Keblinger

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O Senhor das Sombras - Parte 1

| domingo, 3 de abril de 2011

"O mal é um ponto de vista."
Lestat de Lioncourt em “Entrevista com o Vampiro”

Paris - 1860

A noite é uma arca profunda onde segredos obscuros são guardados. A lua cheia pendurada no extenso manto azul-marinho é indiferente a tudo o que acontece sob sua luz. O silêncio perturbador da madrugada é cortado pelo vulto que vaga, sorrateiro, em busca de alimento.
O homem, em seus trajes a rigor de um período antigo, estava à espreita na esquina de uma rua deserta. A névoa densa o acobertava e quando nuvens pesadas taparam a visão da lua, passos rápidos lhe chamaram a atenção, mas seus ouvidos providos de uma sensibilidade sobre-humana apenas captaram o bater acelerado de um jovem coração.
O outro homem que caminhava apressado pelas ruas, em passos trôpegos dobrou a esquina e topou com o vulto. Sua visão embaçada pela embriaguez não lhe favoreceu naquele momento. Antes que qualquer palavra fosse usada, o vulto o agarrou por trás, segurou-o imóvel com o pescoço para cima e o mordeu. Sua pele gritou de dor quando os dentes afiados do outro a perfuraram.
O homem de roupas antiquadas bebeu o sangue do outro, sentindo o leve sabor alcoólico que ele possuía naquele momento. Com a sede saciada, ele atirou o homem na sarjeta e quando estava prestes a partir, ouviu a voz embargada de sua vítima clamar por misericórdia.
O homem, cujo sangue lhe aprouvera, fora o primeiro a ser transformado por Jean Merlet.

Alistair Chevalier pertencia à casta da nobreza, era o filho bastardo do Marquês Pierre Chevalier e nunca havia conhecido sua mãe, que supostamente havia morrido durante o parto. Alistair teve uma infância desagradável ao lado da irmã mimada que o surrava e o humilhava. Ele cresceu e se tornou um jovem rebelde, que se aventurava nas noites da cidade, à procura de prazeres e bebida. Numa dessas noites, com seus vinte e cinco anos, Alistair encontrou a morte.
Quando se abre os olhos para a nova vida, todo ou quase todo o passado é imediatamente apagado.
Ele não se lembrava de como tinha chegado até ali. Estava deitado sobre um amontoado de feno, dentro de um celeiro escuro. Finos raios de sol se espremiam através das frestas da madeira e por algum motivo ele sentia que não deveria chegar perto da luz.
Ao passar a mão no pescoço, onde havia uma sensação incômoda, encontrou uma ferida na pele. Coçou o machucado e ao sentir o cheiro metálico do próprio sangue, sentiu-se inebriado e sua boca encheu-se de água, foi então que percebeu que estava com sede. Uma sede anormal.
Um movimento no telhado atraiu seu olhar e um barulho contínuo preencheu seus ouvidos. Era um pulsar. Avistou uma coruja se refugiando do dia e seus olhos, inexplicavelmente, puderam enxergá-la com clareza, apesar da distância e da baixa luminosidade. Ele chamou a ave, como quem chama um cão perdido na rua e para sua surpresa ela o atendeu e planou até o chão.
Seu movimento foi mais rápido do que ele esperava, quando deu por si já estava com os dentes no pescoço da ave e sugava seu sangue. O gosto do sangue deslizou por sua boca, desceu pela garganta e acalmou a ânsia que ele sentia, um desejo tão forte que nunca experimentara antes se saciava pelo liquido quente e viscoso.
Mais três aves cederam a seu chamado e mais três vidas foram tomadas por suas mãos.
A noite caiu e a brisa trouxe vários odores. Ele precisava sair, a sede aumentava novamente. A vontade era insaciável.
Quando Alistair abriu as grandes portas do celeiro se deparou com um homem parado, sua silhueta recortada na luz da lua.
- Preparado para conhecer a cidade com seus novos olhos, meu caro? – o homem perguntou.
Alistair sentiu um arrepio ao vê-lo. O homem era familiar, por algum motivo. Assim que os olhos do homem tocaram a luz, ele viu a morte dentro deles e então se lembrou da noite anterior. Lembrou-se de sua própria morte e como se sua voz não lhe pertencesse, disse que sim. E os dois deixaram para trás o celeiro, a fazenda e um rastro de sangue.

