Keblinger

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O homem de pedra - Parte 2

| segunda-feira, 7 de março de 2011
Hora do conto - Para entender, leia a Parte 1

No seu caminho de volta ao vilarejo, Athos ainda abateu dois porcos do mato para adicionar a suas vitórias pessoais. Vestido com a glória de uma caçada bem sucedida, ele retornou ao povoado, atirou os porcos no meio da praça, como um gesto de solidariedade e carregou o faisão para sua casa, aquele era seu troféu por ser o melhor e aquela carne branca ele saborearia sozinho.

Ramona e outras mulheres apanharam os porcos do chão, aguardaram o retorno dos outros caçadores, alguns voltaram com um animal nos ombros, outros chegavam de mãos vazias e ombros caídos carregando a vergonha do fracasso.
Depois que todos voltaram e os frutos das caçadas haviam sido recolhidos, ele preparam um grande fogueira no centro da vila, para o preparo da janta comunitária.
A moça estava contente pela quantidade de carne que tinham e sempre agradecia por isso em suas orações. Ela ajudou no preparo da comida e quando todos estavam servidos, seus olhos percorreram a multidão, procurando pelo maior caçador dali, mas ela sabia que ele não estava lá, ele sempre ficava em sua casa.

Athos estava cozinhando a ave enquanto o fogo crepitava lá fora, ele observava as pessoas comemorando, os copos se erguendo em forma de agradecimento e a felicidade alheia e sentia como se aquilo tudo nunca pudesse lhe pertencer. Através do vidro opaco da janela, ele avistou Ramona, a donzela que dominara seus pensamentos.
O caçador fora flechado no peito pelo amor, por dentro daquela casca rígida havia um ser pulsante, mas a bruxa apenas viu pedra onde existia sangue e batimentos e seu destino fora traçado.
Quando seu cozido ficou pronto, ele se acolheu em seu leito escuro, com um prato cheio da sopa que prepara. Apanhou um grande pedaço de carne com a colher e levou até a boca, cuspiu assim que sentiu o gosto amargo da carne que descia pela sua garganta.
Jogou fora tudo o que tinha cozinhado e depois de mais um vislumbre da alegria das pessoas do lado de fora, deitou-se.
Ele não se humilharia a ponto de se misturar somente para poder comer sobras daquilo que ele mesmo caçara e, além de tudo, estava cansado e sentia o corpo pesado. Adormeceu entre pensamentos da moça alegre.
Na manhã seguinte, o caçador acordou indisposto e sentindo um peso incomum no corpo, ao vislumbrar seu braço direito se desesperou ao ver que ele se transformara em pedra. A pedra alva e gelada se espalhava lentamente em sua pele, calcificando centímetro a centímetro. O primeiro pensamento que lhe ocorreu foi o de que ninguém podia vê-lo daquela maneira, ele precisava se esconder, então saiu apressado de casa e correu para a floresta.
Enquanto caminhava com esforço pelas árvores, tentando entender o que estava acontecendo, percebeu que aquilo só poderia ser obra da bruxa e tomou o rumo da casa da velha malvada, contudo ele nunca chegou até lá.
Suas pernas se tornaram rijas e estancaram no meio de um passo.
“Preciso deixar um sinal para quando alguém me encontrar”, ele pensou. Esticou o braço esquerdo com o indicador apontando, acusadoramente, para a casa da velha. Seu pescoço enrijeceu e seu rosto se petrificou em um semblante de suplício ou remissão.

As palavras da bruxa ecoavam pela floresta, dançando ao sabor do vento: “Que a pedra enterrada em teu peito estenda o manto em teu corpo inteiro, até o dia em que encontrares o amor verdadeiro.”

EM BREVE – PARTE 3

6 sorrisos compartilhados:

{ Thaís } at: 7 de março de 2011 00:30 disse...

Coitado... tão valente, bondoso de certa forma e tão isolado. :T Espero que essa história tenha um final feliz. Ansiosa para o próximo capítulo!*-*

{ Jéssica } at: 7 de março de 2011 21:28 disse...

Gostei do seu blog... já estou seguindo!

http://jessicahiorrana.blogspot.com
bjo!!

{ Francilene Suri } at: 8 de março de 2011 00:25 disse...

Hummmmm, bom hein? haha, faz maior tempão que não passava aqui também, poxa faz falta! rs
O tempo tem sido pouco!
Mas como sempre, tudo incrível por aqui!

Adorei o conto!

Beijos Rodolpho!

{ Rebeca Postigo } at: 8 de março de 2011 22:46 disse...

Ah...
Estou curiosa...
Quero mais!!!
Amando o conto...

Bjs

{ Tati } at: 27 de março de 2011 19:51 disse...

Oi Menino, andou me faltando disposição e tempo para leitura... E você sabe o quanto gosto daqui.

Lindo conto, está doce e instigante.
Quero mais, deixa eu ler os próximos.

Beijos

{ • Cynthia Brito • } at: 3 de abril de 2011 21:11 disse...

Há. Tinha mesmo que ser uma bruxa. Bom, estou cansada e amanhã é dia de branco, como muitos dizem. Quando puder, virei aqui ler mais... Com certeza, surpresa não vai faltar ;D

Beijitos.

 

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