Keblinger

Keblinger

Plágio é pouco, fui “clonado”

| quinta-feira, 31 de março de 2011


Ok, o título do post está meio exagerado, mas vou explicar tudo.
Esses dias, por ter sido acusado de ter copiado um texto (por alguém que nunca me leu), fiz uma pesquisa para descobrir se havia algum texto parecido ao meu e eis que me deparo com alguns textos meus plagiados (apesar de não ter sido a primeira vez que isso acontece). Consegui falar com a “autora” de um dos blogs que continha dois textos meus, expliquei a situação de forma pacífica, dando a elas as opções de me dar os créditos pelos textos ou apagá-los, ela preferiu a segunda opção, o que eu achei patético da parte dela.
Segue agora uma lista de blogs e fotologs que usaram textos meus sem pedir permissão e sem os devidos créditos. Sim, vou expô-los aqui, porque essa é minha maneira de lutar pelos meus direitos.

Jeh Dias – Plágio de Apenas embarque.
Gk17 (fotolog) – Plágio de Medo de arriscar.

Depois de encontrar esses “roubos” eu parei para respirar e decidi não procurar mais (com medo de encontrar), mas ontem, por acaso, o que eu encontrei foi mais chocante que tudo isso junto.
Uma garota, que se autodenomina blogueira possui um blog chamado A arte de um sorriso, criado dois anos depois do meu, que inclusive tem como frase de cabeçalho a mesma que eu costumava usar aqui: "Não preciso me drogar para ser um gênio. Não preciso ser um gênio para ser humano, mas preciso do seu sorriso para ser feliz." (Charles Chaplin) A qual eu usei até pouco tempo atrás, mas não pára por aí, a mensagem de boas vindas dela também foi retirada daqui: “BEM VINDO, SINTA-SE À VONTADE. Puxa uma cadeira, senta aqui comigo que eu tenho muita coisa pra contar.” Ela muito criativamente chama seus seguidores de “Outros sorrisos”, assim como eu e ainda tem a mesma mania de colocar uma Imagem da Semana no blog. Clique em Clone para ver o blog com seus próprios olhos. Para finalizar esse absurdo, ela pegou meu texto "Amizades", fez algumas mudanças ridículas e dedicou a uma amiga, para ver clique aqui (essa postagem foi publicada no “A arte de um sorriso” pirata, no mesmo dia do meu aniversário, sente a ironia do destino). Eis aqui o link do blog.
Confesso que me enchi de ódio quando vi isso tudo, mas com calma fui lá no blog dela (se é que posso dizer isso), usando todo meu senso irônico e comentei dando a ela as mesmas opções de praxe, pedi ajuda pelo twitter e fui apoiado (agradeço imensamente por isso) e agora espero que a tal se providencie nas alterações o mais rápido possível.
Será que ela não entende que quando as pessoas pensam em A arte de um sorriso, pensam em Rodolpho Padovani? Haha, essa foi para cortar o clima tenso da postagem.

Prosseguindo, encontrei um texto falando sobre plágios e direitos autorais em blogs e achei super interessante, clique aqui para ler e outro texto abordando 7 mitos sobre plágio que também merece ser lido, clique aqui.
Ambos os textos são do Blosque – Blogando com alma e quem realmente se preocupa com isso, deve ler.

Galera, eu sou um cara legal, não queria ter chegado a esse ponto, de verdade, mas não consegui me calar diante disso. Todas as vezes que pediram meus textos, eu os enviei sem criar nenhum problema, não ligo que peguem trechos daqui e usem, desde que meu nome esteja lá. Hoje o blog está mais protegido do que na época em que os textos foram roubados e por isso pode ser que eu ainda vá encontrar, mais cedo ou mais tarde, mais textos meus por aí.
Eu não vejo plágio como um elogio por terem gostado do que escrevi, eu vejo unicamente como roubo e falta de criatividade.
Não vou abandonar o blog por causa desses “incidentes”, pois isso seria aceitar que quem faz isso é melhor do que eu, sendo que é justamente o contrário. Continuarei com a mesma dedicação de sempre, pois meus leitores merecem e sabem que eu prezo muito eles.
Desculpa ter despejado tudo isso aqui, agradeço a quem me apoiar da maneira que convir e até a próxima postagem.

O homem de pedra - Parte 9 (Final)

| quarta-feira, 30 de março de 2011
Hora do conto - Para entender, leia a Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6, Parte 7 e Parte 8

Trevor arregalou os olhos assustados e olhou ao redor em busca de ajuda.
- O que você disse? - balbuciou Ártemus.
- Você ouviu perfeitamente, agora mate o garoto – ordenou a bruxa.
- Ninguém vai tocar no meu irmão – falou Raquel que saíra de trás das árvores.
- Ora, ora, isto está ficando interessante – sibilou a velha.
- Eu não acredito que você fez isso, Ártemus. Você passou todos os limites...
- Eu... eu não sabia, ela me enganou – defendeu-se ele.
- Por que você fez um pacto com ela?
- Ele não te contou? – perguntou a velha com uma expressão falsa de espanto – Ora, é claro que ele não contaria. O jovem guerreiro quer seu coração só para si, ele concordou em matar o seu irmão para que seu desejo pudesse se realizar.
- Não, por que você está fazendo isso comigo? – ele indagou.
- Esqueça o garoto, eu quero o sangue dela agora, quero a beleza dela toda para mim... – a velha se aproximou da moça como um lobo acuando a presa.
- Afaste-se dela, sua velha maldita – Athos finalmente destrancou a voz que desta vez não bateu nos dentes e retornou. Sua voz ressoou como um trovão abafado pelas nuvens. Seus músculos se contraíram, seus braço e pernas se moveram. Ele já não era mais feito de pedra. Todos o encararam, surpresos.
- Não, isso não pode estar acontecendo – berrou a bruxa – Eu vou te matar, vou acabar com seu amor e assim ele voltará a ser pedra – a velha deu um passo na direção de Raquel.
Athos agarrou o arco das mãos de Trevor e uma flecha de sua aldrava e com sua precisão atirou-a. A flecha voou livre no ar, cortou as chamas da fogueira e flamejante atingiu o coração da bruxa, que entrou em combustão e explodiu em seu peito. A velha deu um grito sufocado e tombou para trás, sem vida.
Athos caiu sobre os joelhos e sentiu o peso dos anos, da dor, da saudade e de todos os sentimentos que duelavam em seu peito e deixou as lágrimas se atirarem nas folhas do chão.
- O que foi? – Raquel perguntou e correu de encontro a ele, lançando seus braços envolta do homem.
- Eu já tinha perdido a esperança de voltar a ser normal, eu perdi tanta coisa em minha vida, eu...
- Você vai ficar bem – ela disse.
Ártemus encarou o corpo caído da velha e o homem que outrora fora uma estátua e um temor se apossou de seu corpo, ele correu por entre as árvores de volta para o vilarejo.
- Como tudo isso aconteceu? – perguntou Trevor – E a propósito, obrigado por salvar as nossas vidas.
- Eu não sei porque fui amaldiçoado nem o que reverteu isso, eu... Meu Deus, eu só quero voltar para casa – Raquel ajudou-o a se levantar e pela primeira vez, o olhar dos dois se encontrou e lá no fundo da pupila dela, ele encontrou a resposta para tudo e ela, ao contemplar os olhos dele que lembravam um poço obscuro, enxergou muito mais do que os outros viam. – Foi você, você quebrou a maldição – ele disse.
Trevor olhou para a irmã que deu de ombros e os três voltaram para a vila.
Assim que atingiram a orla da floresta, avistaram uma multidão que os esperava. Ártemus chegara berrando “o homem de pedra voltou” e todos acharam que ele havia enlouquecido, mas agora entendiam.
A mãe de Raquel sentiu o coração martelar com força, como se quisesse abrir a pele e se jogar ao ar livre.
Athos saiu das árvores e ao encará-la estancou o passo e ficou boquiaberto. Ele jamais esquecera aquele rosto e agora percebia porque a moça conversadeira era tão familiar.
- Ramona – ele conseguiu sussurrar.
- Você conhece a minha mãe? – perguntou Raquel confusa.

