Keblinger

Keblinger

Nº 300

| sexta-feira, 29 de julho de 2011


Como já era de se esperar quando chegasse a esse marco (?), eu faria uma postagem, hehe.
Então como o título e a imagem sugerem, essa é a postagem de número 300, é um número relativamente alto para postagens, na minha humilde opinião, é claro.
Se eu imaginava que fosse chegar até aqui quando criei o blog? Sinceramente, não. Mas foi e está sendo uma experiência maravilhosa compartilhar esse cantinho com as pessoas que passam e já passaram por aqui, principalmente porque grande parte da minha motivação são os leitores, que interagem comigo e expressam suas opiniões.
Eu sei que ultimamente tenho estado afastado daqui e dos demais blogs, e isso é realmente contra minha vontade. Confesso que já cogitei em parar com o blog temporariamente, mas acho que isso não me faria bem, por isso vou mantê-lo ativo, embora com um número escasso de postagens, espero a compreensão de todos.
Ter chegado até aqui é prova de uma dedicação que não quero deixar para trás. Eu amadureci bastante nesse espaço e me expus de uma maneira que jamais imaginei que eu seria capaz, a transição de escritor de gaveta para um blogueiro que é lido foi surpreendente e isso me ensinou várias coisas. Aprendi a aceitar melhor as críticas e lidar com pensamentos diferentes, conheci outros mundos e outras palavras que se tornaram refúgios e pude ver que não sou um louco sozinho, tem um bando de loucos por aí que pensam como eu, haha.
Enfim, tenho que agradecer aos meus seguidores e leitores e amigos e parceiros e todos que me ajudaram a fazer do sorriso uma arte que encanta primeiramente ao seu criador.
Um abraço bem apertado a você que tirou um tempinho  para me ler e saiba que você é importante para mim.
Até a próxima, seus sorridentes!

O escritor que nunca viu

| segunda-feira, 25 de julho de 2011
As palavras são meu mundo, minha realidade. Elas são e sempre foram meus olhos.
Minha vida sempre fora mergulhada na escuridão ou claridade, eu nunca soube ao certo. Nunca soube o que as palavras preto e branco significavam. Eu não sabia o que eram cores, portanto meu mundo é algo que você, que enxerga, não pode imaginar. Eu nasci assim, com olhos que jamais puderam ver a luz do sol e o brilho da lua e das estrelas. Sem poder ver, meus outros sentidos se tornaram mais aguçados. Minha audição era perfeita, meu tato de uma sensibilidade impressionante e meu olfato muito perspicaz, mas eu queria ver, eu queria ver aquilo que sempre havia sido a coisa mais importante em minha vida, eu queria ver as palavras, queria folhear um livro e poder devorar com os olhos aqueles caracteres interligados que formavam universos paralelos.
Minha mãe lia para mim desde quando eu era bem pequeno, no começo foi difícil para ambos, pois eu não conseguia imaginar como eram as coisas descritas e ela se frustrava por nem sempre conseguir me explicar... meu tato ajudou bastante nesse processo de conhecimento de formas e texturas, mas eu nunca soube o que eram cores. Eu queria tanto poder imaginar as cores e tudo aquilo que eu ouvia e não podia tocar, mas cada palavra que dava a mão para a outra, formando uma ciranda nas linhas sobre o papel me transportava para outro lugar e eu me deixava levar, sentia a leveza me puxar para dentro da página... eu fui heróis, vilões, protagonistas, poetas, trovadores. Eu fui o leitor que nunca leu.
As palavras tornaram a minha vida mais saborosa. Eu me empolgava em travessões, prendia a respiração em vírgulas, me deleitava nas reticências. Eu brincava com os pingos dos "is", me deitava na curvas do "s", me enroscava dentro dos "os". Meu mundo mágico de palavras, dois pontos, aspas, exclamações... mas nunca de pontos finais. Eu não queria que isso parasse, minha avidez por esse reino fabuloso de histórias era minha forma de dar cor a minha vida, ainda sem cor alguma existir.
A cada dose de leitura de minha mãe, eu mergulhava em sua voz que me guiava por lugares inesperados, que me dizia frases lindas, poéticas, suaves... a melodia do som das letras. Eu me entregava ao livro e sorvia cada detalhe mínimo que ele oferecia e fui tão seduzido por isso que eu desejei escrever.
Eu queria me tornar um escritor, criar histórias, personagens, edificar lugares que nunca estive, construir castelos de palavras e montanhas de expressões, eu queria gerar vida, vozes, colocar em palavras meus sentimentos.
As letras em braile possuíam uma forma diferente e eu nunca gostei disso, eu queria escrever nas letras que eu conhecia, nas formas que eu toquei. Pedi uma máquina de escrever para minha mãe, eu não quis um computador, e as teclas da máquina foram adaptadas de forma que eu pudesse reconhecer as letras ao tocá-las. Eu, a máquina e uma folha de papel em branco, a combinação peculiar que deu certo. Muitos criticaram meu entusiasmo e minha vontade de seguir em frente com aquilo, mas eu me apeguei aos incentivos sinceros e me atirei de corpo e alma no mundo das letras invisíveis.
Comecei a escrever aos poucos, a cada dia eu me colocava diante da máquina e deixava meus dedos brincarem sobre as teclas rígidas que estalavam enquanto marcavam o papel com as palavras que eu ordenava. Era uma sensação incrível, me descobri na escrita como eu nunca havia feito, me libertei da venda que eu mesmo havia me colocado. Minha mãe corrigia pequenos erros que escorregavam por entre meus dedos, mas com o tempo isso deixou de ser necessário, pois eu, a máquina e o papel éramos um só, mantínhamos uma cumplicidade invejável, meus melhores amigos e conhecedores de meus desejos e segredos.
A escrita me levou por caminhos secretos, abriu minha mente para cenários que eu criava e me dava voz, dava tom, dava gosto, cheiro, som e, além disso, me dava visão. Quem diria que um garoto cego pudesse escrever coisas tão belas de um mundo ao qual nunca vira? E assim fui atraindo a curiosidade das pessoas através de minhas palavras. Minha mãe pagava para publicar meus escritos no jornal da cidade.
Hoje em dia sou reconhecido pelo o que faço, as palavras que uno de forma sincera e singular me levaram a atingir um reconhecimento que eu nunca esperei. Eu nunca pude ler aquilo que eu escrevia, nunca pude ver a distribuição das letras no papel, a métrica utilizada pelos editores, nunca pude ver as cores das capas de livros que eu concebi. Todos eles eram partes de mim. Todos eram degraus da escada imaginária que me levou ao alto patamar dos meus sonhos mais incríveis e impossíveis. As palavras me rodeiam como crianças brincando de roda, as letras me sussurram variações, as pontuações me mantêm no ritmo e a escrita me domina... e eu me dôo por completo.
As palavras sempre foram e sempre serão meus olhos e é através delas que meu mundo ganha cor.

