Keblinger

Keblinger

Salte

| segunda-feira, 30 de dezembro de 2013


Enquanto arrumava a mala para sair de viagem, me peguei pensando em como empacotei a mim mesmo nesse último ano, em como me tranquei em uma jaula, como se eu fosse um animal feroz. Percebi a própria efemeridade do tempo, em quão rápido os dias têm se tornado noites e em quão inesperadamente as coisas podem mudar. Para melhor ou para pior.
Peguei-me observando um metrô em uma estação deserta, os carros passando rápidos por mim enquanto eu apenas assistia, sem me dar conta de que aquele metrô era minha vida, passando batida, passando veloz em busca de algo ou em busca de nada, como um cão correndo atrás da própria cauda. Às vezes precisamos de um chacoalhão da realidade, de um peteleco bem dado para acordarmos – foi assim que saltei na frente do trem, agarrei minha vida pelas rédeas e disse a mim mesmo “agora eu vou viver”, porque a vida da gente muda, isso é inquestionável, mas ela muda ainda mais quando decidimos levá-la a algum lugar, quando finalmente decidimos dar-lhe um sentido.

A mala ainda não está de todo feita, ainda há algumas recordações para guardar, outras para retirar cuidadosamente e se deixar levar a uma visita nostálgica aos dias passados. Quando me vi desempacotado percebi também que algumas mudanças deveriam ser feitas, que era necessário adicionar um pouco de cor à toda aquela obscuridade, pois nenhuma aquarela está completa se possuir apenas tons de preto. Entendi que posso resgatar resquícios de memórias e trazer de volta à tona aquele velho sorriso surrado que sempre me serviu tão bem, pois a essência sempre fica, ela permanece quando o resto já se desvaneceu. Ela se prende aos fios cálidos da alma que se sacodem ao vento.

Que mude os tons, as matizes e até mesmo todas as cores, mas que aquilo que é real e vivo permaneça pulsante do lado de dentro; que as permissões sejam concedidas, que o peito seja escancarado e exiba um coração feito de carne, capaz de sangrar, capaz de sentir; que haja melhorias, toda edificação precisa passar por uma reforma uma vez ou outra; que se plantem sorrisos para que se colha felicidade; que o círculo daqueles que importam se expanda ao invés de encolher; que os dias futuros tenham sabores agradáveis, trazendo nas asas do tempo fontes de experiência e lembranças mornas como o sol das manhãs de primavera; que todo o clichê das festividades não se torne outra vez algo passageiro e sim uma catapulta para um salto ousado, um salto de “quero o novo”, um salto de fé... E que se nada do que se deseja realmente acontecer, que haja forças para recomeçar.  

Bem, terminei de arrumar a mala, agora é esperar a viagem começar, sentindo aquele frio na barriga que precede o inesperado. E que seja bom.


Queridos, eis aqui o último texto do ano, recheado nas entrelinhas, às vezes nem tão sutis assim. Mas meu desejo de ano novo é ousadia, que a coragem de arriscar fervilhe pelas veias e que todos os saltos possíveis sejam dados, independente da altura do abismo, afinal, nem sempre sabemos o que nos espera do outro lado, certo? Um feliz ano novo que se inicia e que as provações e peripécias do tempo me deixem passar mais vezes por aqui. Abraços.

Essa coisa de fazer aniversários

| quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Dos ciclos que se fecham, para algumas pessoas este é algo a ser celebrado, por outras algo para se reclamar, para mim esse dia tem um quê de divertimento ao ler as mensagens daqueles que se lembraram de você – ainda que com a ajuda do facebook – e se maravilhar com a quantidade de coisas que as pessoas são capazes de lembrar, dos momentos cômicos e até embaraçosos que foram compartilhados; de piadas internas que os olhos alheios jamais compreenderão; dos sons das risadas passadas trazidos para o presente.

É um dia que acaba se tornando não só meu, mas de todos os que tiraram nem que sejam 10 segundos para me cumprimentar, é um dia de recordar, de celebrar que a vida seguiu seu curso por mais um ano completo e se perder nas várias memórias, nos sorrisos incontáveis, nas amizades renovadas, nas novas companhias; é uma junção do velho e do novo, um passo que se dá através do véu da idade, uma troca de pele.


Dos ciclos que se fecharam, posso dizer que este foi um daqueles que entre idas e vindas, encontros e saudades, será guardado com carinho naquele velho baú cheio de lembranças saudosas.

Nada como aniversários para me fazer passar por aqui (embora eu tenha deixado o aniversário de 4 anos de blog passar batido ~ que vergonha!), enfim, não volto para ficar, infelizmente decidi admitir isso de uma vez por todas, mas enquanto houver uma fagulha de inspiração nesse corpo que está ficando mais velho, eu voltarei, ainda que eventualmente, mas voltarei.

