Keblinger

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As faces do céu

| segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Feche os olhos e veja com o coração – recomendei antes de começar a contar.


O primeiro lírio desabrochara. Na paisagem bucólica o céu azul predominava se estendendo até o horizonte, as nuvens alvíssimas flutuavam exuberantes no alto, mais parecendo feitas de algodão. O vento suave fazia os campos de aveia parecer palcos cheios de bailarinos sincronizados. O sol nascente irradiava uma luz cálida e revigorante. Borboletas e abelhas dividiam o ar em voos contínuos e acrobáticos, pousando aleatoriamente em flores e exercendo seus papéis naturais de polinizadoras (...)

Ele me ouvia, encantado pelas palavras do livro. Continuei.

(...) Se você parar para enxergar mais profundamente, verá as ínfimas características da natureza e daquilo que o cerca, deixe a pressa de lado e ignore o restante da correria que lhe puxa pelo braço, há muito mais para ser visto além do alcance dos olhos.
Talvez se você escutar o silêncio ouvirá o leve murmúrio das águas cristalinas de um riacho perdido entre as pedras. Os peixes coloridos dançando em seu leito são ternos e lhe darão paz. O sussurro do vento lhe contará segredos e compartilhará as histórias esquecidas pelo tempo...

Ele ainda mantinha os olhos fechados e um sorriso pueril desenhou-se em seu rosto e então me lembrei daquela fotografia.

Certo dia eu estava com seu avô, no mirante do campo. Alto e imponente – fechei o livro e passei a proferir minhas próprias palavras – Sempre que eu estava lá tinha a utópica sensação de que podia beliscar o infinito ao erguer os braços, mas eu era só um garoto na época, o que eu poderia realmente saber?
O dia já estava cansado e se preparava para sua despedida majestosa. O horizonte vestiu-se de um tom salmão e as nuvens começaram a se dispersar. Simples e delicadas.
Ouvi o riso leve do meu pai, feito a brisa mansa de uma tarde de primavera e quando encontrei seu olhar percebi que ele estava perdido em alguma coisa.
Você pode abrir os olhos agora.

Ele fez como eu pedi e eu lhe entreguei a foto daquilo que prendeu a atenção de meu pai naquele ocaso mágico. Ele sorriu ao ver a imagem.

Seu avô me disse naquele instante uma frase que jamais esquecerei. Ele voltou seu olhar para mim e comentou com sua total naturalidade:
- É através da natureza que Deus nos mostra como é emoldurar no céu o seu sorriso – e a cena diante de nós sorria. As aves sorriam. O sol sorria. E até mesmo a tristeza que poderia existir poupou um segundo do seu tempo para sorrir também.
Ao observar aquela imagem, retornei pela estrada das memórias doces e vivi aquele momento outra vez.
Um dia eu o levarei até o velho mirante, filho, e você verá toda essa beleza com seus olhos.

Ele sorriu, sacudiu a cabeça e seu olhar se perdeu naquele fragmento de tempo congelado num pedaço de papel.

Pauta para Bloínquês

11 sorrisos compartilhados:

{ Alexandre Lucio Fernandes } at: 2 de janeiro de 2012 23:42 disse...

A beleza está inserida em tudo o que possamos ver. Deus deu, por meio de sua infinita capacidade e infinito amor a possibilidade de nos espelharmos na sua própria criação. Que onde enxergarmos podemos achar o belo, mais significativo, o que faz o coração pulsar redondinho, sorrindo.

Lindo texto meu amigo. Emocionante...

Abração!
E feliz 2012!! Com bonitos horizontes...

{ Gessy Danforth } at: 3 de janeiro de 2012 02:17 disse...

Já diziam que a beleza está nos olhos de quem vê, mas a verdadeira beleza não está apenas no que podemos ver, e sim no que podemos sentir, ouvir, e, imaginar.
Um céu com nuvens para alguns pode indicar apenas condições atmosféricas, para outros, um mundo imaginário sem fim.
Como disse, às vezes, até a tristeza reconhece isso.

Belo texto!
Que em 2012 as pessoas possam ver mais "as faces do céu" e os seus sorrisos...

{ Carlos F. Dourado } at: 3 de janeiro de 2012 20:22 disse...

Nossa a muito tempo não passeava pela magia literária desse blog, e quando volto me deparo com um texto magnifico desse.

Preciso nem dizer mais nada né Rodolpho está de parabéns por mais uma bela obra.

{ 20-de-Novembro } at: 4 de janeiro de 2012 08:55 disse...

Quando os olhos radiam e alma sente.
A muito tempo não apareço em seu espaço, quase esqueço-me de quão belas são suas palavras.

{ Bruna Gabriela } at: 4 de janeiro de 2012 13:16 disse...

Lindo texto.
Agora sempre passarei por aqui para sorrir com você!

{ Babi Farias } at: 5 de janeiro de 2012 15:43 disse...

Eu me perco em céus. E no agito das cidades acredito que seja um pouco da natureza falando conosco através deles. Agora o seu escrito nos tornou palpável um pedacinho dele...

Beijo, Rodi. :)

{ Marco de Moraes } at: 5 de janeiro de 2012 23:11 disse...

Sua percepção da natureza é notável e digna de elogios.

Parabéns pelo texto, que para mim é excelente!

Visite meu blog, acho que vai se identificar com o seguinte post:

http://palavrasproferidas.blogspot.com/2011/12/zodiaco.html

Tenha uma ótima semana!

{ Talita Maciel } at: 8 de janeiro de 2012 18:13 disse...

Seu blog é maravilhoso!
O modo como você tece as palavras me fazem ver puro sentimento.Muito bom!
Estou seguindo (:
Se quiser visita o meu blog: http://aquelaquenaoeperfeita.blogspot.com

{ Rebeca Postigo } at: 11 de janeiro de 2012 10:34 disse...

Como sempre escrevendo lindamente contos incríveis...
Adorei!!!

Bjs!!!

{ Lolis Almeida } at: 12 de janeiro de 2012 22:39 disse...

Que texto mais lindo! Fiquei encantada com a sua escrita, não tem como não acompanhar esse blogue! Sigo com todo o prazer! bjus
Lolis
http://lorenna-almeida.blogspot.com/

{ Roberta Galdino } at: 23 de fevereiro de 2012 11:19 disse...

oii
tava vendo outros Blogs e encontrei o seu
gostei muito daqui
o conteúdo é ótimo
estou te seguindo
me visita e segue se gostar?!

http://rgqueen.blogspot.com/

beijos

 

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