Esse conto foi escrito no ano passado para participar de um concurso cultural, porém é inédito aqui no blog.
Achei que seria interessante publicá-lo hoje, no Dia do Escritor. Aproveito para parabenizar a todos os escritores que temos por aí, famosos e amadores, contistas e contadores, cronistas, poetas, de gaveta, de guarda-roupa e afins. E também aos leitores, que são a alma da escrita e a levam adiante. 

Para eles

| quarta-feira, 20 de julho de 2011

Amigo é quem te manda mensagens super cedo mesmo sabendo que você só acorda depois das 12h.
É quem te bota inúmeros apelidos e não está nem aí para o que você vai dizer.
É a pessoa que te faz ter crises de riso inesquecíveis.
É quem briga contigo quando você faz algo errado e te apóia quando você está certo.
É quem topa fazer as maiores loucuras que você tem em mente e te inclui em suas loucuras.
É quem te liga de madrugada para jogar conversa fora.
É aquele que te vê caindo e ajuda enquanto morre de dar risada.
É quem te leva de intruso em festas que você não foi convidado.
É quem faz vídeos engraçadíssimos com você.
É quem tem diz na sua cara que você é um vagabundo e precisa sair dessa vida.
É aquele que tira centenas de foto ao seu lado.
É aquele que canta e dança com você e até é pego no flagra pela sua mãe.
É quem tem um sonho ruim contigo e te liga pra saber se você está bem.
É quem fica triste quando você mente que vai embora da cidade.
É quem te abraça com força quando faz tempo que não te vê.
É quem comenta em todas as suas fotos do Orkut.
É quem faz de guerra de cutucadas no Facebook.
É quem te menciona no Twitter e dá RT nas suas besteiras mais idiotas.
É quem vai ao cinema contigo para ver filmes sobre o fim do mundo.
É para quem você fica devendo um chocolate branco com frutas vermelhas e nunca paga.
É quem vai tomar açaí contigo mesmo quando está super frio.
É para quem você chora e conta detalhadamente como sua cachorra morreu.
É quem te procura quando precisa de um ombro amigo, mesmo que seja só para ficar em silêncio.
É quem fica sentado na calçada contigo batendo papo.
É com quem você passa horas no MSN num papo cabeça cheio de filosofias.
É quem te leva em viagens pra conhecer a família.
É quem te faz uma festa surpresa de aniversário com a decoração do Nemo.
É quem inventa de fazer pizza no meio da semana.
É quem te bota no porta-malas do carro quando não tem mais lugar.
É com quem você troca suas músicas mais esquisitas.
É com quem você aprende pequenas lições valiosas.
É em quem você pensa quando está sozinho.
É quem mesmo de longe se faz presente.
É aquele que você corre quando tem alguma coisa para contar.
É quem conhece seus defeitos e te ama mesmo assim.
É quem te defende quando precisa.

