Keblinger

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O discurso do orador

| quinta-feira, 3 de março de 2011

Não sei exatamente o que falar aqui, não sei bem que palavras vou escolher, se vou ser repetitivo como tantos outros discursos de formação e nem ao menos sei se as pessoas vão prestar atenção ao cara nervoso aqui falando.
Melhor começar pelo início, por mais que clichê que pareça.
Acredito que não tenham me jogado para ser orador para falar sobre o curso, suas disciplinas e todo aquele blá blá blá de onde vou trabalhar, isso todo mundo sabe e pra quem não sabe eu digo que seria maçante ficar falando disso, então vou falar sobre as lições que aprendi fora da sala de aula e daqueles que foram meus professores sem se dar conta disso.
Em 2009 eu entrei para uma sala onde todos eram estranhos para mim, até as paredes pareciam ficar me encarando e perguntando quem era aquela criatura gigante. Com o tempo, como acontece com todo mundo, a inibição desapareceu e eu me vi em um grupo seleto de amigos que eu jamais imaginaria que encontraria naquela sala que mais parecia um banheiro.
E por mais que houvesse milhares de diferenças entre a gente, um laço de união se formou tão forte que era como se tivéssemos nos conhecido a vida toda. Entre risadas e apelidos engraçados, fui aprendendo pouco a pouco a valorizar as diferenças e poder ser eu mesmo com aqueles que me aceitariam por isso, talvez essa tenha sido a primeira lição que aquele grupo me deu, a de que um amigo está com você independente de como você seja.
Entre regras gramaticais e como optar pela palavra mais coerente em uma tradução, aprendi com a Ana Cristina, a dona das risadas contagiantes, a como ser um bom economista.
Quem disse que silêncio é bom em todas as horas? Aprendi com a Flávia a ignorá-lo por completo entre conversas e músicas um tanto inadequadas para o momento.
Ainda que o ocidente tenha várias coisas boas, o Júlio me mostrou que o oriente pode ser super interessante e barulhento, como a coleção de chaveiros dele.
Enquanto prestava atenção nas explicações, a Kelly me ensinou que não devemos ficar calados quando a professora acha que você falou “célebro” ou invés de “cérebro”.
E o Washington foi aquele professor que me ensinou que todo mundo tem uma nota, geralmente acima de cinco ou menos quatorze, mas não vamos nos fixar nos critérios estabelecidos.
Noite após noite, regadas de risadas, versões de canções, tropeções e mais risadas, aquele grupo de cinco pessoas se tornou minha segunda família e ganhou um espaço tão importante na minha vida que eu me vi incapaz de enxergar um futuro sem eles por perto, mas eis que o tempo passou mais rápido do que nossa vontade e as noites de segunda a sexta, se tornaram meramente noites vazias de segunda a sexta.
Não posso dizer que sempre tudo foi maravilhoso, mas com eles do meu lado, me apoiando e me deixando apoiá-los da maneira que me convinha, nós superamos momentos de crises e tensão e não me refiro apenas a provas e preparos de seminários.
Passei, ainda sem saber como, esses últimos meses longe deles e percebi como é grande a falta que eles me fazem, novos risos jamais vão apagar o som daqueles que passaram, assim como ninguém será capaz de substituí-los. E em momentos como esse eu vejo que o que torna uma pessoa especial não é o tempo que ela está em sua vida e sim a falta que ela faz quando não está presente.
Tudo chega ao fim, toda etapa termina para que outra comece, para finalizar eu só quero dizer que aprendi com esses professores inusitados a guardar lembranças em um baú raso, para que sempre que a saudade bater eu possa abri-lo e tê-los comigo outra vez.
Com eles eu sorri os sorrisos mais sinceros, gritei quando tive vontade, cantei até mesmo quando não deveria, pulei, corri, cai. Cativei e fui cativado.
Enfim, as minhas palavras se destinam aos amigos que fiz, a vocês que tiveram paciência de escutá-las, aos pais presentes, que acredito eu, estão cheios de orgulho agora e a todos os professores e convidados.
Obrigado e um bom e inesperado futuro para todos nós.
Parabéns tradutores e formandos.

Galera, esse foi meu discurso na minha colação de grau no dia 23/01. Foi bom ter escrito, foi bom ter sido orador e foi bom ter homenageado aqueles que fizeram minha vida mais feliz nos últimos anos. Grande abraço, seus sorridentes.

10 sorrisos compartilhados:

{ Flávia } at: 3 de março de 2011 00:33 disse...

Ouun, que lindo o nosso discurso! ^^

Adorei demais! Foi muito tchuco!
E vc tbm foi meu professor! ;)

Beijãoo ♥

{ } at: 3 de março de 2011 01:06 disse...

Lindo discurso! Que curso é?
(Queria postar o meu discurso do 3º ano também, mas acho que rolaria algum tipo de vingança ou processo - falei umas verdades pra coordenadora, ela me odeia até hoje! =])
beeijo

{ Aline Carla } at: 3 de março de 2011 03:40 disse...

Parabéns, emocionei-me a ponto de me vir algumas lagrimas aos olhos!
Muito bonito mesmo! =)

Adriana at: 3 de março de 2011 10:42 disse...

Não te conheço, mas te vi (nas palavras), que por sinal foram bem ditas...Parabéns! Pessoas como vc faz a gente crer que vale a pena: "Um amigo está com você independente de como você seja".
Bjos.

{ Babizinha } at: 3 de março de 2011 12:17 disse...

Que emocionante, Rodolpho! (':
Fiquei imaginando você lendo isso e que mágico deve ser passar por esse momento; nostálgico e único.

Todo mundo espera por conclusões e términos felizes, essa é uma parte da vida que realmente todos esperam: diploma em mãos!

Beijos, garoto do twitter. (:

{ Rafaela Cabral . } at: 3 de março de 2011 14:33 disse...

Nossa mais esse discurso ficou maravilhoso , perfeito ! adorei , de verdade :)
beijos !

{ Sara R. Carneiro } at: 3 de março de 2011 14:40 disse...

Lembrei do discurso que eu fiz na aula da saudade. Eita,quanta saudade!
Mais um ciclo se fechou e o que nos resta? Continuar caminhando, talvez com algumas das companhias antigas - se assim o tempo permitir. Acredito que muitas coisas boas vêm pra ti agora Rô, muitos outros ciclos ainda vão se abrir e fechar, e em todos eles tu vais ter uma história tão bonita quanto essa pra nos contar. Belas palavras. Beijo *-*

{ Ill Circus } at: 3 de março de 2011 15:46 disse...

Você foi orador! Haja coragem, amigo. (me passa a receita depois, quero ser oradora também se entrar na universidade haha)

Ficou ótimo seu discurso, acho que descreveu bem os momentos na facul, isso é o que importa :)

{ Rebeca Amaral } at: 6 de março de 2011 02:52 disse...

Lindo discurso! Aiiiii, parabéns!

{ Alexandre Fernandes } at: 6 de março de 2011 17:58 disse...

Um discurso muito lindo meu amigo! Realmente não foi maçante e clichê. Você soube ponderar bem o essencial. Sobre pesar bem o que era realmente importante comentar. Ficou leve e sublime, realmente contendo o sublime encanto das lições aprendidas durante este período que passou.

Agora é uma nova etapa.

Muita felicidade pra ti nesta nova.

Um abração!

 

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