Athos não sentiu o coração bater mais forte ao estar na presença de Ramona, ela era como qualquer outra pessoa. Em seu peito havia espaço somente para Raquel, seu coração pertencia a ela agora.
- Precisamos conversar – Ramona disse à filha e todos se dirigiram à sua casa sob os olhares indagadores dos habitantes da vila.
Ramona contou a Raquel que Athos morava na vila quando ela era jovem, contou que o visitara na floresta quando ele havia sido transformado em pedra e que nunca mais o vira depois que se casou. Ela não sabia o que sentia por ele, na época, e por isso não falou nada sobre esse assunto. Athos ouviu a conversa calado.
Todos queriam saber o motivo da maldição e o único que poderia dar essas respostas era Ártemus.
Raquel foi em busca do caçador enquanto Athos se dirigiu para sua casa, que estava intacta desde quando ele partira, há vinte e seis anos.
- Ártemus, você precisa me dizer o que aconteceu lá – Raquel disse assim que o avistou.
Então Ártemus revelou tudo o que a bruxa lhe dissera, que havia amaldiçoado Athos por vingança pela morte de seu pássaro e que somente um amor verdadeiro reverteria a maldição, por isso ele queria afastá-la do homem de pedra.
- O que você fez foi imperdoável, Ártemus, eu não posso ficar com você – ela disse por fim e deu as costas ao caçador e foi ao encontro de Athos.

Os dois realmente havia se apaixonado e aquele amor que surgiu do nada, foi crescendo a cada dia mais. Raquel e Athos se casaram no ano seguinte e tiveram dois filhos.
Ramona estava orgulhosa da filha e feliz pela volta do caçador. Ela percebeu que se ele não tivesse sido amaldiçoado, ela não se casaria e não teria a família que tinha e tudo seria diferente. Algumas coisas ruins acontecem para que algo grandioso e bom venha pela frente.
Trevor se tornou um arqueiro habilidoso depois de tomar aulas com Athos.
Ártemus se casou com uma jovem que sempre fora apaixonada por ele e finalmente descobriu o que é o amor e soube que aquilo que sentira, certa vez, por Raquel não o era.
Athos se tornou um homem melhor, passou a conviver com todos e a respeitar as pessoas. Tornou-se um homem amável, um marido excelente e um pai amoroso. No fim ele não conseguia culpar a bruxa, afinal, por causa do que ela fizera, ele agora sabia o que era felicidade.

O vilarejo vive em paz desde então e nunca mais nenhum faisão foi avistado pelas redondezas.

Mais um final de conto, quando escrevi esse conto pela primeira vez, eu nunca imaginei que pudesse chegar até aqui. Gosto quando a história cria vida por si só e me surpreende. Espero que quem acompanhou tenha gostado. Eu gostaria de pedir a quem acompanha meus contos em partes, que votem na enquete. Obrigado e um grande abraço.

O doce amargo da saudade

| segunda-feira, 28 de março de 2011

Quer provar desse sabor?
Não (Eu sei que ninguém quer, mas clica logo em SIM, haha)

O homem de pedra - Parte 8

| sábado, 26 de março de 2011

Raquel voltou para o vilarejo, sendo seguida por uma tristeza enorme que acompanhava cada passo seu. Na cabeça, um turbilhão de pensamentos insanos e no coração uma tempestade de sentimentos em confronto.
Depois de todos os anos vivendo na solidão, ela finalmente encontrara um lugar onde havia paz e lá, seu coração vulnerável e esperançoso depositou as expectativas grandiosas em algo irreal. Ela sabia o que estava sentindo, exatamente por nunca ter se sentido daquela maneira, mas de que adianta alimentar um sentimento que futuramente se tornará grande o bastante para devorá-la?
Entre lágrimas, dores e dúvidas, ela chegou em casa e se trancafiou em seu quarto. Observou a noite se derramar no céu e afundou em pensamentos sobre o homem de pedra. A lenda que ela crescera ouvindo, contava que aquele homem era real, que ele um dia fora um grande caçador, mas ninguém nunca soube responder o motivo pelo qual ele havia sido amaldiçoado, tampouco sabiam como reverter a maldição.
Ao pensar nessa história como verdadeira, Raquel nutria uma esperança de que debaixo daquela casca dura e fria, havia alguém de carne e osso e pensar nisso machucava ainda mais seu coração que decidira se manter distante.
“Preciso esquecê-lo”, sua voz soou sem forças em sua mente, mas ela sabia que quando o coração lhe conta verdades, não há como mentir para si mesmo.

O jovem caçador deixou a floresta quando a lua cintilava elegantemente no céu, como uma espectadora da história toda desde o início.
Ártemus tentava decifrar as palavras sem nexo da bruxa. Seus olhos atentos procuravam por alguém e um sorriso satisfeito brotou em seu rosto quando ele o encontrou.
- Trevor, eu queria falar com você.
- Comigo? – indagou o garoto confuso.
- Sim, lembra que você me disse que gostaria de aprender algumas lições de caça? – Trevor assentiu com a cabeça – Acho que amanhã seria um ótimo dia para isso. Posso te ensinar alguns truques pela tarde, o que você acha?
- Acho ótimo – respondeu ele empolgado – Amanhã, de tarde. Levo meu arco? – Ártemus fez que sim e foi para sua casa.
No dia seguinte, ele passou a manhã pensando na decisão que havia tomado e ainda não sabia exatamente o que deveria fazer, mas um lado egoísta dentro de si lhe dizia que era a coisa certa.
Quando a tarde chegou, ele encontrou Trevor no centro da vila, com seu arco em mãos e uma aljava pendurada nas costas com algumas flechas.
- Você está pronto? – ele perguntou ao garoto sorridente.
- Sempre, vamos logo. – Trevor respondeu.
Os dois se embrenharam na mata silenciosa.

Raquel acordou coberta por uma melancolia que se impregnara em seu corpo desde a noite passada. Ela se levantou, arrastando os pés, e comeu pouca coisa no desjejum. O resto da manhã foi improdutivo, ela ficou sentada olhando a floresta através do vidro da janela e quando a tarde chegou, ela percebeu que não poderia lutar contra a força daquilo que sentia.
Ela precisava voltar para onde seu coração havia feito morada.
Apanhando um manto cinza, ela cruzou a orla da floresta, ainda sem saber que aquele dia lhe reservava grandes surpresas.
À medida que caminhava, ouviu vozes indistintas à sua frente e uma delas parecia a de seu irmão, então apressando o passo, ela avistou o caçula ao lado de Ártemus e continuou seguindo-os em silêncio.
Os dois se encaminhavam diretamente para onde o homem de pedra estava.
Um clarão chamou sua atenção e à espreita, camuflada pelas folhagens, ela viu quando o caçador e seu irmão se aproximaram de uma velha diante de uma fogueira.

Athos assistiu calado e cheio de raiva, a bruxa montar uma fogueira em sua frente. Algum tempo depois, duas outras pessoas se aproximaram.
- O que estamos fazendo aqui? – perguntou Trevor, com maus pressentimentos. - Quem é ela?
- Vejo que trouxe o garoto – a velha sibilou.
- Agora cumpra sua parte no acordo – rebateu Ártemus.
- Não se precipite, meu guerreiro, você não se recorda de minhas palavras? – a bruxa indagou e falou antes que ele respondesse – Quando a juventude a mim, por tuas mãos for entregue, ordenarei que os obstáculos em teu caminho, o vento carregue.
- O que isso quer dizer? – ele perguntou.
- Que você deve matá-lo e me entregar seu sangue.

