Keblinger

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Carta #13

| domingo, 13 de fevereiro de 2011
S.

Depois de certo tempo sem escrever, em meu aposento escuro, na calada da noite, percebi que sua imagem nunca me saiu da mente, fecho os olhos e te contemplo, como se seu semblante estivesse pregado no interior de minha pálpebra e enquanto cerro os olhos com força, tentando fugir de ti, é quando mais te vejo. Eu me perco em um labirinto de pensamentos, onde cada curva me leva até você, por mais que eu tente me esconder, sua voz ardente ecoa em meu ouvido e em transe me encaminho à sua presença. Se um homem não pode se proteger dentro de sua própria mente, onde mais haverá lugar para fazer refúgio? Meu peito gritante de saudade, desespero e vontade de te ter aqui é um martírio doloroso para o meu corpo vazio que se esqueceu de ser um só.
Venha até mim em meus devaneios mais profanos, dilacera meu pudor e sacie minha pele sedenta por tua essência impura, que é, porém, a única fonte de sustento para o meu desejo.

N.

Quem acompanhou o conto "As cartas do monge sem nome" que eu postei no meio do ano passado se lembra (ou não) das cartas misteriosas, porém nas sete partes do conto foram apresentadas apenas seis cartas, decidi então escrever as outras, que serão postadas aleatoriamente. Para ler o conto clique aqui (e leia cada parte) e para ver somente as cartas clique aqui.

5 sorrisos compartilhados:

{ Alexandre Fernandes } at: 13 de fevereiro de 2011 02:51 disse...

Que carta intensa. Parece delinear bem aquele sentimento preso lá no fundo da mente, como que orquestrando as imagens dentro de nós. Fica tão difícil fugir. Nossa vontade fico meio dilacerada nesse ponto. Só resta aquele amar. Mesmo que procuremos outros caminhos, acaba que desembocamos na mesma lembrança, que enche o peito de esperança.

Lembranças que são sustentos.

Que difícil. Me vi um pouco nessa carta.

Abração Rodolpho!

{ Luana } at: 13 de fevereiro de 2011 12:06 disse...

Nunca tinha pensado no fato de as vezes não conseguirmos nos refugiar nem mesmo dentro de nossas mentes. Parece que nada mais é seguro!

Muito boa a carta!

{ Jéssica Trabuco } at: 14 de fevereiro de 2011 13:25 disse...

Adorei essa carta.
E é incrível como o corpo se acostuma tanto com um outro ser, que como escrito na carta, esquece de ser um só.

{ Débora Albuquerque } at: 15 de fevereiro de 2011 00:20 disse...

Como alguém pode descrever algo que outra pessoa está sentindo quando nunca viu ou falou com essa pessoa? caramba, tudo tudo tudo que eu tenho sentido ultimamente você expressou ai nessas palavras. Adorei suas palavras e tudo mais... PARABÉNS. beijos *;

{ Tati } at: 15 de fevereiro de 2011 16:12 disse...

Quantos sentimentos. Muito intenso. Lindissimo. Forte, quente, muito linda.

 

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