Keblinger

Keblinger

Quando a espera é demais

| quarta-feira, 29 de junho de 2011

Quer descobrir o que é essa espera?
Não

Clique em sim para ver meu novo conto no Contos Franqueados.

Carta #18

| sábado, 25 de junho de 2011
S.

Dia e noite duelo com o tormento que é ter-te habitando em meu peito e minha mente.
Por mais que eu tente me distrair, lembranças suas se arrastam em minha direção. Ouço sua voz no canto do vento, vejo seu semblante nos raios do sol e sinto seu toque inexistente quando a noite cai e minha pele queima de saudades da sua. Meu coração bate descompassado pela sua ausência. Ele clama pelo seu corpo impuro sobre o meu e suplica por perdão ao mesmo tempo. A minha escolha de não te ter me machuca cada vez mais, é a autoflagelação da minha alma.
Minhas mãos vazias precisam te ter aqui, meus dedos só se encaixam com os seus. Não sei quando tempo ainda suportarei minha existência sem ti, mas eu luto para te esquecer, para te deixar partir e não olhar mais para trás, mas meu coração acostumou-se com a dor. Só vivo para sofrer por ter te deixado e esse sofrimento me tornou o que sou e me envergonha por não viver completamente uma vida nem a outra.

N.

Quem acompanhou o conto "As cartas do monge sem nome" que eu postei no meio do ano passado se lembra (ou não) das cartas misteriosas, porém nas sete partes do conto foram apresentadas apenas seis cartas, decidi então escrever as outras, que serão postadas aleatoriamente. Para ler o conto clique aqui (e leia cada parte) e para ver somente as cartas clique aqui.

O fim da rodovia

| segunda-feira, 20 de junho de 2011

O hálito do inverno embaçava o vidro do carro. Do lado de fora a neve se espalhava pelo acostamento e na rua se viam as marcas de pneus. Do lado de dentro, três pessoas se refugiavam com o aquecedor ligado. No rádio tocava uma música baixa que servia apenas de som ambiente enquanto a mulher no volante discutia algo banal com o homem sentado ao seu lado.
Eles estavam indo de volta para casa depois de saírem da casa dos pais dela, que por sinal eram os sogros dele, contudo eles não chegariam a seu destino. Pelo menos, não todos eles.
As vozes alteradas nos bancos da frente acordaram o bebê de dois anos que dormia confortavelmente em seu assento especial no banco traseiro, com isso outra discussão se iniciou e a culpa era atirada de um lado para o outro.
– Cuidado – ele gritou quando a mulher distraiu-se com o bebê, mas ela não conseguiu desviar a tempo.

O ônibus estava com metade de sua lotação de costume, normalmente excursões como aquela para feiras de exposições em cidades vizinhas atraía um número razoável de velhas senhoras cansadas da monotonia das tardes em suas varandas com as agulhas de tricô e de crianças que acompanhavam as avós.
O motorista era novo na empresa de transporte, mas conhecia ambas as cidades como a palma de sua mão, assim como a rodovia que ligava as duas. Ele passara a noite anterior em claro por ter descoberto que a mulher o estava traindo.
O sono aproximou-se de mansinho e acomodou-se em seus ombros, sussurrando uma canção de ninar em seus ouvidos. Suas pálpebras começaram a pesar e a cabeça tombava de minuto em minuto, de repente tudo ficou escuro. Ele não ouviu os gritos assustados dos passageiros nem percebeu quando o ônibus invadiu a pista no sentido contrário.