EM BREVE – PARTE 9 (FINAL)

O homem de pedra - Parte 7

| quinta-feira, 24 de março de 2011

Athos sentiu o corpo inteiro vibrar com a pancada na cabeça, imaginou que o golpe o racharia de uma ponta a outra, mas nada aconteceu. Ele permaneceu intacto, ouvindo a batida ecoar dentro de si.
- Quebre, estátua maldita – berrou Ártemus e golpeou o peito, as costas e mais uma vez a cabeça do homem de pedra.
- Já chega, Ártemus – Raquel gritou e se colocou entre o homem furioso e a estátua.
- Por que você está defendendo isso? – a moça não respondeu – Por quê? Responda.
Os olhos de Raquel se encheram de lágrimas.
- Vá embora, me deixe em paz.
- Por quê? – gritou Ártemus e atingiu novamente a estátua.
- Porque eu o amo – ela gritou em resposta.
- O quê? Você enlouqueceu? Isso é uma estátua.
- Talvez eu tenha enlouquecido, eu me sinto bem aqui com ele...
- Raquel, eu... Você não pode estar falando sério.
- Eu quero ficar sozinha, vá embora, por favor.
Ártemus encarou a moça, em silêncio, depois olhou com raiva para o homem empedrado e saiu dali.
Athos ouvira a discussão e não soube, exatamente, como processar tudo aquilo. A moça dissera que o amava. Ele se perguntava se aquela sensação de preenchimento quando ela estava ali e de vazio quando ela partia, poderiam ser sintomas de amor.
Ele sabia que alguma coisa havia mudado, que por dentro ele se sentia melhor, como se uma outra pessoa tivesse tomado seu lugar. Ele aprendera a enxergar beleza em coisas que antes eram insignificantes, ele ouvia o vento sussurrar em seu ouvido de pedra e ele só dizia coisas boas. Ele observava as flores sacudindo em sua frente e pensava em colocar uma nos cabelos de Raquel. Ah, Raquel estava sempre em seus pensamentos, ela dançava em sua mente, sorria aquele sorriso que emanava calor e conversava com aquela voz de veludo que acariciava o ambiente.
O homem de pedra sentia o coração bater mais forte quando ela chegava.
“Por que choras, minha donzela?” Ele perguntou interiormente.
Raquel jogou os braços envolta da estátua, num abraço disforme e deixou suas lágrimas caírem sobre os ombros de pedra fria do homem.
- Eu não sei como ele veio parar aqui – ela falou num tom de desculpas – O que ele fez foi horrível – ela soltou os braços e encarou Athos nos olhos.
Ele observou aquele olhar, um olhar que jamais fora lançado em sua direção.
- Eu não sei porque eu disse aquilo, na verdade, eu não sei o que está acontecendo comigo. Eu penso em você toda vez que eu vou dormir, eu acordo desejando que o tempo voe depressa para que eu venha até aqui. Eu não sei o que é isso que estou sentindo, Homem-estátua. Eu devo estar enlouquecendo. Como meu coração pode se encher tanto de alegria por alguém que não é real? Como eu posso amar alguma coisa que nunca vai me amar de volta? – os olhos dela tornaram a marejar – Eu tenho que me afastar, tenho que me proteger de um sentimento sem razão. Eu peço perdão, mas acho que isso é um adeus.
Athos sentiu seu coração rasgar por dentro e gritar desesperado para que ela ficasse. Ele não suportaria outra despedida. Ele que sentia que a vida voltava a fazer sentido, que estava enfim descobrindo como é ter uma companhia, que descobrira um sentimento novo que brotara em seu peito de forma involuntária. Ele não poderia ficar longe dela, somente ela o fazia se sentir como um ser humano.
Apesar dos gritos mudos do homem de pedra e da dor que perfurava seu peito, Raquel deu as costas e caminhou de volta para o vilarejo.

Ártemus caminhava apressado por entre as árvores, sentindo o ódio percorrendo em suas veias.
- Olá, meu jovem guerreiro – uma voz atraiu sua atenção, ele olhou para o lado e viu uma velha surgir por detrás de uma árvore – Eu posso te ajudar a conseguir aquilo que deseja, só preciso de uma pequena coisa em troca. – e ele ouviu a proposta da bruxa – O que você me diz? Vai deixar que eu te ajude?
- Eu vou – ele respondeu com convicção.

EM BREVE – PARTE 8

Respirando arco-íris

| terça-feira, 22 de março de 2011

♪ (...) Somewhere over the rainbow blue birds fly
And the dream that you dare to, why, oh why can't I? ♫

Era ela que eu via através do vidro de minha janela. A comedora de nuvens.
Eu sempre a admirei por seu entusiasmo e disposição de se atirar ao vento sem medo de cair, quanta imprudência para uma garota de pensamentos flutuantes, mas é claro que ela deveria ser leve feito pluma e planaria no ar graciosamente antes de atingir o chão.
Toda manhã ela corria até o balanço e corajosamente dosava a impulsão perfeita para uma decolagem digna de um pássaro pomposo e então a gravidade, insistentemente, a puxava de volta e ambas brincavam. Nesse vai-e-vem os sorrisos dela refletiam a luz do sol, como se cada raio do grande rei se curvasse diante a magnífica curvatura dos lábios finos da garota no balanço.
O vento dançava ao redor dela, tentando agarrá-la vez ou outra, mas ela sempre escapava de seus dedos instáveis e invisíveis, desistindo de sua missão nada secreta, o soprador de brisa se tornava mais ameno e acariciava os cabelos dela que saltavam de emoção de um lado para o outro.
Eu nunca cheguei a ouvir a sua voz, mas podia imaginá-la nos mínimos timbres. Ela deveria soar como notas musicais fugitivas das teclas de um grande piano de cauda, assim como uma melodia suave que escutamos em dias nublados. E também seria delicada como a pétala de uma rosa, que lhe pesa as pálpebras ao deslizar pela pele.
Os olhos da garota no balanço são carregados de potes de esperança que jamais se esvaziam ou ficam meio cheios. Eles pulsam vida, talvez até demais, uma sede que ao invés de saciada se derrama pela grama verde. Não sei quais suas cores, mas imagino que contenha um emaranhado de matizes vivas.
A doce garota que sobe alto entre o céu e a terra e depois se prende ao mundo terreno emana um tipo de sensação que contagia a todos ao seu redor.
Entretanto eu não deixava de ficar triste a cada noite quando minha mente vagava nas lembranças grudadas no vidro, pois assim como eu, ela corria desenfreadamente rumo a um beco sem saída. Se ela estava ali, naquele mesmo prédio branco, impessoal e ladrão de almas juvenis, era porque não havia mais o que fazer. Aquela era nossa última parada, a estação final de nossa viagem que durou menos do que deveria.
Eu sempre a vi pela janela, pois nunca pude sair de meu leito, nunca pude caminhar com minhas próprias pernas, pois meus movimentos foram tomados de mim antes mesmo que eu soubesse que os possuía e minha consistência frágil não me permitia contato com as pessoas de fora.
Apesar dos encantos das manhãs ensolaradas, o que eu mais gostava ali era dos dias de chuva. Enquanto as gotas finais eram espremidas das nuvens, um grande pincel desenhava no céu as linhas de um arco-íris opaco que se intensificava lentamente. Nesses dias, eu via a garota sair pelo campo, olhar para o alto, empinar o nariz e respirar os tons que vertiam do imenso quadro.
Se ela podia respirar arco-íris, eu poderia então respirar sonhos. Embora metade de mim seja preto e branco, a outra metade transborda cores.
Toda noite pergunto à lua se aquela será a noite de meu último suspiro e ela lá de cima, silenciosamente bela, finge-se de desentendida e nunca me responde. Um dia essa noite chegará. Um dia a garota do balanço também recolherá os grãos de vida que lhe foram tirados e os colocará numa mala para uma nova viagem. Não posso dizer quem de nós partirá primeiro, enquanto isso eu verei a cortina noturna se abrir para o dia subir ao palco e assistirei a estrela maior da peça brilhar no teatro da vida.
Subindo e descendo. A inventora de risos.