As horas roubadas

| segunda-feira, 18 de novembro de 2013


Eros herdara de seu avô um relógio de ouro preso numa correntinha banhada no mesmo material.
Este é um relógio mágico”, vovô tinha dito na ocasião, quando o menino tinha apenas doze anos, mas ele já não acreditava mais magia, embora devesse ter acreditado.

A primeira vez que o relógio manifestou seu poder foi quando Eros tinha dezoito anos, um jovem adulto impaciente e imediatista como qualquer outro de sua geração. Ele estava numa plataforma, esperando seu ônibus chegar. Olhou para os ponteiros preguiçosos do relógio, que sempre carregava no bolso, e suspirou irritado, ainda faltavam 25 minutos. Encarou o tempo nublado e percebeu que gotas esparsas se derramavam do céu, o clima refletindo seu humor naquele momento.
Apertou levemente o relógio dourado, fechando os olhos e desejando que os minutos se arrastassem até o instante em que seu ônibus chegasse e então pusesse fim em sua espera tediosa. E para sua surpresa absoluta foi exatamente isso que aconteceu.
O ônibus parou diante de si com um chiado alto, ele sobressaltou-se e olhou as horas, aqueles 25 minutos foram sugados para o lugar onde os minutos passados se vão e nunca voltam. Ainda com a testa franzida e um olhar mais do que confuso, ele entrou no veículo. Passou a viagem toda com os fones de ouvido, ouvindo suas músicas preferidas sem realmente escutá-las.
As palavras cansadas de seu avô, transportadas de um passado distante se arrastaram para o presente em sua memória e ele, como não podia deixar de ser, acreditou. Encarou o relógio que continuava engolindo silenciosamente os minutos, tão apático quanto o sorriso de Monalisa.
No dia seguinte, enquanto lutava com o tédio em uma aula chata da faculdade, ponderou se seria possível realizar novamente o feito do salto de tempo e não tão surpreso quanto da primeira vez, viu as horas saltarem, dois passos à frente dessa vez.
Assim, Eros nunca mais se sentiu entediado, sempre que precisava esperar por algo, segurava o relógio na palma da mão, pronunciava em pensamentos que o tempo deveria correr, e ele como um cãozinho extremamente bem adestrado o obedecia solícito.
Eros nunca soube, porém, que brincar de senhor do tempo teria sua consequências, assim como quase todas as outras coisas da vida, assim como quase todas as escolhas que fazemos. Ele nunca imaginou que o preço que pagaria seria alto demais.
Ele foi perdendo sua vida, pouco a pouco, ironicamente sua escolha de não viver lhe roubou todos os momentos que estavam guardados em suas esquinas da vida.

Aos vinte anos aos adiantar o tempo numa estação de metrô, perdeu a chance de conhecer o amor de sua vida, que pararia ao seu lado para perguntar as horas e então jogariam conversa fora enquanto esperavam pelo metrô. Ela então nunca teve a chance de encontrá-lo e seguiu adiante em busca de alguém que pudesse lhe informar as horas – e ele sempre com um relógio em mãos.
Quando completou vinte e cinco, morando sozinho em um apartamento pequeno, numa cidade grande, sem muitos amigos e em um emprego medíocre, ele continuou ordenando que o tempo corresse e ele sempre o fazia. Naquele fim de ano, perdeu a oportunidade de esbarrar em um empresário na praça de alimentação do shopping, quem o daria um ótimo cargo em sua empresa, cargo no qual ele obteria grande sucesso.
Aos trinta anos não viu sua filha nascer, porque há dez anos perdera o encontro com aquela que seria a mãe da garotinha. Jamais se tornou o pai de um belo menino aos trinta e três. Não escreveu sua teoria matemática aos trinta e cinco. Não foi ao casamento de seu melhor amigo aos trinta e seis, no qual teria sua segunda chance no amor.
Aos quarenta não foi diagnosticado com câncer.

Hoje Eros tem quarenta e quatro anos, vive praticamente dentro de um hospital lutando com uma doença que o acometeu quando ele estava ocupado demais correndo pelas horas para notar. Não possuía quem segurasse sua mão enquanto fazia o tratamento. Não tinha uma coleção de memórias em seu baú para remexer em seus dias nublados, dias nos quais se lembrava daquela tarde na plataforma, sentindo uma dor aguda em seu peito e os olhos ardendo em lágrimas.


O relógio fora atirado no fundo de um rio e todo o tempo que ele roubou de si mesmo agora se refletiam nas horas intermináveis em uma sala de espera branca e indiferente. Agora ele espera, mas pelo abraço escuro daquela que finalmente lhe furtará seu tempo restante.

Essa história me persegue há um certo tempo, venho deixando o próprio tempo me preparar para escrevê-la e por algum motivo foi hoje que isso aconteceu. Refleti bobamente sobre isso enquanto estava numa plataforma, assim como o personagem e desde então esperei o conto se derramar de mim. Espero que tenham gostado. Um abraço desse cara sumido e um obrigado por ainda tropeçar por essas bandas.

