Keblinger

Keblinger

As flores, a menina e a caixa de correio

| sábado, 30 de abril de 2011

Quer conhecer esses personagens?
Não

Clica em sim para ver meu conto novo no Contos Franqueados. Te espero lá.

O Senhor das Sombras - Parte 6

| quarta-feira, 27 de abril de 2011

O dia amanheceu nublado, a claridade tentava penetrar as frestas das velhas janelas de madeira do quarto onde Alistar estava e ele se manteve no canto mais escuro. Logo cedo uma gritaria irrompeu os corredores da hospedaria, uma mulher berrava sobre marcas de sujeira na entrada e seus passos se dirigiam aos cômodos recém ocupados. Alistair ouviu uma discussão entre essa mulher barulhenta e Sebastian.
- ... seus pais foram embora daqui e você e quem quer que esteja neste quarto também vão. – o vampiro ouviu a mulher berrar.
- Não podemos, é o meu amigo, ele está doente – Sebastian mentiu – É alguma doença nova e bem contagiosa, ninguém pode chegar perto dele além de mim, pois tomei uma vacina lá em Paris que me mantém imune.
- Vocês têm dois dias – a voz da mulher se abrandou.
- Obrigado, isso vai ajudar por ora – ele disse e, assim que a mulher desceu as escadas, entrou no quarto.
Alistair o observou se aproximando.
- Bom dia, dormiu bem? – ele perguntou sorrindo.
- Eu não durmo – resmungou o vampiro.
- Naturalmente, então o que vamos fazer com você?
- Me deixar em paz? – arriscou ele.
- Boa tentativa, mas você não vai se livrar de mim tão facilmente. A questão é que você precisa se alimentar de... bem, você sabe e eu não quero nenhum mal para as pessoas daqui, por isso andei pensando em uma solução para isso, antes de cair no sono.
- E você chegou a qual conclusão?
- A de que você pode conseguir o que precisa de bandidos. Você seria uma espécie de herói, limpando a cidade do crime e... – ele falava como se narrasse uma aventura policial.
- Espera um pouco, você ainda não percebeu que eu sou o cara mau? Eu mato pessoas – ele fechou os olhos e sacudiu a cabeça ao ouvir as próprias palavras – Eu não sou desse mundo, Sebastian, isso não está certo, o que você viu no navio foi horrível e eu não quero continuar vivendo como um monstro.
O jovem se aproximou do vampiro e o encarou nos olhos, deixando transparecer uma compreensão que ele jamais vira em sua vida.
- Você não é um monstro, Ali, você só não é perfeito, como todo mundo. Se o destino te impôs essa condição é porque deveria ser assim, agora é tarde para julgar quem você é.
- Obrigado, Sebastian, vou pensar na sua proposta. E não me chame de Ali. – ele respondeu e o outro riu.
- Vou sair para encontrar meus pais, conseguir alguns contatos e ver como a cidade mudou, farei uma pesquisa sobre “os mais procurados” e te digo mais tarde. Não saia daqui – ele acrescentou num tom de quem fala com uma criança teimosa.

O dia se arrastou lentamente e conforme as horas se passavam, a sede por sangue aumentava. O prédio estava cheio de corações pulsantes que entravam e saiam pela porta da frente, todos com aquele característico “tum-tum” convidativo.
Alistair se contorcia na cama, gemendo de vontade de escancarar a porta e provar todos os sabores ali presentes.
Sebastian retornou ao quarto quando o dia começava a se recolher. Ele exibia um olhar taciturno que logo foi percebido pelo vampiro.
- O que houve? – ele perguntou.
- Eu descobri que meus pais estão mortos – Sebastian respondeu e desviou o olhar, deixando as lágrimas caírem livremente – Eu não tenho mais ninguém, Ali.
- Você tem a mim – as palavras do vampiro saíram mais rápido do que ele esperava e ainda incerto do que fazer, ele abraçou o amigo e segurou cada lágrima que ele derramava.
O cheiro da pele de Sebastian o entonteceu, o pulsar de sua veia e o sangue correndo continuamente lhe desconcentravam. A sede gritava desesperada, feito um animal enjaulado.
A noite caiu sobre o mundo, era hora de soltar a fera.

