Keblinger

Keblinger

O Senhor das Sombras - Parte 2

| sábado, 9 de abril de 2011

Enquanto caminhavam pelas ruas enevoadas da cidade, depois de matarem animais pelo caminho, Alistar pode observar melhor o homem a seu lado e percebeu algumas particularidades. A pele de Jean era extremamente branca e lisa como mármore, seus cabelos curtos e cacheados eram luminosos e da cor de amêndoas, seus olhos eram vivos e variava de cor dependendo da luz ambiente, naquele instante estavam densos e amarelados como a polpa de um pêssego. Os dois não tinham trocado palavras desde que deixaram o celeiro e Alistar não se sentira intimidado pela áurea de perigo que o outro emanava.
Numa rua mais escura, depois de vagarem sob as luzes dos postes, Alistar encarou seu reflexo, pela primeira vez, em uma poça d’água. Seus olhos, que antes sustentavam um tom escuro encantador, agora se vestiam de um verde claro cristalino, sua pele estava alva, feito giz. Ao fazer um cara de espanto notou que sua boca, ainda mais tenra, dotada de lábios carnudos escondia caninos afiados que nunca fizera parte de sua arcada dentária.
- O que você fez comigo? – ele perguntou e novamente escutou uma voz diferente, seu tom era mais grave e soturno.
- Eu o salvei – o outro respondeu sem cessar os passos.
Alistair fechou os olhos com força e as imagens desfocadas da noite anterior lhe vieram à mente outra vez.
- Eu me lembro, vagamente. Você me atacou – ele parou e encarou o homem misterioso - Você me fez beber sangue, seu sangue misturado com o meu, depois disso eu não me lembro de mais nada.
- Você se lembra quem você é?
- Sim. Não. Eu não consigo. Meu nome é Alistair Chevalier, sou filho de um marquês... - ele forçava sua memória a percorrer um labirinto de lembranças esquecidas.
- De um marquês? Quem diria? – o outro se surpreendeu.
- O que é você?
- Quanta indelicadeza, a pergunta correta é quem sou eu. Meu nome é Jean Merlet, muito prazer – ele estendeu a mão para um aperto que foi recusado. – Você pode confiar em mim, Alistair, eu lhe dei a oportunidade de viver eternamente.
- Do que você está falando?
- Ora, você não me parece muito instruído para o herdeiro de um marquês. Atente-se às mudanças, você não percebe? Algumas lendas são mais verdadeiras do que supõe as mentes céticas, meu amigo.
- Não pode ser, isso é impossível – a resposta flutuava em sua frente, por mais que ele tentasse ignorá-la, ele sabia no que havia se transformado.
Jean caminhou ao redor de Alistar, cercando-o e sussurrou em seu ouvido:
- Negar não vai mudar nada. Você é um vampiro, Alistar. – ele ouviu as palavras e arrastou-se até o muro mais próximo, escondeu-se do luar e sentou-se na calçada. Jean deu passos lentos até ele, prostrou-se ao seu lado e tirou uma mecha de seu cabelo que cobria a testa. – Eu imagino que você tenha inúmeras questões girando em sua cabeça.
- Por que você me escolheu? – ele perguntou finalmente.
- É uma questão interessante. Eu vago na terra há pouco mais de um século, meu jovem, não me lembro de minha vida antes de eu ter sido transformado e nunca ousei converter ninguém a esta condição, mas você me pareceu tão solitário, como eu. Você suplicou que eu lhe deixasse viver, mas para isso eu precisei tirar sua vida. Quando seu coração parou de bater e seus olhos se abriram para sua segunda chance, você me agradeceu.
- O que eu sou? Estou morto? Minha alma está presa dentro desse corpo morto?
- Almas não existem, Alistair. Você só vive uma vez, contudo pode morrer mais de uma. Agora levante-se e vamos buscar alguma coisa para beber, suas lamentações podem esperar.
Os dois deixaram a rua deserta e partiram para um canto mais remoto da cidade. Alistair parecia conhecer cada pedra sob seus sapatos e Jean tinha em mente uma surpresa maligna para seu companheiro recém adquirido.

EM BREVE – PARTE 3

3 sorrisos compartilhados:

{ Jéssica Trabuco } at: 9 de abril de 2011 17:26 disse...

Ahh, eu adorei a segunda parte rodolpho, ficou bacana demais!
*---*

{ Raah Recch } at: 10 de abril de 2011 15:11 disse...

Seu blog é demais!
ameii, =D
estou seguindo, segue tbm ?

{ Stella Rodrigues } at: 10 de abril de 2011 23:43 disse...

Que saudade daqui, pena não ter tempo pra ler todos os textos que eu perdi, mande fazer em livros e me da o seu primeiro exemplar sim? tenho certeza que vão vender que nem agua (:

Volte com minhas poesias prediletas ok? Beijos

 

Copyright © 2010 A arte de um sorriso