Keblinger

Keblinger

Das coisas sem sentido

| quarta-feira, 16 de maio de 2012


The stars lean down to kiss you…

Olhei para ele enquanto seu olhar se perdia no horizonte em busca de algo que eu não sabia o que era. A brisa leve noturna alisava nossos rostos, como se acariciasse suavemente a nossa pele, acalentando-nos.
Ele sorriu para si mesmo, provavelmente havia encontrado o que procurava. Meu menino das palavras contidas e sorrisos soltos, ele sempre sabia o que dizer mesmo quando não dizia coisa alguma. E como se tivesse escutado meu pensamento, que muitas vezes escorria pela minha voz, ele apontou para o céu e sorriu ainda mais abertamente. Apaixonante.
- Está vendo aquela estrela? – deixei-o guiar meu olhar e vi, na verdade, muitas estrelas, talvez minha testa franzida de receio de dizer que não a via lhe confessou minha incapacidade – Aquela – ele insistiu e moveu meu rosto – Aquela que está debruçada na bancada do céu só para te ver.
Meu sorriso escapou tão veloz que eu mal pude perceber que meu rosto o exibia.
- Você a vê?
- Sim – eu disse enrubescida -, mas ela não está debruçada coisa nenhuma, ela está parada como sempre esteve.
- Não se você olhar atentamente, sinta a poesia no ar – ele fechou os olhos e inclinou a cabeça, abrindo os braços – Ouça a música da noite, o sussurro do vento.
- Você fala coisas sem sentido – eu o repreendi sem intenção, ele tornou a abrir os olhos e me encarou com aquela expressão de “você não entende”.
- E o que é sentido para você? – as perguntas mais simples e mais difíceis de responder.
- Sentido é sentido, é saber que as coisas são de um jeito e pronto – respondi, divertindo-me com o fato de causar-lhe certa irritação.
- As coisas são de um jeito e pronto – ele ecoou – Eu não acho – era óbvio que ele discordaria de mim, ele sempre teve sua própria visão de mundo.
- E o que você acha?
- Acho que tudo tem um pouco de tudo, nada é somente uma coisa só. Não pode ser. Por exemplo, as estrelas, elas são pontinhos distantes de luz, mas preste atenção. Olhe para as estrelas, olhe como elas brilham por você. Elas entendem que tem um motivo para brilharem de alegria, mas você as ignora – as palavras arrebatadoras dele, estava demorando para que ele me inebriasse com todas elas, aquele sorriso bobo voltou.
- É, você tem razão. Elas são incríveis, mas veja como a lua majestosa também brilha por você – entrei na brincadeira, desta vez quem deixou um sorriso escapar foi ele.
Seus olhos pousaram sobre mim, cálidos feito o hálito de uma noite de verão, mais brilhantes, mais intensos que qualquer estrela debruçada, mais importantes que qualquer constelação.
- A lua? Não sei – ele pensou por um instante – Ela me parece tão solitária.
- É por isso que ela brilha por você – eu logo argumentei – Ela quer te seduzir, quer te roubar.
- Pobre lua, – ele disse cabisbaixo – será que ela não entende que eu já fui roubado há muito tempo? Será que ela não vê que jamais poderá ser mais majestosa que você? É uma pena partir o coração dela dessa maneira.
Eu soltei uma risada alta, pois meu coração deu um impulso tão forte que espalhei sorrisos por toda a rua escura.
- E as estrelas podem despencar daquela bancada, eu não me importo, desde que eu esteja com você. O céu pode ficar vazio, porque tudo o que eu preciso está do meu lado.
Ele apertou minha mão com delicadeza e beijou minha testa, a ponta do meu nariz e meus lábios. Lá longe, distantes, as estrelas soltaram risadinhas conspiratórias. Eu entendia que elas brilhavam, mas não por minha causa. Elas apenas queriam ser eu naquele momento para poder sentir, ao menos, um pouco da felicidade que eu sentia.
Pobres estrelas, eu pensei, tão lindas, mas tão infelizes.
E de repente, inundada pelo senso poético dele que se derramava em mim eu desejei:
- Que um dia as estrelas possam descobrir o que é o amor.
- Elas já descobriram – ele afirmou convicto – Elas o conhecem através de nós dois.
Eu pude jurar que uma delas saltou da bancada celeste ao escutar aquilo e até a lua de coração partido encheu-se de mais fulgor.
Deixei-me mergulhar em outro beijo, pois eu cabia nos lábios dele, assim como ele cabia nos meus.

