Keblinger

Keblinger

Teu beijo [R]

| quinta-feira, 26 de maio de 2011
♫ (...) I said you are the reason
For everything that I do
I'd be lost, so lost without you...
Better man - James Morrison

Estávamos no mesmo banco da mesma praça onde um ano antes havíamos dado nosso primeiro beijo.
- Você lembra de como tudo começou? - eu perguntei a ela, que estava sentada apoiada em mim.
- Eu jamais vou esquecer - ela disse.
A praça estava cheia de gente, pouco antes do anoitecer, o céu limpo e alaranjado do crepúsculo dava tons mais amenos às coisas ao redor. Ela desfilava naquele vestido florido e cheio de vida, os cabelos balançando ao vento. Eu a observava de longe, meu coração quase rasgando meu peito e se atirando nas mãos dela para dizer "eu sou seu". Enquanto eu a olhava, até me esquecia de respirar.
Era ela. A garota dos meus sonhos, aquela que era feita para mim. Minha outra metade.
Nosso olhar se cruzou em meio a multidão, senti um sobressalto ao perceber que ela me olhava, tentei disfarçar desastrosamente e esbarrei nas pessoas que vinham na direção oposta, quando a olhei novamente, ela ria. Um riso perfeito, a mão na boca cobrindo o sorriso pelo qual eu também me apaixonaria mais tarde. Sorri em resposta e me senti atraído até ela. Caminhei vagarosamente em sua direção, com receio de ser mal recebido ou com medo de ela se virar e sair, mas nada disso aconteceu. Ela ficou, me esperou. Exibindo aquele sorriso inebriante que me deixava sem ar.
Tudo começou com um simples "oi". Passamos horas sentados no banco da praça, jogando conversa fora e nos conhecendo. Era íncrivel nossa sintonia e conexão. Era como se nos conhêcessemos há muito tempo. Eu completava frases dela e vice-versa. O sorriso dela completava o meu. Os olhos delas brilhavam, como se refletissem as estrelas, enquanto sorria e conversava. Sua voz me fazia esquecer o mundo, as pessoas ao redor. Éramos apenas nós dois. Quando o beijo aconteceu foi algo tão natural que nenhum de nós ficou constrangido. Ela apenas sorriu e passou a mão no cabelo. Eu ajeitei uma mecha solta atrás de sua orelha e nos beijamos de novo. Naquele momento soubemos que éramos feitos um para o outro.
O beijo doce dela me resgatou da lembrança.
- Tá pensando em quê? - ela perguntou com aqueles olhos encantadores fixos nos meus. Eu sorri, apanhei um pedaço de papel no bolso e a entreguei.
- Nisso - respondi.
Ela desdobrou e leu em voz alta. Sua voz soando como uma melodia celestial.

"Meu amor por você é a soma das verdades que eu te digo,
é a força do bater de meu coração que se encontra em suas mãos,
é a luz branda que o sol irradia, é a inspiração de um poeta,
é a beleza das águas mansas do oceano,
é a pureza do canto dos pássaros nas árvores.
Nosso amor é a fonte do meu viver, é o alimento da minha alma.
Nosso amor é como a água pura e cristalina.
O seu amor é como as gotas da chuva que o céu derrama sobre mim,
é a paz de meu espírito, é a matéria-prima da minha felicidade.
Nosso amor vence a barreira do tempo, altera o poder das horas.
E é por isso que eu digo..."

Ela olhou para mim com os olhos marejados, se perguntando o final da frase.
- A eternidade passa em um segundo quando estou ao seu lado. - eu completei.
Os lábios dela se abriram em mais um sorriso apaixonante, enquanto uma fina lágrima se desprendia de seu olhar e ela me beijou.
Eu e ela naquela praça. Aquilo era tudo o que eu precisava.
Olhei para ela mais uma vez, relendo as breves linhas e tive ainda mais certeza de que eu havia encontrado a minha felicidade. O meu amor.
Outro beijo. E isso me basta para saber que estou vivo.