O homem de pedra - Parte 6

| domingo, 20 de março de 2011
Hora do conto - Para entender, leia a Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4 e Parte 5

Athos se perguntou há quanto tempo a bruxa havia retornado às redondezas e por que havia feito isso. Em sua cabeça, ela era a única que poderia fazer com que ele voltasse ao normal, mas seus muitos pensamentos sobre sua condição pétrea foram ofuscados por alguém que se aproximava.
- Hoje foi um dia cansativo, Homem- estátua – confidenciou Raquel que carregava um cesto de palha. – Quase não consegui vir até aqui, meus pais colocaram Trevor para me vigiar, mas eles deveriam saber que ele é meu cúmplice nisso.
“Que maravilha”, ele pensou com sarcasmo.
- Sabe, acho teu silêncio reconfortante, assim eu posso falar tudo para você sem ser julgada, é perfeito.
“Não queira saber o que meu silêncio interior está dizendo”, ele quis revirar os olhos, mas apenas observou a moça forrar o chão com uma tolha xadrez e sentar-se sobre ela.
- Normalmente eu te ofereceria alguma coisa, mas isso não faria sentido – ela riu e apanhou um pão da cesta. – Ontem a noite eu fiquei um bom tempo pensando nisso tudo, em ter você como amigo, eu sei o quanto isso soa estranho, mas acho que é assim que eu te vejo, apesar de ter te conhecido há pouco tempo. Deus, eu estou falando com uma estátua, só posso estar enlouquecendo. – ela ficou um tempo calada, apenas comendo.
A moça terminou de comer tudo o que trouxera, contou a Athos sobre a estação da caça que estava prestes a começar e logo em seguida partiu, carregando uma cesta vazia e uma tolha suja.
Athos escutou seus passos se distanciarem e saudou a solidão novamente, mas desta vez percebendo que estava começando a gostar da companhia da moça faladeira.
E assim dias se vestiram de noite várias vezes e em todas as tardes Raquel se embrenhava na mata para visitar seu amigo empedrado, que somente ouvia suas palavras.
O caçador de pedra passou a desejar que as horas se passassem depressa para que ele pudesse ficar diante da moça mais uma vez e escutar tudo o que ela tinha a dizer. Ele começou a sentir um calor dentro de si, que começava a espalhar pela pedra fria de seu corpo todo.

Ártemus certa vez perguntou a Trevor aonde sua irmã ia todas as tardes, sem obter uma resposta decidiu segui-la para descobrir por si só.
De longe ele avistou-a conversando com a estátua, ainda que não pudesse ouvi-la muito bem, ele provou uma sensação desagradável que começava na boca do estômago e lhe subia à garganta.
- Então você é real, homem de pedra? – ele olhou com desdém para a estátua assim que a moça deixara o local.
Ele passou a seguir Raquel quase todas as tardes e não estava gostando do que presenciava, a moça parecia outra pessoa na presença da estátua, era como se ela se sentisse mais livre para ser ela mesma.
Seus pensamentos ardilosos formulados pelo ciúme lhe deram uma ideia que ele pretendia concluir em breve.

- Olá, outra vez – essas simples palavras proferidas por aquela voz que passou a ser tão conhecida, fazia brotar um sorriso caloroso no peito de Athos que desejava que aquele breve tempo pudesse se estender para sempre.
“Ah, minha garota, se você pudesse saber o bem que tem me feito”, ele disse com sua voz enjaulada.
- Eu trouxe meu irmão para que te conhecer – ela disse e um garoto de olhar esperto apareceu na frente das vistas do homem de pedra.
“Eu sinto que te conheço há muito tempo, Trevor, mas é um prazer”, ele falou calado e se deu conta de que aquela era, ironicamente, a primeira vez que saudara outro homem daquela forma e ele gostou da sensação.
Ele começou a notar mudanças em si mesmo depois que passou a gostar das visitas de Raquel, da mesma forma que ela confia nele para ser quem era, ele, de alguma forma, sentia que ela o via além do que ele supusera que podia ser, como um amigo e um alguém merecedor de atenção por ser somente comum.
Em toda sua vida, Athos teve a necessidade de envaidecer seu ego e se mostrar como um homem superior aos outros, como se aquilo fosse algo que lhe fizesse bem, enquanto, contrariamente, aquilo tudo lhe causava mal e lhe afastava dos outros. A moça lhe ensinara uma lição valiosa, ainda que nem tivesse conhecimento disso.
Naquela tarde, Raquel ficou por menos tempo do que o costume, pois estava com seu irmão lá, mas sussurrou para Athos que compensaria o tempo no dia seguinte.

A moça caminhou apressada até seu companheiro de todas as tardes e ao chegar onde ele estava se deparou com algo inesperado.
Ártemus estava diante da estátua, segurando um machado no alto da cabeça, prestes a despedaçá-la.
- Ártemus, não – ela gritou desesperada e sentiu o coração apertar.
Um olhar maligno cruzou o rosto do homem e o machado desceu.

De trás das árvores, nas sombras da floresta, a bruxa assistiu toda a cena.

EM BREVE – PARTE 7

O homem de pedra - Parte 5

| sexta-feira, 18 de março de 2011
Hora do conto - Para entender, leia a Parte 1, Parte 2, Parte 3 e Parte 4

Raquel voltou para o vilarejo e encontrou seu irmão parado diante da porta de sua casa, ele exibia um olhar profundo, como se uma sombra estivesse se formado sobre sua cabeça.
- Eu o encontrei – ela disse a ele.
- Eu tinha certeza que você diria isso, sendo verdade ou não, o que acredito que não seja – ele retrucou irritado.
- Mas é verdade, ele está lá na floresta, um homem de pedra branca. Ele está sujo e todo coberto de...
- Venha já para dentro, Raquel – a voz de sua mãe soou abafada por detrás da porta.
- O que você disse a ela? – a moça perguntou aborrecida ao irmão.
- Nada, eu juro.

De todos os rapazes exibidos da vila, Ártemus era o pior de todos eles. Ele era um jovem forte para os seus vinte e cinco anos, todo sorridente para as donzelas que cruzavam seu caminho, mas como todo jovem caçador pretensioso à procura de uma presa, ele já escolhera quem seria a merecedora de estar ao seu lado.
Sempre que Raquel passava, ele a cortejava cheio de si, ora elogiando os inúmeros atributos que até mesmo ela desconhecia de si mesma, ora declamando versos horríveis que ele insistia em escrever.
"Eu ainda vou me casar com essa mulher." Ele dizia a si mesmo depois de ser ignorado por ela.

No dia seguinte, Raquel, furtivamente, se esgueirou para dentro da floresta e deixou seus passos apressados lhe conduzirem até o homem empedrado.
- Olá, Homem-estátua, eu não sei seu nome, pois todos no vilarejo temem dizê-lo em voz alta por acreditar que uma maldição vá atingi-los. Meu nome é Raquel - ela disse a Athos, que apenas ouvia, silencioso como sempre. - Quase me meti em apuros por sua causa, meu irmão desocupado contou a nossos pais que eu estive aqui, minha mãe tomou minha noite com sermões de como é perigoso entrar na floresta desacompanhada e... - e ela começou a contar de sua vida, sua rotina no vilarejo, falou das brigas com irmão.
- ... e tem também o Ártemus, um sujeito metido que está sempre me cercando e me aborrecendo. Ele é bonito, eu sei, um bom partido, todas as moças da vila gostariam de ser cortejadas por ele, mas eu não quero isso para mim, sabe? Não quero um casamento arranjado... - ela desabafou opiniões sobre relacionamentos.
- ... eu já disse para todo mundo que eu não sei cozinhar, toda vez que tento fazer algo, minha comida fica horrível ou eu a queimo. Às vezes eu acho que eu nasci na época errada, é como se tudo aqui não me atraísse e assim eu sinto que não pertenço a este lugar. Não sei se você já se sentiu assim, sozinho no meio de muita gente. Eu não sou uma garota que precisa ficar falando o tempo todo, sei bem dos meus pensamentos e guardo-os para mim...
"Por favor, fique quieta", Athos implorou, se arranhou por dentro desejando ser capaz de fazê-la se calar.
- Acho que falei demais por hoje, adeus Homem-estátua, amanhã nos vemos - ela disse e se afastou dali.
Athos ouviu as últimas palavras dela e mais do que qualquer outro dia, quis fugir dali e desaparecer para sempre.

