Keblinger

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A vitrine de sorrisos

| segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Havia na cidade um homem triste, tão triste que seu coração já não sabia o significado de outro sentimento. Seus olhos permaneciam cabisbaixos e negligentes aos outros olhos que imploravam silenciosamente por um contato visual que traduzisse a dor de suas pupilas.
Sua tristeza lhe fez só; sua solidão lhe tornou introspectivo, aprisionado em seu próprio ser vazio e desolado.
O homem triste já não se lembrava do motivo daquela tristeza enraizada em suas memórias, ele apenas surpreendia-se, vez ou outra, com o vento que sacudia a árvore da melancolia e espalhava mais folhas de pranto em seu jardim mal cuidado.
Um dia, afundado até os joelhos em sua existência patética, ele topou, assim por acaso, com uma loja peculiar.
A vitrine exibia diversos tipos de sorrisos, daqueles mais tolos aos mais grandiosos, tantos sorrisos que ele nunca tivera em sua vida.
- Quanto é o sorriso do canto de baixo da prateleira? – ele perguntou ao vendedor assim que cruzou as portas de vidro e sentiu o aroma de felicidade inebriando o ambiente.
- Nós apenas pagamos o preço por não sorrir – o vendedor respondeu e observou a expressão confusa do homem. – Um sorriso de verdade não tem preço, porque o que vem do coração é natural.
Lá no seu âmago invisível, tão profundamente escondido, o homem triste sentiu um sacolejar diferente. Seu coração saltou sobressaltado por aquela reação que brotava como uma nascente e corria desesperada rumo à superfície. Repentinamente seu rosto foi atingido por um formigamento incomum e do outro lado do balcão, num enorme espelho, ele o viu.
O sorriso que antes estava depositado numa almofadinha no canto escondido da prateleira estava desdobrado em seu rosto, como se nunca tivesse estado em outro lugar que não fosse aquele.
O vendedor compartilhou do sorriso e o leve perfume de alegria intensificou-se. O homem, não mais triste, entendeu que às vezes a felicidade cabe naquelas coisas mais simples como um breve diálogo e que as palavras são mais fortes que o vento, elas edificam muros que o barram, impedindo as folhas de tristeza de cair.
Aquele homem deixou a loja com seu sorriso vitorioso, cheio de novos sorrisos no bolso e esperando ansiosamente para usá-los. Ele ficou triste outras vezes, isso é inevitável, mas agora ele entende que a vida é feita daquilo que faz bem, por isso sua tristeza não importa tanto e os sorrisos são mais do que essenciais. Eles são fragmentos visíveis de felicidade.

Ando meio sumido ainda, eu sei, gente, mas logo estarei de volta (eu espero). Não consigo ficar longe daqui por muito tempo e sinto que esse afastamento me faz mal, mas enfim, é temporário. Conto com a compreensão de vocês, grande abraço.

2 sorrisos compartilhados:

{ Flávia } at: 21 de outubro de 2011 23:44 disse...

Já falei q vc é meu escritor predileto? Que suas palavras são maravilhosas e encantadoras??? Com certeza já... E isso se tornou repetitivo, eu sei! =P
Mas, que que eu posso fazer com tanta sedução??? kkkkkkkkkk!!!

lindo texto!!!

Já falei q te amo hoje? Não né, pq eu tenho vergonha por telefone.... rsrsrs...

Um beeijo e volta logo... Todo mundo precisa do seu encanto!! ;)

{ Alexandre Fernandes } at: 26 de outubro de 2011 00:08 disse...

Cara, tu arrebenta. E deixa eu te falar. AMO sorrisos. Adoro. Sou fascinado, atraído. Sou tudo. Não é à toa que teu blog me fascina, por conta do título que tem, e por todos os teus textos que causam sorrisos em mim.

Esta história é muito bela, tem uma lição muito bonita. Às vezes a felicidade estão nas coisas mais simples, e nas coisas mais simples a resgatamos, a percebemos. Algo tão pequenino pode despertar o sorriso em nós.

Magistral o teu conto. Comovente.

No mais, falando em sorrisos, no meu ultimo conto também falo sobre sorriso. Se tu puder arrumar um tempo passa lá e lê, e comenta. Também há muito que falta tuas palavras por lá. Pra quem sabe, fabricar um sorriso. hehe

Abração meu amigo.
Te cuida!

 

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