Keblinger

Keblinger

Serial Killer - Parte 10 (Final)

| sábado, 26 de fevereiro de 2011
A construção que fora paralisada se tornou o palco de uma cena eletrizante.
- Detetive, seria muito conveniente se você tivesse morrido naquele acidente, você e essa vagabunda – o homem falou e apanhou um bisturi no bolso da calça, envolto em uma capa protetora.
Natalie agarrou o celular.
- Eu não faria isso se fosse você – disse o homem encostando a lâmina afiada no pescoço de Rita – Jogue esse celular para cá e você jogue sua arma, detetive, ou eu a corto de uma orelha a outra.
- Você não precisa fazer isso, Josh, ninguém mais precisa se machucar. – argumentou Samuel.
Joshua soltou uma gargalhada, forçou o bisturi e uma linha fina de sangue começou a escorrer do pescoço da agente. Samuel pegou a arma e atirou-a para longe e Natalie seguiu o exemplo e atirou o celular.
- Você não entende, não é, detetive? – o tom de voz do fotógrafo era de deboche – Todos nós temos os nossos segredos que vêm à tona ao cair da noite. Você e a agente Weber, a bebedeira do sargento, as drogas de Amir e eu mato pessoas.
- Por quê? O que você ganha com isso? – Natalie perguntou.
- Prestígio, fama... temor. Todos os assassinos que eu homenageei no meu processo, eles haviam sido esquecidos, as pessoas não se lembravam mais de como é viver na linha tênue entre continuar vivas e morrer. Eles foram homens incríveis, capazes de cometer todos aqueles crimes e viver perante a sociedade como apenas mais um rosto, mais um carregador do próprio segredo obscuro. Eles são minha inspiração. As pessoas os temiam, alguns os idolatravam, mas eu só queria ser como eles, meu nome agora vai ser lembrado junto com o deles, para sempre.
- Você é um doente – cuspiu o detetive.
- Não, detetive, assim como eles, eu sou um gênio. Tudo o que eu fiz foi brilhante, sem rastros. Aprendi com Amir tudo o que eu deveria fazer para não ser pego, convivendo com policiais e fazendo parte do time da perícia eu agia sem levantar a mínima suspeita, afinal, quem suspeitaria do homem que fotografava seus próprios crimes?
- Você sabe que você não vai sair dessa, não é? – indagou Samuel.
- Eu já deixei minha marca, detetive, graças a ela – ele apontou a repórter com a cabeça - eu sou O Historiador, as pessoas têm medo de mim e, ironicamente, esperam pelo meu próximo ato, vou confessar que adorei esse tipo de popularidade.

***

Amir estava no laboratório checando a saliva encontrada nas mordidas da vítima com o DNA do corpo carbonizado. Era um cachorro e a saliva pertencia a ele.
Os corpos dos adolescentes estavam no necrotério e ele foi fazer uma checagem mais detalhada, para procurar por alguma pista que levasse ao assassino, mas não encontrou nada que pudesse ajudar.
Estava tarde e ele estava cansado de ficar ali sozinho.
Apanhou sua bolsa, checou se o dinheiro estava na carteira e se dirigiu ao seu ponto de compra. Era hora de acalmar o corpo, hora de saciar o vício.

***

Rita forçava aos poucos as mãos e sentia que estava conseguindo se libertar, mas se movia cuidadosamente, diante da lâmina em seu pescoço. A pele esfolada dos pulsos ardia, mas mesmo assim ela continuava a contorcer os punhos e pressionar para fora das cordas.
- Solte-a, Josh e se entregue, você não tem saída – disse Samuel.
- Ora, Sam, não vou facilitar para vocês. Eu vim até aqui para honrar Ted Bundy, o charmoso assassino que matava mulheres de cabelo preto e as mordia, se eu me entregasse seria um desperdício do meu tempo e do da Rita que ficou aqui esperando para morrer – ele riu-se debilmente.
- É aí que você se engana, seu imbecil – falou Rita que, com as mãos livres, arrancara a fita da boca e golpeou Joshua com um chute na canela e deu-lhe um soco na cabeça e outro no braço direito e o bisturi caiu.
O detetive rapidamente se atirou ao chão e rolou até a arma, enquanto a repórter retirou uma arma minúscula de sua bolsa e atirou-a para a agente Weber. Joshua recuperou os sentidos e se viu na mira de duas armas.
- Você está preso, seu maníaco desgraçado – falou Rita e lhe deu uma coronhada na fonte.

***

A captura do Historiador
Por Natalie Smith

Em uma operação surpreendente do Detetive Samuel Bowley para resgatar a Agente Rita Weber que havia sido seqüestrada pelo terrível assassino, O Historiador, que se revelou sendo o fotógrafo da perícia, Joshua Barry, foi capturado e está preso aguardando julgamento. Com sua confissão gravada pela repórter que vos escreve, que esteve presente no momento de sua prisão, podemos esperar que ele pegue prisão perpétua...

O sargento baixou o jornal e olhou para os dois diante de sua cama, ele estava em repouso em um leito do hospital e se recuperava muito bem do acidente.
- Quer dizer que em todo esse tempo abrigamos o maldito em nosso meio? Parabéns, detetive...
- Senhor, a responsável pela prisão dele é a Agente Weber – disse Samuel.
- Muito bem, Rita, com certeza isso vai te garantir uma promoção. Belo trabalho, de vocês dois e daquela repórter também. – disse ele.
- Sargento, nós temos uma coisa para contar – disse o detetive e segurou a mão da agente.
- Se for sobre o caso de vocês, poupem o meu tempo, eu já sabia disso – ele falou seriamente – Não há como esconder esse tipo de coisa de um sargento.
- Quer dizer que nós...
- Está tudo bem, Rita, podem ficar tranquilos... e sabe que eu acho que vocês formam um belo casal. – ele sorriu para os dois e tornou a ficar sério – E sobre o acidente, eu peço desculpas, detetive, eu quase causei a morte de vocês e atrapalhei a captura daquele cretino, eu vou ser devidamente autuado e vou entrar para o AA.

