Keblinger

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O que se esconde por trás das palavras

| segunda-feira, 29 de junho de 2015

Sempre fui daquele tipo de gente que segurava as palavras na mão com tanta força que no momento em que elas deveriam ser soltas já estavam tão atadas à minha palma que nem mesmo fortes sacudidelas as faziam sair. Sendo assim, sempre fui também muito calado ao que era intrínseco ao coração, achava que se era algo só meu, só do meu sentir, do meu querer, do meu pronome possessivo meu e de mais ninguém então não deveria compartilhar.
Porém há vários tipos de palavras e a escrita foi aquela que eu jamais consegui conter dentro de mim, pois ela pulsava por minhas veias, sussurrava secretamente em meus ouvidos e se mostrava em toda sua invisibilidade presa na minha retina. Então tão natural quanto respirar meus dedos aprenderam a dançar, primeiramente uma valsa sutil e acanhada na companhia de uma caneta qualquer, depois no salão de um teclado, tornando as palavras visíveis a cada passo trôpego da barrinha que se movia da esquerda para a direita, revelando os segredos guardados na melodia das letras e no som das teclas.
Entretanto ser recebedor das palavras não foi algo que eu costumava ser, eu as distribuía em textos construídos com o melhor uso possível do talento que eu acredito possuir, mas recebê-las? Não, não eu. Ter alguém disposto a depositá-las diante de mim como presentes nunca foi algo que cheguei a cogitar, pois, veja bem, sempre soube ser eu o doador de palavras, não o receptor.
Mas surpresas hão de vir pelo caminho. Feito aquela música que você está pensando e de repente escuta tocar em algum lugar, como uma coincidência muito bem arquitetada pelo destino.
Disse ali no início que sempre fui aquele que segurava as palavras, sim, disse no pretérito perfeito e o mais perfeito é que fique no pretérito mesmo, pois aprendi que as palavras não devem viver aprisionadas nas palmas das mãos ou na escuridão de uma boca fechada. Pelo menos não aquelas palavras destinadas à pessoa que te ensinou essa preciosa lição.
Hoje eu me tornei um receptor. Descobri que o que se esconde por trás das palavras são pessoas. E descobri também que assim como eu várias pessoas são feitas de palavras, várias delas são doadoras universais, mas que também podem receber algumas vez ou outra. Por trás das palavras também há sentimento, dos mais variados tipos possíveis. Então falemos deles, libertemo-los das trancas da língua e dos nós dos dedos, que enxerguemos suas cores ao vento e inventemos novos matizes.

Hoje eu sei que receber as palavras é tão bom quanto doá-las. Sei disso porque meus dias são mais coloridos por causa das belas palavras, daquelas três palavras, do sentimento por trás delas e das ações que as comprovam. Porque eu tenho uma doadora comigo, que adora me surpreender de tempos em tempos com embrulhos inesperados em forma de textos e declarações. Então nada mais justo do que usar dessas minhas palavras para doar meu pequeno obrigado diante da grandeza de tudo que ela me ensinou a sentir e viver.

E sim, eu sei que sou um cara sortudo.

Sobre a imagem: porque é em alemão ~ e há ótimas palavras nesse idioma e porque é pra ela.
E claro, devo deixar aqui o link do blog da moça encantadora que vem me ensinando a encontrar as palavras há muito perdidas dentro de mim ~> O que se esconde por trás das palavras. Apreciem.

1 sorrisos compartilhados:

{ Joyce Silva } at: 29 de junho de 2015 20:11 disse...

Nando Reis uma vez cantou " A consequência do destino é o amor", hoje eu tenho certeza que ele estava certo, pois você foi a consequência do meu destino, e consequentemente, se tornou o meu lugar e para completar a música " pra sempre vou te amar".

Obrigada pelo texto e pela referência ao blog, mas acima de tudo, obrigada por ser exatamente quem você é, e sendo assim, deixando o mundo um lugar do qual eu gosto mais!

you are my home.

 

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