Keblinger

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O homem de pedra - Parte 3

| quarta-feira, 9 de março de 2011
Hora do conto - Para entender, leia a Parte 1 e Parte 2

Alguns dias se passaram até que alguém desse falta do caçador, por ele ser um homem recluso e calado, muitas vezes não o viam no vilarejo por dias, mas desta vez decidiram ir procurá-lo. Um grupo de sete homens se embrenhou na mata, cobrindo a área de onde costumavam caçar. Entre árvores, troncos derrubados e plantas rasteiras, encontraram uma estátua.
Os caçadores se assustaram ao ver que o homem de pedra diante deles era Athos, seu dedo apontava para o horizonte, se entreolhando eles sabiam o que o outro estava pensando, aquilo era obra da bruxa.
Nenhum homem tocou a estátua por medo de que alguma maldição semelhante ou ainda mais horrível recaísse sobre si, voltaram então à vila, se armaram de tochas e arcos e se direcionaram à casa da velha feiticeira.

Ramona percebeu que algo estranho estava acontecendo, os homens haviam retornado sem o caçador solitário e voltaram à mata com armas e fogo. Ela se cobriu com um capuz surrado e os seguiu. Os homens caminhavam firmes e com fúria pela trilha aberta há pouco. A moça seguiu o rastro deles até se deparar com Athos empedrado.
Ela ficou horrorizada com o que via e seus olhos arderam em lágrimas. Ela nem sequer trocara uma palavra com o caçador, mas os olhos dele sempre lhe disseram tanta coisa.

Assim que chegaram onde a bruxa morava, encontraram um casebre abandonado. A velha partira antes que eles pudessem acusá-la e puni-la, mas a maldição ficara e só havia um jeito de revertê-la, mas quem seria capaz de amar um homem de pedra?

Athos, aprisionado em um corpo rígido e marmóreo, podia ver tudo o que acontecia em sua frente, ainda que não pudesse mover os olhos ou abrir a boca, seus sentidos permaneceram inalterados. Ele viu o dia se vestir de noite várias vezes até que uma alma viva lhe surgisse às vistas.
Avistou os caçadores irados correndo na direção da casa da bruxa e agora via a moça linda, como se derramada de seus pensamentos, ali diante de si, chorosa e triste.
Ele desejou ser capaz de fazer um gesto, por mais mínimo que fosse, para que ela notasse que ele ainda estava ali. Ele queria destampar a voz que há tanto manteve calada e gritar para ela tudo o que seu coração gelado sentia, mas ele não podia. Ele era apenas um homem de pedra com um coração de pedra. Sua voz estava encarcerada.
- Eu queria poder saber o que você guardava aqui – ela disse e colocou a mão no peito frio do caçador. Ele sentiu o toque morno de sua mão e rugiu de raiva por dentro, esperando que ela ouvisse seu protesto mudo. – Nenhum homem merece a companhia da solidão por muito tempo, é uma pena que você sempre a preferiu. – ela então deu a volta na estátua e sumiu por entre as árvores.
Athos ouviu as palavras da moça e se culpou por todos os anos em que optou por criar uma imagem falsa de si mesmo, enquanto por dentro era alguém vulnerável e com falta de carinho.

Depois deste dia, os caçadores escolheram uma nova área de caça, para não toparem com o homem petrificado no caminho, ele era uma coisa que deveria ser esquecida, um amaldiçoado sem salvação, mas Ramona o visitava a cada dois dias, pouco antes do pôr-do-sol e ficava conversando com ele, contando-lhe detalhes do vilarejo, das caças, das pessoas que ele conhecia apenas de vista.
Foram vários pores-do-sol na companhia da moça, mas o pior deles foi quando ela apareceu, vestida de tristeza e lhe jogou as palavras que ele menos esperava ouvir:
- Amanhã é o meu casamento, adeus. – e ela nunca mais voltou a visitá-lo.

EM BREVE – PARTE 4

3 sorrisos compartilhados:

{ Ill Circus } at: 10 de março de 2011 12:23 disse...

HUMPF! Sempre chego na parte 3, 4, 5... :( e com essa gripe.

{ Rebeca Postigo } at: 10 de março de 2011 22:42 disse...

Quero mais!!!
Estou amando...

Bjs

Mirtes at: 11 de março de 2011 19:44 disse...

Parabéns pelo blog! Estou adorando o conto do Homém de Pedra, bem intressante e muito instigante, mal posso esperar pelo próximo capítulo. Que venha logo a parte 4

 

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