***

Amir Fayad leu o jornal pela manhã e não acreditou no que ele informava. Seu colega de trabalho era o assassino misterioso e cruel, então ele se culpou por não ter percebido nada de estranho em Joshua, depois olhou para a mesa suja com pó branco e decidiu que se internaria para reabilitação. Já era hora de largar as drogas.

***

Semanas depois Joshua foi transferido para uma prisão de segurança máxima, sem direito a fiança e condenado a 80 anos de prisão.
“Você vai ser sempre um imprestável, nunca vai fazer algo de útil nessa sua vida...” a voz de seu pai irrompia em sua mente.
- Fiz algo notável, papai, todos me conhecem agora, queria que você pudesse ter visto – ele disse para si mesmo.
Mas ele jamais veria. Ele fora a primeira vítima do Historiador e estava enterrado no jardim de sua casa.

FIM

Bom, foi uma ironia eu ter postado o maior de todos os meus contos no menor dos meses, mas chegou ao fim. Surpreendente, diz aí, haha. Valeu pela paciência de todos que acompanharam e foi mal por essa última parte enorme, mas não tive como deixar menor... enfim, é isso, espero que tenham gostado, porque eu gostei de ter escrito. Até a próxima.

As palavras sempre ficam

| quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
“Meu amor não cabe em quatro letras, ele se esparrama diversas vezes pelo alfabeto todo e ainda assim é sem medidas.” Encontrei o bilhete dele sobre o criado-mudo, ao lado do despertador, assim que me levantei da cama e vi que o dia já estava quente demais para que eu ficasse dormindo.
Toda manhã ele me deixa palavras lindas de mãos dadas que acenam do pequeno pedaço de papel e me arrancam o maior sorriso que nenhum simples bom dia poderia ser capaz. Eu me levanto como sempre, abro a janela e com a expressão congelada de felicidade, saúdo o sol. Depois eu começo a rotina automática: escovar os dentes, ajeitar o cabelo, lavar o rosto, fazer café e assim por diante.
Ele já devia estar no trabalho uma hora dessas, sufocado em uma papelada interminável e pensando em mim, eu sei disso, pois sempre penso nele e ele uma vez me disse que nossos pensamentos estão em sintonia e eu acreditei.
Passei algumas horas diante da televisão, vagando de canal em canal, procurando alguma coisa que captasse meu interesse, mas foi em vão... voltei ao quarto, contemplei o papel dobrado, as letras sólidas e bem feitas e sorri mais uma vez. Era isso que sempre fazia meus dias mais importantes, que me mostrava o quanto sou especial para ele. Palavras regadas com amor.
Ainda me lembro daquele dia chuvoso em que nos conhecemos, ele corria apressado para atravessar a rua e derrubou várias folhas de papel no asfalto molhado, geralmente eu me faria de distraída para não precisar ajudar, enquanto continha uma risada imprópria para o momento, mas ao ver sua aflição e os olhares suplicantes para os lados, eu decidi ajudar. Corri até ele, com meu guarda-chuva azul com bolinhas brancas e o ajudei a apanhar todo aquele papel em branco.
- Por que esse desespero todo por folhas em branco? – eu perguntei intrigada.
- Bom, um papel em branco é tão importante quanto um preenchido por letras, pois eles são os alicerces de qualquer criação.
- Não me diga – respondi indiferente.
Ele pegou uma folha seca e uma caneta de uma pasta, escreveu algo e me entregou.
“Era uma vez...”
- Era uma vez o quê? – perguntei.
- Quem pode saber? – ele riu – A partir de folhas em branco começamos novas histórias, mas nunca sabemos aonde elas vão nos levar, todo esse espaço vazio é um mistério, você não acha?
- É, acho que você acabou de provar seu ponto de vista...
- Desculpe, mas eu tenho que ir – ele disse e se despediu, deixando cair atrás de si um pedaço de papel, o agarrei antes que a água levasse embora e vi que era seu cartão, com seu nome, telefone e endereço do escritório em que trabalhava.
Voltei para casa aquele dia, ainda segurando o papel com as três palavras escritas na caligrafia mais caprichada que eu já vira. As palavras me encaravam impacientes, como se pedissem por uma continuação, mas eu não sabia o que lhes dizer.
“Quem pode saber?”, a voz dele me perguntava constantemente no decorrer do dia.
No dia seguinte, ainda sem saber a razão, eu estava parada no mesmo lugar de onde o vira numa luta para resgatar os papéis vazios e no mesmo horário do dia anterior ele atravessou a rua apressado e eu o segui.
- Era uma vez o quê? – perguntei mais uma vez, me aproximando dele.
Ele sorriu ao me ver, baixou a cabeça e respondeu:
- Era uma vez uma moça curiosa que foi chamada para almoçar pelo homem da pasta cheia de folhas em branco.
- E ela aceitou? – eu perguntei encenando a moça interessada.
- Ela nem pensou duas vezes – ele disse e fomos almoçar em um magnífico restaurante de comida caseira.
Foi assim que eu descobri sua idade e gostos e lhes disse os meus. Passamos a comer juntos todos os dias e nossa sintonia aumentava cada vez mais, eu me sentia bem ao seu lado, eu sorria e o fazia sorrir. Lembro-me do nosso primeiro beijo, com gostinho de arroz temperado e do modo como ele corou em seguida.
Namoramos por dois anos e decidimos morar juntos. Acordei na manhã do primeiro dia na casa nova e me deparei com um bilhete no espelho do banheiro que dizia:
“Enquanto eu não estiver por perto, lhe deixo minhas palavras. Elas vão ficar contigo e lhe fazer companhia.”
E ele estava certo, mesmo em sua ausência as palavras sempre ficam, mas eu conto as horas para tê-lo em meus braços outra vez.

Segundo texto em homenagem aos blogs nesse ano, o As palavras sempre ficam é o blog da Gabriela Furtado, espero que ela e todos que lêem gostem do texto. Grande abraço.

Serial Killer - Parte 9

| terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

“As coisas estão fora de controle”, pensou o homem. Logo ele que fora tão cauteloso e não deixara pistas, acabara cometendo um deslize que poderia arruinar tudo, mas ao que tudo indicava, o destino conspirava a seu favor, ele só não podia se dar ao luxo de perder nenhuma oportunidade que aparecesse.
Ele não podia arriscar estragar tudo o que começara.