O que o espelho não vê

| terça-feira, 17 de setembro de 2013


Ainda me encaro no espelho tentando desvendar a pessoa que sou, tentando buscar aquele que um dia eu fui e que hoje me faz tanta falta. O espelho, porém, tão frio e raso jamais conseguirá me mostrar a profundidade de meu âmago obscuro, talvez essa nem seja sua função, afinal.
As estações mudam, as paisagens mudam, os ares mudam, então é normal mudar, certo? Esse é um ponto extremamente ambíguo para se parar, uma encruzilhada no meio caminho não com duas saídas, mas com várias. Sempre tive receio de mudar, não mudar espontaneamente, entenda bem, mas de ser consequência de uma mudança, não mudo pelas pessoas, nunca o fiz e acreditei cegamente que isso era verdade, sem saber que era mais uma tremenda mentira que eu me contava. Ora, se eu mudei foi por algum motivo, foi pelas pessoas, foi por mim. Mudar, no entanto, consiste numa faca de dois gumes com ambos os lados afiadíssimos. Mudei tão drasticamente que o próprio espelho hoje já não me reconhece mais, abracei um ceticismo tão fervoroso quanto as crenças de uma beata, atirei minha inocência em um poço escuro e a tranquei por lá, troquei uma máscara que podia não ser tão bela por outra realmente asquerosa. Assim como o espelho me pergunta quem eu sou, eu também busco encontrar essa resposta, busco o trilho perdido daquela pessoa calorosa que fugiu de medo do que estava se tornando.
Não percebemos de imediato tudo o que acontece em nossa volta, muito menos o que acontece dentro de nós mesmos, mas algumas pessoas sim. Elas são capazes de mergulhar em nossas íris e enxergar a mudança, pois elas também estão encarando os olhos de um estranho. Elas também precisam saber onde está aquele que desapareceu.
Caí em esquecimento dentro de mim mesmo e quando reajo de uma maneira antiquada, como aquele que sumiu reagiria é como se eu me sentisse controlado. Como se eu fosse o boneco preso às amarras e o ventríloquo ao mesmo tempo.
Quando você percebe que não gosta mais do reflexo que te encara pelo espelho, talvez seja a hora de mudar outra vez, a hora de cavar à procura daquilo que se perdeu e voltamos exatamente naquele ponto de parada na encruzilhada, diante de uma placa repleta de direções escritas em uma língua que você não consegue entender, pelo menos ainda não. É preciso então um instinto razoavelmente aguçado para escolher qual caminho seguir, pois ficar parado vendo as nuvens se arrastarem sobre a cabeça não é uma opção.
E embora eu saiba disso, há um bom tempo, devo confessar, ainda estou parado encarando aquela placa, como se ela fosse um monstro assustador cheio de garras compridas. Sinto a brisa soprar, vinda de cada caminho com promessas de aventuras, novidades e sussurrando segredos que ainda não posso compreender.


Queria que o homem trancado no espelho pudesse me ajudar, mas ele mudou demais e já não se importa em me estender a mão. Ele apenas observa apaticamente a minha indecisão, contendo um sorriso maldoso e fazendo julgamentos que ecoam em minha mente, que por uma infelicidade intencional, também é a dele. 

Carta ao escritor

| quinta-feira, 25 de julho de 2013
“Um bom escritor não tem apenas o seu próprio espírito, mas também o espírito de seus amigos.”
Friedrich Nietzsche



Querido Escritor,

C
omecei a ler quando mamãe me ensinou que nos livros existem tantas pessoas quanto no mundo real, me apaixonei ainda mais pela leitura quando papai me contou que quando leio uma história posso escolher ser qualquer personagem.
Dentro das páginas novas de um livro nunca tocado antes ou nas páginas amareladas de velhos livros que fizeram suas próprias histórias na história de cada um que os tiveram em mãos, eu me aventurei em mundos mágicos, matei dragões, cacei bruxas, aprendi encantamentos, fui vítima de vários cupidos, corri por parágrafos até meu fôlego se perder dentro de mim e repousei em vales deslumbrantes até que meus olhos cansados pudessem retornar às linhas. Dancei com as letras capitais do início de cada capítulo, sofri desconsolado ao lado dos pontos finais.
E foi você, caro escritor-criador-de-mundos-e-vidas, que me tomou pela mão e me guiou pela estrada de sua obra. Foi você, que com a maior dedicação do mundo passou horas, dias, semanas, meses e anos para terminar de escrever aquilo que se tornou meu melhor amigo, meu terapeuta de cabeceira. Foi você que soube me ler e derramar pelo papel minha história, só que contada com palavras bonitas e decorada com poesia. Foi você que se tornou parte de mim sem nem ao menos me conhecer.
Por isso nada mais justo do que eu vir por meio das palavras lhe entregar meu singelo agradecimento. Obrigado pelas incontáveis palavras que me salvaram da rotina maçante e encheram meus dias de cor. Obrigado pelo cuidado que teve comigo ao me revelar segredos pouco a pouco, para que meu coração apertado não parasse de vez. Obrigado pelos amigos que me apresentou e pelas várias maneiras ditas de que há várias formas de se encontrar um final feliz.
Não sou tão bom como você com essa coisa de escrever, mas eu não poderia deixar passar em branco essa data tão especial, pois eu imagino o quanto uma folha em branco pode lhe ser assustadora.