Galera, estou meio atolado pelos próximos dias, por isso não sei quando vou voltar a escrever e ainda junta o fato de eu estar sem internet em casa, por isso repostei esse conto ([R] de repostagem) do começo do ano passado para relembrar minhas origens de escrita. É isso, até mais, abraços.

O choro do piano

| sexta-feira, 20 de maio de 2011

♫ (...) If my voice could reach back through the past,
I'd whisper in your ear,
Oh darling I wish you were here. ♪

O coração dele doía. Não era dor de amor, pois amor não machuca. Era dor de saudade, aquela dor lancinante que começa de dentro pra fora e demora a passar.
Nos momentos mais críticos e desesperadores, em que ele se sentia tragado para o inferno da solidão, ele tocava. Seus dedos pareciam ter vida própria e saltitavam de uma tecla à outra do velho piano. O som escapava tímido do instrumento e atingia o ar, viajando nas ondas sonoras em busca dos ouvidos certos para escutá-las.
A dor que ele sentia fora trazida por uma despedida inesperada que viera antes do tempo. Em um dia tudo estava bem, seus dedos saltadores tinham abrigo nos dedos firmes dela e no outro dia, os dedos dela já não estava mais lá. A vida dela já não estava mais lá. Dessa forma, a dor se aconchegou em seu ombro e por ali permaneceu.
Enquanto ele espremia do piano a melodia da música preferida dela, as lembranças se tornavam mais nítidas, como se todas as cenas tivessem acontecido no dia anterior. Naquele momento acústico, a dor se irritava e deixava o ambiente, dando lugar a uma doce nostalgia.
Ela havia sido aquela pela o qual seu coração pulsava, a razão de sua alegria e a emoção de seus pensamentos. Ele muitas vezes pensava não sentir amor, era algo maior, algo ainda sem nome e desconhecido da maioria das pessoas. Algo puro e valioso.
A música sempre fora um laço que os aproximava ainda mais, às vezes as palavras se confundem em dizer o que se sente, mas as notas de uma canção jamais erram, elas tocam no fundo da alma e transmitem exatamente o que o coração quer falar. Por isso ele tocava.
Ele tocava para dar voz a seus sentimentos, para trazê-los à superfície e exibi-los a todo mundo e ao mundo todo.
Quando ela partiu para uma terra onde ele não poderia segui-la, no rádio tocava uma música triste, daquelas que nos atingem abruptamente e muitas vezes nem sabemos o porquê. E ele chorou. Seu pranto compôs a mais devastadora melodia que já tocara em sua vida e ela impregnou o ar, como um disco riscado, que luta para fugir daquele compasso errante, mas acaba voltando diretamente para ele.
No limbo silencioso de seus devaneios, ao som que escorregava de seus dedos, ele a tinha por perto, mesmo que por alguns segundos. Seus olhos se fechavam e ele podia senti-la ao seu lado, encostada em seu ombro, como sempre fazia quando ele tocava.
O coração dele doía, mas enquanto estivesse batendo, ele buscaria a canção perfeita para aprisionar a essência de seu amor, para deixá-la viva nesse mundo, mesmo depois que ele partisse.
As notas bailavam no salão do tempo e durante sua valsa flutuante, ele tinha um vislumbre do paraíso.

Pauta para Bloínquês
Hoje tem início a votação do Top Blog, então queria pedir a ajuda de quem passa por aqui, é só clicar no selo ali no canto direito e dar seu voto. Obrigado e grande abraço galera.

Da estante para o blog

| terça-feira, 17 de maio de 2011
A Bárbara Farias do Ella en palabras me passou um meme no qual eu deveria fazer um vídeo mostrando a minha estante de livros, faz um tempo que não faço memes, mas achei esse super interessante e resolvi entrar na brincadeira.
O vídeo foi feito pelo meu celular, então desconsiderem a baixa qualidade da imagem e áudio. Não reparem no meu jeito interiorano de falar e na repetição dos "na verdade", que eu só percebi depois de ter gravado, haha.

Bom, ainda estou sem internet em casa, por isso ando sumido dos blogs, mas continuo escrevendo e programando postagens, quero aproveitar o momento para dar boas vindas aos novos seguidores e mandar um abraço para todos que ainda passam por aqui.
Agora veja meu vídeo catastrófico e fique por dentro do meu gosto eclético para leitura.

