As cartas do monge sem nome - Parte 4

Hora do conto - Para entender, leia a Parte 1, Parte 2 e Parte 3

S.

Tenho a sensação de ser um vazio, sem teu amor que me preenche. Sinto que nada faz sentindo, que os dias apenas escorrem por entre meus dedos como água e por mais que eu tente segurar não consigo e esses dias ocos apertam meu peito, como se algo pesado estivesse sobre mim, me sufocando em meu próprio ser incompleto. As noites frias e estreladas me remetem àquele tempo em que éramos um do outro, onde eu cabia em seu abraço e você se encaixava no meu beijo e nossos corpos se entrelaçavam feito tranças. Aquele tempo me deixou marcas por debaixo da pele, me deixou cicatrizes invisíveis e ânsia de rasgar minhas barreiras e te encontrar de novo. Essa saudade me ensandece, me corrói por dentro, carcomendo cada párticula do meu corpo, se espalhando por cada músculo e atingindo meu coração doído. Meu corpo sozinho não é nada sem o seu, minha vontade não se sacia somente com recordações, meus desejos impuros me queimam a alma.
Minha alma está corrompida pela lascívia, a cada segundo a vejo arder nas brasas da perdição. Você é meu pecado mais mortal, mas é um pecado que eu não consigo me abster. E essa abstinência perturbadora é o pior sacrifício que já me foi imposto.

N.

O monge ouviu as palavras do Abade e as absorvia. Ele dissera:
- Não há mais espaço para sua presença nesse monastério, você manchou a essência de nosso templo e esse mal deve ser expurgado - e sem dizer mais palavra, ele se levantou e ordenou que retirassem o monge dali.

Eu vi quando ele foi carregado para fora, levando nada além do hábito surrado que vestia. Acompanhei até o deixarem nos portões de entrada, ele me lançou um olhar que só eu pude entender naquele momento, seu lábio franziu em um leve sorriso.
Os portões se fecharam e eu vi aquele monge sendo expulso por causa das cartas que eu escrevi.

EM BREVE - PARTE 5

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Mais sobre o dono dos sorrisos

Autor de sorrisos. Sou aquele que fala sobre o que sente e o que não sente com a mesma veracidade. Há quem diga que sou feito de palavras e quem sou eu para discordar? Ao ler minhas (entre)linhas nosso laço se aperta e assim podemos ser íntimos, de alguma forma. Contatos: rodolpho.padovani@hotmail.com

14 sorrisos compartilhados:

Carolyne Mota disse...

Realmente surpreendente!
´
Abraço.

Patrícia Azevedo disse...

que lindo rodolpho!
me encantei com suas palavras e seu blog.. transmite com perfeição seus sentimentos e traz junto com as palavras todas as emoções possíveis!
parabéns!
estou te seguindo, e espero a próxima postagem.. estarei sempre por aqui!

Cristiano Guerra disse...

Você acaba de me surpreender. Agora vou ficar esperando desesperadissimamente o próximo.

Abraço

Milla disse...

Como é que você termina uma parte desse jeito?? Ah estou muuito curiosa agora!

*Amanda* disse...

Que absurdooooooooooooooooooooo!!!! ele foi expulso por causa do outroo!!!!
tô rosa chicleteeeeeeeee..

quero saber esse final amanhããããããã!!!!

jefhcardoso disse...

Boa sorte com seu texto (O escritor que nunca viu), irei conferir.
Jefhcardoso do
http://jefhcardoso.blogspot.com

Jaqueline Jesus disse...

:O
uaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaau!!
então o safado da história era esse cara aí né, caraca nunca imaginei isso.
mas então ele é homossexual?
aaaah quero a continuação *-------------*
voltei na hora certinha, hahaha.

aah que lindo, vc participou do concurso cultural :D eu também paticipei, mas meu texto não foi escolhido , hahaha não sou tão boa quanto vc xD
tava com saudades daqui, depois vou dar uma olhada nos textos anteriores.
beeijos e tomara que vc ganhe, ja votei :D

Leticía Gomes disse...

oi rodolpho.
bom, estava com um pouco de vergonha de receber seus comentário em todas as suas postagens e eu nunca comentar nos seus textos "cortados" por causa da minha mania de ler tudo de uma vez.

então peguei para examinar mais a fundo o seu texto para o blog livros. nossa, ficou tão bom, espero de coração que você ganhe. muito comovente mesmo :)
tambem tenho uma crítica a lhe fazer, se me permitir. as pessoas nunca me corrigem no blog, acho que é porque tem medo de eu não gostar ou me ofender. mas vi algumas semelhanças entre nós dois e espero que elas se estendam para a parte das criticas construtivas, rs.
eu achei que você faz períodos muito longos, quer dizer, frases e paragrafos com poucos pontos finais. isso confunde um pouco o leitor porque as ideias passam de ter uma ordem para ficarem embaralhadas numa única sentença. com mais pontos finais, elas ganham cornologia e mais sentido.

espero que te ajude. às vezes você escolheu escrever dessa forma e não liga para o que seus leitores pensam.
bom, eu ligo. espero ter ajudado, e desculpa se te ofendeu, realmente não é a intenção.

abraço :)

Rebeca Amaral disse...

como assim Rodolpho? que bixo safado! vai deixar o outro ser expulso!
tô chocada! ai ai, viu.

quero saber mais!!!!!!!!!!!!!

Daniella disse...

é fato que todos os seus textos me surpreendem, mas esse daqui principalmente :x

Tati disse...

Indo pro próximo e está cada vez melhor.

Tati disse...

Ah e uma coisa, eu não concordo com o comentário da Letícia a respeito dos seus parágrafo e necessidade de mais pontos finais.

Considerando que as suas ideias são sempre bem colocadas e ritmadas. Como já sabe o único estilo de escrito que saí de você que a métrica e pontuação raramente me batem são os poemas.

hum... É isso

Beijos

Doce Nostalgia disse...

Minha sorte é ler tudo de uma só vez... Hehe
amooo suspensen, mas morro no caminho da revelação! hahaha

Mandy disse...

Como assim? :O Vou ler a outra logo, e comento no final DHSAIOHDUIASHDSUI.
To acompanhando desde o inicio, viu. :)