Keblinger

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O calor de Clarissa (+18)

| segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014


A noite quente alisava a pele de Clarissa, o ardor sibilava em seus pensamentos luxuriantes enquanto ela pensava que a única coisa que lhe faltava era um homem que a fizesse se sentir uma mulher. Um homem que a segurasse com força terna e fustigasse seu corpo com o suor do seu.

Clarissa sentiu que necessitava sair da cama morna e morosa e arrastar-se pelos becos sombrios e avenidas convidativas. O que sua mãe diria diante de tal imprudência? O que suas amigas pensariam daquele impulso destemido? Logo ela que sempre se escondera atrás de um sorriso inocente, sempre fugindo das conversas mais tórridas dos colegas de trabalho, sempre desviando-se de seu próprio prazer... mas já bastava.
Agora ela queria lançar-se sobre o mundo, prendê-lo entre suas pernas e berrar que a invadisse. Ela queria perder a máscara pueril pelo caminho mais devasso que pudesse haver e rasgar as privações que se auto impusera.

Botou um vestido curto, nada de esconder suas vergonhas naquela noite. Soltou os longos cabelos cacheados e impregnou-se do melhor perfume. Sorriu maliciosamente para o espelho, passando a língua nos lábios rubros. Lá fora, a lua cheia pareceu encher-se mais de brilho ao bater os olhos na donzela faminta por perigo. O vento cálido lambeu a pele lisa das pernas da moça e ela pôs-se a caçar.

No bar mais badalado da cidade, desfilou por entre os homens, atiçando-os. Fazendo-os crescer em suas calças. Convidando-os. No balcão, bebia uma bebida colorida qualquer, brincando com o canudo com a língua, desviando de alguns olhares, se entregando a outros. O rapaz esbelto e de sorriso fácil por trás da barba por fazer sentou-se a seu lado e perguntou se podia lhe pagar um drink. Ela deu de ombros como se não fizesse muito caso – a arte da sedução começa por demonstrar desinteresse, certa vez ouviu alguém dizer.

O apartamento dele cheirava a desodorante barato. O quarto estava desarrumado e a cama com os lençóis revirados, mas ela não se importou. Assistiu com muita excitação o rapaz despir-se, indicando que compartilhava daquela sensação despudorada, apontando seu membro em sua direção, como um convite para a tentação. Deixou que ele arrancasse seu vestido e a atirasse na cama que soltou um rangido de protesto, que foi totalmente ignorado. Ela montou em seu companheiro, seguiu o ritmo dos movimentos que ele ditava e cravou as unhas na pele dele conforme os segundos se passavam. Sentiu sua presença dentro dela, cavando cada vez mais fundo, desbravando seu interior. Arfou demoradamente, perdendo o fôlego quando atingiu o clímax, apertou-o ainda mais contra seu corpo e sentiu um espasmo rápido.


Em sua casa, na manhã seguinte, Clarissa bebericava em sua xícara de café, inerte em pensamentos. O que o pessoal do serviço pensaria? Como suas amigas reagiriam? E sua mãe, o que sentiria em relação à filha? Bem, ela não precisava se preocupar, ninguém ficaria sabendo, pois estava mais uma vez vestindo a máscara da pureza, escondida atrás do véu da inocência e desvencilhando timidamente das conversas de corredor.

Certo, sorridentes, aventurei-me pelas linhas sinuosas da lascívia mais uma vez, é interessante percorrer esses caminhos em meus escritos, espero que gostem.  

6 sorrisos compartilhados:

{ Tati } at: 11 de fevereiro de 2014 16:11 disse...

Delícia de texto!

Vem cá menino! Pare agora com isso de me deixar sem fôlego também! Já basta o que a Babi me tem causado tem tempos!

Texto bom, conto bom! Gostoso de ler, de sentir... Dá aquela vontade tentadora de querer viver isso. Não assim... haushaushaus, mas assim mesmo!

E olha se você continuar nesse caminho eu com certeza vou continuar por aqui.

Como sempre eu amei o texto e olha Rod, já te disse isso inúmeras vezes, você tem uma delicadeza que até nos dá a impressão que é uma borboleta escrevendo. E eu amo a sua intensidade, ternura e força.

Quero mais!

Beijos!

{ Charles Bravowood } at: 12 de fevereiro de 2014 02:06 disse...

Ao ler fiquei cá comigo transcrevendo mentalmente alguns trechos numa linguagem bem mais suja, rs. Gostei moço.

{ Rebeca Postigo } at: 14 de fevereiro de 2014 11:28 disse...

Belo texto!!!
Leve, poético e muito intrigante...
Como minha mãe mesmo diz...
São dos quietinhos que eu tenho medo...
Hahaha...

Bjo, bjo!!!

{ Manie } at: 21 de fevereiro de 2014 11:37 disse...

meu-deus-do-céu, que texto perfeito!
senti uma mistura de aspectos psicológicos e materiais, sabe? ela utilizou da carne para satisfazer uma necessidade espiritual: quebrar a corrente com a pureza que ela mesma sabia que não tinha.

eu já li muitos textos co descrições sexuais e confesso que foram poucos os que eu realmente achei bem escritos. parabéns, sério, me prendeu ate o final!

{ Erika Souza } at: 1 de março de 2014 16:01 disse...

amei o texto me deixou sem folego
seguindo teu blog retribui?
www.portaldebeleza.com

{ Graziele Santos } at: 18 de março de 2014 14:28 disse...

Eu que me distanciei das minhas leituras viciantes por um tempo estou aqui comentando cada postagem sua. Eu amo seu blog, sua escrita. Parabéns! *-*

Graziele Santos
(http://lamiaparticolare.blogspot.com)

 

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