Keblinger

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Das conjugações equivocadas

| sexta-feira, 5 de agosto de 2011
♪ (...) And one day I'll see you again, again
And someday when this war ends
I hope you remember this... ♫

Eu não me lembro quando foi que passei a precisar de você em minha vida como uma forma de sustento, era como se sem você eu literalmente perdesse o ar e então meus pulmões assustados gritavam seu nome e você vinha correndo me resgatar. Quando percebi que não havia razão para ser apenas eu sem você minhas antigas convicções sobre o amor desvaneceram e eu enxerguei através do véu que me cegava. O amor é real. Ele existe e é muito mais do que aquilo que se acredita. Descobri que quem ama, não ama só com o coração, pois o amor é de corpo inteiro.
Entendi que o verbo amar foi feito para ser conjugado no plural. Você me ensinou tudo isso. Você me deu a base para edificar esse sentimento grandioso em meu peito... mas assim que você partiu, meu mundo desmoronou, pois você era o pilar principal.
Meus dedos estão machucados e não conseguem juntar todos os pedaços espalhados pelo chão, então eu apenas sopro as fagulhas do pó que me tornei e as assisto flutuar para longe.
Depois de um certo tempo eu parei de me perguntar o motivo de sua partida e foi nesse momento que você voltou. Não vou negar que meu coração saltou diversas vezes de emoção ao te ver, porque eu estive esperando por você, contando cada segundo sufocante sem a sua presença.
Ah, se meu coração pudesse prever sua fala, ele não despencaria do ar num de seus saltos.
– Eu voltei para te dar um adeus apropriado – você me disse.
Lembro que balbuciei alguma coisa ininteligível e as lágrimas afogaram meus olhos.
– Por mais que tentemos, nós não fomos feitos para durar. O que aconteceu durou o tempo exato, o amor exato... – nessa hora eu parei de ouvir e mergulhei em devaneios.
Então havia uma medida para amor? Havia uma dose certa que se tomada em excesso se tornava nociva. Talvez eu não estivesse amando de verdade, aquela dependência era apenas isso. Eu me vi conjugando erroneamente o verbo no singular o tempo todo. Meu mundo não estava desfeito, afinal, ele apenas perdera uma peça importante, mas não de todo crucial para sua existência.
Suspirei com força e percebi que o ar não me faltava mais. Os cacos quebrados que me machucaram eram apenas as lembranças daquilo que poderia ter sido e não foi. Apenas patéticas ilusões que já não doíam mais.
– Não preciso mais de suas explicações – encontrei minha voz para dizer. – Se você veio dizer adeus, considere isso feito.
Seu olhar petrificado foi o bastante para mim.
O grande mal das pessoas é que a maioria delas se ilude com aquilo que parece ser real, há uma linha tênue entre o amor-singular e o amor-plural e esse tipo de conjugação ninguém te ensina, esse é um conhecimento que se adquire. E se for para viver, que seja daquilo que é verdadeiro, pois o resto eu dispenso.

Pauta para Bloínquês

6 sorrisos compartilhados:

{ Jéssica Trabuco } at: 5 de agosto de 2011 09:29 disse...

" E se for pra viver, que seja daquilo que é verdadeiro, pois o resto eu dispenso "

Falou por mim.

{ Stella Rodrigues } at: 5 de agosto de 2011 10:21 disse...

Com um pouco de tempo vim no teu blog, te segui no twitter ai acho que tu não seguiu de volta e dei unfollow D: sem ver. Mas os seus textos continuam maravilhosos, adorei esse, e a frase da menina ai de cima que ela copiou do texto me tocou também ;)

{ Alexandre Fernandes } at: 7 de agosto de 2011 15:09 disse...

Não se ama no singular. O amor é uma peça de quebra-cabeça. Sozinha não forma nada. O amor é uma peça da imagem que necessita de outras para se tornar completa.

Um lindíssimo conto. Que demonstra com maestria a importância de se conjugar o amor no plural.

Abraço!!

Anônimo at: 11 de agosto de 2011 11:40 disse...

Devo confessar que fiquei boba ao ler algumas postagens tuas, ate vou postar uma no meu blog... rsrsrs.

O que acha de trocarmos e-mais? Digo add no orkut ou no msn, eu realmente estou curiosa em te conhecer.

E ai, eu já puxei uma cadeira e li o que vc tinha para me falar, agora senta e vamos dividir alguns sorrisos?

Meu blog http://sinhallima.blogspot.com/
Meu e-mail: sinha.llima@hotmail.com
Um beijão.

{ Iasmin Cruz } at: 14 de agosto de 2011 23:15 disse...

Oi.
passei pra lhe fazer uma visitinha.
Ótima semana .

http://iasmincruz.blogspot.com/

{ Tati } at: 23 de agosto de 2011 11:08 disse...

Menino, muito bem escrito, me tocou como sempre.
Também sinto assim, o amor-plural é aquele que realmente pode modificar uma vida.


Beijos

 

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