O carro tentou desviar, mas bateu de frente com o ônibus, que o atirou para fora da pista. O ônibus derrapou pelo asfalto liso pela neve e tombou.
Um homem conseguiu sair dos destroços do carro, todo ferido e encarou horrorizado o resultado do acidente.
O motorista do ônibus acordou e viu-se dentro de um pesadelo real. Tudo estava escuro, havia pessoas machucadas e gemidos. Sua cabeça doía e estava manchada de sangue. Ele tentou caminhar por cima dos assentos para checar se havia alguém em estado grave e ouviu um grito desesperado do lado de fora.
O homem com cortes no rosto sentiu as lágrimas queimarem as feridas. O vento gelado desaparecera, não havia testemunhas. Dentro do carro não havia sobreviventes.
Não houve vítimas fatais no ônibus, apenas algumas contusões e cortes superficiais. O motorista abriu a saída de emergência e deparou-se com um homem ajoelhado ao lado do outro veículo envolvido no acidente.
Quando ele viu o que causara, seus problemas tornaram-se insignificantes. Bastou um minuto de descuido para que aquelas vidas se perdessem. Ele viu a dor estampada nos olhos molhados do homem que perdera sua família e sentiu o peso da culpa afundar seus ombros, sem saber o que dizer.
– A culpa é minha – ele ouviu o homem dizer. – Eu não deveria ter deixado-a dirigir.
“A culpa é da maldita da minha mulher”, o motorista do ônibus pensou.
A culpa certamente era de alguém, mas apontar culpados não era suficiente. Nada mudaria o que aconteceu.
A vida leva tempo para ser construída, mas pode se acabar em questão de segundos, seja por ordem do acaso ou pela mão do homem. A vida é como estar numa estrada incerta, ora escorregadia, ora cheia de curvas misteriosas, cabe ao condutor estar atento a cada detalhe.
O motorista do ônibus aprendeu que evitar os erros dói menos do que se culpar e que por mais que se tente, algumas coisas não podem ser desfeitas.

Pauta para Bloínquês
Galera, sei que estou devendo várias visitas, mas o fato é que ainda estou desconectado do mundo e sem muito tempo. Estou escrevendo um livro, que está consumindo minha inspiração, por isso a frequência das postagens diminuiu. Enfim, agradeço a quem tira um tempo aqui nas páginas do blog e pelos comentários sempre gentis, que aprecio muito. Até a próxima, não se esqueçam de votar no Top Blog e um grande abraço.

O homem do farol

| terça-feira, 14 de junho de 2011

Todo dia encaro a insípida rotina que minha vida tem sido desde quando posso me lembrar. Meus pés afoitos e não mais interessados nos caminhos, seguem pela trilha de pedra até o meu local de trabalho. O contínuo vai e vem das ondas do mar lambem o chão de areia e os respingos de água salgada temperam o ar.
A torre do farol se ergue majestosa em minha frente, engrandecendo à medida que me direciono até ela. A escada de ferro da entrada, maltratada pelo tempo e desgastada pela corrosão, me saúda indiferente. As paredes de tijolo batido se tornaram meu refúgio.
No topo do farol, acompanhado do potente refletor giratório, eu brindo minha solidão comigo mesmo e converso com o vento.
Aprendi com o tempo que vivemos a vida que fazemos, que cada pedra recolhida nos caminhos e cada escolha diante de uma encruzilhada constroem os alicerces do futuro, feito peças de um quebra-cabeça que nunca se completa. Hoje visto a solidão como um sobretudo velho e inestimável, sua companhia me conforta. Gosto do sabor agridoce do nada e dos sussurros mudos de ninguém. Admiro o indomável mar na minha frente, ignoro sua calmaria e me deleito em seus momentos de revolta, pois esses me mostram sua verdadeira face.
Sou feito de cacos de trevas e de retalhos de luz, assim como todo mundo é.
Meu trabalho desprezível e desvalorizado é o que traz a alegria de muitos homens cansados da solidão, que esperam ardentemente sentir a terra firme sob seus pés mais uma vez. A luz do meu farol que os guia para fora da garganta da escuridão é a mesma luz fria irrelevante em minha vida.
Os pesares do meu passado ficaram para trás, não sou do tipo de homem que remói lembranças nem que regurgita remorsos, mantenho o olhar voltado para frente. O dia que me importa é o hoje, nada de grandes planos atirados no horizonte, detesto a frustração de não completá-los. Idealizo apenas os sonhos, pois uma pessoa que se esquece de sonhar perde a razão de viver.
Por vezes o som da minha própria voz se desentende com meus ouvidos, pois não há diálogos entre mim e eu mesmo. Deixo minhas palavras soltas e elas correm pela escada em espiral, brincam com a luz forte que gira sem parar ou se escondem nas sombras da noite. Há resquícios de caligrafia gravados nas paredes e em folhas abandonadas.
Não vou deixar a minha história para trás quando eu me for, minha vida contraditoriamente insossa não agradaria o paladar apurado de ninguém. Eu me acostumei com o que não tenho, aprendi a valorizar meus pertences e me desarmei de utopias há muito tempo.
A pequena trilha da minha casa até o farol é a estrada que percorrerei até meus últimos dias e você se engana ao pensar que sou um pobre resignado. Eu não fui sufocado pelo conformismo, eu o aceitei. Há algumas lutas que valem a pena ser lutadas, outras, independentemente de quanto você treina, o resultado jamais vai se alterar. Eu escolhi minhas lutas e por isso venci todas elas. Não estou falando de desistir diante de obstáculos, estou falando de ter coerência para distinguir qual deles realmente te priva de ir a algum lugar.
A vida é como apanhar pedras no breu da noite, só saberemos se apanhamos algum diamante quando a luz do sol chegar, portanto há de ter coragem para deixar algumas pedras para trás e fé enquanto segura as que restaram.
A luz do farol gira constantemente em seu propósito de resgatar esperanças perdidas e minha essência se resume na arquitetura de um farol. Ora iluminado, ora banhado de escuridão.