***

De repente a rua se tornou o centro de atenção de uma multidão que parecia ter se materializado no local, enquanto ao longe sirenes anunciavam sua chegada.
O acidente fora violento, de um lado, uma picape com um único passageiro, do outro, um carro esportivo com duas pessoas dentro.
Um homem deslizou para fora do carro, que estava virado com as rodas para cima, se arrastou por cima dos fragmentos de vidro quebrado e deu a volta, até o lado do carona.
- Você está bem? – ele perguntou à moça que estava dependura de cabeça para baixo, presa ao cinto de segurança.
- Acho que sim, me ajude a sair daqui. – disse ela.
Uma ambulância e carros de polícia chegaram ao local e pediram que a multidão desse espaço. Os paramédicos se aproximaram da picape e retiraram um velho inconsciente de lá e o colocaram numa maca, imobilizando-o.
O homem ajudou a moça a sair e caminhou mancando até o homem que era colocado na ambulância.
- Sargento? – murmurou o detetive – Meu Deus, levem-no rápido, façam o possível para que ele fique bem.
- Você precisa vir também, precisamos fazer alguns exames em você e na moça. – aconselhou o paramédico.
- Não, não podemos, estamos no meio de uma investigação, é muito importante, levem-no. Passaremos no hospital quando tudo isto estiver terminado. – disse Samuel e se aproximou de Natalie, que apresentava cortes na cabeça e nos braços.
- Pelo menos nos deixem fazer alguns curativos – um paramédico pediu e os dois permitiram. Assim que as suturas foram feitas, o detetive pediu uma viatura emprestada e seguiu as coordenadas da repórter.

***

- Não era preciso nenhum especialista para ver que se trata do corpo de algum animal – chiou Amir olhando dentro do carro queimado, enquanto Joshua fotografava a cena.
- Que tipo de animal? – o policial perguntou.
- Eu não sei, um cão ou uma raposa, pelo tamanho. Temos que levá-lo para comparar a arcada dentária com as marcas de mordida nas vítimas. – ele apanhou um saco de evidências de sua bolsa e com cuidado colocou o corpo, que mais parecia um pedaço de carvão, dentro dele e o lacrou. – Vamos voltar, precisamos saber o que aconteceu com o detetive. – disse ele impaciente.
O celular de Joshua começou a vibrar em seu bolso.
- Alô... Ah, Samuel, você está bem, graças a Deus... o que aconteceu? – ele ouviu a resposta – Ela está bem? Sim, nós chegamos aqui, era algum animal, nós vamos... O quê? Sim, claro, eu vou até lá. – ele desligou.
- O que foi? – perguntou Amir.
- Você não vai acreditar quem estava dirigindo o carro que causou o acidente – ele fez um suspense – O sargento McNeil – Amir arregalou os olhos – O detetive me pediu para ficar com o sargento no hospital, não tenho mais o que fazer aqui mesmo.
- Está bem, vou para o laboratório fazer algumas análises. – disse Amir e entrou em um carro com um policial, enquanto Joshua entrava em outro para ser levado ao hospital.

***

Dentro do carro, sentado no banco do passageiro, o homem agradecia pela sorte que estava tendo. Discretamente retirou um canivete da bolsa que carregava no colo e com uma precisão impressionante cravou-o na jugular do motorista. O sangue espirrou no vidro. O carro sacolejou, mas ele assumiu o controle e conseguiu freá-lo. Abriu a porta do motorista, liberou-o do cinto e atirou o corpo ensanguentado na sarjeta.
Ligou o carro outra vez e saiu a toda velocidade. Era hora do acerto final de contas.

***

Rita tentara se libertar do pilar, mas o homem a amarrara com grande habilidade, os pulsos dela estavam machucados por ter forçado a sair e ela se sentia tonta. Uma fita resistente tampava sua boca e a impedia de gritar por ajuda.
Uma porta pesada de correr se abriu atrás dela e ela ouviu os passos lentamente se direcionando até o pilar.
Aquele rosto conhecido a encarou com um sorriso sádico.
- Eu tinha planos maiores para você, – ele sibilou friamente – mas aconteceram alguns imprevistos, o que é lamentável, pois vou ter que encerrar nossa brincadeira justamente quando as coisas começavam a ficar mais divertidas.
Passos rápidos chamaram a atenção dos dois e duas pessoas entraram pelo portal da frente.
- Você... – disse o Detetive Bowley estarrecido ao encarar o assassino frente a frente.

EM BREVE – PARTE 10 (FINAL)

Tá acabando, hehe.

Serial Killer - Parte 8

| domingo, 20 de fevereiro de 2011
Desta vez Amir foi o primeiro a chegar ao local e começou a analisar o perímetro. Joshua chegou em seguida e começou a fotografar os corpos e as evidências.
- Você acha que é o nosso cara? – ele perguntou ao criminalista.
- Definitivamente – foi Samuel quem respondeu – Ele recriou um dos assassinatos do Zodíaco, a garota foi baleada cinco vezes nas costas, certo?
- Sim, como você sabe? – perguntou Amir confuso.
- Como eu disse, ele copiou o Zodíaco neste crime – respondeu ele – Algum de vocês viu a Agente Weber por aí?
- Não e nem o sargento – falou Joshua.

***

- Seu celular não pára de tocar, você vai atender ou não? – perguntou o homem atrás do balcão.
- Se preo-cupe em encher o meu co-po – respondeu McNeil irritado e mais uma vez o aparelho tocou.
O homem ignorou o pedido e atendeu a chamada.
- Por favor, me diga que é a mulher dele e que está vindo buscá-lo, ele já tomou doses demais para um... O quê? Só um minuto... – ele apanhou um guardanapo e uma caneta – Pode falar. – ele anotou, desligou o celular e falou para o homem a sua frente – Escute, sargento, aconteceu um crime, aqui está o endereço – ele mostrou o papel e enfiou no bolso da camisa do velho – Vou chamar um táxi para...
- Eu estou bem... – disse o sargento e saiu cambaleando para fora do bar, assim que o homem deu a volta no balcão, ele já tinha entrado no carro e ligado a ignição.