EM BREVE – PARTE 7

O Senhor das Sombras - Parte 5

| domingo, 24 de abril de 2011
Londres

A cidade coberta por um nevoeiro ameno saudou o navio que chegou com menos tripulantes e com um clandestino a bordo. Alistair sentiu o cheiro da brisa da madrugada e despistou os marujos, caminhando apressadamente por uma viela sem iluminação. Seus ouvidos muito atentos lhe avisaram que ele estava sendo seguido.
- Quer parar de me seguir? – ele agarrou o vulto e encostou-o na parede, alguns centímetros do chão.
- Calma, Ali, sou eu – Sebastian falou serenamente.
- Eu sei que é você e, primeiro, não me chame de Ali, segundo, eu fico sozinho – o vampiro falou seriamente.
- Olha, você me acobertou, eu te acobertei, pensei que tivéssemos uma parceria...
- Não existe parceria nenhuma, eu apenas te fiz um favor e estou fazendo outro grande favor de te deixar vivo...
- Por que você faria isso? – Sebastian rebateu com um quê de brincadeira na voz.
- Você não tem medo de mim? Qualquer pessoa sã, depois de ver o que você viu, não pensaria duas vezes antes de ficar a quilômetros de mim. Eu posso te matar.
- Isso não significa que você vai, agora, por favor, você pode me colocar no chão?
Alistair encarou o rapaz, escutou as batidas aceleradas de seu coração e soube que ele estava morrendo de medo, mas ele atendeu ao pedido.
- Então você é um ator? – ele perguntou fingindo interesse.
- Sou e em breve serei mundialmente conhecido – Alistair ergueu as sobrancelhas numa expressão de espanto e percebeu que o jovem entusiasmado era alguém interessante. – Podemos ir andando agora?
- Eu já te disse...
- Que você fica sozinho, eu entendi, mas eu não vou deixar você sozinho por aí em uma cidade desconhecida, principalmente quando o sol está prestes a nascer – Alistair foi pego de surpresa com isso e olhou para o horizonte. As nuvens exibiam uma coloração arroxeada e o véu da noite se dissipava.
- O que tem o sol?
- Você é um vampiro, certo? – o outro concordou – Você não sabe mesmo? – Sebastian riu da ironia, ele sabia mais sobre vampiros do que o próprio na sua frente. – Venha, eu te explico tudo no caminho.
Alistair, por algum motivo, decidiu segui-lo e descobriu que a luz do dia é fatal para vampiros e depois de pouco tempo, Sebastian começou a despejar uma carga de informações pessoais. Ele contou que nascera em Londres e vivera lá até o dezoito anos, depois ele mudou-se para a França para tentar a vida de ator lá e como não obteve nenhum sucesso decidiu retornar para a Inglaterra, nesse momento ele se desculpou por ter mentido quando disse que queria tentar a vida ali. Antes de o sol despontar, Sebastian os guiou até um bairro boêmio, um ou dois bêbados estavam dormindo na sarjeta ao lado de cães pulguentos. O jovem ator, ainda em posse de seu pacote, entrou numa hospedaria decrépita e chamou o vampiro para dentro.
- Meus pais são donos daqui – ele informou e tirou uma chave da caixa que carregava.
Alistair realmente não esperava por aquela reviravolta na história e sentiu-se aliviado por não ter dado as costas a Sebastian.
O prédio de dois andares era uma espelunca, logo na entrada se via um balcão com uma placa que dizia “Temos quartos sobrando”, o chão parecia não ser limpo há muito tempo. Os dois subiram as escadas que rangiam de protesto sob peso dos passos. Sebastian encontrou dois quartos vagos, indicou ao vampiro um que era menos afetado pelo sol e ficou no outro.
Alistair entrou no cômodo que cheirava a mofo, urina e outras coisas que ele não conseguiu identificar de imediato e sentou-se na cama dura, as molas sob o colchão gritaram ao ser pressionadas e ele deitou-se. Enquanto observava o teto cheio de rachaduras e manchas de infiltração, ele se deu conta de que não dormia desde que fora transformado e soube então que jamais voltaria a sentir sono outra vez.

EM BREVE - PARTE 6

Daquilo que não se explica

| quinta-feira, 21 de abril de 2011
“Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade.”
(Mário Quintana)

A nossa vida é baseada em perguntas, mais do que em respostas, pois muitas questões, às vezes, não possuem uma resposta ou esta é tão ambígua que se torna difícil defini-la. Dos grandes questionamentos universais, destacam-se indagações a respeito do amor, da vida e da felicidade, podemos então dizer que esses três elementos estão interligados de alguma forma? Talvez sim.
A maioria das pessoas que enxergam que a vida é única e que somente por essa característica em particular ela deve ser valorizada, hão de buscar a tal felicidade. Nesse ponto começam mais perguntas, tais como “há um caminho para a felicidade?”, “como encontro a felicidade?” e a mais intrigante de todas elas “o que é a felicidade?” É evidente que para cada pessoa o conceito de felicidade é pessoal, então vou responder no meu ponto de vista.
A felicidade é, em primeiro lugar, mais um dia de vida, com saúde e com disposição. Não há medidas exatas para dosá-la, nem doses à venda no mercado. A felicidade vem de dentro, é um estado de espírito, uma vontade que escorre para fora.
Ouso dizer que essa peça rara e tão desejada se esconde atrás de coisas simples e triviais, aquelas bem rotineiras e aparentemente desimportantes, fazendo isso para nos pregar peças. A felicidade acena de um sorriso sincero, conforta através de uma palavra amiga, aquece por meio de um abraço verdadeiro. Ela passeia pelo vento, canta com a voz dos passarinhos e emana seu brilho pela luz do sol e da lua. A felicidade é o saber reconhecer cada gesto sutil da natureza, é o encantar-se com a singeleza de uma joaninha e inebriar-se pelo perfume das flores.
A tal felicidade é tão explícita a olho nu, porém tão ignorada pelos olhos desatentos. As pessoas tendem a não notar aquilo debaixo dos seus narizes e então buscam em outros lugares o que sempre esteve tão perto. A felicidade não se busca, se descobre. Basta uma olhada para seu interior que você perceberá que ela está encolhida num canto, apenas desejando ser encontrada.
A felicidade é olhar para trás e se dar conta de que seu álbum de lembranças agradáveis está cheio, e se não estiver, há sempre a esperança ditando que tudo vai ficar bem. Felicidade é superação, é acreditar em si mesmo, é uma semente que brota nos mais diferentes terrenos. Ela, além de tudo, é contagiosa, se derrama pelos olhos e atinge quem estiver por perto e receptivo a acolhê-la.
A felicidade não é egoísmo, é partilha. Não é solidão, é companhia. Não é rancor, é perdão.
A felicidade é simples e por ser simples ela é especial.
Precisamos parar de idealizá-la e de colocá-la em um ponto distante no horizonte e abrir nossos olhos distraídos para perceber que nem tudo aquilo que queremos é o que nos fará feliz e sim aquilo que já possuímos.
A felicidade não te escolhe, cabe a você decidir se a quer ou não. Eu a quero, eu sou feliz à minha maneira de existir e tento irradiar as pessoas ao redor com pitadas desse sentimento nobre que é um direito da humanidade.
Talvez um texto de milhares de caracteres jamais poderá traduzi-la, porque algumas coisas simplesmente não se colocam em palavras, se vivem.