A declaração de um apaixonado

| domingo, 15 de maio de 2011

Quer ver essa declaração?
Não

Clique em sim para ver meu novo conto no Contos Franqueados.

O Senhor das Sombras - Parte 8

| sexta-feira, 13 de maio de 2011

Ao retornar à hospedaria, Alistair encontrou Sebastian enroscado na cama, exatamente do mesmo jeito que ele o havia deixado e sentiu uma incômoda pontada de remorso por tê-lo deixado sozinho.
- Você está bem? – ele perguntou.
- Não, ainda não – o outro respondeu depois de um tempo – Sabe, Ali, eu fico tentando lembrar qual foi a última vez que falei com eles, quais foram nossas últimas palavras trocadas e eu simplesmente não consigo – as lágrimas voltaram a escorrer.
O vampiro tentou se lembrar das últimas palavras que disse ao pai, mas também não conseguiu e pensar em sua família só trazia lembranças recentes da monstruosidade que ele fizera e isso o fazia se odiar ainda mais.
- Eu sei que isso vai passar, eu nunca fui um filho exemplar, nunca fui motivo de orgulho para eles...
- Não diga isso, Sebastian, tenho certeza de que eles te amavam acima de tudo.
- É, talvez isso seja verdade, mas me distraia, quero saber de sua primeira noite aqui – então Alistair contou sobre sua vítima e sobre a visita ao bordel e surpreendeu-se por falar disso tão abertamente com o outro e disse também que voltaria lá na noite seguinte.
Alistair passou o dia dentro do quarto, sentindo-se tonto pela sede que atacava seus sentidos, enquanto Sebastian saiu para uma caminhada e retornou com duas notícias.
- Primeiro, consegui um papel pequeno numa peça e segundo, temos foragido que precisa ser capturado – ele mostrou a Alistair um papel com o retrato falado de um bandido que era procurado, mas ambos tiveram que concordar que enquanto ele não fosse encontrado, Alistair teria que se saciar com o sangue de inocentes.

Assim que a noite caiu, o vampiro esgueirou-se para o mesmo beco do dia anterior, estava sedento por sangue e completamente ansioso para adentrar as portas do “Damas do Prazer”. Atacou um mendigo que passava implorando por dinheiro, sugou-lhe a vida e recolheu todos os trocados que ele carregava, aumentando a quantia que ele roubara de um quarto na hospedaria.
Quando chegou ao bordel, foi saudado pela áurea de sedução e topou com o homem magro que lhe concedera a noite de prazer.
- Você voltou – disse o homem com um ar de surpreso.
- Eu lhe dei minha palavra, não foi?
- E provou que a cumpre, isso é bom – o homem encarava as notas de papel nas mãos de Alistair, seus olhos brilhavam.
- Eu tenho dinheiro, eu a quero – Alistair falou e o outro soube a quem ele se referia e nesse momento a mulher em questão subiu ao palco, usando uma camisola branca diáfana e asas de anjo e dançou com sensualidade.
O homem esperou que ela saísse do palco, enroscou seus dedos compridos em volta do braço de Alistair e guiou-o para o corredor cheio de portas.
- Na porta dos fundos – ele apontou e estendeu a mão para receber o dinheiro, depois deu as costas ao vampiro, sibilou um “aproveite” e saiu contando as notas.
Alistair hesitou com a mão na maçaneta por um tempo e então penetrou no quarto escuro, um lustre elegante pendia do teto e suas luzes fracas iluminavam a forma angelical sobre a cama. Ele ficou parado, encostado na porta. Ela o convidava para se aproximar.
- Não precisa ter medo – ela disse e ele achou engraçado alguém dizer isso a ele.
- Eu não estou com medo, só acho que você não merece ficar comigo.
Ela levantou-se da cama irritada e perguntou:
- Você está querendo dizer que eu não sou boa o bastante para você?
- Não é isso – ele respondeu rapidamente – Eu sou um pecador.
O semblante dela se amenizou e ela se aproximou.
- Todos nós somos pecadores, só Deus pode te julgar...
- Não existe nenhum Deus no meu mundo, apenas demônios. Você acredita mesmo em Deus? – ele indagou.
- Sim e também acredito em perdão.
- Algumas coisas são imperdoáveis – ele rebateu.
- Você se arrepende do que fez?
- Isso não é se trata somente do que eu fiz, mas sim do que eu faço e do que eu ainda vou fazer.
- Eu não entendo, se você sabe que é errado, por que continua fazendo o que quer que seja.
- Porque eu tenho que fazer.
A mulher encarou Alistair nos olhos e analisou a profundidade daquela conversa, ela nunca tivera diálogos como aquele com nenhum cliente e ele pareceu bastante perturbado com alguma coisa.
- Eu não posso me envolver com você – ele disse, girou a maçaneta e deixou o quarto.
Francesca Legrand quase não percebeu o movimento rápido da saída dele e quando se viu sozinha no quarto, desejou vê-lo outra vez.