Um faisão imponente e majestoso cruzou a vista do homem de pedra, aquele era um sinal de que a bruxa estava de volta.

EM BREVE - PARTE 6

A menina que queria morar na casa verde

| quarta-feira, 16 de março de 2011
Acostumamos-nos com as coisas devido a repetições. Eu vejo várias pessoas passar pela minha calçada, vários rostos com fachadas sorridentes que escondem tristezas ou mascarados com uma carranca que ocultam um pedido de ajuda, dia a dia eles passam por aqui e alguns deles se tornaram familiares pela frequência que eu os via.
Para cada pessoa que se tornava conhecida de meus olhos eu criava uma história, imaginava motivos que levaram seus passos até ali, criava problemas, amores, desamores e brincava de ser autor da vida alheia como um escritor fajuto de novela.
Por vezes seguidas acompanhei o olhar de uma garota a uma casa de esquina, ela observava a casa com um ar sonhador, logo me pus a criar sua história. Ela era uma garota triste que queria recomeçar sua vida numa casa nova... Não, ela não aparentava ser triste, ela era uma garota que preferia o silêncio e a solidão a ficar ao redor de pessoas que não lhe fazem bem. Isso, criei minha personagem.
Contudo, eu não estava satisfeito com a composição de tal pessoa e fiz algo que nunca havia feito antes, fui conversar com minha personagem, quis saber pela boca dela qual era a história que ela escrevia.
Comecei com um simples “olá” inseguro e ela, muito educada, respondeu o cumprimento e perguntou como eu estava. Eu não quis saber seu nome, pois gostava de nomear os rostos desconhecidos, assim ela não se incomodou em dizê-lo, tampouco perguntou o meu, acho melhor assim, não me envolver completamente com um personagem.
Conversamos por cerca de meia hora aquele dia e ao perguntar, ela me disse que sempre tivera vontade de morar na casa verde, mas não tinha um motivo propriamente formado para isso, ela simplesmente gostava da casa e isso era o bastante.
A casa não era grande nem de luxo, o que me dizia que a garota não era materialista e fútil, ela só queria um lugar para chamar de seu, um canto na parede para seus livros e uma área com espaço para um cachorro. Os olhos dela brilhavam a se imaginar com essas coisas ao seu alcance.
Em toda oportunidade de diálogo, lá estávamos nós discutindo sobre a vida, ela me pareceu bastante centrada e segura do que queria para si, porém raramente deixava cair algum fato pessoal, percebi então que ela era alguém que só se abria para aqueles que realmente tinham sua confiança e não a julguei por isso. Ela tinha sonhos, claro, além da casa verde, eram sonhos de todas as cores e ao falar sobre eles, ela viajava num mundo que parecia só dela. Vez ou outra ela deixava escapar nomes que não faziam o menor sentido para mim, mas ela falava dos donos desses nomes com uma emoção que nem me cabe explicar.
A garota tinha um grande apreço pelas pessoas de quem falava, ela contava histórias sobre elas, ria consigo mesmo e me contagiava. Ela se mostrou também uma grande amante de músicas, de vários estilos, mas a maioria me soava estranhamente desconhecida e eu sentia que se ela nunca te tivesse me mostrado, certamente eu nunca viria a conhecê-las.
Muitas vezes eu a via de longe e não me aproximava, simplesmente a deixava com seus pensamentos sonoros e seus fones de ouvido sintonizados em suas canções suaves. E ela passava pela rua, diminuía o passo para observar a casa verde que talvez nunca viesse a ser sua, mas que era um apego que ela tinha, uma forma de sonhar com um amanhã melhor do que presente, uma maneira de escapar da realidade.
Pouco a pouco deixei de vê-la, suas caminhadas por aquela área se tornaram mais raras, até que não a vi mais e nem sequer me lembro da última vez nem das últimas palavras que trocamos.
Aquele minha personagem anônima sumiu de minha vida sem que eu pudesse planejar um fim para sua história, que com certeza ainda está sendo escrita por outros cantos, mas imagino que ela ainda sonhe com a casa na esquina e seu cachorro companheiro. Ela está por aí, vivendo a sua vida ao redor daqueles que lhe são importantes, ora quieta em seu canto particular, plantando sonhos futuros, ora entre risos divertidos com amigos, saboreando as coisas boas da vida.
Não vou criar um final para ela, pois nem mesmo sei como o faria. Uma vida real não pode ser terminada na ficção, foi pensando assim que parei de escrever finais para meus personagens, eu apenas lhes dava um nome, inventava um passado e montava um presente, mas os deixava livres para viver um futuro como bem entendessem.
Pois a vida é assim, uma caixinha de surpresas que a gente abre em cada amanhã.

A história pode ser real ou não, depende do ponto de vista de cada um. Depende de quem conhece a menina ou de quem apenas ouviu falar dela, como vocês. Abraços.

O homem de pedra - Parte 4

| terça-feira, 15 de março de 2011
Hora do conto - Para entender, leia a Parte 1, Parte 2 e Parte 3

As palavras da moça lhe atingiram no peito como uma flecha envenenada, ele sentiu que a solidão mais uma vez desdobrara seu manto frio e lhe cobria com ele.
E assim, acompanhado do vento sussurrante, das ervas daninhas e das trepadeiras que, teimosamente, se enroscaram em suas pernas e escalaram seu corpo de pedra, vinte e seis invernos se passaram.
Foram anos silenciosos e vazios. Athos já não sentia mais nada, a pedra agora lhe tomou por inteiro, corpo e alma.

O vilarejo sofreu muitas mudanças conforme os anos passavam, a colheita estava farta novamente, as pessoas estavam felizes, as temporadas de caça eram mais raras e com isso a floresta se tornou uma espécie de mau agouro, principalmente por causa da lenda do homem que fora transformado em pedra. As crianças cresciam ouvindo essa história e tremiam só de passar pela orla da floresta.
Os caçadores que ainda se propunham a sair em busca de carne eram considerados homens deveras corajosos e muitos queriam fazer isso apenas para adquirir certo respeito.