Que as palavras continuem dançando ciranda em sua cabeça; que a inspiração jamais escape de seus bolsos e que seus dias sejam belos, como manhãs frescas de primavera, nas quais os beija-flores fazem festa e confraternizam no jardim.

De um viajante das páginas

Sim, faz muito tempo que não dou as caras por aqui ~ momento em que todos se surpreendem ao ver uma postagem nova ~ já deixei passar várias datas especiais sem escrever uma palavra sequer, mas precisei fazer essa pequena homenagem a todos aqueles que escrevem, desde receitas de bolo até best-sellers #1 do New York Times. Nossa, como eu sentia falta disso aqui, vocês não têm ideia! Enfim, não prometo que vou aparecer com mais frequência, pois não tenho muito daquele tal de tempo, é, sempre a mesma desculpa, eu sei, mas é verdade, eu juro. Pra quem veio e leio, um abraço e um sorriso e que seus dias sejam belos como o desejo do leitor do texto.

Ponto de vista

| domingo, 19 de maio de 2013


Saí.
Botei nos pés aquelas botas que comprei no inverno passado, passei a mão rapidamente pela mesa e apanhei a chave do carro. Na outra mão carreguei a mala, leve feito minha alma. Lá fora o pôr-do-sol me banhou com feixes de luz que jorravam através das nuvens finas como fumaça de vapor de banho.
O horizonte me sorriu, exibindo sua faceta misteriosa por trás daquele sorriso de lado de quem sabe algo, mas não quer contar.

- Você é um peixe grande demais para este pequeno lago – alguém me disse certa vez – Há um rio de sonhos esperando por você.
Às vezes eu me sentia como aquele adolescente desajeitado que nunca consegue sentar-se à mesa popular do colégio, tão estranho e desajustado, incapaz de se encaixar, mas quando crescemos percebemos que esse clichê de filme de fim de tarde é apenas um capítulo patético que uns passam e outros não. Percebemos também que se encaixar nem sempre é a opção mais viável. Entendemos que tentar se afunilar numa vida cercada de futilidades é virar-se do avesso e negar a si mesmo diante do espelho.
Consegui nadar para longe daquela mesa e esta talvez tenha sido uma das melhores coisas que já fiz. Fui tolo a ponto de buscar exatamente aquilo que eu sabia que não me completava, pelo mero capricho de receber um olhar de aceitação. Bem, comecei a respirar águas mais límpidas quando percebi que o mar de possibilidades diante de mim é muito mais extenso do que meus olhos cansados podem ver. Foi nesse momento que entendi que minha vida não estava ali, que meu coração batia descompassado por desejo de mudanças, por anseio de novidade.

- Você não vai conseguir, a vida não é um livro de capa bonitinha que te encanta à primeira vista – outro alguém falou – Nada nunca vem fácil e você é igual a todo mundo.
Confesso que em meus instantes mórbidos e depressivos de solidão eu acreditei nessas palavras e senti meus sonhos escorrerem para fora de mim como o sangue flui por uma ferida aberta. Quem nunca teve um momento de introspecção negativo, no qual os defeitos são mais enaltecidos do que as qualidades? Momentos em que me senti frustrado por não ter me sentado àquela maldita mesa com aquelas pessoas de risos falsos.
Por outro lado essas mesmas palavras desencorajadoras surtiram o efeito contrário e despertaram uma vontade insana de provar que elas estavam erradas. Tudo é ponto de vista, tudo depende da maneira como se vê ou como se escolhe ver.

Aqui estou eu viajando por uma bela alameda com o vento outonal sacudindo as folhas das árvores e se esgueirando para dentro do carro para me fazer companhia. No rádio toca uma de minhas músicas preferidas e dentro do peito dança um coração satisfeito no mesmo ritmo. A grande beleza de uma viagem é esse não saber que nos cerca, é esse frio na barriga pelas surpresas que podem e vão surgir. Não tenho um destino definido, assim como ninguém tem. Não levo mapas, pois a sede de me perder me encontrará pelo caminho.
Quando perguntarem por mim, diga que estou nadando de encontro ao meu rio de sonhos e que sou sim igual a todo mundo, justamente por ser diferente.

Pauta para Bloínquês 

Eterna[mente]

| quinta-feira, 11 de abril de 2013


Enquanto a respiração existir,
em meu peito doído há de estar
sua essência roubada de mim,
sua partida tão longe, além-mar.

Infindável amor vou sentir.
Incontável tristeza ostentar.
Pode o vento trazer-te pra mim?
Pode a brisa meu pranto secar?