EM BREVE – PARTE 9

A melodia de um ladrão

| quarta-feira, 11 de maio de 2011

A lua tomou seu lugar sobre o palco do céu e abraçou o mundo com sua áurea hipnotizante, seu reinado passageiro estava começando. As horas escuras marchavam pelo relógio rumo à luz do dia. A cidade dormia, os grilos cricrilavam e alguns copos se esvaziavam em bares imundos.
O homem vagava pela estrada, carregava uma mala com aquilo que julgava essencial e sentia a névoa fina sacudir-se à medida que seus passos prosseguiam. Ele era um andarilho solitário, vivia uma vida nômade e já não podia mais contar nos dedos todos os lugares onde esteve.
Ele estava sempre fugindo e buscando algo, como todas as pessoas. O caminho escolhido era meramente pelo acaso e sua direção, tão volátil quanto as ondas do mar. Naquela madrugada, porém, ele caminhou para o início de seu destino. Para onde tudo havia começado e onde tudo deveria terminar. As estradas da vida estão sempre certas, sempre nos guiando para o lugar exato onde deveríamos estar, sempre ambivalentes.

Há trinta anos ele havia nascido. Um filho renegado e entregue à sua própria sorte. O fruto de um adultério, inocente e culpado ao mesmo tempo.
Seus primeiros anos dentro de um orfanato miserável lhe ensinaram que o mundo é um lugar cruel para se viver e que as pessoas são todas egoístas. Obviamente, ele nunca soube o que é ter um lar, uma família e alguém a quem pudesse chamar de pai e mãe. Ele apenas soluçava baixinho nos cantos, escondendo-se de seu próprio julgamento, tentando não parecer fraco perante os outros.
A adolescência trouxe a ele a falsa ideia de poder, assim ele achava que era capaz de fazer qualquer coisa e que teriam que aceitá-lo daquela maneira. Então a realidade bateu-lhe a porta e estapeou suas duas faces e aquilo doeu, ele percebeu que era tão vulnerável como todo mundo. E percebendo isso, decidiu fugir.
As ruas frias e indiferentes não foram melhores do que as paredes geladas do orfanato, mas ele tinha liberdade e quando se prova de seu sabor, qualquer tipo de cárcere torna-se amargo.
Sua vida adulta lhe entregou o maior presente de sua vida, a música.
Na verdade, o instrumento o havia chamado. Ele estava no meio de várias caixas de mudança numa charrete, um raríssimo violino Stradivarius, que se perdeu das mãos do dono e caiu nas do ladrão rejeitado.
Ele aprendeu a tocar sozinho e seu dom foi descoberto. Ele era um violinista nato, as notas jamais o confundiram e o arco em sua mão destilava a melodia aguda do instrumento.
Quando adquiriu confiança total, ele compôs uma canção. A obra-prima de sua vida.

