Keblinger

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Carta #3

| sábado, 16 de julho de 2011
S.


Meus pesadelos mais perturbadores são meus devaneios que insistem em buscar sua presença escondida em minha mente profana. Por um lado tento enterrar as memórias que você está, mas por outro lado saboto a mim mesmo e crio uma cova rasa ao qual sujarei minhas mãos ao te arrancar de lá. Meus pensamentos se libertam facilmente das correntes que os prendem e voa para os lugares em que estivemos. 
Suas palavras doces e ardentes ao mesmo tempo ecoam pelo ar em lembranças vívidas que deveriam ser apagadas. Eu perco o controle de mim mesmo, luto e perco a batalha que é manter-te fora da cabeça. Duelo com meu próprio peito para que ele te expulse, mas fracasso a cada tentativa. Livrar minha vida de ter você dentro de mim é o mesmo que arrancar meu coração e despedaçá-lo. 
Então eu sucumbo nas memórias, afogo-me nas lembranças mais tórridas que me trazem calafrios e deixo você tomar conta de meu ser mais uma vez, somente para me arrepender mais tarde, mas esse é um preço que eu pago com vontade. Prefiro me arrepender de te manter em segredo em meus pensamentos, do que arrancar sua essência impura que se prende em cada centímetro de meu corpo. Talvez um dia isso passe, mas enquanto esse dia não vem, que o fogo que um dia existiu entre nós, queime meu pudor doentio e me apeteça no silêncio da noite. 

N.

Quem acompanhou o conto "As cartas do monge sem nome" que eu postei no meio do ano passado se lembra (ou não) das cartas misteriosas, porém nas sete partes do conto foram apresentadas apenas seis cartas, decidi então escrever as outras, que serão postadas aleatoriamente. Para ler o conto clique aqui (e leia cada parte) e para ver somente as cartas clique aqui.


4 sorrisos compartilhados:

{ Alexandre Fernandes } at: 17 de julho de 2011 12:37 disse...

Uma carta que denuncia bem o sentimento que borbulha na essência do coração. Um breve confessar que se alimenta desta chama que é o querer e o sentir. Sensações absorvidas pela vontade que trespassa a carne.

Uma magia que enrijece o peito com o clamor mais sublime da vida: amor.

Abração!

{ Ana Sofia } at: 17 de julho de 2011 21:13 disse...

concordo com o comentário acima


adorei...
a seguir

{ Emoções } at: 19 de julho de 2011 00:41 disse...

Como afloram os sentimentos
Nos poemas que se faz,
Transmitem em todos num só momento
A paixão que agente traz.

Decantamos a beleza e o amor
Para levar ao mundo; humildade, carinho e paz.
Aliviar no povo seu sofrimento e dor
Dando a ele um novo alvor.

Nesse mundo de desafetos
O homem não pode continuar
Nós, Poetas, podemos colaborar,
E da transformação podemos participar.

Esse dom que recebemos
Não é para ser guardado
E sim, para ser exteriorizado.
A nós ele só foi emprestado.

No plano em que vivemos
Cada um tem sua missão.
Infelizmente! Alguns levam o ódio
Ah! Mas o Poeta! Leva o amor ao coração.

{ Letícia } at: 20 de julho de 2011 11:01 disse...

Excelente texto!
Sempre bom passar por aqui!
Beijo (:

 

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