Qual caminho devo seguir?
Em que trilha irei te encontrar?
Gire o tempo e volte pra mim.
Não me deixe sozinho ao luar.

Nas entranhas do tempo invadir,
eu desejo poder retornar
pr’alegria que havia em mim,
pra em seus braços poder habitar.

Me enfureço por não conseguir
as mentiras que conto aceitar.
Quando a morte roubou-te de mim,
levou junto meu mundo, meu ar.

Mas enquanto o tempo permitir
ao meu lado sempre vai estar.
Te cultivo bem dentro de mim,
com a alma eterna a te amar.


Cá estou eu arriscando em outra poesia. Às vezes um ar de poeta me invade e seria totalmente insensato da minha parte permitir que ele se vá sem deixar nada para trás.

Pauta para Bloínquês 

Um dia daqueles

| quinta-feira, 4 de abril de 2013


Sabe aqueles dias em que o vento cessa de soprar e a saudade resolve se esparramar pelo chão? Sim, eu sei que você sabe. Estou trancafiado em um dia desses, pois neles as horas se distraem com qualquer coisa trivial e esquecem-se de seguir adiante.
A manhã parece ter começado há dias, mas o sol ilumina o meu quarto há apenas poucas horas. Esses dias de saudade são um tanto engraçado, eles vêm inesperadamente como um vendedor de vassouras em plena tarde de quarta-feira e nos fazem revisitar vielas e becos já esquecidos de pensamentos. O interessante é que esses dias nos fazem sair da rotina.
Algumas nostalgias são mornas e aconchegantes, feito uma xícara de chocolate quente em noite fria de inverno, feito aquele seu cobertor preferido que combina com aquele livro perfeito que você nunca se cansa de se perder nas páginas. É, essas lembranças doce repuxam um sorriso de canto e por um momento tudo parece bom. Tristemente bom.
Outras lembranças, por outro lado não são queridas ao paladar, muito menos ao coração. Algumas delas, que estavam escondidas debaixo de pedras cheias de limo fogem de seu limbo para atormentar a mente que vaga perdida no tempo desse dia infindável.
Pensando bem, acho que gatilho de tudo isso foi ter sonhado com você. Não podemos controlar os sonhos nem convidados indesejados que possam vir a habitá-los durante a noite. Você veio me visitar em um mundo onírico esfumaçado. Estávamos passeando por uma alameda, uma versão daquela rua na qual corremos sob as árvores, fugidos de uma chuva passageira de verão que fustigava a cidade.
Um jardim muito parecido com o da realidade surgiu no sonho e fiz exatamente como tinha feito, roubei-lhe uma flor qualquer, cujo nome eu nunca soube, mas o perfume jamais me saiu da cabeça. Você sorriu com o gesto e beijou meu rosto em agradecimento. Toda a cena reproduzida com exímia semelhança da qual protagonizamos há um tempo que já deixei de contar.
Tudo mudou repentinamente, como é do feitio dos sonhos, a noite tomou conta do ambiente e uma lua extremamente encantadora para ter feito parte do que foi verdade iluminava o céu, mas você não estava lá para vê-la. Você nunca mais esteve.
Agora me recordo do sonho, pois ele desaparecera em alguma esquina de meu inconsciente assim que despertei inebriado numa sensação que se retorcia em meu estômago. Certamente estava pressentindo que hoje seria um dia daqueles. Nesse meio minuto em que minha irrealidade noturna bruscamente pipocou em minha mente eu penso em te escrever pra dizer que o teu silêncio me agride, embora eu já tenha me tornado imune a qualquer dor que essa agressão pudesse causar.
Sabe, escrever-te seria um bom passatempo para um dia arrastado, mas acho que talvez seria melhor assistir a lenta passagem de um caracol com uma concha pesada nas costas. Se teu silêncio é apenas o que tenho ao meu lado quando as lembranças emanam de suas terras longínquas, minhas palavras seriam desperdiçadas nas terras onde tuas novas lembranças fizeram morada.

Sabe esses dias em que o nada sussurra tolices e as músicas melancólicas acariciam os ouvidos? Sim, esses dias carregados de lentidão. Eles terminam, ou a campainha tocando te desprende do devaneio e te fisga para o agora.
Pode ser que aquele vendedor de vassouras não tenha um preço tão ruim assim, deixe-me ir lá checar.


Pauta para Bloínquês 

Le magicien

| domingo, 17 de março de 2013
(...) Se a vida parece esquecer
O que rimou ‘eu com você’...

- Se os truques fajutos da vida fossem magia de verdade eu poderia tê-la feito ficar – ele constatou enquanto observava as estrelas espalhadas pelo imenso céu noturno.



