Keblinger

Keblinger

Que seja simples

| quarta-feira, 12 de dezembro de 2012


Ela era uma garota cheia de sonhos que sonhava acordada mais do que vivia a realidade.

Ela já havia sido castigada pela vida e por isso não acreditava mais em muita coisa. Podem ter sido suas más escolhas ou a mão do destino que a fez derramar lágrimas de tristeza, rancor e até ódio. É que ela tem no peito um coração sensível de mais para não se deixar afetar. Assim ela sofre mais, mas em contrapartida sente mais.
Seu desejo mais incontido e secreto era encontrar um amor, mas não podia ser qualquer tipo de amor. A vida já lhe havia ensinado que há diversos tipos de amores escondidos por aí, ela já até provara um ou dois, mas os sabores não lhe foram agradáveis ao paladar. Ela queria um amor que fosse simples. Pois um dia lhe disseram que o que é simples é bom.
Seu garoto devia ter sua porção de romantismo, mas nada exagerado. Ele podia tocar algum instrumento musical, mas aquela não era uma exigência inegociável. E, embora ela sinta-se envergonhada de admitir, ele deve usar óculos. Garotos de óculos são um charme, ela suspira.
Simples como era, seu sonho seria fácil de realizar, bem, as coisas não podiam ser mais controversas. Ora, quem diria que o simples podia ser tão complicado? Onde estava seu amado atrás de uma armação arredondada? (Não que a armação realmente importasse para ela).
Sempre que avistava um garoto, logo analisava seu rosto e encarava seus olhos. Os olhos são o segredo, ela dizia, eles podem te dizer muita coisa se você prestar bastante atenção. Ela buscou seu olhar perdido em outro olhar, passeou por uma aquarela de íris coloridas. Desvendou sorrisos escondidos nos cantos dos olhos, mas não foi capaz de encontrar seu par ideal.
A vida, às vezes, não ajuda muito e isso é uma droga, ela resmungava consigo mesmo.

- Posso me sentar aqui? – um rapaz perguntou timidamente.
Ela estava levemente irritada naquela manhã quando entrou no ônibus. Sacudiu a cabeça e retirou seus pertences do assento ao lado.
Ele agradeceu e ela voltou a olhar para a janela, mas os movimentos do rapaz a induziram a virar o rosto. Ele abrira sua mochila e pegara um livro.
Ela encarou seu rosto. Os olhos acastanhados dele alisaram a capa. Olhos ávidos e pronunciados. Então ela sentiu o coração saltitar quando ele abriu uma caixinha e retirou um par de óculos.
Ela sorriu feito uma boba.
- O que foi? Tem alguma coisa no meu rosto? – ele perguntou.
- Não – ela riu-se – É que você tem lindos olhos.
Ele enrubesceu, botou os óculos e a encarou por um instante.
- Os seus também não são nada maus – ele disse por fim e os dois riram.

E foi assim que eles simplesmente se encontraram. Simples como devia ser.
Hoje ela já não sonha mais acordada, ela deixa seu olhar passear de mãos dadas com aquele olhar (vestido de óculos) que o acaso lhe entregou.

2 sorrisos compartilhados:

{ Chris Macêdo } at: 12 de dezembro de 2012 06:51 disse...

que lindo!!!

{ Alexandre Lucio Fernandes } at: 16 de dezembro de 2012 02:53 disse...

Simples e apaixonante. Encontro casual, mas repleto de significado. O amor surge assim no acaso, nas coincidências mais simples que a vida nos faz vivenciar.

Acaso? Será? rs

Lindo conto meu amigo.

Obrigado pelas palavras de felicitações no meu blog. Valeu Rodolpho!!

Abração!!

 

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