Pauta para o 1º Concurso ABL

A escolha do sol

| sexta-feira, 10 de junho de 2011

♪ (...) In your hands
I know that I am home
And I'll never be alone... ♫

O sol sorria de um jeito ameno, um sorriso morno e meio de lado. Aquele sorriso inseguro que damos a um desconhecido na rua. E ele sorria especialmente para todos os casais de mãos dadas, para os jovens apaixonados, para os homens apressados que tentavam provar seu amor para as mulheres amadas e para os velhinhos abraçados que mantiveram a chama da paixão acesa no peito, apesar dos fortes ventos que tentaram apagá-la.
Seus raios silenciosos serpentavam pelas avenidas, brilhantes e contentes ao contemplar a quantidade de corações flutuantes que jorravam das canções e poemas. Em sua visão panorâmica, ele procurava pelo casal do dia, como sempre fez desde quando o mundo é mundo. Ele não espera um casal perfeito, ele espera apenas poder enxergar através dos olhos dos homens, a essência do amor, a transparência do mais puro sentimento.
- Eu gosto do seu jeito, do seu cabelo esvoaçante e do toque da sua pele – aquelas palavras perdidas ao vento rapidamente captaram a atenção do sol e ele observou o rapaz que as pronunciava.
Ele mantinha os olhos apontados para o chão, como se tamanho sentimento e a forma de declará-los fosse embaraçosa. Ela segurava o sorriso, para não assustar as palavras, e suas bochechas estavam coradas. As mãos dele encontraram as dela e sua voz voltou a dar cor ao ambiente:
- Gosto de quando você me faz sorrir ou do modo como sorri quando acha algo engraçado. Eu gosto da sua voz me dizendo coisas lindas que deveriam ser versos de canções e das suas cartas inesperadas cheias de palavras perfeitas. Eu gosto do seu olhar misterioso, da sua sobrancelha arqueada quando surge uma dúvida e até da suas caretas quando faço algo errado.
O sol suspirou e sua luz esparramou-se ainda mais pelos campos e jardins. Ele havia encontrado seu casal do dia. O garoto ainda permanecia com os olhos voltados para baixo, mas o sorriso da garota arrebentou os cadeados e iluminou o cenário.
- Sabe que eu gosto das suas manias estranhas e das ligações de madrugada quando sente falta da minha voz. Gosto dos seus trejeitos e dos mínimos defeitos que já não importam mais. Gosto da sua segurança e do seu leve caminhar, gosto de me ver dentro dos seus olhos e de caber em seus braços. Gosto de tudo isso e de mais um pouco, mas eu não gosto apenas de você. Gostar é demasiadamente pouco para descrever o que sinto. Eu amo você, amo o que temos e amo saber que você sente o mesmo.
Nesse momento ele levantou os olhos e deixou-se navegar na extensão do sorriso dela, abrindo em seu próprio rosto um sorriso semelhante.
- Eu gosto quando você me faz perder a fala e me faz flutuar sem sair do lugar – ela declarou. – E por isso e por inúmeras outras coisas, eu amo você.
E ao sabor dessas palavras o sol acenou para o casal e deixou-os a sós.
Não é todo dia que eu vejo declarações como essa. Esses dois vão para minha lista de favoritos, ele pensou enquanto se escondia atrás de uma nuvem, ainda sorrindo pelo o que acabara de ouvir. Ainda sorrindo por saber que o amor existe e que vai continuar existindo enquanto acreditarem nele.