Pauta para 134ª Semana do Blorkutando

Dedicado a Cristiano Guerra que acreditou em mim.

O Senhor das Sombras - Parte 4

| terça-feira, 19 de abril de 2011

Alistair deixou a casa destruída e caminhou pelas ruas, sentindo o peso da culpa sobre seus ombros, como um fardo pesado demais para carregar. Ele arruinara sua família, desonrara o nome de seu pai quando estava vivo e depois causara a morte de todos eles. Seu ódio por Jean palpitava em suas veias, ainda que seu coração já não pulsasse mais e sua morte não lhe servia de consolo algum.
Ele fechava os olhos e as imagens de seu pai, sua madrasta e meia-irmã mortos projetava-se em sua mente, memórias recentes que foram gravadas profundamente e que não desvaneceriam tão cedo. As lágrimas quentes e inúteis afogavam sua visão e de nada adiantavam.
Ele estava sozinho, sem saber exatamente o que era e perdido num emaranhado de dúvidas e arrependimentos. Desejou voltar no tempo e ter sido um bom filho e seguido os passos do pai, quis criar os laços fraternos que nunca existiram entre ele e a irmã, ele teria atitudes diferentes na vida e nenhuma delas o levaria embriagado para os braços do diabo pálido que fora sua perdição.
Aquela cidade guardava apenas decepção, por isso ele resolveu abandoná-la. Esperou por dias por um navio que o tiraria dali. Ele passava a parte do dia enfurnado em celeiros de fazendas e se alimentando de animais e toda noite retornava à cidade para ter notícias de viagens. Certa noite chegou a tempo de pegar um navio cargueiro que partiria para Londres, conseguiu um trabalho no navio e embarcou.
A tripulação de homens robustos se mantinha afastada dele, por algum motivo ele era temido e não se importou com isso. Ele passava os dias no porão do navio se alimentando de ratos que logo se tornaram inexistentes e a viagem ainda seria longa.
Depois de uma semana em alto-mar, ouvindo em cada canto as batidas aceleradas dos corações a bordo, controlar sua sede se tornara uma tarefa impossível.
Em uma noite sem luar, os marinheiros desencaixotaram uma carga de bebidas e se deleitaram no álcool, Alistair viu ali uma oportunidade de saciar seu desejo insano. Ficou sentado no convés, mantendo-se distante dos demais e observando quais copos se esvaziavam com mais frequência. Um homem musculoso depois de muitos goles se dirigiu à popa para urinar e sem que percebesse uma sombra o seguia.
Alistair o pegou desprevenido e mordeu-lhe o pescoço, o homem virou-se cambaleante e agarrou um arpão, com grande destreza o vampiro se esquivou de cada golpe e saltou sobre as costas do homem e grudou-se em sua pele como uma sanguessuga. O arpão sacolejou no ar antes que o homem tombasse com um baque no assoalho sujo do navio. Alistair drenou completamente o sangue do outro e atirou-o ao mar, depois retornou para onde os outros estavam e sentou-se novamente em seu lugar, como se nada tivesse acontecido.
Dois dias depois ele atacou um marujo mais jovem que sem muito esforço foi arrastado para o porão e lá encontrou seu fim. O sangue dele renovava suas forças a cada sorvida, antes que terminar sua refeição, Alistair ouviu um barulho vindo de uma grande caixa de madeira, ele largou o corpo do homem no chão e foi verificar o que a caixa continha. Quando abriu a tampa, deparou-se com um rapaz que exibia um olhar assustado.
- Por favor, não faça nada comigo, eu não conto para ninguém o que você fez – ele rapidamente implorou.
- O que você viu? – Alistair perguntou.
- Nada – o outro mentiu e ao encarar a expressão séria do vampiro, confessou – Vo... você o matou e... você é um vampiro?
- E você é um viajante clandestino.
- Tecnicamente sim, nesse momento, mas eu sou um ator – o homem disse – Não conte a ninguém que eu estou aqui, eu preciso chegar a Londres e tentar uma vida lá.
Alistair analisou o rapaz, ele deveria ter entre vinte e cinco a trinta anos, no máximo. Sua pele era morena, seus cabelos estavam sujos e oleosos e seus grandes olhos castanhos aguardavam uma resposta. Ele segurava um pacote nas mãos.
- Temos um trato, eu fico calado e você também – o vampiro disse e o homem estendeu a mão, ele apertou.
- Meu nome é Sebastian Jones, muito obrigado, Sr. Vampiro.
- Não me chame assim, meu nome é Alistair. Agora volte para sua caixa e fique quieto.
- Sim, capitão – o homem bateu continência e deitou-se sobre um monte de tecidos sujos.
Alistair virou-se, um sorriso formando no canto de sua boca e esperou os outros dormirem para se livrar de mais um corpo.
A viagem durou mais três dias e mais dois marinheiros jamais veriam a terra firme outra vez.