- Nós não devíamos estar aqui – resmungou Trevor, um garoto de dezessete anos.
- Eu quero saber se é verdade – retrucou Raquel, sua irmã de vinte e quatro anos – Todos esses anos ouvimos a história dele, como se fosse uma lenda, mas eu sei que é real, ele está por aqui. – e ela caminhou mais profundamente por entre as árvores.
A moça era uma típica curiosa, sempre ávida por descobrir os mistérios por trás das coisas, não continha sua língua e vivia fazendo perguntas e quando não obtinha respostas, ia atrás delas onde quer que elas estivessem.
- Eu vou voltar para o vilarejo...
- Você ainda está aí, Trevor? Achei que tivesse te despistado há duas árvores – a moça falou impaciente – Não preciso de ninguém para me atrapalhar.
- Eu vou contar tudo para o pai, ele vai ficar uma fera por saber que você entrou na floresta. – ameaçou o irmão.
- E quem é que me acompanhou até aqui? – indagou ela sabiamente e sorriu ao ouvir o silêncio do garoto.
- Tudo bem, – ele falou depois de um tempo, seguindo a irmã que não parava de caminhar e se desvencilhava do mato alto – eu não conto para ninguém, mas eu vou mesmo voltar, não existe nenhum homem de pedra.
Raquel continuou seu caminho mata adentro, ignorando as reclamações do irmão. Ao cruzar uma parede de arbustos ela topou com uma estátua suja, afetada pelo tempo e coberta de trepadeiras e musgo. A parte do rosto era a única que não estava encoberta.
Ela observou a expressão do homem, seu olhar melancólico, como se ele suplicasse por alguma coisa.
Ela ouviu um farfalhar atrás de si e disse:
- Acho que é agora que você admite que estava errado, Trevor – mas não era seu irmão, era apenas um pequeno roedor que fugiu de medo assim que ouviu a voz dela. – Eu sabia que você era real – ela disse olhando nos olhos da estátua.

Athos ouviu uma voz distante, que parecia fazer parte de um sonho que ele tivera há muito tempo. Num átimo de segundos seus sentidos retornaram e seus olhos avistaram uma bela moça, mais uma vez ele desejou poder dar um sinal e mais uma vez não conseguiu.
Ele observou o sorriso de contentamento no rosto dela e a perdeu de vista logo em seguida, quando ela partiu deixando ao vento o som das folhas se quebrando a seus pés.

EM BREVE – PARTE 5

Uma carta e a caixa-preta

| domingo, 13 de março de 2011






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Entre goles e palavras

| sexta-feira, 11 de março de 2011
Acompanhado pelo fracasso de seus livros inacabados, o jovem escritor brigava com as teclas duras de seu velho teclado, tentando traduzir seus pensamentos em palavras. Um gole do copo de uísque desce queimando e as pupilas dilatam, as personagens e histórias se embaralham em sua mente como cartas de baralho esparramadas na mesa.
O cômodo escuro reflete seu humor sombrio, o ambiente está enevoado pela fumaça do cigarro que repousa no cinzeiro. Sobre a mesa de canto, uma luminária ilumina papéis rabiscados, riscados e cheios de palavras soltas, manuscritos sem fim nunca lidos por outros olhos. Estantes de livros empoeirados se prostram nas paredes atrás do homem, como sentinelas.
A luz pálida da lua adentra sem convite, escorregando pela janela aberta enquanto a brisa noturna se diverte com a cortina puída. Uma tragada no cigarro quase totalmente queimado apetece os sentidos literários do rapaz e seus dedos se põem a correr sobre o teclado, bailando de uma letra à outra, ao mesmo tempo em que as ideias interligadas se projetam na tela, uma junção de frases aleatória conectadas como cabos elétricos de um aparelho qualquer. O homem relê tudo aquilo que escreveu, xinga-se inaudivelmente e vê a barrinha correndo contrária, por uma ordem sua, apagando todos os caracteres.
Ele havia decidido veementemente que terminaria aquela história naquela noite, antes de o sol se erguer imponente no horizonte. Ele deixa a cadeira desconfortável, estica os braços e caminha em círculos pelo cômodo escuro sobre o tapete sujo, tateia o interruptor e muda sua posição várias vezes, até se lembrar de que a lâmpada estava queimada. Da parede oposta, apoiado em uma das estantes, ele observa a luz fosca que a tela do computador derrama sobre a mesa e cadeira à frente. A cadeira vazia era como um espelho para sua mente, que parecia funcionar somente sob o efeito do álcool, então ele se aproxima da mesa, ergue o copo e o esvazia num único gole. A bebida amarga faz os pêlos de seus braços se arrepiarem e ele balança a cabeça numa careta, depois apanha a garrafa e um pouco de gelo e volta a encher o copo.
Com a visão já embaçada, ele se senta novamente diante da tela em branco e observa a barrinha piscando, à sua espera. O tique-taque do relógio antigo na mesinha de centro anuncia repetidas vezes que o tempo não pára, que as horas se arrastam diretamente para o iminente dia seguinte.
Ele analisa seus escritos sobre a mesa, papéis e mais papéis contendo vidas irreais que escorreram de sua mente, palavras construídas com a genialidade de um arquiteto de letras. O rapaz guarda dentro de si um talento impressionante, um dom que se agarrara em sua alma desde quando ele viera para esse mundo insano.
Ele tinha tudo para estar vivendo no mais alto patamar do sucesso, mas suas más escolhas e vícios mundanos lhe roubaram essas possibilidades, sua capacidade era tudo o que lhe restava, já que havia abandonada a família, não tinha amigos e vivia de um emprego medíocre que apenas lhe garantia o aluguel no fim do mês, pagava seu alimento e sustentava suas necessidades: sexo fácil e vazio e litros de uísque.
A tela exibia um nada insolente que ria de sua cara e caçoava por não ser preenchida. Mais um gole generoso, mais um cigarro aceso e seus dedos se lançaram sobre as teclas, seguros de si. E ele escreveu.
Escreveu como se sua vida dependesse disso, escreveu fervorosamente como as preces de uma beata, exorcizou os demônios que lhe puxavam para baixo e arrancou as palavras de seu âmago como raízes profundas de uma árvore centenária. Entre parágrafos, goles e tragadas, ele terminou sem fôlego e pôs-se a contemplar o final da obra de sua vida, tal obra que ele nunca veria impressa. Nunca sentiria o cheiro das páginas do livro que levaria seu nome, pois naquela mesma noite, outra convidada indesejada se esgueirou pela janela.
Talvez se ela estivesse fechada e a porta trancada a morte não conseguiria entrar, mas ela entrou. Ela segurou a alma do rapaz com seus dedos frios e a sugou de seu corpo embriagado, pouco a pouco. Ele não entendia o que estava acontecendo, não sabia o que era aquela escuridão toda que lhe envolvia e sem compreender ele se foi.
O corpo gelado do jovem escritor foi encontrado vários dias depois e assim suas obras incompletas e o livro terminado em seu último dia foram descobertos. Sua história se tornou conhecida, editores brigavam pela publicação de suas palavras recheadas de emoção, tragédia, amor e intrigas.
Seu livro rapidamente atingiu o ápice de vendas. A história do livro, ironicamente contava a vida de um escritor frustrado que precisou morrer para ser reconhecido.
Às vezes a vida imita a arte, como uma piada infeliz do destino e por mais lamentável que isso seja, há quem ache graça.

“As pás de terra atiradas indiferentes sobre um caixão desprezível engoliram o corpo miserável do homem que partiu sem nome, sem legado e sem dignidade. Sua obra ganhou o mundo e sua morte então, foi celebrada.“
Essas foram as palavras finais de seu livro e de sua vida.
O relógio ainda tiquetaqueia em algum lugar, advertindo incessantemente que o tempo jamais espera ninguém e que a vida é curta demais para apenas esperarmos pelas coisas.

O homem de pedra - Parte 3

| quarta-feira, 9 de março de 2011
Hora do conto - Para entender, leia a Parte 1 e Parte 2

Alguns dias se passaram até que alguém desse falta do caçador, por ele ser um homem recluso e calado, muitas vezes não o viam no vilarejo por dias, mas desta vez decidiram ir procurá-lo. Um grupo de sete homens se embrenhou na mata, cobrindo a área de onde costumavam caçar. Entre árvores, troncos derrubados e plantas rasteiras, encontraram uma estátua.
Os caçadores se assustaram ao ver que o homem de pedra diante deles era Athos, seu dedo apontava para o horizonte, se entreolhando eles sabiam o que o outro estava pensando, aquilo era obra da bruxa.
Nenhum homem tocou a estátua por medo de que alguma maldição semelhante ou ainda mais horrível recaísse sobre si, voltaram então à vila, se armaram de tochas e arcos e se direcionaram à casa da velha feiticeira.