A praça da cidade estava deserta. Ele tirou o chapéu e o colocou ao chão, com a aba voltada para cima. Abriu a mala e tirou seu violino e pôs-se a tocar.
A melodia triste se enroscava nos ouvidos das pessoas que despertavam inebriadas pelo som e o seguiam. As notas flutuavam e tocavam profundamente a todos que as escutavam, buscando sentimentos no âmago de cada um. Alguns sorriam, outros choravam sem saber o porquê e alguns poucos mergulhavam em devaneios e reflexões, enquanto moedas e notas enchiam o chapéu.
Uma mulher o observou de longe, sentindo o coração se romper em lágrimas pela canção. Ela o reconheceu. A marca de nascença sobre a sobrancelha esquerda dele confirmou que seu filho estava vivo.

Ele continuou tocando, inconsciente de sua mãe na platéia.
Sua obra musical chamava-se “O prelúdio de minha vida” e cada nota melancólica contava sua história sofrida, que havia começado naquela mesma cidade e que terminaria ali também, em algum momento do futuro, de uma maneira imprevisível.

Pauta para Bloínquês

Para aquela que me trouxe ao mundo

| domingo, 8 de maio de 2011

Peguei aquela foto antiga, no velho álbum de fotografias da família, aquele álbum cheio de imagens constrangedoras que hoje em dia arranca várias risadas. A foto era de minha mãe e eu, eu ainda era um bebê e por isso não me lembro de quando a foto foi tirada e muito menos o que eu estava pensando na época. O motivo de eu ter escolhido aquela foto, era porque ela me dava uma sensação de paz, como se o calor daquele abraço jamais tivesse deixado meu corpo durante esses anos todos.
Várias pessoas estão aproveitando a semana para comprar presentes para suas mães, e eu, como ando desprovido de dinheiro, usarei apenas minhas palavras e o dom que recebi de domesticá-las, que foi herdado de minha genitora.
Desafiei a mim mesmo a encontrar uma interpretação do que é ser mãe, a altura desse cargo. Virei a foto e com a caneta preta em mãos destilei sua tinta em seu verso. Eis aqui o produto final de meu trabalho amador:

"Mãe é aquele pedaço da gente que parece que existiu desde sempre. É fragilidade disfarçada de garra, é carinho de mãos dadas com amor, é pura entrega e altruísmo. Mãe é choro de alegria ao ver os primeiros passos e palavras do filho e também lágrimas de tristeza ao ver que aquela criança depois de crescida a desvaloriza. Mãe é orgulhosa da criatura a qual deu a vida, é proteção incondicional e preocupação constante. É o saber chamar atenção quando precisa e dar broncas mesmo em lugares públicos. Mãe é beijo de boa noite, é leite quente de bom dia e comida no prato para quando a fome chegar.
Mãe é o segurar de mãos para atravessar a rua, é cantiga de ninar, é aquele adulto modelo, tão inteligente e conhecedor do mundo.
Mãe é conselho, é aquele refúgio que procuramos nos momentos de aflição e dor, é confidente. Mãe é sinceridade, é o dizer daquilo que nem sempre queremos ouvir. Mãe, além de tudo, é um ser humano, com suas falhas e defeitos, com seus temperamentos e crises. É alguém que também precisa de carinho, atenção, conforto, valor e compreensão. Uma mãe só se faz mãe por causa de um filho, enquanto demos a elas o privilégio desse emprego não remunerado cheio de horas extras, elas nos deram o maior privilégio de todos, o de viver.
Essas palavras que fluíram de forma natural de meu ser, se destinam a todas as mães e à minha em especial, pois só estou onde estou hoje graças a ela e a tudo o que ela fez por mim, desde lutar batalhas que pareciam impossíveis ao abrir mão de suas vontades e sonhos pelo meu bem estar.
Mãe é mãe, e a melhor definição para isso é amor, porém terminar com um “eu te amo” soaria como um eufemismo barato, por isso primeiramente, obrigado por tudo e ainda que esse bebezinho da foto continue envelhecendo, ele sempre vai aprender a te amar mais e mais a cada dia que passa. Eu te amo mais que ontem e menos que amanhã."

Fechei a tampa da caneta e deixei a pobre criatura desgastada descansar sobre a mesa.
Reli as palavras recém-nascidas enquanto caminhava pelas calçadas. Coloquei a foto num envelope com o nome de minha mãe e prendi uma rosa branca ao envelope com uma fitinha azul.
Cheguei à casa dela, senti o cheiro do bolo que me esperava e entrei.
Modéstia à parte, devo dizer que ela adorou meu presente.