EM BREVE – PARTE 5

Meu primeiro (mal de) amor

| domingo, 17 de abril de 2011

Era um daqueles dias de sol. É, um dia claro, gostoso. Daqueles que temos vontade de ficar fora de casa só para sentir o ar passar pelo nosso corpo e o vento bagunçar o nosso cabelo. Um dia sem nuvens traiçoeiras e sem pressa, como se o próprio tempo tivesse decidido que precisava de uma folga e então apenas caminharia descalço pelas horas, em passos lentos e despreocupados.
Nós estávamos debaixo da velha árvore do campo, os galhos dela se estendiam sobre nossas cabeças como vários braços retorcidos se espreguiçando e nos presenteavam com uma sombra fresca e refúgio do sol. É claro que duas crianças, como éramos, não deveriam estar ali desacompanhadas dos pais, mas sempre fomos violadores das regras paternas e vez ou outra nos embrenhávamos no meio da mata apenas por diversão e para passar o tempo.
Nós costumávamos levar frutas nas cestas das bicicletas para fazer piquenique ou livros para colorir e ler. Eu ainda não aprendera a entender aquele monte de palavras de mãos dadas que se esparramavam no papel, mas ele, sabido como era, já compreendia esse mundo que parecia pertencer somente à gente grande. Então ele lia para mim.
Tenho que admitir que sua leitura, embora bastante esforçada, me encantava. Era mágico vê-lo decifrar aquele emaranhado de letras com os olhos e traduzi-lo para mim através de sua voz aguda e pueril. E eu sempre me deixava levar pelo som das palavras, cada sílaba pronunciada de forma cadenciada me fisgava pelos ouvidos e me guiava por trilhas desconhecidas e inusitadas.
Eu não sei em que momento eu me apaixonei por ele. Não me lembro do dia em que aquele garoto que sempre fizera parte da minha vida, passara a ter um valor diferente. Não me recordo da noite que fui me deitar e sonhei com seu sorriso de lado e com o som da sua voz melodiosa a me ler histórias de emoção. Eu não sei de nada disso, pois eu era apenas uma garotinha na época. Como é que podemos descobrir o que é amor antes de aprender a ler? Isso não parece natural, tudo tem que acontecer no seu devido tempo, não é mesmo?
Ah, eu custei a acreditar que meu pequeno coração havia se entregado aos braços da paixão, aquele bobo e estúpido ser vermelho e latente, eu deveria conhecer as palavras primeiro. Eu me recusava a sentir aquela pontada de ciúmes quando o via com outra garotinha e se ele dividisse o lanche ou sorrisse de um jeito diferente, como aquilo me incomodava.
Com muito medo daquela coisa estranha e nova que eu sentia eu contei à mamãe que estava doente, claro, só poderia ser isso. Lembro-me que ela sorriu ao ouvir o que eu dizia e disse:
- Isso não é doença coisa nenhuma, isso aí é mal de amor.
Aquelas palavras me deixaram ainda mais confusa, pois eu sempre ouvira dizer que o amor era uma coisa boa, mas o tempo foi passando e eu realmente me dei conta de que era mesmo mal de amor. Eu sempre queria tê-lo por perto, arrumava desculpas desajeitadas para tocar seu cabelo ou seu braço, quando toquei em sua mão por acaso quase senti que fosse flutuar e um rubor desinibido me entregou. Ele apenas sorria, meninos são tão imaturos, não é? Eles acham graça em tudo, o amor não é engraçado, ele é apenas amor.
Meu eterno leitor de dias ensolarados se tornou meu primeiro amor, ele me ensinou a arte de traduzir as palavras dos livros enquanto meu mundinho parecia vazio quando ele não estava comigo. Aos olhos de uma criança tudo é tão inocente que até mesmo a palavra amor tem um sentido mais sutil e puro.
Sim, eu o amei naquela época, sem mesmo saber o que era amar. Aprendi com isso a verdade dos sentimentos, eles são todos intrínsecos, ninguém pode te ensinar a senti-los, ou você sente por si só ou jamais vai saber.
Eu queria poder dizer que nossa história foi tão feliz quanto em meus pensamentos, mas nada aconteceu. Eu continuei amando sozinha, até o amor desvanecer. Ele continuou achando graça nas coisas, até que um dia cresceu.
Passamos por tanta coisa nessa vida que as menores parecem patéticas e sem sentido, mas são essas que realmente têm algo a nos ensinar.
Nem toda história de amor acontece, mas isso não faz com que ela não mereça ser contada.