***

- As duas vítimas apresentam marcas de mordida de algum animal – falou Amir analisando a moça – Mas não parece que foram atacados, as mordidas foram “plantadas”.
- O que você quer dizer? – perguntou Joshua.
- O assassino forçou algum animal a mordê-los.
- Isso está ficando cada vez mais sinistro.

***

A moça caminhou discretamente até o detetive e falou sorrindo:
- Eu não esperava que você fosse realmente me ligar, não depois de tudo terminado.
- Do que você está falando? – perguntou Samuel à repórter.
- Do seu caso com a Agente Weber, vocês terminaram, não foi?
- Não, nós... por que está dizendo isso?
- Eu a vi entrando em um carro com um homem por volta das 21h.
- O quê? Isso não é possível, ela... eu... Qual era o carro?
Natalie pensou por um momento e respondeu com convicção:
- Um celta sedan preto.
O detetive ligou para central imediatamente.
- Foi reportado o roubo de algum carro recentemente? – a pessoa do outro lado da linha confirmou – De qual tipo? Ah, meu Deus. – ele desligou o telefone e se aproximou de Amir. – Você pode dizer como o assassino chegou até aqui?
- Há marcas de pneu ao lado do carro e na beira da estrada, ele veio dirigindo... – o celular do detetive tocou.
- O quê? Onde? – os outros olhavam atônitos para ele – Encontraram o carro, em chamas no depósito de lixo e um corpo carbonizado dentro dele. Natalie, você sabe para onde aquele homem levou a Rita?
- Eu sou uma repórter, detetive, eu segui os dois até o local.
- O que está acontecendo aqui? O que Rita tem a ver com tudo isso? – perguntou Joshua tentando entender.
- É o que vamos descobrir, preciso que vocês vão até o carro incendiado e tentem identificar aquele corpo. Eu e Natalie vamos encontrar Rita.

***

O sargento forçava os olhos, abrindo e fechando-os para encontrar um foco nítido a sua frente, as mãos tremiam no volante. Ele demorou a abrir os olhos entre uma piscadela e outra e nem viu quando o outro carro cruzou a esquina.
O outro carro capotou e girou várias vezes. Um filete de sangue começou a escorrer da testa do sargento inconsciente e escorria pelo painel cheio de cacos de vidro.

***

Joshua e Amir estavam em uma viatura, um policial os levava ao depósito de lixo. O telefone do criminalista começou a tocar.
- Com certeza é o sargento ligando para me xingar – ele falou e atirou o telefone para o fotógrafo – Atende você, diz que eu estou ocupado.
- Alô, é o Joshua – ele ouviu as palavras e ficou boquiaberto.
- O que aconteceu?
- O Detetive Bowley e Natalie Smith sofreram um acidente.

EM BREVE - PARTE 9

Serial Killer - Parte 7

| sábado, 19 de fevereiro de 2011
Samuel olhava preocupado para o relógio. 00:15h.
“Rita já deveria ter aparecido a essa hora”, ele pensou. Foi até a sala, pegou o telefone e discou o número dela, foram vários toques até cair na caixa de mensagem. Telefonou à central em seguida.
- Ela deixou o escritório às 21h – informou o guarda.

***

- Alô, eu queria informar o roubo de um carro... – o homem ligou desesperado para a polícia.
- O senhor é o dono do veículo? – a telefonista perguntou e pegou os dados dele e do veículo.

***

O sargento McNeil foi o último a deixar a central, pegou sua picape e parou no primeiro bar que encontrou. Desde que ficara viúvo ele se lançara ao vício da bebida e não tinha uma noite sequer que não dirigia bêbado até em casa e dormia no sofá ou até mesmo no tapete da sala. Nos últimos três dias não tinha colocado uma gota de álcool na boca e sentia os efeitos da abstinência tomar conta de seu corpo.

***

O homem entrou no carro depois de ter concluído seus planos e se afastou do local. Dirigiu até o depósito de lixo da cidade, saiu do carro, despejou gasolina sobre ele e ateou fogo.
Deixou o veículo em chamas e se direcionou até o local onde deixara sua próxima vítima esperando.

***

- Calma senhora, o que foi exatamente que a senhora ouviu? – perguntou o policial a uma dona de casa apavorada, enquanto outros policiais cercavam a área.
- Eu ouvi tiros, então peguei meu carro e vim até aqui, às vezes alguns adolescentes estúpidos vem nessa área para atirar nas placas, mas aí eu... eu encontrei os dois. – ela contou.
- A senhora viu alguém mais no local ou deixando a área?
- Não, meu carro demorou para ligar, fiquei presa por uns dez minutos antes de chegar aqui, quem fez isso já tinha ido embora.
- Entendo – ele disse e olhou para os corpos, o de um garoto dentro do carro e o de uma moça a alguns metros.

***

O celular de Samuel tocou.
- Graças a Deus – disse ele, pensando que fosse Rita.
- Detetive, aconteceu outro crime – a voz do outro lado falou. Ele anotou a localidade e tentou mais uma vez ligar para a agente, mas ela não atendeu.

- Sar-gento Mc-Neil – falou ele com a voz embaralhada ao atender o celular.
- Senhor, houve outro crime...
- Filho, descul... – ele soluçou – Eu não estou te ouvindo.
A ligação foi interrompida.
- Acho que o sargento está bêbado – o homem disse ao companheiro do lado que ligava para Joshua e então pôs-se a ligar para Amir.

***

O homem falava ao celular. Sua vítima, amordaçada e amarrada ao pilar da construção abandonada o encarava assustada.
- Parece que temos um trabalho a fazer – ele disse a ela.
Numa bancada ao seu lado, outro celular começou a tocar.
- Que pena que eles nunca vão conseguir falar com você e olha só, – disse ele apanhando o celular – você tem uma mensagem de voz. – ele apertou para ouvir no viva-voz.
"Rita, onde você se meteu? Tentei te ligar, mas você não me atende. Estou indo para outra cena do crime, te vejo lá." Era a voz do detetive Bowley.

