Keblinger

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Palavrear

| segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Primeiramente vou lhes descrever meu ambiente de trabalho, acredito que desta forma você possa me conhecer melhor, afinal minhas palavras vão lhes dar as mãos e guiá-los pelos caminhos sinuosos que eu conduzir – escrevo de um quarto com baixa iluminação, apenas claridade o suficiente para enxergar a nuvem de ideias sobre a minha cabeça e o pequeno palco onde meus dedos valsam na composição de palavras e parágrafos.
Tenho a impressão de que cada pessoa é destinada a algo nesta vida, não que necessariamente todas elas irão cumprir seu papel ou seguir o roteiro exatamente como manda o figurino, não... na verdade, estou falando que todos estão destinados a serem artistas. Cada um a seu modo singular. Cada um com sua arte individual.
Eu poderia estar encarando plateias e emocionando as pessoas na pele de personagens numa peça de teatro, mas não tive o privilégio de me tornar um ator. Eu poderia então guiar os sentimentos alheios através de notas musicais ou do som da minha voz, mas não fui agraciado pelo dom de cantar e me perco nas partituras, além da minha péssima coordenação motora que não me permite tocar instrumento algum. Quem sabe eu poderia ser um daqueles dançarinos excepcionais, que parecem flutuar sobre os próprios pés, mas também não fui sortudo nesse quesito. Contudo, eu disse que cada um tem a sua arte viva dentro de si. A minha arte é a escrita, é o dom de dar forma aos pensamentos, talvez até antes mesmo de eles existirem. É a arte de mostrar às pessoas mundos que não estão ali, pessoas que poderiam ser conhecidas e até são, por certo tempo e delinear situações sutis e trágicas que muito bem poderiam ser reais.
A minha forma de ser artista é simples. Eu apenas construo conjugações de verbos, ligo palavras, costuro travessões e pontos finais. Eu palavreio.
Toda arte tem sua beleza, assim como toda palavra tem sua verdade. Nesse momento não sei dizer o que vai surgir na próxima linha, não consigo prever quando o meus dedos se cansarão, nem quando o fim vai chegar, sabe por quê? Porque a arte da escrita é imprevisível, você nunca sabe aonde vai chegar, a menos que comece a escrever.
Atores, músicos, cantores e dançarinos precisam de palmas, elas são o reconhecimento. O carinho demonstrado pelo público. Puras e lindamente capazes de transformar. Um escritor precisa de um par de olhos que leia sua obra, ele precisa de palavras de outrem que lhe digam o valor de seu talento e até mesmo do silêncio de uma expressão que mostre o quanto ele foi capaz de tocar o leitor.
Artistas em geral não pedem muito, porque a arte é uma dádiva e dádivas devem ser compartilhadas. Por isso eu palavreio, para que você leia e para que eu tenha a mínima pontinha de esperança de que mudei algo em você, nem que seja só por aquele momento. 

Mais eu texto em homenagem aos blogs, o Palavrear é o blog da Sara R. Carneiro. Espero que ela não se incomode que eu tenha usado o nome de seu blog aqui e espero que tenha gostado e você também. É isso, grande abraço, seus sorridentes.

5 sorrisos compartilhados:

{ A Escafandrista } at: 12 de dezembro de 2011 11:51 disse...

Vindo compartilhar um sorriso com vc, meu querido. Concordo com o que vc disse no meio do texto... todos somos artistas de alguma forma, cada um na sua arte individual, particular. Bjs.

{ Camila Mancio. } at: 12 de dezembro de 2011 15:14 disse...

a vida é um teatro, as pessoas são falsas mesmo sem querer.
um beijo

{ Renata Angra } at: 12 de dezembro de 2011 15:54 disse...

"Pra quem estava me dizendo estar sem inspiração" ...

Sempre fico surpresa com o que escreve porque de um buraco de palavras soltas... as organiza, e destina cada uma a seu devido sentido.
Parabéns como sempre...
Te amo bj

{ Sara R. Carneiro } at: 14 de dezembro de 2011 21:20 disse...

Desculpa não ter comentado antes, fiquei sem internet por uns dias. Muitíssimo obg por te me escolhido pra essa homenagem, fiquei muito feliz. ''Toda palavra tem sua verdade''. O texto ficou incrivelmente bom, como sempre. Continue palavreando junto comigo, e tenha a certeza de que sempre muda algo em mim ao ler teus textos. Ah, e não há problema nenhum em usar o nome do meu blog no titulo da postagem :)
Um beijo na testa.

{ Mali Melo } at: 14 de dezembro de 2011 22:03 disse...

Que coisa mais linda!
Amei essa parte: "Nesse momento não sei dizer o que vai surgir na próxima linha".
Acho que todas as pessoas que escrevem se identificariam com esse texto. Uma homenagem maravilhosa aos escritores... mesmo os péssimos, como eu. Rá rá.
Beijos :*

 

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