Keblinger

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Amor em conta-gotas

| quarta-feira, 23 de abril de 2014


♪ Pode ser assim como um beijinho de passarinho
De uma leveza perspicaz
Quando eu dou por mim
Eu não estou mais tão sozinho... 

O sol ainda não havia se decidido se iria se deitar lá no poente e a lua toda impaciente o encarava com um quê de quem tem mais o que fazer além de ficar esperando, mas toda essa implicância que acontece lá no alto, entre as nuvens sorrateiras, não faz diferença ao que se passa aqui embaixo, em solo firme.

Caminhei com ela até em casa, achei a coisa mais cavalheiresca a se fazer depois de uma tarde incrível ao seu lado. Sabe aquela coisa de se sentir à vontade na presença de outra pessoa? Bem, foi até mais do que isso, parecia que ela estudara um roteiro previamente escrito de tudo o que conversaríamos e sabia completar as frases que eu mais me complicava em dizer.
Até os versos das músicas que eu murmurava ininteligivelmente ela sabia completar. Nunca vi as horas trabalharem de maneira tão eficaz e sigilosa, mal percebemos o tempo passar veloz pela nossa frente, como se fugisse de algo alheio a nossa percepção.

Deixei-a sã e salva diante de sua casa, com um sorriso besta pregado em meu rosto e o cérebro dando nó enquanto tentava encontrar as palavras certas a dizer naquele instante, por fim acabei expandido meu sorriso numa careta e engoli em silêncio o adeus que ela me deu. Nunca fui capaz de entender sinais e coisas do tipo, então não me atrevi a beijá-la, pois não sabia como isso seria recebido por ela.
Não gosto dessas paixões devastadoras como furacões, resolvi que quero me apaixonar lentamente, um pouquinho de cada vez, sem pressa. Não quero me atirar em um abismo de incertezas sem saber ao menos o que me espera lá embaixo.
Posso não estar tomando a decisão mais acertada, mas meu coração me diz que é assim que tem que ser, que é assim que deveria ter sido todas as outras vezes. A vida tem disso, de nos ensinar pequenas lições as quais nos julgamos superiores demais para aprender e apreender, talvez seja hora de dar mais valor a isso.


Acenei uma última vez antes de dobrar a esquina. Ela ainda estava no portão me observando. O sol também acenou sua despedida e a lua arrastou seu brilho todo pelo céu. Amanhã é outro dia. Dia de se apaixonar um pouco mais. 

2 sorrisos compartilhados:

Anônimo at: 23 de abril de 2014 16:13 disse...

Incrível como me identifico com o que escreve! Sempre fui dessas que não entendem esse amor violento, avassalador, sempre fui meio cazuza "a sorte de um amor tranquilo" rsrsrs...lindo texto, como tantos outros. Jgs

{ Ariela } at: 27 de abril de 2014 13:39 disse...

Eu sempre falo a mim mesma que "da próxima vez, vou me apaixonar mais devagar", mas acho que a intensidade me seduz de tal forma que eu não consigo escapar. Está aí uma lição para eu aprender! Foi lindo ver a forma que você representou esse amor aos poucos.
Um abraço

 

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