Pauta para o Bloínquês e Suas Palavras
Galera, ainda sem net, usando emprestado por esses dias, não aguento mais tanta vida social, haha. Enfim, por isso ando sumido dos blogs de vocês, mas torçam para que eu volte logo para o mundo cibernético. Grande abraço.

Questão de sonhos

| sexta-feira, 15 de abril de 2011

Vem sonhar comigo?
Não

Clique em sim para ver meu novo conto no Contos Franqueados

O Senhor das Sombras - Parte 3

| terça-feira, 12 de abril de 2011

Jean e Alistair se viram diante de enormes portões de ferro de um casarão que esbanjava ostentação. O vampiro mais velho empurrou com força o portão e o abriu. Os dois caminharam por uma alameda escura em direção à casa.
Alistair estava com a estranha sensação de que conhecia o local, mas descartou essa possibilidade e continuou seu caminho.
Quando alcançaram a grande entrada principal da casa se depararam com dois guardas uniformizados que rapidamente reagiram ao ver os intrusos.
- Fique parado – um deles falou e apontou uma arma.
- Nossa visita vai ser rápida – argumentou Jean com um quê de deboche na voz e desacatou a ordem dos guardas. O que mantinha a arma apontada, sem hesitação disparou no peito do vampiro e encarou Alistair como se esperasse por uma ordem.
Alistair se sobressaltou ao ver o outro ser atingido.
- Ah, como isso é desagradável – falou Jean e enfiou os dedos no buraco da bala e retirou-a de sua pele sob os olhares incrédulos dos guardas. – É isso que recebemos quando tentamos ser pacifistas, Alistair. Não se pode confiar em humanos.
O outro guarda correu até a porta, mas antes que chegasse a tocar a maçaneta foi interrompido por Jean que subira as escadas da entrada com uma velocidade espantosa. Ele agarrou a cabeça do guarda e girou-a com brutalidade, quebrando seu pescoço. Lá de cima, encarou o olhar horrorizado do outro, que deixara a arma cair e pedia por piedade.
- Vamos, Alistair, ele é todo seu.
- Não, eu não posso – ele falou dando um passo para trás. Seu instinto urgia para que ele atacasse o homem e provasse seu sangue fresco.
- Eu entendo, você possui um paladar mais refinado – um segundo depois de terminar a frase, Jean se colocou ao lado do guarda que o ferira e quebrou-lhe o pescoço. – Um banquete nos aguarda, não nos demoremos mais – ele falou com naturalidade e abriu as grossas portas de madeira da imensa casa.
- Eu não quero ferir mais ninguém, Jean...
- Você não pode morrer de fome, meu caro. A lei é e sempre foi a do mais forte, não se sinta culpado por isso, é a natureza.
Alistair não respondeu, estava fascinado com a riqueza do interior da casa. Havia móveis lustrados, vasos caríssimos com flores exóticas, cortinas elegantes forravam as paredes onde havia janelas. Uma escada com carpete vermelho levava ao segundo andar. Várias velas em castiçais mantinham o ambiente iluminado. Havia quadros nas paredes, retratos do dono da casa ou do patriarca daquela família e aquelas pinturas trouxeram a ele uma nostalgia inexplicável.
Uma mulher cruzou um portal e se assustou ao ver os dois homens pálidos ali. Jean rapidamente cuidou para que a criada não os atrasasse mais, tapou-lhe a boca e cravou os dentes em sua jugular. O cheiro do sangue exalou no ar, dançando na brisa e flutuou até Alistair, suas narinas se dilataram e o aroma lhe cegou. Ele se aproximou de Jean, que colocou a mulher em seus braços e deixou-se saciar.
- A melhor dose está lá em cima, não beba muito – Jean advertiu e subiu as escadas. Alistair deixou a mulher caída em seu sangue e acompanhou o outro. Jean apontou o corredor à direita e tomou à esquerda. Alistair viu quando ele abriu sorrateiramente uma porta.
- Seja rápido – ele sussurrou e entrou no quarto.
Alistair relutou por um momento, mas as batidas de dois corações do outro lado da parede o seduziram e ele esgueirou-se furtivamente para dentro. O casal na cama nem teve a chance de ver o que os atacara. Alistair matou o homem primeiro com uma mordida e logo em seguida se deliciou do sangue da mulher. O liquido denso manchara os lençóis e pingava ao chão. Jean aproximou-se da porta e com um gesto de cabeça aprovou o trabalho.
- Venha provar da sobremesa – ele disse e guiou o jovem até o quarto que ele havia estado. Alistar viu o corpo de uma moça na cama e sem pensar provou seu sangue. – Agora você está pronto. – Jean observou.
- Do que você está falando? – Alistair perguntou com a boca suja.
- Se você foi capaz de matar seus próprios pais e tomar do sangue de sua irmã, você pode matar qualquer um – Jean disse.
Alistair então se deu conta de porque o retrato no andar debaixo era familiar. Aquela era sua casa, sua família.
- O que você me fez fazer? – ele berrou e atacou Jean. Agarrou o vampiro pela gola da camisa e atirou-o na cama. – Eu vou acabar com você.
- Acalme-se – gritou o outro que lutava contra as investidas de Alistair.
- Você vai morrer – ele ameaçou e agarrando um crucifixo de madeira que estava pendurado na parede da cabeceira da irmã atingiu Jean na cabeça. Quando o outro desmaiou, ele golpeou-o mais vezes e quebrando o pé da cruz, enfiou-a em seu coração.
Ao ver o corpo de Jean e de sua irmã, Alistair soltou um urro de dor e remorso e saltou para fora do quarto. Desceu rapidamente as escadas e usando as velas, ateou fogo nas cortinas e saiu.
Lá de longe, da alameda, ele observou a casa arder em chamas.