Pauta para Bloínquês e Suas Palavras.
Aqui estou eu mais uma vez, ainda não definitivamente, mas a inspiração esbarrou em mim. Tô sentindo falta de estar por aqui mais assiduamente e de visitar os blogs de costume. Espero que tenham gostado do conto, especialmente feito para o dia dos namorados que está logo aí. Para quem namora, bom domingão ao lado da pessoa amada e felicidades.
Agora dando uma de político chato, vou pedir votos para o Top Blog, hehe. Dá uma força lá galera. Grande abraço do sumido aqui.

Doses de vida [R]

| sábado, 4 de junho de 2011
Existem certos momentos em que palavras são meras representantes para se dizer o que foi vivido. São momentos que poderiam ser descritos de diversas maneiras, mas que se resumem a algo indescrítivel. Por mais caracteres que sejam usados, nunca serão o suficiente para transmitir a verdadeira emoção. São momentos em que o coração parece parar de bater e ao mesmo tempo disparar, momentos de perda da fala e respiração, onde tudo se é dito no reflexo de um olhar ou na suavidade de um toque. Momentos especiais de tal maneira que o tempo deveria ter a decência de parar e assistir de camarote. São minutos preciosos, horas incomparáveis e dias mágicos que se prendem ao fio da lembrança, nítidos como o agora que virou passado... onde ao se fechar os olhos tudo volta a existir, os cheiros exalam, as carícias são sentidas, os risos e sussurros atirados ao ar nos retornam aos ouvidos e nesse pensamento real e imaginário a hora não passa, o tempo se tranca em si mesmo deixando fluir o prazer do momento.
Existem pessoas que são incomparavelmente especiais. Existe aquela pessoa pela qual você respira vida. Aquela pessoa que habita seu inconsciente, que passeia pelo jardim de sua memória e colhe flores de lembranças. Aquela pessoa que só por existir tornou seu mundo mais vivo e cheio de cor. Aquela pessoa que sempre sabe o que falar e quando falar para lhe arrancar os sorrisos mais singelos e sutis que possam existir. Aquela pessoa que te move adiante e que te alimenta com sua presença. Aquela pessoa cuja ausência nutre uma abstinência aterradora que serve de solo fértil para a saudade nascer e envolver suas raízes sufocantes em nosso peito. Existe aquela pessoa que é única e simplesmente aquilo que você precisa. Na medida ideial, sem meios termos.
Existem coisas que o tempo não apaga, que nem o mais forte dos ventos leva embora. São coisas do coração, que são cultivadas ali e sem elas o mundo e os dias se tornam mais vazios. A felicidade reside naqueles que sabem enxergar esses momentos, que sabem reconhecer essa pessoa singular e que sabe valorizar as coisas mais simples que brotam no peito.
Para cada um isso pode ter um nome, chame de amor se o simples relance de uma pessoa lhe dá frio na barriga. Chame de paixão se você sente aquele desejo intenso e ardente. Chame de alegria se cada riso e momento são inesquecíveis. Chame de prazer se cada toque desperta sensações desconhecidas. Chame de felicidade se sente o brilho no olhar. Chame de meu e acrescente uma dose de cada item que julgar importante e a esse mistura, chame de vida. As doses são à gosto, algumas se misturam com facilidade, outras não. Mas cada novo elemento adicionado cria uma nova receita que deve ser vivida.

Galera, logo minha vida entra nos eixos e eu volto a escrever com mais frenquência, enquanto isso fico meio ausente e faço repostagens. Desculpa meu sumiço e peço o apoio de vocês para a votação no Top Blog. Abração!
 

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