olharia os capítulos que mais precisam de uma mudança e começaria por eles, apagaria os erros mais estúpidos, recolocaria algumas sentenças de outras formas, editaria algumas respostas e escolhas. Eu mudaria alguns detalhes, acrescentaria um pouco mais de sabedoria e experiência às primeiras páginas. Depois eu trabalharia nos capítulos inacabados, é, naqueles que por algum descuido ou negligência ficaram sem um final, então eu estudaria todo ele e colocaria os devidos pontos finais. Em alguns capítulos eu somente alteraria algumas vírgulas, para dar um novo sentido às coisas, retiraria umas interrogações aqui, colocaria outras ali, exclamaria menos, talvez uns travessões a mais não seriam tão mal, pois às vezes a gente olha para o que passou e pensa "eu deveria ter dito isso e não disse" e muitas vezes a gente perde as coisas por falar de menos e omitir demais, aí está outra coisa que eu mudaria, deletaria algumas omissões, não que meu livro precise ser escancarado para todo mundo, mas tem gente que precisa ler.
Algumas mudanças seriam cruciais, eu posso até alterar o curso de algumas coisas, escolher a direita ao invés da esquerda, dizer sim ao invés de não, mas sempre tomando cuidado para não excluir nenhum personagem, sempre atento ao caminho que me levou a cada um em primeiro lugar.
Sabe aquelas mentirinhas inúteis? Eu apagaria algumas delas também. Eu acrescentaria uma boa dose de ânimo e força de vontade em cada página e também muito risos. Ah, eu reverteria algumas más escolhas, arrependimentos e tiraria todas as dúvidas e incertezas. Arriscaria mais também.
Em alguns capítulos eu apenas daria uma boa revisada, só para ver se deixei algo para trás.
É isso, pronto. Mas, espera aí? De quem é essa vida que eu reescrevi? De quem é esse livro que aparentemente não mudou muito, mas é um livro novo? Não é isso que eu quero.
Esquece todas essas alterações. Quer saber, se eu tivesse o poder de reescrever minha história, eu não faria, pois cada detalhe, cada página virada, cada experiência boa ou ruim, me trouxeram até aqui e me transformaram em quem eu sou. Pode ser que eu tenha perdido muita coisa e se perdi é porque não é para ser minha mesmo. Pode ser que eu tenha cometido muitos erros e deslizes, mas aprendi com eles. Pode ser que duvidei demais, falei de menos, esperei as coisas acontecerem ao invés de tomar atitude, mas eu vivi. E a vida que levei foi boa, apesar de tudo.
Esse livro é meu, decido não reescrever nada.
Vou me empenhar para que as páginas e capítulos seguintes sejam cada vez melhores para que eu possa chegar no final e realmente dizer "era esse o livro que eu sempre quis escrever".

Pauta para Sílaba Tônica

Pessoal que tem acompanhado o conto do monge, não me xinguem, mas essa semana eu estou participando de alguns projetos e a Parte 4 fica para o começo da semana que vem, espero que gostem dos dois próximos textos. Grande abraço.

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Mais sobre o dono dos sorrisos

Autor de sorrisos. Sou aquele que fala sobre o que sente e o que não sente com a mesma veracidade. Há quem diga que sou feito de palavras e quem sou eu para discordar? Ao ler minhas (entre)linhas nosso laço se aperta e assim podemos ser íntimos, de alguma forma. Contatos: rodolpho.padovani@hotmail.com

12 sorrisos compartilhados:

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

Sob certa perspectiva, a vida não admite ensaios, nem rascunhos, nem re-escritas... ;)

Cristiano Guerra disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cristiano Guerra disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cristiano Guerra disse...

Fiz um estrago aí em cima, não sei o que minha net tá querendo. ;]

Durante todo o texto só tive à cabeça a uma música de O Teatro Mágico, chamada: Sintaxe à vontade. E foi uma conclusão muito digna. Bom texto.

#Obrigado pelo selo, fica à vontade pra pegar o da Oficina. O tamanho é bem reduzido em relação ao seu, porque vários blogs põem na lateral. mas acho que não fa mal.

Abraço ;]

Cris Santos disse...

Adorei seu blog, e suas palavras!
Aqui está realmente lindo!
Ganhou mais uma seguidora!!!
Bjinhus doces ;*

Leticía Gomes disse...

rodolpho, tudo bem?
parabens pelos títulos alcançados, sempre vejo teu blog em divulgação, mas nunca tinha lido realmente alguma coisa.
estive tentando ler algo seu , mas as últimas postagens foram partes de um texto grande, que eu prefiro ler de uma vez só, do contrário, misturo as historias que já leio nos outros blogs.
voce manda muito bem. o texto vai correndo pelos olhos, eu não tve dificuldades em entender o que voce quis dizer, o que mostra que sabe o que quer dizer e sabe escrever isso.
quanto ao texto, seria mentira dizer que não gostei do final. na verdade, estava torcendo para que voce "desistisse" de se reescrever. no fim, acho que nosso erros fazem de nós o que somos.

um abraço, estarei sempre aqui :)

*Amanda* disse...

essa semana assiti um filme em que o ator principal tinha o poder de ver o futuro.. e a ultima frase dele no filme foi mais ou menos assim: "o problema em saber o futuro... é que sempre que acontece... acontece de uma forma diferente!"

se vc pudesse mudar o passado.. ou prever os erros futuros... vc naum seria vc... apesar de saber que...

AS PESSOAS MUDAM!!! kkkkkkkkkkkkkkkk


ameiiiiiiiiiiiiiiiiiii o textooo rodiiiiiiii!!!!

*mtoo bom ter um amigo escritor!

Jaqueline Jesus disse...

AH que lindo *--*
eu sou suspeita pra falar né?!
mas amei de verdade, e penso extamente como você, reescrever nossa hsitória poderia mudar quem somos hoje. É melhor viver melhor hoje pra não se arrepender de nada depois.
Você chegou exatamente aonde eu queria, haha.
;x
beijos

V. Linné disse...

"Não começamos a escrever esse livro, nos pegamos no meio dele e quando menos percebemos é nossa letra que está no papel"

Perfeito esse pedaço de frase.
A imagem que você criou é simples e define bem o tom de todo texto.
Parabéns.

Danny disse...

Rodolpho adorei teu blog
estarei sempre a caminhar por aqui

Beijos na Alma..

>>Dani

Rebeca Amaral disse...

meu livro tá cheio de páginas brancas, rasuradas ou rasgadas. e isso me deixa tão aflita.

texto incrível!

Paula Baiadori disse...

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