Keblinger

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Carta #4

| terça-feira, 16 de agosto de 2011

S.


Por tudo o que passamos eu simplesmente não posso me prender ao desapego e deixar todas as lembranças desvanecerem no ar, porém, manter essa chama de vontade de você me consumirá completamente e destruirá a tentativa de permanecer puro diante de minhas novas concepções. 
Às vezes não há um limite que separa aquilo que é bom daquilo que é nocivo, eu me recuso a encontrar defeitos onde só existe perfeição, assim como impeço minha mente e meu coração de arrancarem você de mim. Eu não estou pronto para livrar-me dessa perdição insana que suas lembranças invocam, o pecado ainda está nitidamente pregado em minha pele e enquanto pensar em ti me der forças para continuar, eu serei impuro e impróprio para este lugar sagrado. 
Meus suplícios contraditórios a minha verdadeira vontade imploram que você se retire de meus pensamentos e me proporcione a liberdade tão desejada, mas meus desejos mais secretos são mais fortes e sabotam qualquer tentativa de abrir mão de sua presença constante em minhas memórias imorais e me afundam cada vez mais no mar de culpa que rapidamente me afoga. 


N.

Quem acompanhou o conto "As cartas do monge sem nome" que eu postei no meio do ano passado se lembra (ou não) das cartas misteriosas, porém nas sete partes do conto foram apresentadas apenas seis cartas, decidi então escrever as outras, que serão postadas aleatoriamente. Para ler o conto clique aqui (e leia cada parte) e para ver somente as cartas clique aqui.

2 sorrisos compartilhados:

{ Jéssica Trabuco } at: 19 de agosto de 2011 10:34 disse...

gostei :)
enquanto estar do lado de quem eu amo for pecado, eu aceito ser impura e pecadora.

{ Alexandre Fernandes } at: 20 de agosto de 2011 16:04 disse...

Se este for o preço para dar ênfase ao amor, vale a pena. Por todo o sentir proporcionado. Ser impuro e pecador é um pormenor...

Linda carta!

Abraço!

 

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