Ramona percebeu que algo estranho estava acontecendo, os homens haviam retornado sem o caçador solitário e voltaram à mata com armas e fogo. Ela se cobriu com um capuz surrado e os seguiu. Os homens caminhavam firmes e com fúria pela trilha aberta há pouco. A moça seguiu o rastro deles até se deparar com Athos empedrado.
Ela ficou horrorizada com o que via e seus olhos arderam em lágrimas. Ela nem sequer trocara uma palavra com o caçador, mas os olhos dele sempre lhe disseram tanta coisa.

Assim que chegaram onde a bruxa morava, encontraram um casebre abandonado. A velha partira antes que eles pudessem acusá-la e puni-la, mas a maldição ficara e só havia um jeito de revertê-la, mas quem seria capaz de amar um homem de pedra?

Athos, aprisionado em um corpo rígido e marmóreo, podia ver tudo o que acontecia em sua frente, ainda que não pudesse mover os olhos ou abrir a boca, seus sentidos permaneceram inalterados. Ele viu o dia se vestir de noite várias vezes até que uma alma viva lhe surgisse às vistas.
Avistou os caçadores irados correndo na direção da casa da bruxa e agora via a moça linda, como se derramada de seus pensamentos, ali diante de si, chorosa e triste.
Ele desejou ser capaz de fazer um gesto, por mais mínimo que fosse, para que ela notasse que ele ainda estava ali. Ele queria destampar a voz que há tanto manteve calada e gritar para ela tudo o que seu coração gelado sentia, mas ele não podia. Ele era apenas um homem de pedra com um coração de pedra. Sua voz estava encarcerada.
- Eu queria poder saber o que você guardava aqui – ela disse e colocou a mão no peito frio do caçador. Ele sentiu o toque morno de sua mão e rugiu de raiva por dentro, esperando que ela ouvisse seu protesto mudo. – Nenhum homem merece a companhia da solidão por muito tempo, é uma pena que você sempre a preferiu. – ela então deu a volta na estátua e sumiu por entre as árvores.
Athos ouviu as palavras da moça e se culpou por todos os anos em que optou por criar uma imagem falsa de si mesmo, enquanto por dentro era alguém vulnerável e com falta de carinho.

Depois deste dia, os caçadores escolheram uma nova área de caça, para não toparem com o homem petrificado no caminho, ele era uma coisa que deveria ser esquecida, um amaldiçoado sem salvação, mas Ramona o visitava a cada dois dias, pouco antes do pôr-do-sol e ficava conversando com ele, contando-lhe detalhes do vilarejo, das caças, das pessoas que ele conhecia apenas de vista.
Foram vários pores-do-sol na companhia da moça, mas o pior deles foi quando ela apareceu, vestida de tristeza e lhe jogou as palavras que ele menos esperava ouvir:
- Amanhã é o meu casamento, adeus. – e ela nunca mais voltou a visitá-lo.

EM BREVE – PARTE 4

O homem de pedra - Parte 2

| segunda-feira, 7 de março de 2011
Hora do conto - Para entender, leia a Parte 1

No seu caminho de volta ao vilarejo, Athos ainda abateu dois porcos do mato para adicionar a suas vitórias pessoais. Vestido com a glória de uma caçada bem sucedida, ele retornou ao povoado, atirou os porcos no meio da praça, como um gesto de solidariedade e carregou o faisão para sua casa, aquele era seu troféu por ser o melhor e aquela carne branca ele saborearia sozinho.

Ramona e outras mulheres apanharam os porcos do chão, aguardaram o retorno dos outros caçadores, alguns voltaram com um animal nos ombros, outros chegavam de mãos vazias e ombros caídos carregando a vergonha do fracasso.
Depois que todos voltaram e os frutos das caçadas haviam sido recolhidos, ele preparam um grande fogueira no centro da vila, para o preparo da janta comunitária.
A moça estava contente pela quantidade de carne que tinham e sempre agradecia por isso em suas orações. Ela ajudou no preparo da comida e quando todos estavam servidos, seus olhos percorreram a multidão, procurando pelo maior caçador dali, mas ela sabia que ele não estava lá, ele sempre ficava em sua casa.

Athos estava cozinhando a ave enquanto o fogo crepitava lá fora, ele observava as pessoas comemorando, os copos se erguendo em forma de agradecimento e a felicidade alheia e sentia como se aquilo tudo nunca pudesse lhe pertencer. Através do vidro opaco da janela, ele avistou Ramona, a donzela que dominara seus pensamentos.
O caçador fora flechado no peito pelo amor, por dentro daquela casca rígida havia um ser pulsante, mas a bruxa apenas viu pedra onde existia sangue e batimentos e seu destino fora traçado.
Quando seu cozido ficou pronto, ele se acolheu em seu leito escuro, com um prato cheio da sopa que prepara. Apanhou um grande pedaço de carne com a colher e levou até a boca, cuspiu assim que sentiu o gosto amargo da carne que descia pela sua garganta.
Jogou fora tudo o que tinha cozinhado e depois de mais um vislumbre da alegria das pessoas do lado de fora, deitou-se.
Ele não se humilharia a ponto de se misturar somente para poder comer sobras daquilo que ele mesmo caçara e, além de tudo, estava cansado e sentia o corpo pesado. Adormeceu entre pensamentos da moça alegre.
Na manhã seguinte, o caçador acordou indisposto e sentindo um peso incomum no corpo, ao vislumbrar seu braço direito se desesperou ao ver que ele se transformara em pedra. A pedra alva e gelada se espalhava lentamente em sua pele, calcificando centímetro a centímetro. O primeiro pensamento que lhe ocorreu foi o de que ninguém podia vê-lo daquela maneira, ele precisava se esconder, então saiu apressado de casa e correu para a floresta.
Enquanto caminhava com esforço pelas árvores, tentando entender o que estava acontecendo, percebeu que aquilo só poderia ser obra da bruxa e tomou o rumo da casa da velha malvada, contudo ele nunca chegou até lá.
Suas pernas se tornaram rijas e estancaram no meio de um passo.
“Preciso deixar um sinal para quando alguém me encontrar”, ele pensou. Esticou o braço esquerdo com o indicador apontando, acusadoramente, para a casa da velha. Seu pescoço enrijeceu e seu rosto se petrificou em um semblante de suplício ou remissão.

As palavras da bruxa ecoavam pela floresta, dançando ao sabor do vento: “Que a pedra enterrada em teu peito estenda o manto em teu corpo inteiro, até o dia em que encontrares o amor verdadeiro.”

EM BREVE – PARTE 3

O homem de pedra - Parte 1

| sexta-feira, 4 de março de 2011

Em um vilarejo no coração de uma densa floresta, habitado por camponeses e onde velhos costumes supersticiosos se mantinham vivos, corria uma lenda muito antiga sobre um caçador que fora amaldiçoado por uma bruxa vingativa.