Há muito mais sob a lona do circo do que os olhos distraídos da plateia podem ver. Há planos concretizados e sonhos despedaçados. Há murmúrios desconsolados e suspiros cansados. E há romances fantasiados de encenação.
O mágico encantava a multidão com seus segredos enfiados na cartola e segredos escondidos no lado de dentro do paletó, assim como o secreto bater de seu coração que palpitava fortemente quando seus olhos se esbarravam na destemida contorcionista.

Ela fora uma das últimas integrantes a ingressar na trupe, com seu histórico de viajante que não permanece muito tempo no mesmo lugar. O mágico nunca havia sentido aquela sensação antes, a moça se enroscara em seus pensamentos tal qual se enroscava em si mesma e ele não conseguia impedir-se de pensar nela.
Ele não obtivera muito sucesso ao tentar conversar com ela e arrancar detalhes de sua vida, no entanto aquela aura de mistério que a envolvia o deixava cada vez mais instigado a desvendá-la. Com o tempo ele percebia que não conseguia ficar muito tempo longe da moça, era preciso estar com ela, falar com ela, escutar o som da voz e do riso dela que escapava raramente.
Tão cego pelos próprios truques, o mágico não compreendia muito bem que aquele palpitar diferente dentro do peito era causado por uma magia tão real que se podia até pegar. Ele estava amando.
O amor que lhe era novidade espreguiçava em seu coração como um bebê acordando após várias horas de sono, seus braços desdobrando-se e alongando-se, buscando por braços esticados que não estavam em sua direção. Tanto sentimento que borbulhava dentro dele não era capaz de causar na moça uma mínima onda de calor. A apatia dela feria seu sentir, embora ainda machucado ele não queria deixar de tê-la por perto. Estar com ela doía, mas doeria muito mais perder o pouco que tinha.

A plateia aplaudia extasiada conforme ela se dobrava em formas aparentemente impossíveis, os rostos se iluminavam ao redor do picadeiro, para se tornarem sombras de espanto quando o mágico aparecia. A passagem efêmera do circo pela vida das pessoas não era capaz de revelar os aspectos invisíveis nas apresentações. Os rostos pintados não eram conhecidos de verdade, as máscaras da realidade eram menos bonitas do que pareciam ser.
Tão sorrateira quanto viera, ela se foi. Sem despedidas, apenas carregando sua mala, a moça esgueirou-se para fora de cena e desapareceu na goela da noite. De sua tenda improvisada, sentindo o beijo morno do vento, o mágico a viu partir. Ele ouviu o som do próprio coração explodir em pedaços e não conseguiu levantar-se para impedi-la. Para pedir que ela ficasse, pois sem ela o picadeiro perdia a luz, o palhaço perdia a graça... a magia deixava de existir.

Pelo resto de sua vida ele a procurou em cada canto de cada cidade em que paravam, culpando-se furiosamente por não ter feito nada naquela noite, mas ele jamais voltou a colocar os olhos na moça outra vez. Jamais voltou a ouvir o som da voz dela. Jamais voltou a acreditar que pudesse haver magia no mundo e se não há magia na vida de um mágico, sua vida não tem sentido.

Não feche os olhos

| segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013


Às vezes, com o passar do tempo, a gente se contradiz ou simplesmente passa a enxergar as mesmas coisas com outros olhos, porque temos de convir que tudo é questão de perspectiva, certo?

Auto parafraseando-me, certa vez disse algo do tipo “o que é de verdade permanece”, não vou dizer que eu não tinha razão na época, mas a vida cava estradas e trilhas que jamais imaginamos e por que aquilo que parecia ser verdadeiro deixou de o ser por ter acabado? Veja, o que é de verdade permanece, mas desvanece também. Não há verdadeiros absolutos que sejam eternos, assim como há valores que não se perdem quando o fim chega.
Vivemos na vida das pessoas somente uma vez, se houve razão ou não para partida depende das circunstâncias, contudo deixamos marcas e certas marcas permanecem tatuadas debaixo da pele, enterradas onde só nós mesmo podemos encontrar.
Por mais clichê que seja, a vida é feita de encontros e desencontros, vivemos nos esbarrando uns com os outros nas esquinas do tempo e é assim que as coisas devem ser. Fantasmas passados ressurgem de terras distantes, sonhos despedaçados lamentam seu não existir e embora já tenham ido, um dia foram reais.
Ainda que existam os gostos amargos, não podemos nos esquecer do que é doce ao paladar. Uma vida não se faz somente do presente, é imprescindível que haja bagagem, que haja peso, derrotas e vitórias, lágrimas e sorrisos. Sua bagagem é quem você é, de alguém que um dia você já foi.

Hoje enxergo muito do que eu via com outra visão, desvesti-me de uma miopia ora ignorante, ora proposital, pude ver que há mais beleza nas coisas quando nos desarmamos da cegueira habitual. E mesmo que não exista perfeição, o imperfeito há de ser belo.

Acrescento ainda mais à minha frase lá do início, “o que é de verdade permanece, não necessariamente apenas no presente, mas também na memória e num cantinho especial de sua bagagem”.

