Keblinger

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O Senhor das Sombras - Parte 8

| sexta-feira, 13 de maio de 2011

Ao retornar à hospedaria, Alistair encontrou Sebastian enroscado na cama, exatamente do mesmo jeito que ele o havia deixado e sentiu uma incômoda pontada de remorso por tê-lo deixado sozinho.
- Você está bem? – ele perguntou.
- Não, ainda não – o outro respondeu depois de um tempo – Sabe, Ali, eu fico tentando lembrar qual foi a última vez que falei com eles, quais foram nossas últimas palavras trocadas e eu simplesmente não consigo – as lágrimas voltaram a escorrer.
O vampiro tentou se lembrar das últimas palavras que disse ao pai, mas também não conseguiu e pensar em sua família só trazia lembranças recentes da monstruosidade que ele fizera e isso o fazia se odiar ainda mais.
- Eu sei que isso vai passar, eu nunca fui um filho exemplar, nunca fui motivo de orgulho para eles...
- Não diga isso, Sebastian, tenho certeza de que eles te amavam acima de tudo.
- É, talvez isso seja verdade, mas me distraia, quero saber de sua primeira noite aqui – então Alistair contou sobre sua vítima e sobre a visita ao bordel e surpreendeu-se por falar disso tão abertamente com o outro e disse também que voltaria lá na noite seguinte.
Alistair passou o dia dentro do quarto, sentindo-se tonto pela sede que atacava seus sentidos, enquanto Sebastian saiu para uma caminhada e retornou com duas notícias.
- Primeiro, consegui um papel pequeno numa peça e segundo, temos foragido que precisa ser capturado – ele mostrou a Alistair um papel com o retrato falado de um bandido que era procurado, mas ambos tiveram que concordar que enquanto ele não fosse encontrado, Alistair teria que se saciar com o sangue de inocentes.

Assim que a noite caiu, o vampiro esgueirou-se para o mesmo beco do dia anterior, estava sedento por sangue e completamente ansioso para adentrar as portas do “Damas do Prazer”. Atacou um mendigo que passava implorando por dinheiro, sugou-lhe a vida e recolheu todos os trocados que ele carregava, aumentando a quantia que ele roubara de um quarto na hospedaria.
Quando chegou ao bordel, foi saudado pela áurea de sedução e topou com o homem magro que lhe concedera a noite de prazer.
- Você voltou – disse o homem com um ar de surpreso.
- Eu lhe dei minha palavra, não foi?
- E provou que a cumpre, isso é bom – o homem encarava as notas de papel nas mãos de Alistair, seus olhos brilhavam.
- Eu tenho dinheiro, eu a quero – Alistair falou e o outro soube a quem ele se referia e nesse momento a mulher em questão subiu ao palco, usando uma camisola branca diáfana e asas de anjo e dançou com sensualidade.
O homem esperou que ela saísse do palco, enroscou seus dedos compridos em volta do braço de Alistair e guiou-o para o corredor cheio de portas.
- Na porta dos fundos – ele apontou e estendeu a mão para receber o dinheiro, depois deu as costas ao vampiro, sibilou um “aproveite” e saiu contando as notas.
Alistair hesitou com a mão na maçaneta por um tempo e então penetrou no quarto escuro, um lustre elegante pendia do teto e suas luzes fracas iluminavam a forma angelical sobre a cama. Ele ficou parado, encostado na porta. Ela o convidava para se aproximar.
- Não precisa ter medo – ela disse e ele achou engraçado alguém dizer isso a ele.
- Eu não estou com medo, só acho que você não merece ficar comigo.
Ela levantou-se da cama irritada e perguntou:
- Você está querendo dizer que eu não sou boa o bastante para você?
- Não é isso – ele respondeu rapidamente – Eu sou um pecador.
O semblante dela se amenizou e ela se aproximou.
- Todos nós somos pecadores, só Deus pode te julgar...
- Não existe nenhum Deus no meu mundo, apenas demônios. Você acredita mesmo em Deus? – ele indagou.
- Sim e também acredito em perdão.
- Algumas coisas são imperdoáveis – ele rebateu.
- Você se arrepende do que fez?
- Isso não é se trata somente do que eu fiz, mas sim do que eu faço e do que eu ainda vou fazer.
- Eu não entendo, se você sabe que é errado, por que continua fazendo o que quer que seja.
- Porque eu tenho que fazer.
A mulher encarou Alistair nos olhos e analisou a profundidade daquela conversa, ela nunca tivera diálogos como aquele com nenhum cliente e ele pareceu bastante perturbado com alguma coisa.
- Eu não posso me envolver com você – ele disse, girou a maçaneta e deixou o quarto.
Francesca Legrand quase não percebeu o movimento rápido da saída dele e quando se viu sozinha no quarto, desejou vê-lo outra vez.

EM BREVE – PARTE 9

1 sorrisos compartilhados:

{ Gabriela Furtado } at: 14 de maio de 2011 23:12 disse...

Que saudades que eu estava!!!
Já te disse quantas vezes que sou apaixonada por teus contos??
Beeeeeeijoooooos

 

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