Athos era um caçador destemido e respeitado pelos outros homens, portador de uma musculatura digna e exímio arqueiro. Apesar de todas suas habilidades e características impressionantes como caçador, ele sempre fora um homem calado e egoísta. Morava sozinho em um casebre no centro do vilarejo.
Muitas vezes ele gostava de sair para caçar em grupo, dessa forma podia exibir seu talento natural e se engrandecer sobre ele, tratando os outros com desdém e sentindo-se superior. Ele voltava abastado dessas caçadas, carregando nos ombros os animais abatidos, como medalhas por ser o melhor de todos.
Por mais que ele se vangloriasse por suas conquistas, ele sempre dividia aquilo que trazia com as outras pessoas, a verdade era que ele acreditava que quanto mais trouxesse, mais admirado seria e com isso ganharia mais respeito, mas havia ainda um motivo maior para toda sua exibição e seu nome era Ramona.
A moça morava perto de sua casa, era alegre e simpática, sempre ajudava os outros e cuidava da casa, era filha de um ferreiro, órfã de mãe e a mais velha de três irmãos. Com seu modo extrovertido e sorridente, cabelos claros cacheados que saltitavam conforme ela andava e seu ar doce, a moça encantou o caçador.
Athos a observava de longe, se perdia entre os sorrisos que ela distribuía livremente por onde passava, mesmo quando estava em serviço, buscando água no poço ou cuidando dos animais. Ele sentia algo diferente por ela, só não sabia explicar o que era ao certo aquela sensação formigante que começava na barriga e se espalhava até as pontas dos dedos. Ele nunca havia se sentido assim, por isso não sabia que estava apaixonado.
Vários meses se passaram enquanto o caçador tentava reunir coragem o suficiente para conversar com a moça, toda noite ao se deitar na cama ele pronunciava as palavras que ela deveria ouvir, mas ao raiar do dia, todo seu discurso se esvaía.
Com o passar do tempo as chuvas deixaram de molhar a região, um estiagem impiedosa recaiu sobre o vilarejo que começou a sofrer com a seca das colheitas e nessa época, mais do que em qualquer outro período, a caça se tornou a única fonte de sobrevivência.
Jovens rapazes foram ensinados a manejar arcos, lanças e até espadas e todas as manhãs vários grupos se embrenhavam na floresta em busca de alimentos.
Athos pertencia a um grupo de cinco homens, todos andavam juntos, com os olhos atentos a qualquer movimento no meio das árvores, mas ele decidiu se aventurar sozinho e, enquanto cortava trilhas desconhecidas, avistou um magnífico faisão pousado em um tronco caído coberto de musgo. Sem titubear, manejando habilmente seu arco ele plantou uma flecha certeira no coração da ave.
O que ele não sabia, era que o pássaro pertencia a uma velha reclusa, que vivia na parte mais sombria da floresta. A quem todos se referiam como: a bruxa.

A velha colhia algumas ervas para o preparo de poções quando ouviu o grasnar sufocado de sua preciosa ave. Escondida atrás de um tronco robusto ela viu o caçador se aproximando de sua caça, com um brilho nos olhos. Ela então sibilou palavras venenosas que pingaram no chão, silenciosas e fatais e escorreram até o homem. Um encantamento poderoso. Uma sentença de morte.

EM BREVE – PARTE 2

Esse conto é uma extensão do conto postado no Contos Franqueados no ano passado, porém lá o conto ficou sem final e eu realmente tinha pensando em continuar, assim como a Thiara Ribeiro eu achei que merecia uma continuação e aqui eu vou postar como imaginei o fim dessa história. Espero que gostem.

O discurso do orador

| quinta-feira, 3 de março de 2011

Não sei exatamente o que falar aqui, não sei bem que palavras vou escolher, se vou ser repetitivo como tantos outros discursos de formação e nem ao menos sei se as pessoas vão prestar atenção ao cara nervoso aqui falando.
Melhor começar pelo início, por mais que clichê que pareça.
Acredito que não tenham me jogado para ser orador para falar sobre o curso, suas disciplinas e todo aquele blá blá blá de onde vou trabalhar, isso todo mundo sabe e pra quem não sabe eu digo que seria maçante ficar falando disso, então vou falar sobre as lições que aprendi fora da sala de aula e daqueles que foram meus professores sem se dar conta disso.
Em 2009 eu entrei para uma sala onde todos eram estranhos para mim, até as paredes pareciam ficar me encarando e perguntando quem era aquela criatura gigante. Com o tempo, como acontece com todo mundo, a inibição desapareceu e eu me vi em um grupo seleto de amigos que eu jamais imaginaria que encontraria naquela sala que mais parecia um banheiro.
E por mais que houvesse milhares de diferenças entre a gente, um laço de união se formou tão forte que era como se tivéssemos nos conhecido a vida toda. Entre risadas e apelidos engraçados, fui aprendendo pouco a pouco a valorizar as diferenças e poder ser eu mesmo com aqueles que me aceitariam por isso, talvez essa tenha sido a primeira lição que aquele grupo me deu, a de que um amigo está com você independente de como você seja.
Entre regras gramaticais e como optar pela palavra mais coerente em uma tradução, aprendi com a Ana Cristina, a dona das risadas contagiantes, a como ser um bom economista.
Quem disse que silêncio é bom em todas as horas? Aprendi com a Flávia a ignorá-lo por completo entre conversas e músicas um tanto inadequadas para o momento.
Ainda que o ocidente tenha várias coisas boas, o Júlio me mostrou que o oriente pode ser super interessante e barulhento, como a coleção de chaveiros dele.
Enquanto prestava atenção nas explicações, a Kelly me ensinou que não devemos ficar calados quando a professora acha que você falou “célebro” ou invés de “cérebro”.
E o Washington foi aquele professor que me ensinou que todo mundo tem uma nota, geralmente acima de cinco ou menos quatorze, mas não vamos nos fixar nos critérios estabelecidos.
Noite após noite, regadas de risadas, versões de canções, tropeções e mais risadas, aquele grupo de cinco pessoas se tornou minha segunda família e ganhou um espaço tão importante na minha vida que eu me vi incapaz de enxergar um futuro sem eles por perto, mas eis que o tempo passou mais rápido do que nossa vontade e as noites de segunda a sexta, se tornaram meramente noites vazias de segunda a sexta.
Não posso dizer que sempre tudo foi maravilhoso, mas com eles do meu lado, me apoiando e me deixando apoiá-los da maneira que me convinha, nós superamos momentos de crises e tensão e não me refiro apenas a provas e preparos de seminários.
Passei, ainda sem saber como, esses últimos meses longe deles e percebi como é grande a falta que eles me fazem, novos risos jamais vão apagar o som daqueles que passaram, assim como ninguém será capaz de substituí-los. E em momentos como esse eu vejo que o que torna uma pessoa especial não é o tempo que ela está em sua vida e sim a falta que ela faz quando não está presente.
Tudo chega ao fim, toda etapa termina para que outra comece, para finalizar eu só quero dizer que aprendi com esses professores inusitados a guardar lembranças em um baú raso, para que sempre que a saudade bater eu possa abri-lo e tê-los comigo outra vez.
Com eles eu sorri os sorrisos mais sinceros, gritei quando tive vontade, cantei até mesmo quando não deveria, pulei, corri, cai. Cativei e fui cativado.
Enfim, as minhas palavras se destinam aos amigos que fiz, a vocês que tiveram paciência de escutá-las, aos pais presentes, que acredito eu, estão cheios de orgulho agora e a todos os professores e convidados.
Obrigado e um bom e inesperado futuro para todos nós.
Parabéns tradutores e formandos.

Galera, esse foi meu discurso na minha colação de grau no dia 23/01. Foi bom ter escrito, foi bom ter sido orador e foi bom ter homenageado aqueles que fizeram minha vida mais feliz nos últimos anos. Grande abraço, seus sorridentes.

Contos Reformados

| terça-feira, 1 de março de 2011

Pessoal, vocês sabem que eu escrevo em outro blog, o Contos Franqueados (se não sabem, ficaram sabendo agora), junto com o Cristiano Guerra e a Letícia Rinolfi.
Recentemente decidimos expandir a franquia e convidamos dois novos contistas para se juntarem ao time e felizmente a Carolyne Mota do Que seja doce e o Vinícius Reis do O príncipe aceitaram nosso convite.
Hoje, celebração de seis meses da franquia (parabéns para nós), estamos de cara nova e com o time mais completo, então convido vocês a clicarem em sim, darem boas vindas aos novos franqueados e uma olhada em nossa lista com os melhores texto de lá.

Nos vemos por aqui e por lá, até a próxima, seus sorridentes.
Grande abraço.

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