Contradizer-se, às vezes, é evoluir, talvez até seja um passo de amadurecimento. Não feche os olhos para o que a vida quer te mostrar, não tenha medo de se contradizer de vez em quando.

Sei lá, o texto surgiu meio que do nada, meio que do sono e é meio que funcionou. Não reclamarei da ladainha de não ter tempo, quem sabe, sabe. Abraços, seus sorridentes.

Vamos falar de livros - Meme #Skoob

| domingo, 20 de janeiro de 2013


Porque eu adoro falar de livros e a inspiração anda passando longe de casa, resolvi pegar emprestado esse meme do blog da minha querida Bárbara Farias.

1-Quantos livros lidos você tem na sua aba LIDO no skoob?

Tenho 83, alguns podem achar que é muito, mas eu penso que não é um número muito considerável. A verdade é que eu gostaria de ter lido muito mais.

2-Qual livro você está lendo?


Estou lendo Morte Súbita, o livro novo da J. K. Rowling (a eterna "autora de Harry Potter"). Passei da metade do livro e particularmente não tive o mesmo problema que muitas pessoas tiveram: a quantidade de personagens - depois que você já leu alguns livros de "As crônicas de gelo e fogo" do Martin, você não se assusta e nem se perde no meio de um monte de personagens - mas voltemos para o livro. Morte Súbita é completamente diferente da saga do bruxinho, é um livro político no qual os personagens são os mais humanos possíveis, ou seja, são criaturas cheias de seus defeitos, uns mais repulsivos do que outros. A história se desenrola de maneira vagarosa, o que pode tornar a leitura um pouco cansativa e entendiante para aqueles impacientes. J. K. foi bastante detalhista na construção dos personagens e de suas histórias individuais, o que torna o livro mais rico ou, digo mais uma vez, entendiante. Nada de grandioso aconteceu nas 300 e poucas páginas que já percorri, mas espero ansiosamente por um desfecho digno para (citando as palavras da própria autora) "uma grande história sobre uma cidade pequena". 

3-Quantos livros tem na sua aba VAI LER?

Tenho 76, por enquanto, porque a história desse número se parece com a daquele 8 preguiçoso deitado: infinito.

4-Você está relendo algum livro? Qual é?

Meu querido gênio Stephen King pontuou muito bem na aba do livro "A história de Edgar Sawtelle" quando disse que a vida é curta demais para reler livros e eu concordo com ele, mas ando pensando em reler O Hobbit, ver o filme e revisitar a Terra Média me deu vontade de vasculhar aquelas páginas outra vez para reacender as velhas memórias.

5-Quantos livros você já abandonou? Quais são eles?

Sou um tanto perseverante, portanto raramente abandono algum livro, ainda que sua leitura se estenda muito mais do que deveria, eu o termino, mas nem toda perseverança resiste, certo? Já abandonei Pássaros Feridos de Collin McCullough, mas pretendo lê-lo, acredito que o motivo do abandono se deu ao fato de que quando comecei a ler eu era muito novo, também parei de ler Dom Quixote de Cervantes, pois achei a escrita arcaica um pouco complicada.

6-Quantas resenhas você tem cadastradas no skoob?

Nenhuma, não tenho o hábito de fazer resenhas, só de lê-las, hehe.

7-Quantos livros avaliados você tem na sua lista?

Todos os 83 lidos estão avaliados.

8-Na aba FAVORITOS, quantos livros você tem registrados? Cite alguns.

Favoritei 10, dentre eles os meus xodós são O nome do vento de Patrick Rothfuss, porque não tem como não se encantar pela sua escrita fabulosa e poética; A sombra do vento de Zafón, pois sua genialidade em contar histórias não é algo comum pelo mundo literário; e os três primeiros livros de As crônicas de gelo e fogo do Martin (A Guerra dos Tronos, A Fúria dos Reis e A Tormenta de Espadas).

9-Quantos livros você tem na aba TENHO?

84, mas minha vontade mesmo é ter 134524842345, um dia eu chego lá.

10-Quantos livros você tem nos DESEJADOS?

45, entre eles os outros dois volumes de As crônicas de gelo e fogo, os outros livros de Zafón, a trilogia Millennium de Stieg Larsson e etc.

11-Quantos livros emprestados no momento? Quais?

3, "A menina que roubava livros" de Markus Zusak, "Jardim de Ossos" da Tess Gerritsen e "A estrada da noite" de Joe Hill. Sinceramente não gosto de emprestar livros, em parte por querer tê-los sempre perto de mim ao alcance de minhas mãos e olhos e em parte pela trágica história de minha mãe que emprestava os dela e nunca os recebia de volta.

12-Você quer trocar algum livro? Quais são?

Não, não, não. Um pai trocaria um filho? Que pergunta é essa, minha gente!

13-Na aba META, quantos livros você tem marcados? Cumpriu essa meta?

Tinha 8, agora tenho 5, então nada de cumprir - que tristeza!