EM BREVE – PARTE 8

Um poema e um pouco de suor

| quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
É noite, é puro amor,
e é na noite que eu perco todo meu pudor
Eu me perco nas curvas do desejo do seu corpo.
Vou deslizando em você até não mais me achar
e em todo seu calor me encontrar,
arder em febre procurando comigo te levar,
tentando decifrar, descobrir como posso te amar
Te amar no mais puro e também no mais perverso dos sentidos.
Fazer você se abrir, mostrar todas as suas faces comigo.
Sentir que você já não crê em mais nada
a não ser eu, você e nossos corpos por toda a madrugada.
Onde nós seremos um só.
Corpos entrelaçados, misturados feito um nó,
amarrados com amor e presos na paixão.
Devaneios de carne e coração.
Morar dentro de você como um câncer,
te devorar aos poucos, em um puro gozo de prazer.
Para meu âmago, isso tudo é eterno,
delírios alegria, puro amor e flagelo.
Grito até minha garganta sangrar
Para que todas as falanges possam vir nos ajudar
E que mesmo assim um dia isso tiver fim,
quero que acabe com uma lágrima,
que começa a crescer por dentro
e morre fora de mim.

Poema escrito pelo meu primo Thiago Lopes, que insiste em dizer que não é bom com as palavras. Eita, menino modesto.

Serial Killer - Parte 6

| terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Hora do conto - Para entender, leia a Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4 e Parte 5

O Historiador
Por Natalie Smith

A polícia tenta manter em segredo a existência de um assassino em série na cidade. Os últimos crimes, embora distintos possuem uma ligação. A primeira vítima, Mary Ann, 27, foi executada de uma forma parecida com a dos famosos crimes de Jack, o Estripador. A segunda vítima, Bernice Hogan, 52, foi brutalmente assassinada numa pavorosa recriação de um crime de Eddie Glen, o perturbado fazendeiro de meia-idade que inspirou os filmes Psicose e O Massacre da Serra Elétrica. Uma fonte do Departamento de Polícia informou que o próximo crime iminente se trata de uma versão de algum assassinato do Zodíaco, famoso assassino em série que nunca foi capturado e que enviava criptogramas para o jornal da Califórnia antes de cometer os crimes.
A cidade está apavorada com esse perigoso criminoso a solta, contudo a polícia não tem nenhuma prova concreta de como o assassino age e tampouco estão perto de identificá-lo.
Será que esse assassino, agora chamado de O Historiador pela população, vai ser mais um a escapar impune pelos crimes que cometeu?

- Alguém quer me explicar que palhaçada é essa? – berrou o sargento atirando o jornal da manhã sobre a mesa. Ninguém respondeu – Como essa mulher obteve essas informações privilegiadas? Eles deram um titulo a esse assassino, esse não é o tipo de popularidade que precisamos, vocês têm ideia da pressão que vamos sofrer de agora em diante? A mídia toda vai cair em cima de nós como um bando de abutres esfomeados. Eu quero saber quem é a maldita fonte dessa cretina e quando eu descobrir eu nem sei o que vou fazer...
- Era só uma questão de tempo até que alguma informação vazasse... – começou Amir.
- Você está se entregando, Fayad? Foi você quem deu essas informação para aquela vaca?
- Não, senhor, eu só estou argumentando que...
- Acho bom mesmo, pois se foi um de vocês, considere-se demitido e com uma carreira destruída. – ameaçou McNeil.

***

- Pelo menos uma noite boa de sono, sem nenhuma morte – comentou Rita com Samuel no refeitório.
- Pois é, mas já temos dois crimes para lidar e o terceiro pode acontecer a qualquer momento.
- Que loucura essa matéria, não é? – perguntou Joshua sentando-se à mesa com uma bandeja.
- Eu lembro de ter visto essa mulher rondando a central por esses dias, mas com quem será que ela falou? – indagou Amir que acompanhava o fotógrafo.
- É melhor não ficarmos especulando, pode ser pior – aconselhou Samuel.

***

Samuel passou o resto dia se culpando por ter dado informações para a repórter que o chantageara e quando deixou a central foi para casa esperar por Rita, que ficara até mais tarde no escritório preenchendo uma papelada de relatórios.
O sargento ficou até tarde também, revoltado com o que lera no jornal e com ódio do assassino sem rosto e sem nome.
Amir passou em seu apartamento para deixar sua bolsa de equipamentos e saiu pela noite.
Joshua passou em uma lanchonete antes de ir para casa e depois decidiu que tinha que compensar o sono atrasado.

***

O casal estava dentro do carro, na beira da estrada deserta. O garoto estava excitado, tinha pego o carro sem o pai saber e levara a garota até ali na esperança de se dar bem.
O som de outro carro se aproximando chamou a atenção dos dois. Era por volta das 23:00h.
Um homem encapuzado saiu do outro carro e caminhou em passos lentos até a frente do carro do casal.
- Saiam do carro – ele ordenou.
A garota se soltou do cinto e abriu a porta. O rapaz assustado se preparou para sair, mas antes que pudesse deixar o veículo foi atingido por um tiro na cabeça. A garota gritou desesperada e correu para longe. Mais cinco tiros ecoaram na estrada escura.

EM BREVE – PARTE 7

Carta #13

| domingo, 13 de fevereiro de 2011
S.

Depois de certo tempo sem escrever, em meu aposento escuro, na calada da noite, percebi que sua imagem nunca me saiu da mente, fecho os olhos e te contemplo, como se seu semblante estivesse pregado no interior de minha pálpebra e enquanto cerro os olhos com força, tentando fugir de ti, é quando mais te vejo. Eu me perco em um labirinto de pensamentos, onde cada curva me leva até você, por mais que eu tente me esconder, sua voz ardente ecoa em meu ouvido e em transe me encaminho à sua presença. Se um homem não pode se proteger dentro de sua própria mente, onde mais haverá lugar para fazer refúgio? Meu peito gritante de saudade, desespero e vontade de te ter aqui é um martírio doloroso para o meu corpo vazio que se esqueceu de ser um só.
Venha até mim em meus devaneios mais profanos, dilacera meu pudor e sacie minha pele sedenta por tua essência impura, que é, porém, a única fonte de sustento para o meu desejo.

N.

