Keblinger

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O Senhor das Sombras - Parte 3

| terça-feira, 12 de abril de 2011

Jean e Alistair se viram diante de enormes portões de ferro de um casarão que esbanjava ostentação. O vampiro mais velho empurrou com força o portão e o abriu. Os dois caminharam por uma alameda escura em direção à casa.
Alistair estava com a estranha sensação de que conhecia o local, mas descartou essa possibilidade e continuou seu caminho.
Quando alcançaram a grande entrada principal da casa se depararam com dois guardas uniformizados que rapidamente reagiram ao ver os intrusos.
- Fique parado – um deles falou e apontou uma arma.
- Nossa visita vai ser rápida – argumentou Jean com um quê de deboche na voz e desacatou a ordem dos guardas. O que mantinha a arma apontada, sem hesitação disparou no peito do vampiro e encarou Alistair como se esperasse por uma ordem.
Alistair se sobressaltou ao ver o outro ser atingido.
- Ah, como isso é desagradável – falou Jean e enfiou os dedos no buraco da bala e retirou-a de sua pele sob os olhares incrédulos dos guardas. – É isso que recebemos quando tentamos ser pacifistas, Alistair. Não se pode confiar em humanos.
O outro guarda correu até a porta, mas antes que chegasse a tocar a maçaneta foi interrompido por Jean que subira as escadas da entrada com uma velocidade espantosa. Ele agarrou a cabeça do guarda e girou-a com brutalidade, quebrando seu pescoço. Lá de cima, encarou o olhar horrorizado do outro, que deixara a arma cair e pedia por piedade.
- Vamos, Alistair, ele é todo seu.
- Não, eu não posso – ele falou dando um passo para trás. Seu instinto urgia para que ele atacasse o homem e provasse seu sangue fresco.
- Eu entendo, você possui um paladar mais refinado – um segundo depois de terminar a frase, Jean se colocou ao lado do guarda que o ferira e quebrou-lhe o pescoço. – Um banquete nos aguarda, não nos demoremos mais – ele falou com naturalidade e abriu as grossas portas de madeira da imensa casa.
- Eu não quero ferir mais ninguém, Jean...
- Você não pode morrer de fome, meu caro. A lei é e sempre foi a do mais forte, não se sinta culpado por isso, é a natureza.
Alistair não respondeu, estava fascinado com a riqueza do interior da casa. Havia móveis lustrados, vasos caríssimos com flores exóticas, cortinas elegantes forravam as paredes onde havia janelas. Uma escada com carpete vermelho levava ao segundo andar. Várias velas em castiçais mantinham o ambiente iluminado. Havia quadros nas paredes, retratos do dono da casa ou do patriarca daquela família e aquelas pinturas trouxeram a ele uma nostalgia inexplicável.
Uma mulher cruzou um portal e se assustou ao ver os dois homens pálidos ali. Jean rapidamente cuidou para que a criada não os atrasasse mais, tapou-lhe a boca e cravou os dentes em sua jugular. O cheiro do sangue exalou no ar, dançando na brisa e flutuou até Alistair, suas narinas se dilataram e o aroma lhe cegou. Ele se aproximou de Jean, que colocou a mulher em seus braços e deixou-se saciar.
- A melhor dose está lá em cima, não beba muito – Jean advertiu e subiu as escadas. Alistair deixou a mulher caída em seu sangue e acompanhou o outro. Jean apontou o corredor à direita e tomou à esquerda. Alistair viu quando ele abriu sorrateiramente uma porta.
- Seja rápido – ele sussurrou e entrou no quarto.
Alistair relutou por um momento, mas as batidas de dois corações do outro lado da parede o seduziram e ele esgueirou-se furtivamente para dentro. O casal na cama nem teve a chance de ver o que os atacara. Alistair matou o homem primeiro com uma mordida e logo em seguida se deliciou do sangue da mulher. O liquido denso manchara os lençóis e pingava ao chão. Jean aproximou-se da porta e com um gesto de cabeça aprovou o trabalho.
- Venha provar da sobremesa – ele disse e guiou o jovem até o quarto que ele havia estado. Alistar viu o corpo de uma moça na cama e sem pensar provou seu sangue. – Agora você está pronto. – Jean observou.
- Do que você está falando? – Alistair perguntou com a boca suja.
- Se você foi capaz de matar seus próprios pais e tomar do sangue de sua irmã, você pode matar qualquer um – Jean disse.
Alistair então se deu conta de porque o retrato no andar debaixo era familiar. Aquela era sua casa, sua família.
- O que você me fez fazer? – ele berrou e atacou Jean. Agarrou o vampiro pela gola da camisa e atirou-o na cama. – Eu vou acabar com você.
- Acalme-se – gritou o outro que lutava contra as investidas de Alistair.
- Você vai morrer – ele ameaçou e agarrando um crucifixo de madeira que estava pendurado na parede da cabeceira da irmã atingiu Jean na cabeça. Quando o outro desmaiou, ele golpeou-o mais vezes e quebrando o pé da cruz, enfiou-a em seu coração.
Ao ver o corpo de Jean e de sua irmã, Alistair soltou um urro de dor e remorso e saltou para fora do quarto. Desceu rapidamente as escadas e usando as velas, ateou fogo nas cortinas e saiu.
Lá de longe, da alameda, ele observou a casa arder em chamas.

EM BREVE – PARTE 4

3 sorrisos compartilhados:

{ Jéssica Trabuco } at: 12 de abril de 2011 15:02 disse...

MEU DEUS, QUE TRÁGICO!
E agora? rs
Tô curiosa.. escreve a outra parte logo *---------*

{ Ill Circus } at: 13 de abril de 2011 12:55 disse...

Acho que agora consigo acompanhar seus contos (aleluia!). Você escreve muito, MUITO, bem :)

{ Carlos F. Dourado } at: 14 de abril de 2011 23:21 disse...

Vampiros Rodolpho? A historia está ficando muito boa.

 

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