Mais que uma pauta para Suas Palavras, uma homenagem às mães.

Um feliz dia das Mães para quem é mãe, para quem é mãe-pai, para quem é pai-mãe, para avós que são mães duas vezes e assim por diante.
Grande abraço e até a próxima.

Enquanto o epílogo não vem

| quinta-feira, 5 de maio de 2011

♪ (...) Oh, mirror in the sky, what is love?
Can the child within my heart rise above?
Can I sail through the changing ocean tides?
Can I handle the seasons of my life? ♫

Ainda carregando as incertezas no bolso e sentindo o chacoalhar das dúvidas a cada passo dado, eu decidi que era hora de partir. Todas as respostas que eu precisava não estavam ali ou talvez eu não tenha feito as perguntas certas, de qualquer forma era hora de tentar algo novo, de sentir novos aromas e desbravar paisagens inéditas.
Com uma mochila nas costas, tênis de caminhada nos pés e sede de aventura no peito, eu parti. A estrada me saudou amigavelmente, como se tivesse me esperado por anos. Eu não tinha rumo, não havia planejado roteiros, apenas deixaria o acaso apontar a direção.

Quatro anos atrás eu descobri o que é o amor, eu havia pedido tanto por ele, implorado com todas as minhas crenças e me apegado em minha fé de que eu o encontraria e numa noite quente de verão, o vento a soprou até mim com seu hálito morno e nos esbarramos em um bar. De forma casual, apenas dois estranhos que acabaram de se conhecer e dividiram uma bebida. E depois daquela noite, nos encontramos ali com frequência, até eu perceber que eu nunca a abandonava, mesmo ela tomando outra direção quando deixávamos o estabelecimento, meus pensamentos se agarravam a ela e com isso meu coração sorria feito uma criança que ganha um presente.
Para minha sorte e surpresa, o mesmo sentimento que desabrochava em mim, também florescia no peito dela e permitimos que a paixão fizesse morada em nós. Por três anos eu fui o homem mais feliz do mundo e por um ano eu fiquei recluso em luto pela despedida. A vida dela foi roubada de nós dois e aquele espaço enorme cavado no meu peito jamais se fecharia.
Eu culpei tudo e a todos por isso, desejei trocar de lugar com ela, enquanto a dor e a tristeza me devoravam por dentro e eu não fazia nada para impedir.
“Se um dia eu me for antes de você, siga em frente. Viva sua vida." Eu encontrei essa frase escondida timidamente nas várias linhas de um diário dela e isso me deu forças para continuar.

Caminhei até a beira do lago que costumávamos visitar e lá encontrei três moças que conversavam animadamente e riam ao redor de uma fogueira. O inverno se aproximava silenciosamente, mas sua áurea gelada já atingira a região. As montanhas distantes no horizonte estavam salpicadas de neve, um frio interminável.
Uma das moças me convidou à fogueira e eu me aproximei, sem jeito. Trocamos apertos de mão e nos apresentamos.
- O que te traz aqui? – uma delas perguntou com um brilho no olhar. O mesmo brilho que eu contemplava em minha amada.
- Preciso encontrar uma razão para minha vida – respondi.
- E você acha que ela está aqui no lago? – outra perguntou sorrindo, um sorriso terno, de lado. O mesmo sorriso dela, que me encantara no bar pela primeira vez.
- Acho que ela pode estar em qualquer lugar.
- Qual a sua história? – a terceira perguntou, esticando as mãos no fogo e quando o vento jogou seu perfume em minha direção, senti o cheiro nostálgico do meu amor.
- Estou começando a escrevê-la, estou pronto para embarcar em um prefácio inesperado e criar capítulos emocionantes, sempre incerto sobre o seu desfecho.
Cada uma das moças, com suas características que me trouxeram lembranças de tempos felizes, permaneceu em silêncio e eu não soube se tinha dito algo errado.
- Eu preciso ir – falei por fim e me afastei do fogo.
- Boa sorte com seu livro – uma delas disse.
- Digo o mesmo para vocês – eu disse sorrindo e parti.

