Keblinger

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Sonhos de inverno

| terça-feira, 1 de julho de 2014

(…) Who are we?
Just a spack of dust within the galaxy?

(…) But are we all lost stars
Trying to light up the dark…

Julho veio com a promessa de um inverno cálido, ainda com o toque ameno do outono que virou a esquina não tem muito tempo. Outono que a trouxe até mim, que depositou toda sua boa-venturança em minha porta através de seus olhos sorridentes.

Quem sou eu para sorrir todos os sorrisos do universo? Para brincar de colecionar pequenas alegrias num balde que já transborda? Para sentir toda a beleza das constelações na poeira da ventania? Quem é ela para me dar todo o sabor doce das flores? Para arrancar o sol de seu horizonte imaginário? Para me trazer a realidade mais sonhadora que pudesse haver?

Talvez sejamos feitos de sonhos, de pedaços inconscientes que vagam pelo mundo buscando sua própria resposta perdida em um grão de areia. Talvez seja tudo um faz-de-contas muito bem elaborado, cujas linhas são tão bem enlaçadas que não importa se é real ou não. Talvez o bater de asas de uma borboleta realmente possa causar um tufão do outro lado do mundo.

Outro dia assisti a dança de um beija-flor, tão singelo em seu voo, tão delicado em sua mera existência que me bastou apenas ele e seu carinho pelas cores das pétalas para me fazer sorrir. Há um mundo pequenino ao nosso redor que nos escapa aos olhos. Há um caminho mais suave para seguir, escondido das vistas cansadas e daqueles que escolheram não acreditar mais. O descrer também é belo, devo dizer, ele traz a leveza do não esperar, o encanto do surpreender-se e até a dúvida do que pode vir a ser.

Talvez, quem sabe, não esteja tudo conectado com o nada, no final das contas. Talvez as perguntas erradas estão sendo feitas. Talvez o próprio talvez busque uma definição mais apropriada para o seu não saber ser o que é, como todos nós, pobres mortais.

Quem sou eu para ter ganhado tamanha felicidade ao encontrá-la? Para descobrir novos sentidos nas canções que até mesmo os pássaros hão de cantar? Para valsar por baixo do arco-íris ainda que a chuva não venha? Quem é ela para me presentear com as sensações mais brandas que existem? Para cariciar em meu peito um coração fatigado de bater sozinho? Para roubar-me de mim em sua órbita viciante?

Julho veio com o deleite da felicidade, com as expectativas de amanhãs mais coloridos e menos nublados. Trazendo no inverno o calor de seus abraços. O fulgor de seus beijos. A incandescência que vaza de seus olhos enquanto olha para mim.


Que a realidade não demore a bater em minha porta.

4 sorrisos compartilhados:

{ Joyce Silva } at: 2 de julho de 2014 19:42 disse...

Por vezes as linhas que costuram as histórias trocam de cor e trazem fios retirados das nuvens, carregadas de sonhos e então nossa realidade ganha um sabor diferente. Adorei o texto e suas comparações.

{ Andressa Pereira } at: 3 de julho de 2014 21:34 disse...

Quem precisa de realidade quando se tem tudo isso?
Deixa essa ansiedade de lado, aproveita as coisas que estão no agora. Permita-se!


Identidade Aleatória

{ Geladeira no prego } at: 6 de julho de 2014 17:28 disse...

Viver e se permitir.

{ Mikaele Tavares } at: 7 de julho de 2014 16:41 disse...

Rodolpho, conheci teu blog em grupo do Face.. E nossa! Gostei do que vc escreveu!
Que julho seja realmente um mês lindo como a dança do beija-flor. Sua escrita deixa nossa alma mais leve. Abraços, Mikaele

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