Amizade é, acima de tudo, cumplicidade e amor.

Eu poderia ter escrito um conto sobre o tema, mas preferi homenagear aqueles que tornam a minha vida mais alegre, sejam reais ou virtuais, e essa lista poderia muito bem se estender metricamente, mas o que importa é que eu tenho a eles e eles têm a mim.
Por mais clichê que seja:
Um feliz dia do amigo para todos.

Carta #3

| sábado, 16 de julho de 2011
S.


Meus pesadelos mais perturbadores são meus devaneios que insistem em buscar sua presença escondida em minha mente profana. Por um lado tento enterrar as memórias que você está, mas por outro lado saboto a mim mesmo e crio uma cova rasa ao qual sujarei minhas mãos ao te arrancar de lá. Meus pensamentos se libertam facilmente das correntes que os prendem e voa para os lugares em que estivemos. 
Suas palavras doces e ardentes ao mesmo tempo ecoam pelo ar em lembranças vívidas que deveriam ser apagadas. Eu perco o controle de mim mesmo, luto e perco a batalha que é manter-te fora da cabeça. Duelo com meu próprio peito para que ele te expulse, mas fracasso a cada tentativa. Livrar minha vida de ter você dentro de mim é o mesmo que arrancar meu coração e despedaçá-lo. 
Então eu sucumbo nas memórias, afogo-me nas lembranças mais tórridas que me trazem calafrios e deixo você tomar conta de meu ser mais uma vez, somente para me arrepender mais tarde, mas esse é um preço que eu pago com vontade. Prefiro me arrepender de te manter em segredo em meus pensamentos, do que arrancar sua essência impura que se prende em cada centímetro de meu corpo. Talvez um dia isso passe, mas enquanto esse dia não vem, que o fogo que um dia existiu entre nós, queime meu pudor doentio e me apeteça no silêncio da noite. 

N.

Quem acompanhou o conto "As cartas do monge sem nome" que eu postei no meio do ano passado se lembra (ou não) das cartas misteriosas, porém nas sete partes do conto foram apresentadas apenas seis cartas, decidi então escrever as outras, que serão postadas aleatoriamente. Para ler o conto clique aqui (e leia cada parte) e para ver somente as cartas clique aqui.


A voz da encruzilhada

| terça-feira, 12 de julho de 2011
A moça caminhava confiante pela estrada no final da tarde. As árvores que flanqueavam as duas margens ofereciam-lhe sombra e o vento sacudia os galhos mais altos, como se brincasse com as folhas. Os passos certeiros dela pararam bruscamente diante de uma encruzilhada que jamais estivera ali.
Ela encarou o caminho da esquerda e o da direita e pouco pôde ver do que estava logo à frente. Seus olhos se fecharam por um momento e uma voz afiada cortou o ar e pousou em seus ouvidos.
- Diga-me o que você mais deseja? – a voz havia perguntado.