Uma outra parte de minha vida estava apenas começando, não vou me desgarrar do meu passado, pois nele está o alicerce que me transformou em quem eu sou hoje, mas me permitirei mais alegrias e expulsarei a melancolia pegajosa. A vida se faz de recomeços, temos que saber quando é hora de encerrar um capítulo e começar um novo.
Repentinamente sinto meus bolsos mais leves, algumas perguntas começavam a ganhar respostas e farei das dúvidas que eu achar pelo caminho, novas tramas para o meu romance principal. A história de minha própria vida que um dia será contada por mim aos quatro ventos.

* A gravação original da música é de Stevie Nicks, mas a versão de Glee ficou muito bonita, recomendo que ouçam.

Pauta para Bloínquês

The art of a smile

| terça-feira, 3 de maio de 2011

According to my blog statistics, I have some oversea readers (impressive, huh?), but I don’t know how accurate those statistics are, so I’ve been wondering if that information is real (I hope it is, lol), then I thought “the only way for me to be sure about that is asking on a post”, so here I am asking you, if you are a foreign reader, please let me know, so that I can translate to English (the other language I speak), by myself, some of my short-stories, ‘cause I know how lame that translator on the sidebar is, as a matter of fact I really don’t know if I can write in English as good as I do in my mother language, but I’ll give a shot.
Well, probably everybody will think that I’m stupid, but I don’t care, if you want to see some stories in English, just let me know.
See you (or not).

Post meramente (des)informativo, a vida continua, então continue lendo, hehe.
Abraço, galera e para aqueles que se interessam, eu ainda estou sem internet em casa, tô usando na casa do meu pai por esses dias, ou seja, ainda ficarei mais sumido, mas com posts programados para não me afastar do blog.