EM BREVE – PARTE 4

O Senhor das Sombras - Parte 2

| sábado, 9 de abril de 2011

Enquanto caminhavam pelas ruas enevoadas da cidade, depois de matarem animais pelo caminho, Alistar pode observar melhor o homem a seu lado e percebeu algumas particularidades. A pele de Jean era extremamente branca e lisa como mármore, seus cabelos curtos e cacheados eram luminosos e da cor de amêndoas, seus olhos eram vivos e variava de cor dependendo da luz ambiente, naquele instante estavam densos e amarelados como a polpa de um pêssego. Os dois não tinham trocado palavras desde que deixaram o celeiro e Alistar não se sentira intimidado pela áurea de perigo que o outro emanava.
Numa rua mais escura, depois de vagarem sob as luzes dos postes, Alistar encarou seu reflexo, pela primeira vez, em uma poça d’água. Seus olhos, que antes sustentavam um tom escuro encantador, agora se vestiam de um verde claro cristalino, sua pele estava alva, feito giz. Ao fazer um cara de espanto notou que sua boca, ainda mais tenra, dotada de lábios carnudos escondia caninos afiados que nunca fizera parte de sua arcada dentária.
- O que você fez comigo? – ele perguntou e novamente escutou uma voz diferente, seu tom era mais grave e soturno.
- Eu o salvei – o outro respondeu sem cessar os passos.
Alistair fechou os olhos com força e as imagens desfocadas da noite anterior lhe vieram à mente outra vez.
- Eu me lembro, vagamente. Você me atacou – ele parou e encarou o homem misterioso - Você me fez beber sangue, seu sangue misturado com o meu, depois disso eu não me lembro de mais nada.
- Você se lembra quem você é?
- Sim. Não. Eu não consigo. Meu nome é Alistair Chevalier, sou filho de um marquês... - ele forçava sua memória a percorrer um labirinto de lembranças esquecidas.
- De um marquês? Quem diria? – o outro se surpreendeu.
- O que é você?
- Quanta indelicadeza, a pergunta correta é quem sou eu. Meu nome é Jean Merlet, muito prazer – ele estendeu a mão para um aperto que foi recusado. – Você pode confiar em mim, Alistair, eu lhe dei a oportunidade de viver eternamente.
- Do que você está falando?
- Ora, você não me parece muito instruído para o herdeiro de um marquês. Atente-se às mudanças, você não percebe? Algumas lendas são mais verdadeiras do que supõe as mentes céticas, meu amigo.
- Não pode ser, isso é impossível – a resposta flutuava em sua frente, por mais que ele tentasse ignorá-la, ele sabia no que havia se transformado.
Jean caminhou ao redor de Alistar, cercando-o e sussurrou em seu ouvido:
- Negar não vai mudar nada. Você é um vampiro, Alistar. – ele ouviu as palavras e arrastou-se até o muro mais próximo, escondeu-se do luar e sentou-se na calçada. Jean deu passos lentos até ele, prostrou-se ao seu lado e tirou uma mecha de seu cabelo que cobria a testa. – Eu imagino que você tenha inúmeras questões girando em sua cabeça.
- Por que você me escolheu? – ele perguntou finalmente.
- É uma questão interessante. Eu vago na terra há pouco mais de um século, meu jovem, não me lembro de minha vida antes de eu ter sido transformado e nunca ousei converter ninguém a esta condição, mas você me pareceu tão solitário, como eu. Você suplicou que eu lhe deixasse viver, mas para isso eu precisei tirar sua vida. Quando seu coração parou de bater e seus olhos se abriram para sua segunda chance, você me agradeceu.
- O que eu sou? Estou morto? Minha alma está presa dentro desse corpo morto?
- Almas não existem, Alistair. Você só vive uma vez, contudo pode morrer mais de uma. Agora levante-se e vamos buscar alguma coisa para beber, suas lamentações podem esperar.
Os dois deixaram a rua deserta e partiram para um canto mais remoto da cidade. Alistair parecia conhecer cada pedra sob seus sapatos e Jean tinha em mente uma surpresa maligna para seu companheiro recém adquirido.