Pauta para Bloínquês

Mudanças

| terça-feira, 15 de maio de 2012


Quer saber um pouco da história e o que mudou?
Não


Clique em sim para saber mais sobre as mudanças que a Franquia sofreu recentemente. Hoje estamos reabrindo suas portas e logo mais voltaremos com os contos novos. Escolha uma porta e sinta-se à vontade, pois lá é onde as histórias são contadas.

A catástrofe

| sexta-feira, 4 de maio de 2012


Houve um tempo em que sonhar era permitido, um tempo em que o mundo não era apenas um lugar sem esperança. Houve um tempo em que eu tinha estrelas nos olhos e naquele tempo eu podia sonhar acordado. Mas isso foi antes do fim. Para que você entenda como eu cheguei até aqui é preciso que saiba como tudo começou.

Nós fomos avisados que este dia chegaria. Toda a população estava consciente de que somente poucos sobrariam, mas não esperávamos que fossem tão poucos. Ao evento demos o nome de “A catástrofe”, embora isso soe como um eufemismo para o que aconteceu. Poderíamos tê-lo chamado de apocalipse ou como alguns costumam dizer “o dia do extermínio”. O fato é que o mundo que existia deixou de existir.
A população da Terra era de aproximadamente 7 ou 8 bilhões de pessoas quando o gigantesco meteoro nos atingiu, não faz diferença a exatidão numérica. Hoje restam pouco mais de 2 mil.
O planeta mergulhou em uma escuridão devastadora no momento do impacto. O meteoro atingiu a América Central e partes das Américas do Norte e Sul. O mar engoliu o resto do continente e abocanhou a Europa, a fúria das ondas dizimou a África e Ásia. Pouquíssimas cidades não foram atingidas diretamente pela catástrofe e sofreram menos. O mundo ficou envolto numa nuvem cinza de poeira e morte. Explosões destruíram várias outras vidas e em algum lugar do mundo, uma bomba atômica explodiu. O planeta todo tremeu.

Há o que parecem ser três anos estamos vasculhando os escombros do mundo a procura de sobreviventes, viajamos pelo mar com barcos que construímos com a madeira dos destroços. Os movimentos de rotação da Terra não são mais os mesmos. É mais noite do que dia. Temos poucas horas de luz solar e o frio é intenso. Não existem mais meios de comunicação como a internet ou celulares. A humanidade viu-se forçada a viver novamente a era das cavernas.
Não há alimento o suficiente para todos. Poucos animais sobreviveram. Entramos em uma era em que a extinção paira sobre nós feito um vulto sombrio e agourento.
Não sabemos quanto tempo ainda teremos pela frente, doenças se espalham rapidamente e sem medicamentos não há como controlá-las. O mundo está condenado. A humanidade foi consumida pela ira de uma força mais forte que ela. Alguns dizem que a natureza se rebelou. Outros afirmam que foi uma punição de Deus. Há quem diga que tudo estava destinado a acontecer e que os sobreviventes são os escolhidos. Escolhidos para quê? Eu me pergunto.

Acredito que chegou a hora do homem engolir seu orgulho e presunção e entender que o fim da sua raça chegou. Não há mais para onde ir. Não há futuro algum nos esperando, assim como minhas palavras se perderão no meio da fuligem que restou de nós.

Um texto diferente, eu sei, mas eu sentia falta de enveredar para caminhos menos explorados. Enfim, que isso fique apenas na ficção, rs. Um grande abraço para quem ainda vem me visitar por aqui.
 

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