Keblinger

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Cante para mim

| quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

 (…) And when you speak, angels sing from above
Everyday words seem to turn into love songs…

Cante uma canção para mim, rime beijo e alecrim e me faça suspirar. Cante mi, baixo sol e lua em fá. Conte estrelas sem dó, roubando o brilho só para si. Cante cá e cante lá, do avesso ou cante em ré. Simplesmente cante.

Rabisque meu nome junto ao seu em verso e prosa, costure a poesia entre vírgulas e embrulhe tudo em fina seda. Enlace com fita de cetim e sopre um beijo no nó.
Toque as cordas de seu coração, pulsando no ritmo e compasso de nosso ser. Seja trovador e eleve a voz.
Cante apenas canção serena para em meu ouvido habitar, me ensine a letra e melodia e me prenda no refrão.
Cante baixo, cante alto, cante em tom ou semitom.
Faça-me dormir no embalo desse som, carregue-me em sonhos e aqueça o violão.
Toque a nota, nota toque-me, toque lira e violino. Nine minha alma nesse trino.
Cante como um passarinho, um rouxinol que sai do ninho louco pra poder voar.

Venha assim, bem de mansinho, emudece meu silêncio e me faça entoar, esse som tão bonitinho inspirado em me amar. 

Porque a música inspira!

O calor de Clarissa (+18)

| segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014


A noite quente alisava a pele de Clarissa, o ardor sibilava em seus pensamentos luxuriantes enquanto ela pensava que a única coisa que lhe faltava era um homem que a fizesse se sentir uma mulher. Um homem que a segurasse com força terna e fustigasse seu corpo com o suor do seu.

Clarissa sentiu que necessitava sair da cama morna e morosa e arrastar-se pelos becos sombrios e avenidas convidativas. O que sua mãe diria diante de tal imprudência? O que suas amigas pensariam daquele impulso destemido? Logo ela que sempre se escondera atrás de um sorriso inocente, sempre fugindo das conversas mais tórridas dos colegas de trabalho, sempre desviando-se de seu próprio prazer... mas já bastava.
Agora ela queria lançar-se sobre o mundo, prendê-lo entre suas pernas e berrar que a invadisse. Ela queria perder a máscara pueril pelo caminho mais devasso que pudesse haver e rasgar as privações que se auto impusera.

Botou um vestido curto, nada de esconder suas vergonhas naquela noite. Soltou os longos cabelos cacheados e impregnou-se do melhor perfume. Sorriu maliciosamente para o espelho, passando a língua nos lábios rubros. Lá fora, a lua cheia pareceu encher-se mais de brilho ao bater os olhos na donzela faminta por perigo. O vento cálido lambeu a pele lisa das pernas da moça e ela pôs-se a caçar.

No bar mais badalado da cidade, desfilou por entre os homens, atiçando-os. Fazendo-os crescer em suas calças. Convidando-os. No balcão, bebia uma bebida colorida qualquer, brincando com o canudo com a língua, desviando de alguns olhares, se entregando a outros. O rapaz esbelto e de sorriso fácil por trás da barba por fazer sentou-se a seu lado e perguntou se podia lhe pagar um drink. Ela deu de ombros como se não fizesse muito caso – a arte da sedução começa por demonstrar desinteresse, certa vez ouviu alguém dizer.

O apartamento dele cheirava a desodorante barato. O quarto estava desarrumado e a cama com os lençóis revirados, mas ela não se importou. Assistiu com muita excitação o rapaz despir-se, indicando que compartilhava daquela sensação despudorada, apontando seu membro em sua direção, como um convite para a tentação. Deixou que ele arrancasse seu vestido e a atirasse na cama que soltou um rangido de protesto, que foi totalmente ignorado. Ela montou em seu companheiro, seguiu o ritmo dos movimentos que ele ditava e cravou as unhas na pele dele conforme os segundos se passavam. Sentiu sua presença dentro dela, cavando cada vez mais fundo, desbravando seu interior. Arfou demoradamente, perdendo o fôlego quando atingiu o clímax, apertou-o ainda mais contra seu corpo e sentiu um espasmo rápido.


Em sua casa, na manhã seguinte, Clarissa bebericava em sua xícara de café, inerte em pensamentos. O que o pessoal do serviço pensaria? Como suas amigas reagiriam? E sua mãe, o que sentiria em relação à filha? Bem, ela não precisava se preocupar, ninguém ficaria sabendo, pois estava mais uma vez vestindo a máscara da pureza, escondida atrás do véu da inocência e desvencilhando timidamente das conversas de corredor.

Certo, sorridentes, aventurei-me pelas linhas sinuosas da lascívia mais uma vez, é interessante percorrer esses caminhos em meus escritos, espero que gostem.  
 

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