A moça rapidamente abriu os olhos e ao olhar para trás se deparou com um homem. Ele usava um turbante roxo e seus longos cabelos pretos escorriam pelos ombros. Seus olhos estavam pintados de negro. Uma corrente de ouro com um símbolo estranho pendia de seu pescoço e em cada dedo havia um anel diferente. A boca, de lábios finos, estava curvada num sorriso misterioso.
- Quem é você? – ela perguntou.
- Digamos que eu seja um gênio – ele respondeu. – Você teria algum pedido a fazer?
- Eu estou com pressa, não tenho tempo para brincadeiras.
- Eu não faço brincadeiras, minha jovem. Sou um grande apreciador do tempo bem aproveitado.
Ele deu a volta e colocou-se na frente dela, de costas para a bifurcação da estrada.
- Eu possuo um talento nato para predizer as coisas – ele declarou. – Você gostaria de saber o que vai acontecer se você tomar cada uma das estradas em sua frente?
- Eu não acredito nessas coisas.
- Mas essas coisas acreditam em você – ele sibilou friamente.
Ela percebeu que não teria alternativa senão deixá-lo falar.
- O que está me esperando?
O sorriso dele se alargou e mostrou dentes perfeitamente brancos.
- Se você tomar este caminho – ele apontou para esquerda. – você encontrará uma forma dolorosa de morrer, contudo, se você optar pelo outro, terá uma vida razoavelmente longa, porém cheia de tristeza e dores.
- Isto não tem graça – ela falou irritada.
- Não, claro que não. O engraçado é enganar a morte e driblar o destino. Eu posso fazer com que viva para sempre e tenha tudo aquilo que sempre quis...
Várias imagens surgiram na cabeça dela, desejos secretos que subitamente vieram à tona.
- E o que eu tenho que fazer?
- Dar a volta e desistir desse caminho – ele respondeu.
Ela olhou para trás, para a extensa estrada que havia caminhado e pensou por um momento. O homem sorria incessantemente e contemplava os anéis.
- Como eu vou saber que você fala a verdade? – ela quis saber.
- Você vai saber – ele falou – Eu estarei com você o tempo todo, para sempre – a boca dele não se moveu, mas sua voz ecoou dentro da cabeça dela e lentamente ela virou-se e fez o caminho inverso.
Ela teve tudo o que sempre quis, mas tudo durou apenas um dia. Conforme o tempo se derramava, ela era obrigada a dar adeus às pessoas que amava, uma a uma, até não sobrar mais ninguém.
A voz gelada do homem a perturbava toda noite, murmurando repetidas vezes que ela pertencia a ele.
Quando se quer mais do que se pode ter e se deseja tudo, o preço que se paga às vezes é alto demais. Às vezes é mais do que se pode pagar.

Ela sobressaltou-se e abriu os olhos, livrando-se do devaneio e observou a estrada que se dividia, perguntando qual sua escolha. Ela olhou para trás, satisfeita do caminho que tinha feito e então caminhou para a direita.
Aquela voz na sua cabeça nunca mais voltou a incomodar, pois ela sabia o que queria, assim como sabia que teria apenas aquilo que merecesse. Ninguém pode ter tudo, não importa o quanto possa pagar e é assim que as coisas são. É assim que sempre serão.
O caminho que ela seguiu foi cheio de surpresas, boas e ruins, cheio de encontros e desencontros, como deveria ser.
Ela continua caminhando e desbravando outras trilhas, até que alcance seu destino final, aquele que homem nenhum pode predizer.

Pauta para Bloínquês

A arte de sussurrar nas entrelinhas

| sexta-feira, 8 de julho de 2011
Nunca fui um grande entendedor da vida e de suas fases inconstantes. Muitas vezes me peguei perdido em pensamentos e dúvidas que eu mesmo criava para dar sentido nas coisas que eu via e ouvia. Confesso que por um tempo fui adepto de comparações que nunca me trouxeram benefício algum, assim como os julgamentos que fiz, precipitados ou não.
Não existem regras ou manuais que possam te ensinar como viver cada ano de sua vida. Aprendemos da forma mais natural e cruel possível, que é através dos erros, nossos ou dos outros.
Posso dizer que hoje em dia tenho mais discernimento do que é bom para mim, desenvolvi um senso crítico que prefiro manter secreto para não assustar as pessoas, da mesma forma que aprendi a manter-me indiferente a diversos tipos de coisas que normalmente me trariam problemas ou atrasos.
Parei de dar satisfações da minha vida para estranhos ou até mesmo para os conhecidos que não se importavam com isso. Há certas coisas que são melhores ditas quando não são contadas, afinal (se é que você entende essa contradição complicada).
O que eu mais carrego numa sacola por onde quer que eu vá são perguntas. Tenho mais perguntas do que respostas, exijo mais certezas do que jamais poderei ter.
Abomino com todas as minhas forças as malditas frustrações, que me atormentam dia e noite, como se rissem da minha cara dizendo “não foi desta vez”. Por dias a fio eu me odeio e procuro entender a minha insignificante existência, outros dias, porém, entendo que tenho que respeitar quem eu sou para que os outros façam o mesmo.
As terras intrincadas de minha mente são terrenos perigosos, não me atrevo a deixar ervas daninhas crescer por lá, caso contrário a infestação seria devastadora. Entendo que sou uma pessoa negligente e este, talvez, seja um dos meus maiores defeitos, mas mudar isso só depende de mim, certo? Eu preciso me ater àquelas responsabilidades que insisto em deixar de lado somente pelo prazer de não perder meu tempo ocioso com o que realmente é importante.
Um dos meus maiores trunfos é, definitivamente, meu entendimento com o mundo das palavras. É incrível como elas parecem me servir quando preciso delas e ironicamente desaparecer quando são indispensavelmente convocadas.
Já posicionei travessões onde não deveria e pontos finais em momentos errados. Já me equivoquei diversas vezes com as pontuações em geral e continuo fazendo isso até hoje. Não vivo as páginas de um livro perfeitamente escrito, sou um personagem errante, ora herói, ora vilão. Não me julgue pela capa danificada, meu interior pode te encantar ou repelir, mas no fundo isso depende mais de você do que de mim.
À noite, minhas preces silenciosas se refugiam na escuridão. Eu preciso dar vozes aos meus desejos, mas temo o que eles podem dizer.

