Keblinger

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Sorrisos de desjejum

| segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Acordei com a claridade sorrateira do sol que se esgueirava quarto adentro como se fosse uma convidada há muito esperada, o que não era o caso, embora eu goste desse frescor que as manhãs trazem nos bolsos, desse vento frio que brinca de bagunçar os cabelos e levantar os pelos num arrepio delicado. Gosto ainda mais quando essas mesmas manhãs me trazem seu sabor em forma de beijos e abraços apertados numa sutileza que só você possui.

Sorrio involuntariamente ao ver sua silhueta recortada debaixo das cobertas, os olhos ainda cerrados e a mente presa em um sonho qualquer que logo será esquecido, passo um segundo eternizando esse momento, temendo que o tempo se apresse em vir e se apodere dele. Fecho meus próprios olhos e te vejo em minha retina, nitidamente, como um retrato perfeitamente real.
Respiro silenciosamente para não te despertar, faço movimentos vagarosos ao sair da cama e andando nas pontas dos pés me arrasto até a cozinha para preparar nosso café.

Lá fora um pássaro possuído pela alegria de sua liberdade de voo canta animadamente os versos que aprendeu a compor para a natureza, a claridade já se esparramara pela casa toda, varrendo o chão e as paredes com seu manto amarelado e ofuscante.

Volto ao quarto e te pego se movendo enquanto o sono resiste em te deixar, você então se espreguiça pela cama toda e abre os olhos bem pequenos por conta da luz, sorri para mim e nesse instante eu percebo que se o tempo tivesse a decência de parar, eu não me importaria de ficar preso nessa cena.

- Café? – pergunto.

- Café – você diz e dentro de mim um coração sorridente se enche de alegria só por te ter por perto.
 

Copyright © 2010 A arte de um sorriso