14-Qual é o número no teu paginômetro?

34.774 e eu não faço a mínima ideia do que esse número significa.

15-Qual o link do teu perfil do Skoob?

http://skoob.com.br/usuario/60379
Ah, quem quiser fazer o meme, fique à vontade. Não indiquei ninguém, pois ando meio distante da blogosfera e não sei quem já fez. Abraços e até a próxima - que seja num futuro próximo =)


Apocalipse psicanalítico

| quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Para um possível id enlouquecido

Meu psicólogo costumava dizer “não deixe os sentimentos se acumularem, eles precisam transbordar, se não conseguir conversar, então escreva”, agora eu vejo que isso pode ser uma boa ideia. Já conversei com as ondas que se quebravam na rebentação, mas o mar apenas me atirou murmúrios lamuriosos; já parei em esquinas de ruínas e bati papo com os destroços; já monologuei bastante, essa é a verdade e conversar com seres abstratos é ainda mais insano do que falar sozinho. O que ele (meu psicólogo) diria disso tudo?
Bem, acho que nunca vou saber disso. A questão é que o mundo acabou. Coisa trágica! Mas seria menos trágico se o meu mundo tivesse acabado também. Ser o único sobrevivente vagando pelos escombros está começando a afetar ligeiramente a minha sanidade, por isso estou me escrevendo esta carta, para que eu saiba, lá na frente, que eu já fui lúcido uma vez.
Não sei há quanto tempo tenho andado pelas ruas e avenidas desertas, qual seria o propósito de contar o tempo agora? Ah, quem se importa? Eu só não imaginei que o fim do mundo, o Apocalipse, o Armagedom .. esse evento grandioso de vários nomes pudesse ser tão entediante. Eu jurava que haveria grupos de sobreviventes, não foi isso que os filmes mostraram? Ele (meu psicólogo, de novo) diria que esse meu sarcasmo e senso de humor negro são mecanismos de defesa e todo aquele blablablá de eu não querer expor meus verdadeiros sentimentos.
É, pode ser que ele tenha razão, fazer piada com coisa séria não está sendo de grande ajuda. O MUNDO ACABOU. Apesar de tudo, isso soa como uma grande piada cósmica.
A humanidade sempre teve essa prepotência exagerada de se achar o centro do universo, não é? Mas cadê vocês agora? Onde está o governo americano e a NASA que deveriam ter previsto tudo isso? Besteira, tudo besteira. Ninguém estava preparado quando a coisa toda começou, ninguém teve para onde fugir dos furacões terríveis nem como se esconder dos terremotos, maremotos e todo aquele abalo colossal que implodiu toda a massa humana. Achei que os zumbis seriam nosso fim, errei feio. É, estou mais uma vez usando meu humor sagaz para me proteger, agindo como um idiota, devo admitir, pois sou o único por aqui.
Minha mente se perde em vários devaneios e quando me dou conta, a noite já engoliu o dia. Eu penso nela nesses momentos. Mais do que sofrer e chorar pela perda gigantesca de tudo, a dor que me consome é por tê-la perdido. Eu amei e amar parecia ser uma coisa que eu jamais fosse ser capaz de fazer. Mas amei. Eu a amei tão profundamente que acredito que não amar vai ser o motivo de minha loucura. Olha só eu finalmente expondo minha verdadeira face e olha só quanta inutilidade fazer isso nesse instante. Tem como eu ser mais patético? Não, nem mesmo conversar com o mar é.
Confesso que já pensei em me juntar aos outros, mas seria egoísmo demais da minha parte terminar com a minha vida enquanto fui o único permitido a continuar com ela. Por que eu? Já me fiz essa pergunta inúmeras vezes, algumas delas em voz alta, mas nem mesmo o vento quente e poeirento soube me responder. Como eu pude ser tão ruim a ponto de nem poder morrer? Essa é maior tragédia de todas: seguir em frente. Não há motivos, não há para onde ir, simplesmente não há mais nada. Contudo eu vou continuar, sim, vou continuar por ela, porque enquanto eu viver ela vive aqui em mim e mesmo o fim de tudo não parece tão desolador. Eu realmente não acredito muito nessa última frase, mas ela me mantém em frente.
Você, eu dos dias futuros, prometa ler essa carta todos os dias até acreditar que deve haver alguma razão sórdida para nossa sobrevivência. Vamos percorrer as estradas destruídas em busca de algo, pode ser que outro infeliz também tenha sobrevivido e esteja conversando com postes caídos em algum lugar.
Pode ser que ainda haja esperança. Pode ser.
Eu espero que sim.

De um superego que ainda resta.

Pauta para Bloínquês 
Bom, galera, misturei elementos de sátira e drama na carta junto a termos da Psicologia com o propósito de ilustrar uma mente perturbada e com o tal do choque pós-traumático. Foi diferente do que eu costumo fazer, mas espero que gostem. Abraços.

 

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