E eu que achei que minha vida precisava de menos vírgulas, descobri que havia reticências demais.

Ella en palabras

| segunda-feira, 4 de julho de 2011
Ela é aquela que se olha no espelho e não entende o que vê.
Ora moça, ora moleca, procurando o que quer ser.
Cheia de perguntas na cabeça alimentando seu viver.
Ela é mulher criança, decifre-a para conhecer.

Ela nunca soube se descrever, talvez porque viveu sua vida toda escondida em sua casca impenetrável sem ouvir a opinião alheia ou será que ela se escondeu exatamente por causa das opiniões? Ela é aquela pérola misteriosa que você não sabe de onde veio e nem para onde vai. Ao olhar em seus olhos profundos feito poços abismais ao mesmo tempo em que dá vontade de desbravar aquela escuridão, dá um medo do que pode haver lá dentro.
Ela sempre buscou olhar para seu eu interior quebrando a cabeça com as peças intrincadas de sua composição. Ela quer se mostrar, quer descobrir o que tem além do arco-íris e o que o horizonte esconde. Perguntas nunca foram o problema, ela as tinha até demais, o que havia era escassez de respostas.
A menina-moça-mulher era inspirada pelo amor e conduzida pelos sentimentos. Ela dançava tango com a paixão e caminhava de mãos dadas com a saudade, mas era saudade daquilo que não existiu ou daquilo que poderia ter sido e não foi. Ela tomava doses de gentileza e colecionava elogios pelo caminho.
As críticas construtivas se tornavam tijolos para o alicerce de seu mundinho particular, onde ela reinava soberana e altiva. Ela era cheia de atitudes e de uma personalidade forte ímpar.
Seu paladar era apurado, ela gostava de doce ou salgado, de quente ou frio, nada de meios termos, nada de indefinições.
Talvez você a conheça de vista ou já tenha trocado algumas palavras com ela. Por falar em palavras, seria necessária uma porção delas para descrevê-la de forma exata, ainda que isso pudesse ser uma missão impossível.
Ela está espalhada pelo mundo, existe uma em cada jardim e em cada parque. Ela passa em frente a sua casa todo dia e você não percebe. Ela pode trabalhar ao seu lado e não ser notada.
Ela, a mulher. Não apenas aquela do sexo feminino, com todas as curvas e trejeitos, mas aquela que dá sentindo à palavra. Aquela que não se vê apenas com os olhos, que não se sente apenas com o toque e não se conhece apenas com um dia.
Ela é sempre mais do que se espera e bastante imprevisível. Tente ler suas entrelinhas ou padeça na ignorância.

Terceiro texto em homenagem aos blogs desse ano, o Ella en Palabras é o blog da Bárbara Farias, espero que ela (caso leia) e todos tenham gostado. Para lembrar, comecei as homenagens para me fazer presente nos blogs enquanto estou ausente nas páginas de comentários, sendo assim tentarei fazer mais.

Galera, ganhei o concurso da ABL e fui entrevistado, para ver a entrevista clique aqui.
Grande abraço, sorridentes.
 

Copyright © 2010 A arte de um sorriso