Quem acompanhou o conto "As cartas do monge sem nome" que eu postei no meio do ano passado se lembra (ou não) das cartas misteriosas, porém nas sete partes do conto foram apresentadas apenas seis cartas, decidi então escrever as outras, que serão postadas aleatoriamente. Para ler o conto clique aqui (e leia cada parte) e para ver somente as cartas clique aqui.

Serial Killer - Parte 5

| sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Hora do conto - Para entender, leia a Parte 1, Parte 2, Parte 3 e Parte 4

Rita conversou mais uma vez com as garotas de programa, mas nenhuma delas sequer tinha ouvido o nome de Bernice, depois se dirigiu à gráfica onde ela trabalhava. Lá ela perguntou como era a vida pessoal da mulher e nada de incomum foi relatado e ninguém reconheceu o nome Mary Ann, as pessoas quiseram saber o que tinha acontecido, mas a agente se limitava a responder que era confidencial.

***

Samuel investigava as mortes, os nomes das vítimas e as pistas deixadas pelo assassino e começou a fazer progresso com suas últimas descobertas.

***

Joshua e Amir se dirigiram ao córrego da cidade, para o local onde o chamado tinha sido feito e se depararam com a cabeça da vítima recostada no cimento, boiando perto dos detritos fétidos. O fotógrafo lançou flashes para capturar a imagem horrível enquanto o criminalista cutucava a cabeça em busca de algum detalhe importante.

***

Natalie Smith esteve perto das duas cenas do crime, tomando notas em silêncio e observando tudo. Na tarde do dia da primeira morte passou pela delegacia e soube do misterioso embrulho que chegara ao chefe, do seu conteúdo macabro e do bilhete profético. A segunda cena do crime, ainda mais brutal que a anterior lhe deixou alvoroçada e ela queria descobrir mais. Seguindo o detetive e a agente de perto, descobriu algumas coisas interessantes e agora se misturava à multidão diante do córrego, anotando e tirando fotografias com seu celular. Diferente dos outros repórteres invasivos, Natalie se movia de maneira sorrateira, colhendo informações e se esgueirando de qualquer escrúpulo.

***

- A cabeça da vítima também não continha nada que nos levasse a quem está cometendo esses crimes – disse Fayad na sala de reuniões.
- Também não há nenhuma ligação entre as vítimas, elas não se conheciam. – informou Rita.
- Fiz algumas descobertas – anunciou Samuel com orgulho – A minha teoria de que ele dá pistas sobre o próximo crime está mais segura. A morte de Mary Ann foi baseada no modus operandi de Jack, mas Jack não arrancava a pele das vítimas, isso foi uma pista para o próximo crime, baseado em outro assassino em série, Eddie Glen. Mary Hogan e Bernice Horden foram duas vítimas de Glen, a segunda foi decapitada e em sua casa foram encontrados objetos feitos de pele humana. O símbolo no corpo de Bernice nos dá a pista de em quem será baseado o próximo crime, o Assassino do Zodíaco. Ele está recriando os crimes, como se fosse um tributo doentio aos assassinos em série mais famosos.
- Conheço a história do Zodíaco, suas vítimas eram completamente aleatórias, como vamos impedir que esse doente cometa outro crime? – perguntou o sargento.
Várias patrulhas policiais foram espalhadas pela cidade e pelos cantos mais remotos, em praças e parques a segurança foi redobrada.

***

- Posso falar um minuto com você, detetive? – uma moça loira perguntou apontando um gravador.
- Não tenho nada a declarar – Samuel esquivou-se.
- Eu tenho certeza de que você vai ficar muito feliz em me ajudar com essa matéria, a menos que queira que o seu relacionamento com a Agente Weber se torne do conhecimento de todos – ela exibia um sorriso vitorioso no rosto.

EM BREVE – PARTE 6

Chegamos na metade do conto, só para vocês saberem.

Serial Killer - Parte 4

| terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Hora do conto - Para entender, leia a Parte 1, Parte 2 e Parte 3

Samuel e Rita mais uma vez foram acordados no meio da noite para se deslocarem a mais uma cena do crime. O assassino atacara pela segunda vez.
Joshua, já de posse de sua câmera se dirigia para o local, se perguntando o que encontraria lá. Amir, após receber a ligação foi rapidamente ao seu apartamento e como sempre o sargento fora o primeiro a chegar.

***

Haverá mais que somente um pedaço de pele faltando na outra vítima. O bilhete veio na mente de McNeil assim que ele bateu os olhos no corpo.
Era outra mulher, mais velha que a primeira vítima. Havia sangue para todo lado.
- Santo Deus! – disse Joshua quando viu a vítima e ainda desconcertado ligou a câmera.
- Aquele filho da pu...
- O que temos aqui? – perguntou o detetive, interrompendo o chefe e ficou chocado com a cena que viu.
- Onde está Fayad? Aquele imprestável sempre se atrasa... – bufou o sargento.
- Estou aqui – disse o rapaz que acabava de chegar e se direcionou ao corpo caído no beco escuro.
Algumas poucas pessoas começavam a se aproximar do local e os gritos do sargento as repelia.
- Mantenha-os afastados, Rita, não quero que vejam essa monstruosidade – disse ele a agente que se afastou contra sua vontade. – O que você pode me dizer sobre isso, Fayad?
- Bem, não posso dizer com certeza como ele a matou, mas pelas manchas de sangue na parede acredito que ele a tenha atingido pelas costas, diretamente na altura da clavícula, vê esse corte aqui? – ele apontou – E foi usada uma faca resistente para ter feito isso, talvez uma faca de açougueiro ou um cutelo e mais uma vez ele usou o bisturi aqui, na região do abdômen. Ela me parece ter entre 45 e 50 anos.
- O maldito arrancou a cabeça dela e levou embora – disse Samuel ainda pasmo – Que tipo de pessoa doente faz isso?
- O que é isso na barriga dela? – perguntou Joshua.
- É um símbolo, não sei o que significa – respondeu Fayad. O símbolo desenhado na pele da mulher consistia em um sinal de mais e um círculo, o detetive o desenhou num bloco de notas e saiu para investigar.