EM BREVE – PARTE 3

A primeira vez a gente nunca esquece

| quarta-feira, 6 de abril de 2011
Lembro que eu fui até o local de trabalho dela, eu havia juntado algum dinheiro e finalmente realizaria aquilo que sempre tive vontade de fazer. Ela me atendeu com profissionalismo enquanto eu tentava não demonstrar que estava nervoso.
- É a minha primeira vez – eu confessei a ela e senti minha pele enrubescer. Se ela me julgou, eu não sei, mas sua feição permaneceu a mesma e logo em seguida um sorriso se abriu em seu rosto.
- Eu já atendi vários inexperientes, não se preocupe – ela disse, com o riso contido por saber que tinha nas mãos mais um leigo sobre o assunto.
Eu sempre vira isso em filmes, novelas e sabia quase tudo na teoria, mas eu nunca havia praticado, então imagine como eu estava me sentindo naquele momento.
Ela me guiou até o local onde faríamos tudo.
- Em qual posição eu devo ficar? – perguntei e me senti estúpido por isso.
- A que você se sentir mais confortável, não vou exigir muito de você na sua primeira vez. – ela respondeu e me lançou novamente aquele olhar zombeteiro.
Quando me dei conta eu já estava com as mãos afoitas e apanhei o instrumento.
- Calma aí, garotão – ela falou – Primeiro você tem usar as mãos.
Ela me mostrou como eu deveria fazer, suas mãos levaram as minhas até aquela superfície lisa e molhada. Passei os dedos com cuidado, ainda inseguro de como proceder.
- Isso, vai apalpando com suavidade – ela orientou, enquanto eu alisava a “peça”. – Não, assim não, você não pode apertar demais – ela advertiu quando não controlei a força dos meus dedos que entravam e saiam.
- Há quanto tempo você faz isso? – perguntei para quebrar a tensão.
- Bastante tempo – ela respondeu evasiva e continuamos.
- Agora pegue aqui – ela agarrou minhas mãos e guiou os movimentos – Pra cima e pra baixo, isso, desse jeito.
Todo o processo não demorou muito tempo e quando terminamos estávamos sujos e melados.
- Você pode se limpar antes de ir – ela falou metodicamente. Certamente eu era mais um na contagem dela e provavelmente eu seria esquecido logo eu saísse dali.
Limpei-me, paguei pelo serviço e atirei um “até a próxima”.
- Ei, garoto, você não foi tão mal para um marinheiro de primeira viagem – ela disse e me deu uma piscadela.

Quando cheguei em casa meu pai me perguntou como tinha sido e eu respondi que fora melhor do que eu imaginara. Quem diria que aulas de cerâmica pudessem ser tão fascinantes, você vê a sua criação tomando forma na sua frente, enquanto a argila gira na máquina de rodar da olaria.
Quero fazer isso mais vezes, vou criar os vasos mais bonitos que todo mundo já viu, só preciso de um pouco mais de prática.
Mal posso esperar pela minha segunda vez.

Um conto para fazer jus ao nome do blog, mas me diz aí, pensou besteira, né? Haha.

O Senhor das Sombras - Parte 1

| domingo, 3 de abril de 2011

"O mal é um ponto de vista."
Lestat de Lioncourt em “Entrevista com o Vampiro”

Paris - 1860

A noite é uma arca profunda onde segredos obscuros são guardados. A lua cheia pendurada no extenso manto azul-marinho é indiferente a tudo o que acontece sob sua luz. O silêncio perturbador da madrugada é cortado pelo vulto que vaga, sorrateiro, em busca de alimento.
O homem, em seus trajes a rigor de um período antigo, estava à espreita na esquina de uma rua deserta. A névoa densa o acobertava e quando nuvens pesadas taparam a visão da lua, passos rápidos lhe chamaram a atenção, mas seus ouvidos providos de uma sensibilidade sobre-humana apenas captaram o bater acelerado de um jovem coração.
O outro homem que caminhava apressado pelas ruas, em passos trôpegos dobrou a esquina e topou com o vulto. Sua visão embaçada pela embriaguez não lhe favoreceu naquele momento. Antes que qualquer palavra fosse usada, o vulto o agarrou por trás, segurou-o imóvel com o pescoço para cima e o mordeu. Sua pele gritou de dor quando os dentes afiados do outro a perfuraram.
O homem de roupas antiquadas bebeu o sangue do outro, sentindo o leve sabor alcoólico que ele possuía naquele momento. Com a sede saciada, ele atirou o homem na sarjeta e quando estava prestes a partir, ouviu a voz embargada de sua vítima clamar por misericórdia.
O homem, cujo sangue lhe aprouvera, fora o primeiro a ser transformado por Jean Merlet.