O Senhor das Sombras - Parte 7

| segunda-feira, 2 de maio de 2011

Lá no alto, cercada por nuvens traiçoeiras, a lua atirava sua luz sobre a cidade, costurando a neblina que se espalhava, precocemente pela cidade, feito baforadas de um gigante.
- Você não precisa ficar aqui comigo, Ali, eu vou ficar bem – disse Sebastian se desalojando do abraço do vampiro.
- Você tem certeza? – ele indagou, desejando em seu âmago egoísta que ele tivesse. Sebastian assentiu com a cabeça e deitou-se na cama, virado para a parede e nem percebeu quando o outro deixou o quarto.
Ainda era cedo, por volta das oito horas, apesar da densidade da escuridão.
A velha gritante sobressaltou-se ao ver o vampiro descendo as escadas, afastou-se dele rapidamente e comentou algo sobre uma doença contagiosa.
Alistar libertou-se das paredes e sentiu o vento acariciar sua pele gelada, como um amigo saudando outro que não via há muito tempo. O cheiro fétido do local subia em aspirais pelo ar e ele caminhou apressado para longe dali.
Ele deixou-se levar pelos sons de corações agitados, cruzou a porta de bares, ouviu a cantoria de bêbados fazendo serenatas a ninguém e esgueirou-se em um beco escuro e esperou. Em seu pensamento, ele relembrava da conversa com Sebastian sobre matar bandidos, mas aquela noite isso não seria possível, qualquer sangue que lhe fosse entregue de bandeja, seria bem-vindo.
A espera durou pouco se medida em minutos e uma eternidade se medida em sede. Foi um transeunte que a mão do destino lhe serviu, o homem passava distraído pelo beco e antes que percebesse o que estava havendo, foi sugado pelo breu e se perdeu em seu interior. Alistair sugou até a última gota de sangue, como se aquele fosse o último humano na face da Terra, limpou as manchas vermelhas no rosto e deixou o local e o corpo drenado de sua vítima.
Seus passos lhe guiaram pelas ruas dos bairros boêmios, seus olhos lhe mostraram casas noturnas com luzes néon que brilhavam convidativas e ao caminhar mais um pouco ele se viu diante de um bordel de luxo. “Damas do Prazer” lia-se no letreiro luminoso. Alistair sentiu um formigamento peculiar e uma excitação insistia para que ele desbravasse o local. Ele cruzou as portas e adentrou em um mundo onde o pecado era a lei, a luxúria era obrigatória e os bons modos dispensados.
Mulheres semi-nuas dançavam em um palco, deslizando em postes de ferro, vulgares e sensuais ao mesmo tempo, aliciando os desejos mais primitivos de quem as assistia. No bar mais ao fundo eram servidas doses viciantes de todo tipo de bebida. O ambiente emanava uma luminosidade avermelhada, como se estivesse dentro de uma bolha de sangue e o vampiro se divertiu com essa sensação.
Uma música nova e agitada invadiu o lugar e uma mulher estonteante subiu ao palco. Alistair rapidamente se viu atraído na dança lasciva que a mulher fazia. Ela tinha cabelos ondulados, presos no alto da cabeça e escorriam como uma cascata cor de chocolate até as suas costas. Ela vestia um espartilho preto, cinta-liga preta e uma minissaia branca que cobria menos do que deveria. Seu corpo se movia de uma maneira que hipnotiza os homens, atraindo-os como presas indefesas de seu encanto malicioso.
- Vejo que você gostou da Srta. Legrand – falou um homem que se aproximara sorrateiramente.
- Eu estou só assistindo – disse Alistair evasivo.
- Ninguém entra aqui somente para assistir, meu querido. E ninguém sai sem satisfação total – o homem disse. Era um homem magro, usava um chapéu-coco preto e exibia um bigode que parecia ser muito bem cuidado, seus dedos longos agarraram os braços frios de Alistair e ele o carregou para o fundo do ambiente.
- Eu não tenho dinheiro – falou ele e o homem parou bruscamente, livrando-o de seus dedos e encarou o vampiro nos olhos, como se o analisasse intimamente.
- Você tem vontade?
Alistair pensou por um segundo, olhou para o palco novamente, onde duas moças exuberantes se contorciam numa dança erótica e sacudiu a cabeça positivamente.
- Francesca é muito cara para o seu orçamento miserável, mas vou lhe oferecer uma outra garota se você me der sua palavra de que voltará – o homem propôs.
- Você tem minha palavra...
- Ótimo – respondeu o homem antes que Alistair pudesse estender a mão para um aperto e guiou o vampiro por um corredor mal iluminado, abriu uma, das várias portas e empurrou-o para dentro, sussurrando um “divirta-se”.
Alistair viu, através da luz azul, uma moça de cabelos pretos, deitada na cama usando somente uma calcinha minúscula. Ela levantou-se, caminhou lentamente até ele e o tocou nas mãos, quando sentiu o toque gelado, afastou os dedos como se tivesse tomado um choque, mas sorriu e o guiou até a cama.
- Diga-me seu desejo mais secreto e eu vou realizá-lo – ela falou.
Mais uma vez, dentro de quatro paredes, Alistair matou sua sede, mas uma sede humana de luxúria.

EM BREVE – PARTE 8

Tô convidando, você vai?

| domingo, 1 de maio de 2011

Ontem a Pamela Moreno do Forget all the memories me convidou para moderar um novo projeto com ela, apesar do meu abandono ao In Verbis, que agora se funde a esse novo, eu aceitei. Então, criamos o Atrás do Pensamento.
Sei que existe vários projetos espalhados pela blogoesfera, eu participo e reverencio alguns deles e acho que essa diversidade é bacana, pois há interação, troca de conhecimento e ideias, além de dar a possibilidade de conhecer outras pessoas e estilos de escrita. Não julgo nenhum como melhor ou pior, apenas são diferentes, cada um com sua particularidade, apesar de algumas semelhanças, é óbvio. Portanto, não estamos tentando competir com nenhum outro projeto.
Enfim, eis aqui um novo projeto, venho aqui humildemente pedir que deem uma chance para ele, visitem o blog e deem uma olhada nas edições, se algo te interessar, participe e promova.
Te espero lá, você vai?

Bom, convite feito, agora leia meu conto abaixo, na franquia, clicando em sim (coisa super fácil de fazer) e aguarde a Parte 7 do conto vampiresco, que sai amanhã.
Abraços para meus sorridentes.
 

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