***

Pela manhã, na delegacia, estavam na sala de reuniões debatendo o novo homicídio.
- O que temos dessa vez? - perguntou o sargento.
- Sem a cabeça não podemos dizer se ela foi atacada com uma pancada ou se o corte no pescoço foi a verdadeira causa da morte e mais uma vez sem nenhuma impressão ou algo que nos leve ao assassino. – argumentou Fayad.
- Chequei as impressões digitais da vítima, seu nome é Bernice Hogan, ela tinha 52 anos, trabalhava numa gráfica no centro da cidade – disse Rita.
- Descobri que aquele símbolo gravado na pele da vítima faz menção ao Assassino do Zodíaco, que fez várias vítimas na Califórnia e nunca foi pego, mas o Zodíaco não decapitava e nem arrancava a pele das vítimas, acredito que ele esteja nos dando pistas do próximo crime – explicou o detetive. – Vou fazer mais algumas pesquisas e volto quando tiver encontrado algo relevante. – e ele saiu da sala.
- Ainda não temos um padrão estabelecido, esse desgraçado está atacando aleatoriamente, precisamos descobrir mais alguma coisa. Rita, veja se existe alguma ligação entre Mary Ann e Bernice Hogan – pediu o sargento.
- Sargento – um homem chamou da porta – Encontraram uma cabeça no córrego.
- Joshua e Fayad, é com vocês – disse o sargento e assim que os dois saíram se viu sozinho na sala – Tenho que pegar esse cretino.

EM BREVE – PARTE 5

Serial Killer - Parte 3

| sábado, 5 de fevereiro de 2011
Hora do conto - Para entender, leia a Parte 1 e Parte 2

Estavam todos na sala de reuniões no início da tarde, um quadro branco diante deles exibia várias fotos da vítima. O sargento deu sinal para que Rita falasse:
- As buscas com as prost... garotas de programa foram inúteis, pelo que me parece a vítima era nova na região e recebia seus clientes fora da vista das outras, embora nenhuma se simpatizasse com ela acredito que não tinham motivo para cometer um homicídio.
McNeil fez um gesto com a cabeça em agradecimento e pediu para Fayad falar:
- A vítima possui marcas no pescoço, o que indica que ela foi estrangulada antes de ter a garganta cortada e também um pequeno corte na altura do abdômen, creio que ele faria algo mais com ela se tivesse tempo. A pele que chegou pelo correio confere com os cortes nas costas da vítima e o DNA é o mesmo.
- O bilhete nos leva a crer que estamos lidando com um assassino em série, você teve algum sucesso com aqueles números malditos, Det. Bowley? – o sargento perguntou.
- Fiz algumas pesquisas e encontrei uma pista que pode nos levar ao modus operandi do assassino. Não somente os números nos levam a um fator relacionado, ele fez várias menções interessantes nesse crime – explicou ele – O ano de 1888 foi o ano em que Londres foi assolada pelos crimes de Jack, o Estripador. Jack assassinava prostitutas e o nome de umas de suas vítimas era Mary Ann e uma carta, supostamente escrita por Jack, entitulada “Ao Caro Chefe”, foi encaminhada à sede central da polícia de Londres com informações do próximo crime. Aparentemente estamos lidando com algum maluco fanático por filmes de terror, é questão de tempo até que ele cometa algum deslize.
- Muito bem, obrigado pela informação, detetive. Podemos nos manter nessa linha de investigação. – disse o sargento – Rita, envie patrulhas para o local de trabalho das garotas de programa, precisamos mantê-las em segurança até pegarmos esse desgraçado.

***

- Por que esse mau-humor todo? – perguntou Samuel à Rita no corredor.
- Eu sou uma policial, droga, ele me colocou de babá das prostitutas porque eu sou mulher, isso não é justo – reclamou ela.
- Ele é o chefe, não podemos contestar. Pegue esse assassino que ele vai comer na sua mão – disse Bowley atirando um sorriso sedutor e acrescentou – Te vejo mais tarde.

***

- Ei Fayad, quer sair para tomar uma cerveja hoje? – Joshua convidou.
- Hoje não, Josh, vou estar ocupado essa noite e esse caso está me dando dor de cabeça, principalmente porque o sargento vive pegando no meu pé.
- Vai estar ocupado, hein? – disse Joshua debochando e fez um gesto obsceno com os braços e a cintura.

***

(...) As autoridades ainda não encontraram o assassino que invadiu a casa de um sargento da polícia, que estuprou e matou sua esposa, as investigações estão... Sean McNeil ouvia em sua cabeça as vozes dos repórteres dos noticiários e sentia o ódio tomar conta de seu ser. Sua mulher fora brutalmente assassinada e o assassino nunca havia sido apanhado, desde então ele se tornou um homem amargurado e com desprezo sem tamanho por monstros como aquele.

***

O homem caminhava pelas sombras, seguro de sua invisibilidade. Em passos lentos e furtivos, como um lobo à espreita de sua presa. E lá estava ela, indefesa, a alguns metros à frente. Ele apressou o caminhar, retirou um cutelo de uma bolsa preta que carregava e tirou mais uma vida.

EM BREVE – PARTE 4

Serial Killer - Parte 2

| quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Hora do conto - Para entender, leia a Parte 1

O Det. Bowley chegou ao Departamento com notícias, quando a manhã já começava a esquentar.
- A vítima se chamava Mary Ann, ela foi vista pela última vez por suas colegas de trabalho, quando deixou seu ponto para atender um chamado...
- Você está dizendo que ela era prostituta? – perguntou Fayad.
- Sim, investiguei a conta do telefone dela e a última ligação foi recebida de um número restrito, provavelmente um celular descartável, às 2:50h. A ligação para nosso departamento foi feita às 3:30h, o que deu ao assassino 40 minutos para matá-la e arrancar sua pele ou vice-versa.
- Os cortes foram feitos pos mortem, por uma lâmina muito afiada, um bisturi talvez – explicou Fayad – Não havia nenhuma impressão digital ou nada que nos levasse ao autor do crime.
- Você tem certeza disso, Fayad? Você já está acordado o suficiente para assinar o laudo da perícia? – questionou McNeil.
- Sim, chefe, mas em todo caso vou fazer outra checagem – respondeu o criminalista irritado e se dirigiu ao morgue.
- Quero Rita nesse caso, interrogue as colegas de serviço da moça, faça uma lista dos clientes mais habituais e daqueles mais extravagantes e vamos pegar esse cretino – ordenou o sargento e se retirou.