EM BREVE – PARTE 2

Bom gente, essa é a primeira vez que me arrisquei a escrever sobre vampiros, é, agora que todo aquele alvoroço passou e talvez seja esse um dos motivos que não me deixaram explorar esse mundo antes. O conto é de vampiro, mas em sua essência mais sombria e mitológica, se você espera ver um Edward Cullen por aqui, sinto muito, isso não vai acontecer (nada contra a saga Crepúsculo). Eu fiz uma pesquisa sobre as características "vampirescas" e sobre os diversos tipos de vampiros que rondam a literatura e cinema, no conto farei uma mistura do que li com um pouco da minha imaginação. Espero que gostem e aviso previamente que esse pode ser tornar o meu conto mais longo. Grande abraço e votem na enquete, please.
PS1: Galera, tô sem internet por um tempo, mas vou continuar postando, não se preocupem, só ficarei (mais) sumido do blog de vocês. Até mais.
PS2: Muito obrigado a todos que estão me apoiando no lance do plágio, é muito bom saber que estão do meu lado. Obrigado, de verdade.

8 sorrisos compartilhados:

{ Priscilla Cavazzotto } at: 3 de abril de 2011 01:52 disse...

Olá!
Passando para lhe desejar um bom final de semana!
beijos meus

{ Jaynne Santos } at: 3 de abril de 2011 21:02 disse...

Bem, eu já sou meio familiar dos vampiros mais antigos e mais sombrios. Do tipo de vampiro que não se apaixona, que mata, suga vidas inocentes. Tenho um amigo, grande escritor, ele escreve um livro um tanto sombrio, e nele relata sobre esses vampiros históricos. Bem, gostei dessa primeira parte. Bem escrita, um tom de mistério. Acho que todo mundo já sabe que o sombrio me atrai de tanto eu falar isso, mas é verdade.

Grande beijo.

{ Grafite } at: 3 de abril de 2011 21:29 disse...

Adorei a primeira parte. Bela escrita ;)

beijo,
^^

{ anycrue } at: 4 de abril de 2011 02:10 disse...

nossa adorei a história... e adorei o lay mais ainda parabéns

{ Rebeca Amaral } at: 4 de abril de 2011 12:32 disse...

Rodi que saudade, que saudade! Não vejo a hora de arranjar uma folga pra poder aproveitar essa maravilha literária que é seu blog.
Morro de saudades!!!

E esse texto, rapaz... Tá um perigo!

Um beijo, querido.

{ Jéssica Trabuco } at: 4 de abril de 2011 20:22 disse...

Aaaaaah licença aqui mas eu li esse conto antes postar viu?
huahuahaah
O conto está perfeito! Eu adoro vampiros e sou meio suspeita para falar.
Você escreveu essa primeira parte de uma forma super atraente e real.
Muito bom.
E quanto à história do plágio, estarei contigo sempre. É horrível você ter trabalho e vir alguém e simplesmente roubar suas ideias.
Um beijo moço!

{ Bella } at: 4 de abril de 2011 21:51 disse...

Um pouco de tudo, um tudo de um pouco – Por Izabella Oliver
http://umpoucodeamoredesamores.blogspot.com/
Um blogger que circula na internet há quase um ano. Todos os dias serão atualizado sete postagens no blogger. Que conta com a participação de três escritoras e em breve mais um, a primeira e sou eu, que vou falar com vocês assuntos românticos , coisas diárias , humor , crônicas , poesias , e frases . A segunda e a Brenda Layanne: ela vai fazer posts relacionados com moda e “ è famoso ta aqui “ que vai te deixar á par de tudo que acontece no mundo dos famoso . E por ultimo, não menos importante e a Natali, que tem o quadro “Café com a Natali, que vai te dar conselhos, e fácil e só você mandar um e-mail para (isabela_algar@hotmail.com e ela fará um post te dando um conselho . adicione também o meu Twitter ( @minibarbicour ) E ainda mais os blogs que seguirem o um pouco de tudo , um tudo de um pouco será em menos de vinte quatro horas seguido de volta , assim como no twitter. Pro isso siga o blogger e seja seguido, comente e seja falado!
Venha participar desse blogger , mais um entretenimento na internet feito pra você .
Essa propaganda tem todos os direitos autorais para o blog Um pouco de tudo um tudo de um pouco

{ L. Sampaio } at: 7 de abril de 2011 15:19 disse...

É desses contos de vampiros que andamos necessitando ultimamente! Pra mim, vampiro bonitinho legalzinho, não tem graça não. Foda mesmo é o Lestat!
Amo entrevista como vampiro e sinto que gostarei muito desse seu conto.
Beijos.

 

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