Keblinger

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Semântica polissêmica

| terça-feira, 24 de abril de 2012


Dizem que toda pessoa tem um fantasma que a assombra no negror da noite, aquele que caminha feito uma sombra durante o dia e que murmura incansavelmente dentro do pensamento. Não, não dizem isso. Eu estou dizendo. Sou afeito a criar teorias generalizadas e acredito piamente que elas são, de fato, tão abrangentes como minhas vontades. 
Dê-me a mão e mergulhemos juntos no conturbado mar de divagações pós-meia-noite. Não tema o escuro, a luz está acesa. O fantasma do assombro secreto que há em mim se esconde em algum pedaço de sombra e por ora serei negligente à sua presença constante. Não há muito que dizer, devo logo admitir, pois sei que o tempo de cada um é precioso e coisas preciosas não se desperdiçam simplesmente. Falarei de tudo. Confessarei sobre o nada. Direi verdades mentirosas e não me envergonho em fazê-lo.
O silêncio desfragmentado que existe em mim procura som. Ele insiste em dar meia volta quando está partindo e me envolve feito um manto pesado. O silêncio da verdade. O silêncio ansioso antes do momento decisivo. Apenas um dos vários silêncios que habitam em mim.
Nunca disse que seria linear ou que fizesse sentido, sinta-se livre para soltar minha mão quando seu relógio tiquetaquear avisando que seu tempo não deixou de passar. Que os grãos de areia de sua ampulheta continuam a cair incessantemente. Um após o outro. Segundo após segundo.
Um mar traz ondas. Divagações trazem desconexões conectadas. Paradoxos têm o sabor doce e arrefecem minha língua. Não sou feito de pedaço inteiro, sou feito de inteiros despedaçados. Sou feito daquilo que é bom e ruim. Trago no peito uma reviravolta de sentimentos, um tornado furioso que gira sem parar. Meu melhor sorriso pode ser minha mais inocente arma. Minhas doces palavras podem ser apenas isso. Carrego doses de conveniências nos bolsos. Distribuo doses rasas de alegria. Não se assuste com minhas definições, não se acanhe por minhas verdades. Sou um rosto desmascarado que aprendeu a trocar de faces. E que ser humano não é miscigenado com a suavidade do céu e o calor do inferno?
Aos extremos de tudo é que se entende a vida ou na vida não há nada a se entender. Vê? Paradoxos. Eles escorrem de mim como uma cascata de emoções. Fluindo, fluindo.
Ainda seguras minha mão? Toques superficiais não me esquentam, palavras vazias não me cativam e ilusões não me enganam. Quem ensina e quem aprende na escola do tempo? A vida vagueia entre rotas confusas e as esquinas debocham de sua pressa. Toda esquina tem outra esquina. No fim de tudo o que se leva do que começou?
Questões. As marés destilam indagações. Segure-se firme para não se perder no meio delas. Cair em uma pergunta sem resposta é o mesmo que caminhar em um labirinto desprovido de luz, você pode achar que sabe para onde está indo, mas na verdade, jamais sairá de lá do mesmo jeito que entrou. Jamais. Uso de recursos enfáticos para causar o efeito desejado. Não me pergunte o motivo das minhas pontuações, eu conduzo à minha maneira, sua consciência disso pouco me importa, o que quero é que chegues comigo até o fim do nada que começamos.
Por falar nisso, não sei do fim. Ele é daquelas coisas imprevisíveis, sabe? Talvez eu devesse finalizar agora com uma frase impactante que o perseguirá por alguns instantes e logo será esquecida. Por que é que começamos tudo isso, afinal? Por quê? Se tudo será esquecido e você por fim se dará conta de que realmente perdeu seu tempo enquanto sua mão segurava a minha nesse turbilhão nebuloso de estupidez. Eu digo o porquê. Porque somos curiosos, sempre queremos saber mais e mais, além daquela coisa chamada expectativa que nos impulsiona a seguir em diante agarrados na fé de que algo bom está por vir. Patéticos. Eu e você. Eu, por me permitir divagar lenta e longamente sobre nada em particular e você, por se permitir me acompanhar. Eufemismos poderiam ser bem utilizados, mas palavras cruéis são necessárias. Elas chocam. O choque é efêmero, porém deixa aquela sensação de inquietude. Choque-se.
Falávamos do fim, não é mesmo? Ora, o fim, já disse que não sei dele. Sobre essa sua questão do meu pluralismo, é um meio de trazer-te para dentro do devaneio e prender-te por mais tempo. Afinal de contas poucas coisas são feitas no singular. Não há como compartilhar algo com ninguém, portanto eu uso da primeira pessoa do plural para conversar comigo mesmo enquanto você espia através de uma fechadura escancarada propositalmente. Vê como é fascinante o modo como posso dissuadir suas ideias?
Perguntas retóricas não necessitam de respostas, meu caro, por isso elas o são. Finalmente acredito que encontrei o fim. Desgastei-me internamente e desbastei-me de asperezas. Emita uma onomatopeia de um suspiro fatigado, não a direi, pois as suas figuras de linguagem podem ser diferentes das minhas.
Paro aqui, solto sua mão, se é que ela ainda estava atrelada à minha. Desembarque no porto seguro de sua mente sã e se desafogue das insanidades que visitou. Se nada fez sentido, bem, eu nunca disse que fazer sentido era a minha intenção. 

Algumas observações: 1. Um texto confuso obviamente requer um título semelhante e sua ironia ou não (dependendo de seu ponto de vista) foi intencional. 2. Não tente entender todas as entrelinhas, nem eu mesmo consigo. 3. Os subjetivismos aqui empregados podem ou não ser verdadeiros, gosto de deixar esse clima de curiosidade no ar. 4. Um texto confuso demanda um pedido de desculpas, porém não por sua complicação. Estou ausente do blog (deste e dos outros) por motivos de tempo, trabalhar e estudar é uma tarefa um tanto hercúlea e o tempo me é privado, especialmente nas semanas de prova, mas faço meu melhor.
Um grande abraço para você que vez ou outra ainda vem dividir um sorriso comigo e obrigado por vir.

2 sorrisos compartilhados:

{ Milla } at: 29 de abril de 2012 20:51 disse...

Hey! Tem um meme pra ti no meu blog :)
Beijos

{ Jhon Constantine } at: 1 de maio de 2012 20:00 disse...

muito interessante gostei...

http://jovempoeta.net23.net

 

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