Keblinger

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Sobre a chuva e temores

| quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Para uma questionadora nata

Ontem me peguei lembrando daquela tarde chuvosa em que você repentinamente me perguntou do que eu tinha medo. Enquanto meu silêncio falava por mim, você me confidenciou que tinha medo de trovões e me pediu que lhe desse um abraço protetor – como se eu, fraco como sou, pudesse garantir alguma proteção.
As palavras sempre escorrem por entre meus dedos quando você me encara com seus olhos indagadores e sedentos de respostas e por isso sinto-me mais confortável ao lhe escrever. Eis aqui minha resposta à sua pergunta daquele dia de chuva:
Eu não tenho medo da solidão, contanto que você esteja do meu lado provando que ela não existe; não temo a distância se te tenho sempre ao alcance dos meus olhos; não me assusto com o vazio da saudade, pois quando tateio em busca de um refúgio você sempre está presente; as noites em que o vento sussurra melancolia não são tão apavorantes, pois destranco as memórias mais iluminadas de nós dois e tudo fica bem; já não mais tenho medo da minha própria mudez, pois sei que você aprendeu a decifrar meu calar... por fim devo logo admitir que também tenho medo de trovões, daqueles que ribombam no horizonte e que fazem a terra tremer de susto, mas nem eles conseguem me amedrontar por completo quando você está do meu lado me pedindo por um abraço que, na verdade, é a proteção que eu preciso, ainda que você não saiba disso.
Meu maior medo é piscar de um modo mais demorado e ao abrir os olhos não encontrar sua presença; é buscar por seu sorriso e encontrar o nada debochando sadicamente; é estar em casa sozinho numa tarde de chuva e não ter seus braços para me aconchegar; é saber que a tempestade não se abrirá num arco-íris quando você estiver longe.
O medo que se desprende de meu âmago e atinge a superfície é o temor tremendo que tenho de te perder, pois se isto acontecesse, em minha vida já não haveria mais sol, o mundo seria eternamente nublado e cheio de trovões furiosos.
As gotas começam a cair das nuvens outra vez, só lhe peço que não se demore a chegar, estou encolhido no canto do quarto à espera de seu abraço – aquele capaz de acalmar até mesmo a fúria do céu – para me aliviar o medo e me fazer ter a certeza de que ele será meu conforto para sempre.

De um assustado omisso.

Pauta para Bloínquês

5 sorrisos compartilhados:

{ Rebeca Postigo } at: 23 de novembro de 2011 11:45 disse...

Ahhh...
Se alguém me falasse todas estas coisas...
Lindo, lindo!!!
Adorei!!!

Bjs

{ Sara R. Carneiro } at: 23 de novembro de 2011 19:51 disse...

É triste quando a gente não tem com quem compartilhar até mesmo o medo. Na verdade, tenho medo é de nunca encontrar alguém que esteja disposto a dividir essas palavras e medos comigo. Belíssimo texto e mais uma vez somos concorrentes no bloínquês, rs. Como concorrer com tamanho talento? Ah Rodi, assim não vale! (risos) Parabéns, esse talento que carregas não para de crescer. Um beijo na testa.

{ Renata Angra } at: 26 de novembro de 2011 15:52 disse...

" É bom finalmente poder estar por aqui .... e ter sempre o prazer de ler seus pensamentos projetados"

{ Alexandre Lucio Fernandes } at: 26 de novembro de 2011 19:21 disse...

O texto dança num amor tão envolvente. As sensações se fazem em relevo, acentuadas na pele, como que desenhando as expressões do sentir no semblante. É amor puro, romantismo transbordado no calor que enfeita o coração, com adornos doces e ternos de profunda magia, meiguice desdobrada em desejos íntimos de um amor que quer e ama, que sente falta e quer ser protegido. Ao mesmo tempo que anseia proteger e dar cor a um mundo. E nesta maneira, ter o seu mundo sendo colorido.

Lindo!

Abração!

{ Lara Vic. } at: 3 de dezembro de 2011 17:19 disse...

Tive vontade de colocar um monte de frases no meu sub no msn, mas ai não a ter espaço haha
muito lindo o texto, apaixonante. Amei mesmo. O medo pode se tornar tão belo...
parabéns!
beeijos!

recantodalara.blogspot.com

 

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