***

Samuel deixou a central e foi atrás da agente.
- Hoje à noite, na minha casa – ele disse ao passar por ela e deu meia volta – Quer uma carona, Agente Weber?
- Vou usar a viatura, detetive, mas obrigada – ela sorriu e fez um gesto que dizia que eles se veriam mais tarde.

***

Amir examinava o corpo no ambiente frio do morgue, procurando por qualquer coisa que pudesse levar ao criminoso. O corte na garganta da vítima fora profundo, mas havia marcas escuras no seu pescoço. O corte nas costas fora feito com precisão, o que indicava que o assassino tivera tempo para fazer e não estava com pressa.
No abdômen da moça havia um pequeno corte que não fora visto anteriormente, era mínimo, do tamanho de um cílio.
- Olha o que eu acabei de ver – disse Joshua que entrara abruptamente no necrotério segurando uma foto. – Ela tem um pequeno corte na barr...
- Eu acabei de ver isso também, Josh. O assassino usou um bisturi, acredito que ele ia estripá-la, mas alguma coisa o impediu.
- Santo Deus, precisamos informar isso ao chefe.

***

- Ela tinha algum inimigo ou alguém que tinha algum motivo para machucá-la? – Rita perguntava para as outras garotas de programa e a maioria alegava não conhecer muito bem Mary Ann ou se negavam a conversar com a polícia. Ela foi informada de que os clientes era particulares, nenhuma tinha conhecimento do cliente da outra.
Ela estava em um beco sem saída.

***

Amir e Joshua entraram no escritório do Sarg. McNeil para informar sobre as novas descobertas, mas um assistente estava lá deixando um pacote que chegara pelo correio.
- “Ao Caro Chefe” – ele leu no destinatário e abriu a caixa dando sinal para que falassem.
- Encontramos uma coisa que talvez...
- Puta merda! – o sargento exclamou e atirou a caixa sobre a mesa.
Os outros dois olharam em seu interior e se depararam com números ensanguentados feitos de pele: 1888.
E havia um bilhete escrito em uma máquina de escrever que dizia: Haverá mais que somente um pedaço de pele faltando na próxima vítima.

EM BREVE - PARTE 3

Serial Killer - Parte 1

| terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Um grito cortou a noite silenciosa e despertou o homem que dormia no primeiro andar do prédio ao lado. Tudo aconteceu muito rápido. Ele olhou pela janela a tempo de ver um vulto fugindo do local e uma sombra jazia caída na viela escura. Rapidamente seus dedos tatearam o telefone e a chamada foi feita para a polícia.

***

O Detetive Samuel Bowley foi acordado pelo celular que tocava sem parar, se desvencilhou da moça que dormia em seu braço e agarrou o aparelho. Era um chamado urgente.
Rapidamente ele se levantou da cama, vestiu uma roupa e apanhou seu distintivo, depois acordou a moça e pediu que ela se arrumasse, pois seu celular estava prestes a tocar e um segundo depois o aparelho da Agente Rita Weber tocou.
Ela levantou-se, se vestiu e os dois saíram, cada um em um carro.
O caso dos dois começara há pouco mais de um mês, mas o departamento era contra namoro entre funcionários, por isso mantinham em segredo.
Joshua Barry apanhara sua câmera fotográfica o mais rápido que pôde, assim que recebeu o chamado e já se dirigia para o local do crime, ele era o mais novo fotógrafo da perícia, com seus vinte e seis anos.
Sean McNeil, o sargento cinquentão, rabugento e grosseiro fora o primeiro a chegar ao local e examinava minuciosamente o perímetro, gritando com as pessoas que começavam a se formar atrás das faixas de isolamento, com os policiais que não conseguiam contê-las enquanto praguejava o criminalista que não chegava nunca.
Amir Fayad, recém chegado ao país, conseguira o emprego de criminalista forense por indicação de um amigo, ele caminhava apressado pelas ruas escuras quando recebeu o telefonema e correu até seu apartamento para apanhar seus equipamentos de trabalho.

***

As faixas de isolamento de uma extremidade à outra da rua cercavam a cena do crime. Havia o corpo de jovem mulher, de saia e sutiã, estirado ao chão sobre uma imensa poça de sangue.
O Detetive Bowley desceu do carro, mostrou suas credenciais e atravessou a faixa, indo na direção de Joshua que disparava diversos flashes sobre o corpo sem vida.
A Agente Weber esperou alguns minutos e chegou ao local, cumprimentou a todos e se direcionou ao corpo.
Os gritos do Sarg. McNeil ecoavam pela viela e as luzes dos prédios se acendiam por toda aquela confusão, pessoas colocavam as cabeças pela janela, ora protestando pelo tumulto, ora curiosas para saber do que se tratava aquele escândalo todo.
- Agora que você resolve dar o ar da sua graça, Fayad? – berrou o sargento assim que viu o rapaz se aproximando. – Temos muito trabalho a fazer por aqui, se seu sono é tão precioso para ser interrompido você está no serviço errado e...
Amir fechou os olhos, suspirou e fingiu não ouvir os berros, colocou as luvas de látex nas mãos e se aproximou do corpo.
- Não esquenta, daqui a pouco ele perde a voz – falou Joshua rindo.
- E então? – perguntou o detetive, que mantinha uma distância segura de Rita.
- Mulher, 25 a 30 anos – falou Amir e observou as manchas de sangue no muro de tijolos – O corte na garganta foi a causa principal da morte. Ela sangrou até morrer. – ele fez um gesto para os assistentes se aproximarem e pediu para que virassem o corpo.
- O que é aquilo? – Rita apontou para as costas da moça.
Amir apontou o feixe da lanterna para onde Rita indicara e viu que a pele da moça tinha sido arrancada para formar o número 1888.
- Mas que merda é essa? – grunhiu McNeil quando viu aquilo.

EM BREVE – PARTE 2

Tô com problemas de conexão, vou ficar sumido por uns tempos, mas vou continuar postando sempre que der. Odeio isso "/
 

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