Alistair Chevalier pertencia à casta da nobreza, era o filho bastardo do Marquês Pierre Chevalier e nunca havia conhecido sua mãe, que supostamente havia morrido durante o parto. Alistair teve uma infância desagradável ao lado da irmã mimada que o surrava e o humilhava. Ele cresceu e se tornou um jovem rebelde, que se aventurava nas noites da cidade, à procura de prazeres e bebida. Numa dessas noites, com seus vinte e cinco anos, Alistair encontrou a morte.
Quando se abre os olhos para a nova vida, todo ou quase todo o passado é imediatamente apagado.
Ele não se lembrava de como tinha chegado até ali. Estava deitado sobre um amontoado de feno, dentro de um celeiro escuro. Finos raios de sol se espremiam através das frestas da madeira e por algum motivo ele sentia que não deveria chegar perto da luz.
Ao passar a mão no pescoço, onde havia uma sensação incômoda, encontrou uma ferida na pele. Coçou o machucado e ao sentir o cheiro metálico do próprio sangue, sentiu-se inebriado e sua boca encheu-se de água, foi então que percebeu que estava com sede. Uma sede anormal.
Um movimento no telhado atraiu seu olhar e um barulho contínuo preencheu seus ouvidos. Era um pulsar. Avistou uma coruja se refugiando do dia e seus olhos, inexplicavelmente, puderam enxergá-la com clareza, apesar da distância e da baixa luminosidade. Ele chamou a ave, como quem chama um cão perdido na rua e para sua surpresa ela o atendeu e planou até o chão.
Seu movimento foi mais rápido do que ele esperava, quando deu por si já estava com os dentes no pescoço da ave e sugava seu sangue. O gosto do sangue deslizou por sua boca, desceu pela garganta e acalmou a ânsia que ele sentia, um desejo tão forte que nunca experimentara antes se saciava pelo liquido quente e viscoso.
Mais três aves cederam a seu chamado e mais três vidas foram tomadas por suas mãos.
A noite caiu e a brisa trouxe vários odores. Ele precisava sair, a sede aumentava novamente. A vontade era insaciável.
Quando Alistair abriu as grandes portas do celeiro se deparou com um homem parado, sua silhueta recortada na luz da lua.
- Preparado para conhecer a cidade com seus novos olhos, meu caro? – o homem perguntou.
Alistair sentiu um arrepio ao vê-lo. O homem era familiar, por algum motivo. Assim que os olhos do homem tocaram a luz, ele viu a morte dentro deles e então se lembrou da noite anterior. Lembrou-se de sua própria morte e como se sua voz não lhe pertencesse, disse que sim. E os dois deixaram para trás o celeiro, a fazenda e um rastro de sangue.

EM BREVE – PARTE 2

Bom gente, essa é a primeira vez que me arrisquei a escrever sobre vampiros, é, agora que todo aquele alvoroço passou e talvez seja esse um dos motivos que não me deixaram explorar esse mundo antes. O conto é de vampiro, mas em sua essência mais sombria e mitológica, se você espera ver um Edward Cullen por aqui, sinto muito, isso não vai acontecer (nada contra a saga Crepúsculo). Eu fiz uma pesquisa sobre as características "vampirescas" e sobre os diversos tipos de vampiros que rondam a literatura e cinema, no conto farei uma mistura do que li com um pouco da minha imaginação. Espero que gostem e aviso previamente que esse pode ser tornar o meu conto mais longo. Grande abraço e votem na enquete, please.
PS1: Galera, tô sem internet por um tempo, mas vou continuar postando, não se preocupem, só ficarei (mais) sumido do blog de vocês. Até mais.
PS2: Muito obrigado a todos que estão me apoiando no lance do plágio, é muito bom saber que estão do meu lado. Obrigado, de verdade.

Carta #2

| sexta-feira, 1 de abril de 2011
S.

Tentei de manter longe de meus pensamentos, mas cada gesto meu me lembra você, minhas mãos sentem falta de tocar-te, meus lábios clamam pelos seus e meu corpo urra de desejos de ter você. Eu não consigo me distanciar de ti, dentro de minha mente, minhas memórias marcham até sua presença, elas controlam tudo o que eu quero esquecer e contrário à minha vontade, trazem à tona as lembranças mais cálidas dos momentos mais ardentes de nós dois.
Minha visão não esquece de como é contemplar a beleza pura de sua silhueta, meu tato afiado se deleita em toques que já se foram, meus ouvidos afugentam fragmentos de palavras soltas, esperando ouvir teu nome ou algo que te traga para mais perto, meu olfato busca em cada brisa o teu perfume incomparável e meu paladar, ainda que prove todos os sabores desse mundo, jamais se esquecerá do teu gosto provocante. Mas um sentido de prudência mais poderoso brande uma espada desafiando os outros a te deixarem partir e assim meus devaneios se dissolvem mais uma vez durante a luz do dia, mas toda minha sede de você desperta na calada da noite.
Mesmo que eu nunca mais sinta teu corpo contra o meu, as marcas que me impregnaste jamais se desvanecerão.

N.

Quem acompanhou o conto "As cartas do monge sem nome" que eu postei no meio do ano passado se lembra (ou não) das cartas misteriosas, porém nas sete partes do conto foram apresentadas apenas seis cartas, decidi então escrever as outras, que serão postadas aleatoriamente. Para ler o conto clique aqui (e leia cada parte) e para ver somente as cartas clique aqui.
PS1: Galera, tô sem internet por um tempo, mas vou continuar postando, não se preocupem, só ficarei (mais) sumido do blog de vocês. Até mais.
PS2: Muito obrigado a todos que estão me apoiando no lance do plágio, é muito bom saber que estão do meu lado. Obrigado, de verdade.
 

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